02/11/2014

O imbatível trem alviazul

Gilmar foi o cara na Boca do Lobo.

Jogo de ida da semifinal da Copa Ivânio Branco de Araújo, a Sul-Fronteira. A Boca do Lobo em Pelotas como casa ao mandante São Paulo, da cidade ao lado, Rio Grande. Quem viajou mais para ocupar o cargo de visitante é o Lajeadense, o trem azul do segundo semestre.

Sem o estádio Aldo Dapuzzo, a missão do Leão da linha do parque era ainda mais difícil. Sem desistir, a Mancha Rubro-Verde esteve presente com suas faixas e o repertório completo das torcidas organizadas. Instalada devidamente na arquibancada da avenida Bento Gonçalves, apoiou firmemente nos primeiros instantes.

Com a esfera de couro rolando, não demorou para o indigesto convidado aprontar, como tem sido costume. Aos 7 minutos, cruzamento da esquerda de Goiano, o goleiro Diego não achou e Gilmar completou para os barbantes. 1 a 0 para o Lajeadense. Momento triste na jogada foi a queda do goleirão do São Paulo, que acabou encaminhado ao hospital com uma lesão no ombro. Ambulância afuera do estádio e resolvemos deixar o campo também e escalar os degraus da Boca do Lobo, para fugir da possível chuva. Chuva que enganou e não quis aparecer na tarde nublada.

Com o retorno da essencial peça de segurança do espetáculo, retorno também ao jogo, com o São Paulo com seu goleiro reserva, Vagner. O gol de empate do Leão veio somente no fim da etapa inicial. Em cruzamento para área, Guilherme foi derrubado ESCANDALOSAMENTE. O juizão atendeu. Tiago Rodrigues cobrou firme e igualou a peleia: 1 a 1. E foi só antes do tio apitar pela primeira metade concluída.

Com o segundo tempo em recomeço, o São Paulo tentou investir mais, porém deixando espaços à cruel dupla de ataque. Gilmar e Paulo Josué, de entrosamento até como combinação sertaneja. E aos 12 minutos nasceu mais um apronto dos avançados de Luiz Carlos Winck. Após escanteio, Paulo Josué cabeceou para frente, correu para completar o drible no marcador e chutou rasteiro, escolhendo o canto. Bucha! 2 a 1 para o Lajeadense e comemoração em conjunto com os reservas que aqueciam próximo à pintura.

Ao São Paulo, o prejuízo era gigantesco com os gols sofridos "em casa". Vagner ainda salvava o possível e até em algumas causas que pareciam impossíveis. Na frente, partida pouco inspirada de Dudu Mandai, o homem da classificação e procurador ainda em vão do talismã Suárez, o cão que o mordeu no último jogo. Sem mordida e sem grandes mudanças na busca pelo empate parte 2.

E na administração do placar, o Lajeadense aproveitou o fim de semana dos mortos para mais um sepultamento. Um brinde ao bom futebol dos laterais de um time treinado por um brilhante ex-jogador da posição. Agora foi da direita. Thiago Machado colocou no centro, o zagueiro do São Paulo foi traído pelo quique da bola e deixou-a sobrar nos pés de quem sabe o que faz. Gilmar ajeitou e chutou entre as pernas do goleiro Vagner para selar o placar. 3 a 1 para o Lajeadense.

30/10/2014

Espelhos e Espinhos

As diferenças são como pequenos espinhos. Espinhos imersos em uma superfície onde APARENTA haver civilidade. Mas quando cutucados, os espinhos inflamam e não são retirados sem punir quem ousou encostá-los. Aí debates acabam em brigas, baixaria e preconceitos em erupção.

São tempos atuais de discordância elevada em grau político, quando debatem-se as crenças do que seria melhor em âmbitos sociais e econômicos. A eleição presidencial parelha e antagônica separou visões diferentes. A corrida de campanha foi conduzida como uma corrida entre duas bigas, de certa forma em retrocesso semelhante às barbáries comuns aos romanos da época.

27/10/2014

Domingo D+4

E saí de casa solito, na esperança de encontrá-la. Não sei se ela ou a vitória. Eram duas belas meninas, de todo o modo. Concreta, visível em pele, ou abstrata, no sentimento de cada um envolvido. De todo o modo, era para terminar saboreando o fim de tarde de um domingo de um calor infernal sobre os concretos da cidade quase grande.

Longe demais das capitais eu estive caminhando, quase em linha reta. A geografia das ruas permitia tal traçado em direção à ela (a vitória). Ouvia minhas escassas opções de rádio FM, após já ter escolhido facilmente as escassas opções de candidatos na eleição. Era o segundo turno para governador e presidente. O candidato estadual de minha preferência já havia perdido quando deixei minha casa com os fones de ouvido. Diferentemente do conformismo da primeira "derrota", a segunda apuração era uma decisão mais antagônica, importante. Minha candidata precisava vencer. Obrigação na cartilha para curtir as próximas horas. E os próximos anos.

Caminhei e andei e andei ainda mais um pouco e o horário da divulgação da apuração, 20 horas, não chegava. O sol obedecia ao ciclo e quedava aos poucos para seu esconderijo. Não sabia mais se os óculos escuros eram necessários.

Já dobrava para a rua decisiva, enquanto na calçada oposta um trio de jovens, um deles com o violão em mãos, cantava Jota Quest: "e se quiser saber pra onde eu vou, pra onde tenha sol, é pra lá que eu vou". De longe, avistei duas camisas de cor muito semelhante à minha. Ao descobrir o bigode conhecido de um colega universitário, rumamos juntos pelo centro. Agora três camisas de tons quase idênticos e com o mesmo voto no coração por baixo delas. Altos papos de política até o apartamento do amigo daquela noite.

De lá, aguardamos a apuração. O colega de ap. dele, reclamando de pressão desregulada, estava com um notebook para conferir o resultado do clímax dominical. Ele, também eleitor de mesma escolha, aborrecia por sua falta de emoção/expressão enquanto anunciava algo de importância comparável a um teste de DNA. E deu ela. Deu ela, sim. 95% das urnas brasileiras apuradas. E 96%. E 97, 98%. É TETRA!!!!! - infinitas exclama ações.

