Vodca pura
Quando mistura
É vodca
Com outra música
14/10/2017
Lacraia na Retina
Um trovejo
Ensaio do despejo
Do eco e da explosão
Um raio
Lacraia na retina
Ilumina e alucina
Na rapina do clarão
Ensaio do despejo
Do eco e da explosão
Um raio
Lacraia na retina
Ilumina e alucina
Na rapina do clarão
12/10/2017
A vitrine
A vitrine
Comprime o mercado
Em recortes marcados
No espaço sublime
Propagandas
Donas do mundo
Segundo elas
Em 30 segundos
Outdoors
Confiantes
Cupidos no coração
Dos viajantes
Manequins
Vivos
Se forem precisos
Para esse fim
Comprime o mercado
Em recortes marcados
No espaço sublime
Propagandas
Donas do mundo
Segundo elas
Em 30 segundos
Outdoors
Confiantes
Cupidos no coração
Dos viajantes
Manequins
Vivos
Se forem precisos
Para esse fim
Milongas
Uma milonga
Que encurta distâncias
Entre a estância
E uma noite longa
__________________
Entre a sonda e a estação
Entre a bomba e o coração
Que encurta distâncias
Entre a estância
E uma noite longa
__________________
Entre a sonda e a estação
Entre a bomba e o coração
11/10/2017
Fruto de vosso ventre outubro
Outubro
Bendito é o fruto
De vosso ventre
Entre todas as mulheres
A que eu quero
E tu me queres
Mais lindos nossos
Amanheceres
Outubro
Aceito estar preso
No teu muro
No teu tubo
Se me deres
Vosso fruto
Bendito entre todos os seres
Prazer em te conhecer
Prazer em me conheceres
Pra ser o melhor
Dos seres que eu posso ser
Bendito é o fruto
De vosso ventre
Entre todas as mulheres
A que eu quero
E tu me queres
Mais lindos nossos
Amanheceres
Outubro
Aceito estar preso
No teu muro
No teu tubo
Se me deres
Vosso fruto
Bendito entre todos os seres
Prazer em te conhecer
Prazer em me conheceres
Pra ser o melhor
Dos seres que eu posso ser
O enrosco na catraca
A revista é completa
Da capa à contracapa
Contra-ataca
Contra nós
A revista que me faço
No epílogo de um dia
E do próximo o prefácio
Nada fácil
Nada fácil
Passar pela catraca
De mais um amanhecer
Amanhã ser diferente
Para estar sempre a viver
O enrosco na catraca
Contra-ataca
Contra nós
Mal arrumo um descanso
A voz em tom nada manso
Indica a etapa
Que é meu ponto de descer
Da capa à contracapa
Contra-ataca
Contra nós
A revista que me faço
No epílogo de um dia
E do próximo o prefácio
Nada fácil
Nada fácil
Passar pela catraca
De mais um amanhecer
Amanhã ser diferente
Para estar sempre a viver
O enrosco na catraca
Contra-ataca
Contra nós
Mal arrumo um descanso
A voz em tom nada manso
Indica a etapa
Que é meu ponto de descer
Poema da Insônia
Devia estar a dormir
Ao invés de revistar
O que consegui
Nesse dia em seu findar
Não consegui sair
Dessa revista particular
Dessa fase protocular
A me aturdir
Tumultuar
O ser que mora aqui
Que ainda está
A se virar e sacudir
Ao invés de dormir
Ao invés de revistar
O que consegui
Nesse dia em seu findar
Não consegui sair
Dessa revista particular
Dessa fase protocular
A me aturdir
Tumultuar
O ser que mora aqui
Que ainda está
A se virar e sacudir
Ao invés de dormir
SPa de aves
Mercado
Meca do Doria
Serra, o trabalhador
Serra a vírgula da frase anterior
Alckimin
Ao que mintas
E tu acreditas
Meca do Doria
Serra, o trabalhador
Serra a vírgula da frase anterior
Alckimin
Ao que mintas
E tu acreditas
Perdi tempo pensando em título
O Tempo
Sempre atento
A cada segundo
Gerúndio
Correndo
Às vezes
Disfarçado
Se esgueirando
Feito um gato
Silencioso
Pragmático
Ceifador
Assassinato
Sempre atento
A cada segundo
Gerúndio
Correndo
Às vezes
Disfarçado
Se esgueirando
Feito um gato
Silencioso
Pragmático
Ceifador
Assassinato
Dia adia
Tic tac
Tic tac
Dia adia
Dia adia
Dia adia
Um dia
Acabou a espera
Conseguiu?
