Respeito e estimo melhoras a nós sintomáticos da depressão, que ora brota de trás de um quadro ou debaixo do tapete. E realmente desconfio dos que nada sentem perante os problemas que nós comunitariamente atravessamos enquanto sociedade doente.
No dia de hoje, houve sol, calor que interrompeu uma sequência invariável de dias frios. Nem sinal de chuva. Nem sinal de pedra no peito. Nas caminhadas, nos trajetos que faço, sempre me pedem moedas. Uns se justificam que não são ladrões. Geralmente desses desconfio que em algum momento com algumas pessoas, são ladrões. Geralmente eu não os julgo, porque a formação deficitária e a falta de oportunidade são o que leva muitos a serem assim. Ou, ao menos, a me pedirem trocados, os quais não tenho saído com para evitar maiores volumes nos meus bolsos que circundam minhas pernas magras.
Preocupantemente já saio com o celular criando volume ao bolso da minha perna direita, os fones de ouvido brancos conectados em músicas de tempos passados e raramente sucessos da atualidade. Passo por catadores de lixo seguidamente, em malabarismos e desafios de equilíbrios em carrinhos ou sacolas ou até na cabeça se conseguissem tais quais aquelas pessoas que recolhem galões de água no deserto. Procuram plásticos e demais recicláveis em meio às sobras. Infelizmente se acostumam dessa maneira. Felizmente que ao menos devem se acostumar a esse programa que nos enjoa somente de ver. Infelizmente se acostumam por não acharem outra saída imediata para combater a fome ou as mais diversas necessidades que passam.
Semana passada a prefeitura lançou a campanha do agasalho. Mas falta tanta coisa a essa gente. A mim, falta a saúde mental, como a tantos outros. Não nos espanta isso diante dos cenários que nos cercam. Mesmo o pessoal que ascenderia da pobreza para uma classe média estaria sujeito às mais diversas presas pecaminosas, coabitando com pressões e com os mais diversos problemas. Arrumar um emprego é estar se adequando a regras que não queremos seguir e convivência com gente com a qual não queremos conviver ou, algumas vezes, sequer desejamos que a pessoa exista, tamanho o desgosto de sua presença. Invejas, cobiças, ostentações, intolerâncias, ignorâncias, estupidez em seus mais raros e possíveis estados físicos ou mentais.
Pilhas de e-mails não respondidos. Já nem esperamos que os respondam. O mesmo asco que sinto ao lê-los não respondidos, os que recebem do outro lado devem pensar pela lotação de bobagens em suas caixas de entrada. Todos infelizes.
Os dilemas entre pressionar por respostas, procurar alternativas e se gastar, gastar energia com isso ou apenas deixar passar e partir para outra. Se perde pela insistência e o cansaço. Ou se perde pela falta de insistência. Todos infelizes.
A lua que me acompanha na volta para casa a pé é muito bela. Um cenário perfeito para roubarem o celular que eu já temia perder à luz do dia. Felizmente sobrevivo mais esta jornada. O asfalto e a iluminação estão bem posicionados nessa rua, as paradas de ônibus novas levam vidro em suas confecções, mas o clima de insegurança permanece em alto teor. Quase tudo certo, mas alguns erros são grotescos.
A saúde mental sabe que o básico dos básicos está em condições quando chega-se em casa. Na internet, lê-se os mais diversos absurdos das mais diversas pessoas. Anarquistas que debocham, gente que acha que político é tudo igual, estes debocham, pessoas pedem intervenção militar em um país castigado antigamente pelos militares no governo. Inflações altas, corrupção deslavada, vozes silenciadas, torturas, exílios e mortes. Tudo ignorado por esses infelizes desconhecedores da história brasileira. Ou simplesmente pessoas de mau caráter. Não duvidem, anda por aí gente sem escrúpulos, canalhas e calhordas das piores espécies que existem.
Interrompem ao parágrafo os gritos dos coletores de lixo oficiais do governo. A coleta dos reciclados está suspensa pela crise no setor dos combustíveis, paralisações de caminhoneiros e de petroleiros na semana. Pautas diversas sendo jogadas, arremessadas espalhafatosamente ao ventilador. Um país em pleno caos. Todos infelizes.