Papeamos mais um pouco sobre futebol interiorano gaúcho e política de parâmetro local e nacional antes de sair às ruas. O comitê, antes ocupado por somente meia dúzia de gatos pingados com o sol ainda a martelar, agora estava tomado. A quadra destinada aos satisfeitos e contentos com o resultado recém saído do forno (literalmente, pelo calor do cão).

A cuia passeou ainda mais algumas vezes por nossas mãos e a erva caliente por nossos bicos antes de acabar o conteúdo da mateira. Um papo ali e outro acolá, do outro lado do mar de bandeiras vermelhas para contextualizar o significado vitorioso. Trocar mais ideias com gente que, na ampla questão, concordava em maior grau conosco. Em meio a isso, procurei-a com olhar inquieto. Achei outras vistas apreciáveis, mas não ela. Somente os olhos e sorrisos da outra menina apareciam: a menina vitória.

Um papo com um paulista que hace artes visuais no pampa gaúcho e está terminando o curso. O estado de São Paulo vive a seca da água e a seca da ausência de um governador de esquerda no estado. A primeira seca recente, pega todos de calças curtas como informação bombástica. A segunda se arrasta por anos e permanece mais quatro. Mas para presidente, apesar da pequena votação lá em SP, a situação segue diferente ao Brasil. Para melhor.

Ele me conta que chegou à nossa Universidade local pelo ENEM. Foi um dos primeiros contemplados, lá em 2011, sendo a Federal da cidade uma das primeiras a aderir integralmente os ingressos pelo Exame Nacional. Agora, próximo do fim da jornada nestas terras, o jovem diz que já consegue financiar apartamento em São Paulo com o programa de assistência à moradias. Vir para cá e estudar com o dinheiro dos impostos foi possível. Voltar formado e com auxílio no custo do imóvel também é.

Entre outros olhares de quem imagino boas histórias e motivos de estarem lá em comemoração, temos negros e negras, bandeira LGBT, bandeira com as cores que simbolizam as lutas femininas. Temos crianças influenciadas pelos pais. Crianças que tomara tenham um futuro melhor para seus futuros filhos. Temos motoristas de ônibus ilhados provisoriamente pelas olas embandeiradas. Uns buzinam. A maioria deles se manifesta, na verdade. Adesivos em carros do ano (?) e em bicicletas.

A cerveja de marca gaúcha desce rápido. Rápido, antes que esquente. Vejo mais crianças, mais gente alegre. Quem não pula é comparado com uma ave da fauna brasileira. A multidão começa a dispersar e me disperso em um turbilhão de assuntos e pensamentos, colecionando algumas certezas como adesivos de candidato. Assim, também volto para casa.

Os ônibus não vem, mas acerto as teclas do celular e consigo carona. Eu tenho carona, nem todos têm. Concluo, dessa campanha encerrada, que meu voto não é só por mim. É pelo estudante com o sonho das artes, é pelas empregadas e empregados que saíram a comemorar no domingo à noite, pelos LGBTs com suas bandeiras e direitos, pelo boné que vi dos sem-terra, pelas minorias sociais em geral. É por melhor condição de serviço e salário dos motoristas e passageiros de ônibus. Não é só por 20 centavos. É pela maior humanização ao meu redor.

Divulgação do site Catraca Livre

23/10/2014

Respiração Gota a Gota

"Nascemos para quê? Para sermos mais uma gota no meio do oceano?", ela disse em meio ao diálogo. Importante despertar de ideia, naquela incessante inquietude pelo "quem somos?". Existe uma legião bem grande de gotas espalhadas por aí. Podem parecer e se assemelham em muitos aspectos, mas não são iguais.

Há gotas que gostas mais. Há gotas que gostas menos. Há gotas que parecem vir ao mundo somente para secar outras gotas. Há gotas que escorrem lindamente juntas, se entrecruzam e persistem lado a lado.


14/10/2014

Feira cultural pela negritude

 Realizada no Mercado Central de Pelotas,
a Feira da Cara Preta reúne expositores
com cultura afro da região sul do estado


A Feira da Cara Preta chegou, em setembro de 2014, à sua 3ª edição. A realização é uma oportunidade de manifestação cultural para artistas e expositores da zona sul do Rio Grande do Sul. Em Pelotas, a cultura de raízes afro é bastante presente e faz parte do desenvolvimento do município desde seus princípios. Porém, segundo um dos organizadores, Jonas Fernando, “os negros ainda não conseguem se ver como parte do modelo de sociedade em que vivem”.
A ideia do evento é exatamente o que Jonas propõe: inserção. Buscar espaço em um mundo onde a arte e o lazer caminham de maneira segmentada. Por isso, a Feira da Cara Preta, que ocorreu entre 19 e 22 de setembro no Mercado Central de Pelotas, reuniu cerca de 40 trabalhadores, entre artistas, organizadores e vendedores de artigos de moda e gastronomia. A tradição surgia de diversas formas aos visitantes. Culinária e vestimentas típicas, pinturas, esculturas, literatura e dança, além de rodas para debater a história e o espaço do negro na sociedade.

12/10/2014

Voltam Vultos

Não detive o que vem de ti
Não detenho o teu desenho
Que surge à minha frente
Formado em minha mente
Informante incessante
Dos problemas da gente

09/10/2014

Pequeñas cosas pequeñas

Uma vogal a mais na digitação. Um pingo sobre a letra I mais desenhado na caligrafia a ti endereçada. Uma entonação mais aproximativa no telefone. As pequenas mudanças comunicacionais que nos fazem sentir bem. A simplicidade como o aroma do café sobre a tranquilidade da mesa. Ou sobre o caos ao redor, mas com a bebida dotada de cafeína como oásis no deserto de quem busca paz, sossego ou inspiração.

A grama na sua tonalidade mais verde possível, sob os disparos do regador das nuvens. Biosfera de tantas minúsculas espécies, biosfera do nosso imaginário na procura por algo certo em meio às sarjetas e calçadas imundas. The Kooks no fone de ouvido, enquanto a fofoca é menina livre nos arredores. O violão de algum MTV unplugged dos anos 90, do formato mp3 ao aparelho auditivo, enquanto o ônibus sinaliza no letreiro seu bairro, mas parece o caminho mais curto ao inferno.