Um lugar
Embaixo da terra
Tic tac
Dia adia
Dia adia
Dia adia
Um dia
Acabou a espera
Conseguiu?
Um lugar
Embaixo da terra
O pop é pop
Desconstruo frases que não gosto
Que agora são ghost
Horóscopo
Oração do copo
O papa é copo
O pop é oco
Ocupado no topo
Que agora são ghost
Horóscopo
Oração do copo
O papa é copo
O pop é oco
Ocupado no topo
Reggae Linhas
Todas as linhas estão
Escrevendo saudades em vão
Tô cansado de esperar
Que você recarregue
Cansado de esperar
Você
Meu car
Reggae
Escrevendo saudades em vão
Tô cansado de esperar
Que você recarregue
Cansado de esperar
Você
Meu car
Reggae
Pílula
Entreguei minha poesia
Pílula de cada dia
Na língua do povo
Reclamam do verso traçado
Muito grande ou complicado
Refaço a pílula da poesia
Sem a firula que eu faria
Sem contraindicação
Todo mundo se sacia
Tão pequena na tua mão
Mas cuidado que vicia
Pílula de cada dia
Na língua do povo
Reclamam do verso traçado
Muito grande ou complicado
Refaço a pílula da poesia
Sem a firula que eu faria
Sem contraindicação
Todo mundo se sacia
Tão pequena na tua mão
Mas cuidado que vicia
03/10/2017
Põe & Siga
Nem toda poesia é enigma
Não é inimiga
Quando falta entendimento
Usa teu conhecimento
Experimentos de vida
Complemento à poesia
Encontre uma saída
Esprema o néctar
Pra que ela te diga
As palavras certas
Que te façam companhia
Não é inimiga
Quando falta entendimento
Usa teu conhecimento
Experimentos de vida
Complemento à poesia
Encontre uma saída
Esprema o néctar
Pra que ela te diga
As palavras certas
Que te façam companhia
02/10/2017
Setembro em Imagens
A Razão da Ração
Em maio, recebemos a ilustre visita em nossas vidas da gata mais tarde chamada de Mel. Melissa, Melanye, Mercury. Mel. Ela com seus tons tigrados, cinzentos, manchados, por vezes, conforme suas mudanças, arruivado ou alaranjado. Mel - que é o seu som emitido de forma espaçada em diferentes intervalos de tempo e significados que nem sempre nos cabem entendimento. Geralmente por comida ou companhia. Extremamente dócil. Deixa o chamado adjetivo arisco - adjetivo exclusivo aos felinos - para outros. Nem por descuido pode ser utilizado com ela.
Bastante sociável ao que se acostumou a todos os membros da família, sobretudo após sua cirurgia de castração. O momento mais difícil e delicado destes meses todos, pois, além do que consideram um procedimento simples de pequeno corte, Mel estava grávida de filhotes, que tiveram o processo abortivo.
A ideia inicial não era tecer linhas especificamente sobre Mel e seus comportamentos e principais características. Ao que o navegar do ritmo que tomou o texto me obriga a citar suas peculiaridades e surpreendentes artimanhas, quando, em menos de um minuto de descuido, adentrou ao quarto de minha mãe e passou a afiar as unhas no sofá. Em outro momento, aproveitou o estreito espaço de uma fresta na janela de acesso à lavanderia e saltou para dentro do local onde estão guardadas suas rações. Para completar a sequência, toda ocorrida após sua castração, Mel conseguiu subir em uma de nossas árvores com o objetivo de caçar pombas. Pensava eu que só teria chance quando as pequenas aves estivessem no chão, mas nos surpreendeu com tamanha destreza e agilidade, como os gatos costumam superar qualquer subestimação de suas capacidades.
