A familiaridade com o estádio Aníbal Costa também foi imediata. Do primeiro jogo ainda precisávamos de carteira de vacinação e máscara para entrar. Fora dois anos sem o clube perder um único jogo em casa, o que se tornou recorde nacional à época. Mas com o tempo nos vacinamos para os maus resultados. Foram cinco lideranças anteriores, entre campanhas no Catarinense, na Copa Santa Catarina e na fase de grandes grupos da D nacional, todas infrutíferas. Eliminações e vice-campeonatos. E a fila de títulos de 60 e tantos anos.
Após a Libertadores da América do Botafogo em 2024, em Buenos Aires, achei que não teria mais o que ver. Quando o Hercílio assumiu a liderança da B estadual ao vencer o concorrente direto Metropolitano, encaramos o "lá vamos nós de novo" para o quadro de liderança temporária e incertezas. Mas o trabalho se mostrou sólido, qualificado, a sequência de oito vitórias e os resultados paralelos colaboraram. A espera pelo título iria acabar para o lado vermelho em Tubarão.
Um jogo dramático, com o tempo a moer segundos e a desconjuntar a pressão arterial contra o combativo time do Caravaggio, indicaria o Renascimento de um Leão campeão. Um clube centenário, que passou pelos títulos estaduais na elite, a enchente destrutiva da cidade em 1974, que matou tanta gente quanto no RS em 2024; a licença, a retomada, a união como Tubarão de um só clube, a desunião, a retomada em passos próprios. A covid, os vices, o DJ Alex que informava públicos abaixo dos mil e que pôde informar para os quase 3 mil daquela noite: é campeão. O apito do árbitro, os sinalizadores, a história realizada.
Quis o destino no tango da vida que o senhor João Olavio Falchetti, ex-presidente do clube e ex-prefeito da cidade, que eu conhecia pela lenda do Sr. Delírio, seu pai, fosse-me apresentado em junho em Palhoça, com o mesmo sorriso que se multiplicava e hoje se multiplica nas fotos de lembrança. Quis o destino que viesse a falecer um dia após o esperado e sonhado título. Um homem dedicado a tantas realizações esperou por esta última em que tantos corações compassavam juntos.
Uma conquista dessas não aquece somente pelos tambores da Império Vermelho, pelos trabalhos de bastidor de panelas de comida a organizações de bagageiro a cada viagem do clube. Aquece pelo futebol do interior que, em alguma arquibancada do concreto resistente ao tempo, também resiste, como representação e união local. Vibra que é teu, Leão do Sul 🦁