A camiseta daquela banda ou daquele time, perdida nas multidões, com um corpo desconhecido a ser cobrido por ela. Um rosto passageiro. Um sorriso certeiro em alguma vitrine, esquina ou faixa de pedestre. A voz macia de atendente de telemarketing, quando o serviço tinham tudo para ser os piores minutos no conjunto de 24 horas.

O mergulho do sol no horizonte como despedida diária de seu ciclo. A caminhada sobre folhas mortas, o olhar acima aos chaveiros dotados de clorofila nas árvores. A flor solitária em local inusitado. A flor comunitária com suas familiares.

Pequeñas cosas, pequenos versos pelos segmentos do universo. 


Comboio Sonha+Dor

Tanta gente a esperar o expediente acabar
A batucar no balcão e na mesa
Com a cara virada em tédio
A mirar os ponteiros do relógio
Com o assédio de esperar a sobremesa

Tanta gente assassina, serial killer do tempo
Faz chacina e fascina quem corre a todo momento
No turbilhão do dia a dia, no corredor das correrias
Roleta por roleta, transportes para casa
O tempo diminuto, de minuto em minuto
Não sobra um puto espaço
No escasso tempo em brasa

A fogueira das vaidades, vai idade e vai idade
Vai cidade que só cresce no sentido vertical
Verte e verte, mas inverte o sentido principal
Vai cidade a incendiar, a vaiar os teus sonhos
Como um rolo que atropela o comboio sonha+dor


29/09/2014

Ore Chá

Minha mente recua

Turva, em decaída

Obrigado por ser

Meu chá das duas da matina

27/09/2014

Cinzeiros que não apagam

Vadio que sou, adio os compromissos e as responsabilidades que a princípio doem, mas me fariam bem. Adio o processo de remoção da letra I que inicia a palavra imaturidade, que muitos me cobram, numa transição a prazo, mas que eles querem o quanto antes, à vista.

Vadio e vaidoso que sou, adio conversas e tira-teimas. Não vou direto ao ponto, porque como diz a canção: "se eu tentar ser mais direto, vou me perder, melhor deixar quieto." E quieto, na inquietude do silêncio, transbordo e deságuo aqui as influências e afluentes de mais um dia, pouco antes de nascer o próximo com o sol.

E nublado da mente prossigo. Inválido para o que interessa para a maioria. Insuficiente nas carências dos outros que procuram soluções. Carente na busca das minhas próprias respostas. Analisador dos arredores, com poucos credos a crer. Tenho credores de favores que não posso cumprir. Há credores em minha família, que faz, reconheço, sua parte. E de minha pessoa, já os disse: não esperem de mim mais do que este aviso. Não mais do que estas linhas.

Caminhar posso e pelos meus percursos tenho ideias. Abstratas e incompletas, na incessante procura por respostas. Por repostas, que reponham minha mente no âmbito da sanidade. Não me sinto são, nem de saúde e nem de santo. Faz algum tempo. Os lamentos se acumulam em uma imensa fogueira que clareia minhas retinas. Me cega. Me encerra em suas labaredas. Me cerca e não me deixa avançar.

O extintor está extinto. Mais uma mão de tinta recobre o muro das lamentações. O visual é berrante, o cheiro da tinta enjoa. As quatro paredes parecem reduzir o espaço. Os metros quadrados se estreitam. Os centímetros cúbicos de água sobem e, por mais que eu saiba nadar, nada me protege se a quantidade chegar até o teto.

Mais um texto. Mais um dia.



23/09/2014

Quando o sol nasce, logo o procuro

Ao meio-dia, só quero uma sombrinha


O calor como a bipolaridade dos dias


Que por meu corpo caminha

22/09/2014

Não deixe a capa castrar o livro

As voltas voláteis do volante, timão que move o mundo, são conhecidas de nossas humildes cabeças. A roda gigante de estar embaixo agora e estar em cima mais tarde, ou vice-versa, acompanha nossa passagem em andança. Bem verdade que as mudanças estão longe de serem no comodismo de uma cabine (chamam cabine?) de uma roda gigante, onde vomitar é uma opção que passa longe, se comparar com outras atrações dos parques de diversões. As mudanças instáveis se assemelham mais a trens-fantasma, montanhas-russas e aqueles crazy fucking dance e sei lá o quê mais.

As primeiras impressões a respeito de uma pessoa surgem quase involuntárias. Nossa capacidade de julgar o livro pela capa se excita e lançamos, mesmo que para nós mesmo, pareceres, ideias, subestimando ou enaltecendo a nova forma de vida a se conhecer. "Ilusão de ótima" é uma de minhas postagens nesse blog. Mas além de, primeiramente, termos impressões melhores do que as que descobriremos a seguir, no velho jogo de "expectativa x realidade", muitas vezes nos colocamos numa defensiva e procuramos defeitos logo de cara. Velha prática também do bullying, de buscar, através de deficiências / limitações problemas no próximo.


Os julgamentos que prestamos como que selecionando o próximo livro de cabeceira em uma disputada livraria, muitas vezes não se confirmam. Tendem a cair. Analisamos obras, trabalhos, atitudes sem nem ao menos conhecer a pessoa e sua larga e vasta vivência (que jamais entenderemos por completo). Se nem a mim mesmo posso direcionar e justificar o que faço e farei, por que caberia julgar o próximo pelo que fez ou faz? E o fará, que ainda não nos pertence sequer TENTAR medir!

Nessas voltas prestadas pelo mundo, em vantagens e desvantagens, em alegrias e tristezas, em saúdes e doenças, o que construímos de julgamentos sobre pessoas, seus trabalhos, empresas, suas dimensões, caem e se perdem. Quantas vezes julgamos situações olhando por fora, sem conhecer os reais fatores envolventes na causa? Clubes de futebol que não apresentam resultados satisfatórios, por exemplo, podem ter problemas de elenco, rendimento de atletas, contratações erradas, problemas com preparação física, com logística... Enfim, há de se levar em consideração todos esses itens e mais alguns, como finanças, investimentos, marketing...