Enfim, a ração. É verdade, a ração. Foi minha ideia inicial destrinchar um pouco do debate acerca da comida que está entre suas favoritas e, nos últimos tempos, como a mais constante presença nas refeições. Como o produto industrial agradou Mel desde seu primeiro contato com ele, minha mãe acreditou que Melissa tinha donos anteriores, os quais a alimentavam com ração. Porém, entretanto, todavia, um pouco possessivo de minha parte em pensar que adotamos essa menina de rua e agora a confortamos com lares estendidos e comida de qualidade. Defendo que o produto industrial da ração imite tão bem os aromas, gostos e densidades das comidas naturais que o animal sente-se sem alternativas, a não ser a escolhida por Mel: comer de bom grado, contente que um único alimento una tantas características que ela considera cruciais para definir seu apreço.
Mel come a ração na quantidade que lhe for apresentada e possível. Limpa a travessa de isopor com mais agilidade do que quando se trata de outros alimentos, os naturais. Não gosta muito de linguiça, aceita galinha e mantém a fama dos gatos de adonarem-se de frutos do mar quando servidos.
Enfim, Mel é das grandes alegrias que 2017 me trouxe. E, no fim das contas, mais agradável falar de seus hábitos e sua importância em nos entretermos, eu a ela, ela comigo, do que comentar do poder da indústria, não é mesmo?
Bastante sociável ao que se acostumou a todos os membros da família, sobretudo após sua cirurgia de castração. O momento mais difícil e delicado destes meses todos, pois, além do que consideram um procedimento simples de pequeno corte, Mel estava grávida de filhotes, que tiveram o processo abortivo.
A ideia inicial não era tecer linhas especificamente sobre Mel e seus comportamentos e principais características. Ao que o navegar do ritmo que tomou o texto me obriga a citar suas peculiaridades e surpreendentes artimanhas, quando, em menos de um minuto de descuido, adentrou ao quarto de minha mãe e passou a afiar as unhas no sofá. Em outro momento, aproveitou o estreito espaço de uma fresta na janela de acesso à lavanderia e saltou para dentro do local onde estão guardadas suas rações. Para completar a sequência, toda ocorrida após sua castração, Mel conseguiu subir em uma de nossas árvores com o objetivo de caçar pombas. Pensava eu que só teria chance quando as pequenas aves estivessem no chão, mas nos surpreendeu com tamanha destreza e agilidade, como os gatos costumam superar qualquer subestimação de suas capacidades.
Enfim, a ração. É verdade, a ração. Foi minha ideia inicial destrinchar um pouco do debate acerca da comida que está entre suas favoritas e, nos últimos tempos, como a mais constante presença nas refeições. Como o produto industrial agradou Mel desde seu primeiro contato com ele, minha mãe acreditou que Melissa tinha donos anteriores, os quais a alimentavam com ração. Porém, entretanto, todavia, um pouco possessivo de minha parte em pensar que adotamos essa menina de rua e agora a confortamos com lares estendidos e comida de qualidade. Defendo que o produto industrial da ração imite tão bem os aromas, gostos e densidades das comidas naturais que o animal sente-se sem alternativas, a não ser a escolhida por Mel: comer de bom grado, contente que um único alimento una tantas características que ela considera cruciais para definir seu apreço.
Mel come a ração na quantidade que lhe for apresentada e possível. Limpa a travessa de isopor com mais agilidade do que quando se trata de outros alimentos, os naturais. Não gosta muito de linguiça, aceita galinha e mantém a fama dos gatos de adonarem-se de frutos do mar quando servidos.
Enfim, Mel é das grandes alegrias que 2017 me trouxe. E, no fim das contas, mais agradável falar de seus hábitos e sua importância em nos entretermos, eu a ela, ela comigo, do que comentar do poder da indústria, não é mesmo?