A cadela pertencente aos vizinhos segue latindo desde que o caminhão passou. Ela deixa meus pais infelizes enquanto eles assistem à televisão da sala. A cadela parece seguir incomodada e outros cães da vizinhança se manifestam. Pedem intervenções ou querem intervir. Todos infelizes.
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28/05/2018
20/12/2016
21/10/2016
Pela Greve Deflagrada
| Foto: Henrique König / Agência Em Pauta |
Por quase unanimidade, os estudantes da Universidade Federal de Pelotas votaram a favor da greve discente na instituição, em assembleia ocorrida na quinta-feira (20), em frente ao prédio do Direito. Os alunos juntam-se aos Técnicos Administrativos e à possível adesão dos professores, que já encaminharam indicativo de greve. A sequência da assembleia definirá novos rumos das atividades.
Mais de 300 alunos participaram da assembleia. As principais pautas da noite de quinta-feira foram a PEC 241, o estado financeiro de falência da Universidade Federal de Pelotas e o repasse das assembleias dos cursos. Estudantes e professores tiveram voz para trazer propostas, encaminhamentos e reivindicações.
Na noite, foi decidida a greve unificada dos estudantes, a proposta de ocupação da reitoria no campus Anglo e o pedido que o COCEP (Conselho Coordenador do Ensino e da Pesquisa) congele o calendário da instituição. Aulas públicas e futuros protestos foram discutidos para o envolvimento de demais setores da sociedade.
A professora Celeste falou em nome da Associação dos Docentes da UFPel, mostrando disponibilidade para discussões sobre a PEC a ser votada no Senado. Ela afirmou que "é na rua que vamos garantir as nossas conquistas", comentou, bastante aclamada pelos presentes na praça.
Já a Associação dos Servidores da UFPel chamou a atenção para a piora do Ensino Médio sendo proposta pelo governo e as alterações na Proposta de Emenda Constitucional que vai prejudicar ainda mais o ensino público no país. "Quem está dando aula, tem que parar. É pelo Brasil"
Também foi pauta a integração das comunidades de Pelotas e região com a causa contrária à PEC 241 e à reforma do Ensino Médio. Aulas públicas, atos junto com as comunidades, como a do bairro Balsa, ao lado do Campus Anglo, são interesses dos estudantes a favor da greve. Outra preocupação explicitada foi a da falência da UFPel, sobre a situação dos dependentes do Restaurante Universitário, do auxílio moradia e outros direitos ameaçados. "Nenhum direito a menos" foram as palavras de ordem.
Houve preocupação com a Agência Lagoa Mirim, vinculada à Universidade e que presta um trabalho essencial para comunidades pelotenses. O estudante Gabriel, das Artes Visuais, comentou que a assembleia não era "pela educação do meu curso, mas pelos filhos e pelos netos", em manobra pela consciência coletiva. Heitor, em nome do Centro Acadêmico do Jornalismo, mostrou o posicionamento favorável à greve e as tratativas do curso, que conta com o apoio dos professores na causa.
Guilherme, do Direito, curso com poucos professores em aceitação da greve, lamentou a ausência de um DCE em favor dos estudantes e o pouco apoio de quem ministra aulas no prédio. Antes das votações, Vanessa, do turismo, foi das mais aplaudidas, ao reestabelecer ordem e terminar a fala com a seguinte passagem: "um sonho só é só um sonho. Mas um sonho em conjunto é realidade".
Outros encaminhamentos para votação na sexta-feira (21) foram uma nota de apoio pela ocupação do IFSul Campus Pelotas. Distribuição de informação sobre a PEC 241 nas comunidades, a possível ocupação de Campus da Universidade, tal qual o Campus Anglo, apoio à nota lançada pelo coletivo de negros e negras da UFPel, denunciando as fraudes no sistema de cotas e vencer assunto da prestação de contas da gestão Novo Tempo no DCE (Diretório Central dos Estudantes).
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| Foto: Heitor Araújo / Agência Em Pauta |
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