Uma pessoa que comete um crime pode ter uma criação e uma convivência que incentivaram a chegar a tal ponto. Exemplos de familiares, de amigos que fizeram o mesmo e saíram impunes. Exemplos copiados de uma sociedade competitiva e violenta. Os exemplos rondam e caçam nossas mentes de formas brutais e cruéis. Como se não bastasse o próprio diabinho suplicando sobre meu ombro com maldades intrínsecas.

Cabe então, ao terminar o tecimento de mais estas linhas (mania desses vícios de linguagem que formalizam e padronizam minhas baboseiras) nos confrontarmos com nós mesmos com o objetivo de domar as abusivas castrações de análise. Para de falar difícil! Tá, ok. Cabe a nós diminuir os julgamentos e darmos mais oportunidade aos outros mostrarem o que são e o que querem. Cabe ficarmos atentos, observarmos antes de emitir nossas percepções. O julgado e taxado de hoje pode te ajudar em um futuro próximo. Estejamos cientes. Por hoje é isso. Boa semana.


20/09/2014

O Cinzeiro das Poesias

A poesia é de poucos
É de porcos, é de pérolas
É o diabo de auréola
A poesia é de loucos
É o que não se compra com cédula
E o que não se enxerga com células

O tempo real dói
O planejamento vai pro pau
O planejado se corrói
O futuro lamenta
O muro que não se constrói
 
Mais um pouco, mais um copo
Mais um pouco de faxina
Mais um louco, mais um louco
Exorciza!

18/09/2014

Agradar a todos? Nem AC, nem durante, nem DC

Linhas de apoio:
Me apoiem, me alentem, calientenme linhas! O texto é sobre a impossível missão de agradar a todos. E sobre a nobre missão de abrir mão de nosso agrado para agradar alguns. Boa leitura.

Como diz o velho ditado: nem o cabeludo (será que era mesmo como os atores de propaganda de shampoo?) crucificado agradou a todos ao seu redor. E o ser humano é aquele bicho complicado, como já chegamos à conclusão em outras filosogadas da madrufia. A reflexão, a bola da vez nesse jogo de sinuca em que todos caímos, mas voltamos à mesa, veio através de uma manhã de correria.

Para mim, a correria acontecia por compromisso em pleno período matinal de domingo. Para outros, porém, a correria parecia ter começado mais cedo e por motivo totalmente oposto. Maratonistas, leigos e afins se reuniam em avenida próxima de minha casa para esticar as pernas em atividade esportiva. O acesso por onde meu carro passaria estava obstruído por imóveis cavaletes. Bah, vou me atrasar! Bah, extinto de violência! Essa não, é furada!

O motorista da frente queimou o pavio mais rapidamente e desafiou o agente de trânsito que monitorava a situação. Deu um cavalinho de pau e fez o retorno por onde veio, agora em contramão, correndo o risco de atropelar alguém. Complicando o serviço da manhã tranquila do agente vestido de azul. Primeiramente atordoado com a manobra ousada do motora revoltado, o responsável pelo tráfego logo apitou, ao não ser obedecido, em seguida ligou motor e foi atrás do infrator com sua moto. Onde já se viu? Foi peitar a lei e certamente deve ter levado um canetaço na sequência. Valeu a pena essa irritação, esse gesto rude e arrogante? O bolso provavelmente confirma que não.

Em meio ao estresse de quem tava com outros planos na tirada do carro da garagem, os maratonistas e corredores davam exemplo de esforço físico, de superação a cada passo em distâncias que não devem estar acostumados a percorrer. Davam exemplo de união, talvez iniciando amizades, ou quem sabe conservando outras pela prática do esporte. Parabéns a eles. O dia a dia reserva correrias e banalidades de olhar pros lados ao sacar e guardar o carro com medo de roubo, de catar vaga loucamente no movimentado centro urbano, de procurar arduamente o caminho mais curto no GPS ou a gasosa mais barata pra colocar no tanque. Mas aqueles homens e mulheres só queriam cumprir o cooper, vencer obstáculos, suar para liberar prazer.

Tão melhor correr ao ar livre (quando o livre também significa fugir um pouco dos combustíveis dos veículos) do que corretear pelas esteiras monótonas de academias claustrofóbicas. Realmente um belo exemplo dos corredores esforçados pela avenida Dom Joaquim. O agrado deles, infelizmente, não era meu agrado na hora. Somente minutos depois em pensamento, no cair da ficha do que realmente são as coisas. Perdi uns minutos que quase me custaram um atraso constrangedor, mas vi muitos ganharem o dia a cada passada com o olhar compenetrado que os fazia seguir em frente.

E esse exercício - o pensar nos outros beneficiados mesmo com meu parcial prejuízo - deve ser feito diariamente. Mais do que atividade física. Pense bem em quem escalar nos poderes legislativo e executivo nas eleições. Faz a balança com menos interesse próprio e mais altruísmo. Mais altruísmo na busca por vaga para estacionar. Mais altruísmo para não atrapalhar os demais com som alto. Para não largar o lixo em qualquer lugar. Parece simples, mas a praticidade do altruísmo é um gasto grandioso. Mas é recompensador, sem dúvidas.

O agrado a todos tem um carimbo de impossível reservado a ele. Mas por que não abrir mão de um pouco de nossas sensações egoístas e dar oportunidade aos demais de conseguir a alegria momentânea? Uma multa a menos na carteira dos pontos da vida.

09/09/2014

O Racismo é Expandido, mas o Debate Não


Se o ano de 2013 do futebol brasileiro foi marcado por muitas confusões entre torcidas em confrontos físicos, o 2014 colocou em pauta outro problema social. O racismo até pode parecer caso isolado, mas é exatamente nessa linha de pensamento que perdemos a chance de fazer o verdadeiro debate pela sociedade.

A maior repercussão de racismo nos estádios do país ocorreu na Arena do Grêmio. O goleiro Aranha parou o jogo entre o tricolor gaúcho e o Santos por conta das agressões verbais que sofreu de alguns torcedores. Aos gritos e imitações de macaco, a injúria racial contra ele foi nítida. A punição veio em 3 de setembro, com multa e exclusão do Grêmio da Copa do Brasil.