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Maior Presente
não precisa do que eu tenho
mas eu quero lhe agradar
como eu fazia um desenho
na infância para algum familiar
datas comerciais, presentes
ausências compensadas
entulhos, embrulhos
doar o que se pode
o tempo, sempre o tempo
ainda é o maior
gift to the god
mas eu quero lhe agradar
como eu fazia um desenho
na infância para algum familiar
datas comerciais, presentes
ausências compensadas
entulhos, embrulhos
doar o que se pode
o tempo, sempre o tempo
ainda é o maior
gift to the god
01/10/2017
tudo minúsculo
às vezes é bonito escrever tudo minúsculo
sem letras querendo ser maior do que as outras nem o r do rei nem o s da seleção nem o p do país
nem o r da religião
sem letras querendo ser maior do que as outras nem o r do rei nem o s da seleção nem o p do país
nem o r da religião
29/09/2017
Quem Sabe?
Acordei nesse dia sem vontade de fazer coisas. Mas as ideias vieram e os textos suplicaram e imploraram ao máximo para serem escritos. Atendi-os, no fim das contas. Várias pautas me trouxeram até aqui.
Começo com uma história abreviada nas linhas que seguem. Uma casa ao lado da nossa sempre nos trouxe problemas. Nunca houve bons vizinhos. Desde as crianças mal-educadas que chegaram ao status através da mãe mal-educada, passando pelos ouvintes dos piores sertanejos possíveis após o horário de almoço até o que colocava uma máquina barulhenta que processava sabe-se lá o que nos fundos do terreno deles, fazendo com que a bugiganga funcionasse em plena madrugada. Enfim, os melhores anos de vizinhança eram com a ausência dela. O último dos ocupantes é o tema desse breve relato.
Soube-se que o senhor alto e dentro do possível esbelto era policial. Parece bom, não é mesmo? Mas pelo contrário. Ter um policial de vizinho impede que você chame a polícia em caso de erros dele. Ter um policial corrupto como vizinho decorre outras situações ainda mais desconfiantes e conflituosas.
O sujeito de meia idade está com a segunda esposa. Um filho adolescente o visitava de quando em vez. Um menor foi fruto deste segundo e vigente casamento em andamento. O garoto é uma criança, pelo incrível que pareça, mais educada pelo pai do que pela mãe. A mais nova senhora, mãe de primeira viagem e bastante mais jovem que seu cônjuge, talvez pense que seu atual matrimônio a torne dona da quadra ou autoridade elevada, a julgar pelo tom de voz e pela forma como trata as pessoas. Não pelo acaso, as formas de tratamento recaem sobre o comportamento do pequeno. Na escola infantil, sabe-se que é mau com as demais crianças e apronta das mais diversas formas por seu prevalecimento por ser um dos maiores.
Talvez pela experiência do filho anterior, o policial até é mais atencioso em relação ao caso do menino. Se pode receber a gratificação como bom pai, não é por isso que se exime de problemas do lado profissional e das carreiras alternativas. Através de contrabandos foi interceptado certa vez e a cana com os federais o deixou preso alguns meses. Apesar da volta para casa, não necessariamente serviu para afastar-se de atividades suspeitas. Pelas madrugadas no bairro, ouve-se vir e partir um carro em horário o tanto quanto curioso. Quando a avenida de acesso às casas não recebe mais do que moradores de rua - sejam cães ou humanos - o veículo encosta e não demora muito em sua ação sorrateira. A cena, audível a nós, se escuta em várias madrugadas durante a semana.
Questionamentos que ficam de como lidar com essa gente. Ao que parece, somente com o mais perfeito silêncio, quebrado em raras fofocas familiares e nesse breve texto. Assim permanecemos. Um exemplo claro de como instituições que deveriam primar pela segurança atuam de forma diferente por baixo dos panos, por trás das cortinas.
Um exemplo claro de que a corrupção atua nos mais diversos setores. Para onde vão as drogas apreendidas pela polícia? E as que são liberadas a vistas grossas pela polícia? E as que os policiais estão dentro dos esquemas? E as polícias, além de tudo, podem ajudar a escoar, a vender a mercadoria? Por que somente laranjas costumam ser presos? A polícia não tem acesso aos grandes detentores das mercadorias? Ou a polícia não quer acabar com os graúdos? Por que no Rio de Janeiro a polícia prefere subir os morros ao invés de combater a origem dos produtos? Nas fazendas e na entrada do país pelas fronteiras. Por que muitos brasileiros pensam que a corrupção se restringe aos políticos? E acreditam em intervenções de forças paramilitares? Por que estou me estendendo? Creio que nos entendemos por hoje. Não estou trabalhando com um caso raro ou exceção à regra.