Logo após o crime, grande parte da mídia apontou o dedo e fez a nuvem dos julgamentos chover sobre alguns indivíduos identificados por cometer os atos de preconceito, além de alguns veículos fazerem a crítica contra o clube Grêmio como um todo. Parcela considerável dos críticos ao clube gaúcho passou a questionar cânticos da torcida Geral do Grêmio, em que aparece o termo "macaco" para citar o Internacional. Existe o debate sobre a origem confusa do termo usado pelos torcedores. No caso se a palavra, adotada há mais de década em músicas, é cantada com caráter racista. A Geral defende não ter essa intenção ao cantar, mas a abertura para várias interpretações, por se tratar de um termo mundialmente usado em atos de racismo, dá margem para condenação dessa torcida por terceiros.

Partiu da própria direção gremista punir a Geral após repetirem os cantos no jogo seguinte ao ocorrido com Aranha. A torcida está proibida de entrar na Arena com instrumentos musicais. Engana-se quem pensa que as polêmicas cessariam com a punição do STJD ao Grêmio. Conforme pesquisa de torcedores, o passado de auditor do Supremo Tribunal de Justiça Desportiva veio à tona. Nas redes sociais, Ricardo Graiche, membro do tribunal, havia publicado mensagens de conteúdo racista. Um choque contraditório que chega a invocar a ironia na causa.

Assim, o Grêmio tenta anular o julgamento e alega falhas no STJD. Já Ricardo Graiche, de auditor, passa a ser réu e não deve sair ileso.

Não posso esquecer da exposição da primeira gremista acusada de injúria racial. A jovem Patrícia Moreira, mostrada em filmagem insultando o Aranha, foi hostilizada de várias formas, seja nas redes sociais, ou até com a casa apedrejada em Porto Alegre. Saliento que a moça não é a única culpada e nem merece tal represália de quem busca justiça com as próprias mãos.

Exemplo de vingança teve a torcida do Flamengo no domingo (07/09). Com seus torcedores contrários ao racismo, xingaram gremistas no Maracanã os generalizando como racistas. Além disso, entoaram os comuns cânticos homofóbicos e xenófobos contra o Rio Grande do Sul. Em resumo, o episódio traz algumas lições. É preciso apontar menos o dedo ao próximo e ter consciência de uma maior autocrítica. Portanto, não se deve combater um tipo de preconceito com mais preconceito. Agrega em nada no combate ao racismo o uso de machismo (evidente contra Patrícia), homofobia ou xenofobia (vistos no Maracanã).
 
O debate maior não é sobre Patrícia, sobre o Grêmio, nem sobre os estádios. Racismo e as demais formas de preconceito são um problema social do dia a dia de um Brasil hipócrita, onde não se costuma mirar o próprio umbigo. São muitas as pedras arremessadas por quem tem teto de vidro.

05/09/2014

Histórias e Estórias

E já pouco me importa aprender a História com a oficialização da inicial maiúscula dos que conquistaram a versão mais aceita, muitas vezes repressora. Quero mais das histórias tímidas, abafadas e pouco levadas adiante. Histórias dos barbeiros, faxineiras, ruralistas, roupeiros, cozinheiras e artistas das maneiras mais alternativas possíveis. Com a dificuldade de quem sobrevive e com o poder de contar sobre a vida, com os olhos de quem observa de perto ou de longe os detentores dos holofotes. E interessado estou por suas visões, versinhos e versões, pelo bem e o mal que se camuflam, se misturam, se avizinham e visitam. Mesmo com seus devaneios e exageros que em nós se reflitam.

22/08/2014

Eu me sinto pressionado

Logo aos 12 do primeiro tempo

Toco a bola para a lateral

E peço atendimento

15/08/2014

Traços

Não sou artista

Mas quero saber todos os seus traços

E quando mudarem de forma

Que seja pela frequência dos amassos


07/08/2014

Montanha-russa

Sua boca é uma montanha-russa

À altura dos desejos

Que permita só ser russa

Se for pela gastura

Do excesso de meus beijos

28/07/2014

Ojos de perro

A mescla de sentimentos que envolvem a simples tentativa de comunicação e amizade dos cães na rua. Sem muito aviso prévio ou cerimônia, ele se coloca à disposição para uma breve jornada. Dedicado, é seu mais novo braço direito, fiel escudeiro, dentre outras definições. Quando em grupo já estamos, é mais um a fazer parte da turma, com o carismático rabo a abanar em aceitação. Nas caminhadas de solidão, então, assume rapidamente o posto de melhor amigo presente, a quem se pode confiar a cada passo.

21/07/2014

Opino

Raramente eu opino

Na falta do que fazer

Venho aqui somente de teimosia, no luxo raro do tempo a perder. Depois de um dia ensolarado atrás das próprias grades de proteção, ouvindo composições mais antigas que meus primeiros sintomas da doença chamada existência.

Venho apenas para marcar ponto e dizer que vim, assim como me sinto em diversos encontros por N motivos, razões e circunstâncias. Assim como sinto que muitas vezes ouvimos pra dizer que ouvimos, lemos pra somente dizer que lemos e aprendemos para o mero acréscimo de nota no currículo do lugar algum. Ah, devo estar de saco cheio e com a lista de hobbys bem inferior em itens quando comparada às necessidades de supermercado.

Mas é uma das lógicas de unificação social prestada pelos jornais. Notícias nada relevantes, mas que revelam assuntos inquietantes no cotidiano. Às vezes mais pela venda da imagem do sujeito que praticou a ação do que pela real consequência da mesma. Hoje mesmo surgiu uma da ZH que era sobre um dos guardas da rainha da Inglaterra ter tocado o instrumental de alguma música tema de seriado. Que diabos quero saber? Que diabos vocês querem saber? Que raios importa o gosto musical do filósofo moderno Neymar Jr.?

No táxi do texto até aqui, a conclusão de nenhuma razão alcançada custou ERRE CIFRÃO 11,75.  Mas aproveitando eu ter tocado no tema de manchetes, um jornal local destacou o alto índice de suicídios no município aqui ao lado, o 13º com maior incidência percentual em todo o Brasil. O que levaria as pessoas a cometer a fatalidade? A repetição de mortes no tal modelo causaria uma cultura de suicidas na microrregião? A desistência da vida estaria relacionada às dificuldades de atingir metas? Ou seria a falta de metas estabelecidas, no sentido de: tô fazendo o quê aqui?

Com a sua licença, vou ali no banheiro que o dever (ufa, algo pra fazer) me chama. Não voltarei com reflexões expostas aqui, mas regressarei com coisa a menos no corpo. Reflitam o tema (ou a ausência dele) de hoje. Até a próxima.

08/07/2014

O ouro ao redor

Ao redor ainda brilham. São luzes de faróis, enfileirados. É a sinaleira imóvel em seu ciclo de verde-amarelo-vermelho. Os postes vão acender quando necessário for. Os faróis não vão parar na faixa de pedestre e, por trás deles, a buzina será acionada se o condutor achar conveniente. Sem se preocupar com a fragilidade auditiva/emocional próxima. A escuridão nada mais é do que interna, é o luto tomando posse. Lá fora, do outro lado, todos seguem apressados e, mesmo que olhem rapidamente, não adivinharão.

Passei na frente de um aglomerado de pessoas na caminhada deste 7 de julho, aniversário de 202 anos da cidade em questão. Não que um ano a mais ou um a menos mude o diagnóstico da situação. Os trajes formais e de predominância em tons mórbidos não me fugiram da percepção. O fato da assembleia ocorrer ao lado do maior cemitério municipal também facilitou a associação a uma partida. - Mais um - comum pensamento talvez a quem habite a área do bairro, distante do meu. Para quem toma o tal caminho pela calçada em frente ao velório, é mais provável que ignore. Não se trata de algum ente querido, nada que o sujeito tenha sido convidado.

E assim se vai, o que se passa por ali, em apenas um instante é teu passado e nada de retornar àquele ponto, àquela imagem. Já passou. Para quem ali fica, estático, num turbilhão de emoções doloridas, em maior ou menor grau, não passa. Ainda vai demorar.

E na aldeia ao redor, ninguém parece ligar. Somente, é claro, os reunidos por alguma filiação ao desconhecido (por mim) que se foi. Isso me faz pensar que os povoados de hominídeos e das civilizações mais antigas reuniam-se e nutriam uma determinada aproximação. Se algum viesse a falecer, a comunidade provavelmente pararia, faria um ritual e entrariam TODOS em sinal de respeito aos que buscam domar o momento angustiante.


Em nossas repartições atuais de bairro/cidade, pouco temos em comum. Talvez a maior coisa em comum com teu vizinho seja a rede elétrica, que na casa dele pode faltar ao mesmo tempo em que na tua (nem sempre). Muitas vezes, principalmente no acelerado vai e vem das metrópoles, pouco se sabe sobre quem se esconde na parede ao lado do apartamento. Ou no andar de cima. Ou no andar de baixo.

E assim se vai, dia após dia na tua rotina despreocupada. Ignorando até as maiores aglomerações em luto. Seguindo um fluxo que TU julgas NORMAL.

03/06/2014

O jogo de verdade






















O futebol são os pés desgastados e descalços que ignoram a irregularidade do piso por onde serpenteiam e emprestam os chinelos para servir de traves ao passatempo. O futebol é o passo vagaroso, mas ansioso de um ancião em busca de mais uma jornada de seu time, sobre os frios degraus do concreto úmido da arquibancada, ou sob o castigante sol dos veraneios.

O futebol é o funcionário atarefado, que cuida, com poucos recursos, da manutenção de gramado, tribunas e vestiário para o melhor do evento. O futebol é a oração uníssona nas escadarias à beira do campo, pedindo o que as federações organizadoras ignoram. É o atleta que suja o fardamento para evitar um arremesso lateral contrário ao seu time. É o clube de finanças esfarrapadas que se desdobra em logísticas de longínquas e desgastantes viagens.

O que diferencia o esporte futebol dos demais, e muito me cativa, são as vitórias de menores sobre maiores. Até constantes. Não menores em esforço, tampouco em determinação. Às vezes menores por não terem parcerias milionárias com empresários e empresas, direitos de imagem e aparições em grandes transmissões televisivas. Nem possuem equipes completas de medicina e administração. Clubes que contam com academias sucateadas e fornecedores esportivos a nível municipal, talvez regional.

Aos grandes contratos, marcas propagandísticas de longo alcance, sempre me parecem mais fiéis à existência de outros esportes. Talvez badalados esportes como pôquer, golfe e tênis. Já ao futebol, não, isso não me parece combinativo ao futebol, aos exemplos dos primeiros parágrafos.

E quanto aos menores e menos favorecidos vencerem, por vezes, os maiores e mais favorecidos, não digo injustiça. Chamo de oportunidade. Machucar já machucaram, mas não matem o verdadeiro futebol.

30/05/2014

Ciúme

Se uma
Se une
Ciúme
Se pune
Simule
Segure
Circule
Se cure

Ex-tara
Estava
Estável
Mas saiu da estante antiquada
No instante em que apareceu

24/05/2014

Equador em Viamão

Bom, galerinha, tá chegando a Copa do Mundo e a hospedagem da seleção equatoriana no Rio Grande do Sul não passa em branco. Vejamos algumas verdades.
Valencia, um doador de elétrons na meia cancha.

17/05/2014

Inverno nas veredas

A esponja cada vez mais gélida no banho
As mantas sobrepostas provocam vampiros
O intervalo entre os espirros é menor
Com o barulho do zíper me arranho

A substituição nos armários é forçada para uns
Para outros, prazerosa
Petrificam as atividades de uns
Outros descongelam prosa

08/05/2014

Cartas. Quem dá?

O celular e o limite dos caracteres em microblogs, como o Twitter. Ah, como nos censuram! Impossível exprimir a velocidade das sinapses com o esplendor do movimento dos dedos nas teclas. As ideias ficam mal desenvolvidas e estamos tão mal acostumados a trabalhar outras vertentes, como... O lápis e o papel! Imagine que grandes gênios da humanidade passaram sacrifícios molhando penas e encostando estas aos pergaminhos para contatar o distante resto do mundo.

Nossas habilidades e resistência para escrevermos e direcionarmos cartas aos correios são escassas. Mais admirável ainda é quem tem a paciência necessária nesse acelerado universo rotatório de esperar a resposta suculenta da grafia que endereçamos. Isso em meio ao caos de greves de quem luta por sua classe. Entre as classes, os Correios. Ninguém, lendo isto, tá disposto a dissertar raciocínios completos no papel e aguardar a eternidade de uma réplica. Ao contrário, caminho inverso, tecnologia ao alcance da mão que nos proporciona contar com as SMS, Snaps, What's up, Google +, chats de Facebook, Skype... Raciocínios rompidos, interrompidos pelo limite da chata leitura na tela, do cansaço físico do dedilhar.

Nesse ritmo, ao menos, poupamos árvores, ao mesmo tempo em que papéis arquivam tanta coisa suplementar e supérflua. Tanta conta e tanta propaganda... Abrir a caixa do correio colada à grade da frente só para receber esses últimos exemplos, nada de qualidade amistosa ou amorosa, embora tentem me sacanear. Nada mais na sinceridade da caligrafia singular, que muito diz sobre quem e em que estado escreveu. Seja lúcido, preocupado, agressivo...
Mas, ah, como somos limitados!

06/05/2014

ALAN KARDEC NA SELEÇÃO!?!?

Se o Felipão, o padeiro que move a massa acompanhadora da seleção optar por Kardec, eis algumas verdades:


Nas novas arenas para a Copa, não há mais alambrado. Mas haverá Alan Kardec.
Pra jogar sem a bola no time de Scolari, Alan Kardesce pra marcar.
Se precisar incendiar o jogo no segundo tempo, Felipão coloca Alan KarBECK.
Se jogasse na defesa, sem dúvida seria Alan KarBEQUE.

Alan Kardec inaugurará um novo bordão em Galvão Bueno. "É jogo para ( ) cardíaco (x) Kardec.
Alan Kardec só chegou onde chegou por causa do espírito esportivo.
O CARD de Alan KARDEC não está no álbum oficial da Copa do Mundo.
Alan Kardec, diferente dos novos companheiros PATO e GANSO, não possui ALANTOIDE.
É isso, amanhã cedo (07/05) sai a lista de convocados de Scolari para o mundial. Se Kardec for mais uma barrigada jornalística, ao menos aqui ele figurou.

05/05/2014

Ondas e ondas e carros e ondas

A velha propaganda em campanha interessante sobre a violência dos trânsitos no Brasil era pragmática: "os carros são como as lanchas, as motos são como os jet-skis e os pedestres são como os banhistas". A passos sobre as folhas mortas do outono, em meio aos questionamentos do eutôno (onde?), as interferências do que nos cerca são constantes. Um carro, outro carro. Mais um carro, prata como o primeiro. Rodas que rodam sobre os diferentes terrenos de asfaltos, paralelepípedos e remendos mistos. Uns mais rápido, mais predadores. Uns mais devagar, tranquilos ou simplesmente limitados. Motores barulhentos, latarias gastas que custam a passar. Motores silenciosos, desfiles deslizadores garantidores de status.

Adesivos moldam perfis dos usuários de tais máquinas. Como me parece que a cada dia é mais difícil traçar o retrato de quem está atrás do volante e isso não só por causa do insufilm. Por fora, tudo o que eu sabia de nomes (assim como capitais e espécies de dinossauros) se esvaiu com a chegada dos últimos modelos. Veículos cada vez mais semelhantes, salvo raros traços que, de alguma forma, te fazem acertar a empresa sem a necessidade de conferir o logotipo. Salvo uma ou outra tecnologia, anunciada triunfante em propagandas. Estas ditarão a próxima onda às ruas. É questão de tempo para o item super inédito aparecer na concorrente. O tempo de anos atrás do fordismo reduzido e compactado a menos de meses na atualidade. Assim funcionam outras inovações tecnológicas de diferentes áreas, assim as notícias correm apressadas, respondendo ao lead seco e engolido corriqueiramente.

Assim se passa mais um carro, como uma onda. Dificilmente o verei novamente em igual modelo, dono e placa. Intensidade e som como complementos. Se passar por mim novamente será só mais uma onda. Outra onda, mais uma onda devorando asfalto. Às vezes mar calmo, sem ondas. Ou com ondas engarrafadas. Nem entendo muito de carros, nem entendo de navegar. Muito admiro quem não se enjoa nas águas turvas deste mar.

02/05/2014

Tais quintais

Um quintal sem muros é o que muitos procuram. Às vezes acho que procuro. No meu quintal com muros, os limites às vezes são ignorados contra meu gosto. Por outro lado, dotado de estúpido receio que me é perseguidor, creio que já perdi dezenas de portas que me deixaram abertas. Uma das poucas constantes que tento levar é buscar um lugar em que eu me sinta bem e que os demais ao meu redor sintam-se bem com a minha presença, nada forçado ou fantasiado. Nada da boca pra fora ou com atuações pelo script da formalidade, da educação implantada. Acho que, no fundo, muitos de nós buscamos um quintal sem muros em que não nos sintamos invasivos. Algo com um enganoso espírito libertário e compartilhado.

01/05/2014

Suicide

Sobre suicídio: deixar as despedidas em bilhetes, ou algo assim, e morrer em local distante, sem o corpo para ser enterrado em ritual fúnebre? O problema é talvez deixar angústia nos poucos (bem poucos mesmo, de se contar nos dedos) com a esperança, sem acharem o corpo, de que ainda irás voltar. A outra opção é ceifar a vida em outro método e correr o risco de traumatizar quem primeiramente veja seu corpo já desanimado. Como fez Chorão ao consumir um coquetel de drogas e ser encontrado caído no próprio apartamento. Ou seu parceiro, que deve ter sentido o golpe, Champignon, que meses depois resolveu acabar com a passagem na Terra com um tiro na cabeça.
E eis que sobra a dúvida se o teu ato vai atrapalhar e jogar pra baixo a vida dos que ficaram desiludidos com tua sincera e pesada decisão, que, na mesma moeda da sinceridade, esperamos que eles não repitam tua última ação. O certo é que a cada dia sinto o peso maior, a contáveis (ou incontáveis?) passos de tirar todo o peso carregado, somado, esmagador. Descrente na esperança que move alguns e em outro move por simplesmente mover. Mais textos virão, mais páginas da vida de todos vocês leitores. Assim, ainda em algum fio, espero.
Jair

25/04/2014

Em 1ª pessoa

É um impasse, uma situação bilateral, uma faca de dois gumes. Entre os breves momentos especiais em que a felicidade ali se fez presente, mesmo tímida. São os melhores momentos às vezes os não tão bem planejados. Sem a criação dominante e perversa da expectativa, tomam forma e nos surpreendem.
Aí, neste impasse, não foi planejada a utilização de câmera para registros, simplesmente aconteceu. O registro fica por conta da, sujeita a alterações futuras, memória. Outros momentos são estrategicamente desenhados como plantas de prédios, mas não se concretizam. A câmera estava ali para registrá-los para, sem mudanças, tentar reproduzi-los através da foto. Mas, no X da questão, os momentos não ocorreram como o ferronho plano. Ou, por outro lado, aconteceram, mas estavas ocupado demais pensando em como registrá-lo para resgatar no futuro, e não te preocupaste em vivenciá-lo em tempo real. Gente que tira fotos demais em um show, mas não acompanha de corpo e alma, a letra e a melodia da música tocada, porque o dedo e o cérebro estão dando atenção ao gatilho da câmera fotográfica.
Voltamos a temas como as fronteiras sutis, entre um simples registro, talvez de uma foto, o suficiente como lembrança, ou o pecar pelo exagero: fotos demais que te ocuparam no tão sonhado momento. Seja o evento que for, não deixe de vivenciá-lo, primeiramente, em primeiro plano, teus olhos e demais sentidos como os registradores principais de cada cena. A câmera só capta o que a câmera vê, todos os outros % são contigo.

22/04/2014

12 anos e meio

- Aí gata, quer dar um nome pro meu cachorro?
- Ai, eu quero hihihi... mas eu nunca o vi, como posso dar um nome?
- Tudo bem, eu te mostro ele antes =)

- Aí gata, quer dar um nome pro meu pênis?
- HÃÃÃÃ?!? QUE ISSO!?! QUE NOJO!!!!
- Tá, calma, posso te mostrar primeiro. Fica com ele o tempo que quiser ;)

20/04/2014

Deserta

Desertar, de certa forma, seria bom
Despertar no silêncio um novo som

A vida é

A vida é um vinho barato com comida de microondas.

A vida é um mata moscas elétrico descarregado.

A vida é uma lixeira de banheiro com pedal quebrado.

A vida é o bombom duro de amendoim que ninguém da casa quis e que tu dá graça a Deus quando uma visita acaba com ele.

A vida é o vai e vem dos vendedores de vale transporte.

A vida é pegar o ônibus vazio pra pagar conta em lotérica cheia.

A vida é o álcool gel ignorado na portaria dos prédios públicos.

A vida é uma mesa de sinuca com caída, pano rasgado e que a gaveta tranca.

A vida é encaçapar a bola 8 na 3ª tacada.

A vida é a música praiana do Armandinho enquanto o sol castiga o calçamento em paralelepípedo da rua XV de Novembro, sem árvores à vista.

A vida é não completar o álbum pela ausência de 12 figurinhas.

A vida é o cachorro da vizinha que não se acostuma com a tua passagem quase que diária pela calçada.

A vida é um barco em que tu e outras 44 pessoas estão marcadas numa publicação sobre perda de peso.

A vida é tropeçar no peso recheado de areia que calça a porta.

A vida é o garoto que enxuga o suor dos atletas sobre os parquês quando autorizado pelo árbitro.

A vida é a expulsão aos 41 do segundo tempo de um escalado teu no Cartola.

A vida é o spoiller da 3ª temporada da série que gastasse horas baixando episódios e dormindo tarde pra encontrar tempo para assistir regularmente.

A vida é o telecine touch às 2:30 da manhã.

A vida é um pornô tailandês de baixa resolução.

A vida é a tv da rodoviária exibindo seriado dublado.

A vida é um refrigerante Biri quente e sem gás no fundo da mochila.

A vida. À vida. Há vida.

18/04/2014

Tempo Dura, Tempo Duro

Nessa rede de fios emaranhados
Nesses quadros na parede ali ao lado
O que é passado?
O que é herança?
O que se espera
Com esperança?

Perambulam ambulantes
Desalmados desarmados
O mundo grita urgente
Surdos e mudos doentes
Não enxergam os vultos
Não escutam os insultos

Quanto tempo dura
Um halls? Um show?
O caos? Um voo?
Um gol? O mal?
Quanto tempo dura um tchau?
Quanto dura o rock and roll?

14/04/2014

Não sou culpado

Não sou culpado por ter nascido
Por meu nome ou por meu nariz
Sinto muito por quase ter sido
Tudo aquilo que você sempre quis

Não quero te fazer andar em círculos
Nem quero preencher seus requisitos ridículos
Há muitos poréns, há muitos detalhes
Melhor cortar o vínculo antes que se espalhe


09/04/2014

Detetive

Jogo a isca
Você vem a nadar
Deixo a pista
Você vem me procurar

Não me belisca
Continuo a sonhar
Você me revista
Mas nada vai encontrar

Deixo a pista
Você vem de detetive
Sabe pra onde fui
E onde estive

21/03/2014

Me Desligue

Eu queria poder te salvar
Do vendedor de porta em porta
De um encontro idiota
Do que realmente importa

Eu queria poder te salvar
Da barata atrás da estante
Do sódio do refrigerante
De episódios semelhantes

Aaaaaahh, me desligue
O meu plug, não me sugue mais
Aaaaaahh, me desligue
O meu plug, não me alugue mais