Começo com uma história abreviada nas linhas que seguem. Uma casa ao lado da nossa sempre nos trouxe problemas. Nunca houve bons vizinhos. Desde as crianças mal-educadas que chegaram ao status através da mãe mal-educada, passando pelos ouvintes dos piores sertanejos possíveis após o horário de almoço até o que colocava uma máquina barulhenta que processava sabe-se lá o que nos fundos do terreno deles, fazendo com que a bugiganga funcionasse em plena madrugada. Enfim, os melhores anos de vizinhança eram com a ausência dela. O último dos ocupantes é o tema desse breve relato.
Soube-se que o senhor alto e dentro do possível esbelto era policial. Parece bom, não é mesmo? Mas pelo contrário. Ter um policial de vizinho impede que você chame a polícia em caso de erros dele. Ter um policial corrupto como vizinho decorre outras situações ainda mais desconfiantes e conflituosas.
O sujeito de meia idade está com a segunda esposa. Um filho adolescente o visitava de quando em vez. Um menor foi fruto deste segundo e vigente casamento em andamento. O garoto é uma criança, pelo incrível que pareça, mais educada pelo pai do que pela mãe. A mais nova senhora, mãe de primeira viagem e bastante mais jovem que seu cônjuge, talvez pense que seu atual matrimônio a torne dona da quadra ou autoridade elevada, a julgar pelo tom de voz e pela forma como trata as pessoas. Não pelo acaso, as formas de tratamento recaem sobre o comportamento do pequeno. Na escola infantil, sabe-se que é mau com as demais crianças e apronta das mais diversas formas por seu prevalecimento por ser um dos maiores.
Talvez pela experiência do filho anterior, o policial até é mais atencioso em relação ao caso do menino. Se pode receber a gratificação como bom pai, não é por isso que se exime de problemas do lado profissional e das carreiras alternativas. Através de contrabandos foi interceptado certa vez e a cana com os federais o deixou preso alguns meses. Apesar da volta para casa, não necessariamente serviu para afastar-se de atividades suspeitas. Pelas madrugadas no bairro, ouve-se vir e partir um carro em horário o tanto quanto curioso. Quando a avenida de acesso às casas não recebe mais do que moradores de rua - sejam cães ou humanos - o veículo encosta e não demora muito em sua ação sorrateira. A cena, audível a nós, se escuta em várias madrugadas durante a semana.
Questionamentos que ficam de como lidar com essa gente. Ao que parece, somente com o mais perfeito silêncio, quebrado em raras fofocas familiares e nesse breve texto. Assim permanecemos. Um exemplo claro de como instituições que deveriam primar pela segurança atuam de forma diferente por baixo dos panos, por trás das cortinas.
Um exemplo claro de que a corrupção atua nos mais diversos setores. Para onde vão as drogas apreendidas pela polícia? E as que são liberadas a vistas grossas pela polícia? E as que os policiais estão dentro dos esquemas? E as polícias, além de tudo, podem ajudar a escoar, a vender a mercadoria? Por que somente laranjas costumam ser presos? A polícia não tem acesso aos grandes detentores das mercadorias? Ou a polícia não quer acabar com os graúdos? Por que no Rio de Janeiro a polícia prefere subir os morros ao invés de combater a origem dos produtos? Nas fazendas e na entrada do país pelas fronteiras. Por que muitos brasileiros pensam que a corrupção se restringe aos políticos? E acreditam em intervenções de forças paramilitares? Por que estou me estendendo? Creio que nos entendemos por hoje. Não estou trabalhando com um caso raro ou exceção à regra.
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| Nem tudo é o que parece (Foto Retirada do Site Startupi) |
28/09/2017
4 da Manhã
4 horas da manhã
Que me contas?
Da solidã
Nem se dá conta
Que faltou uma letra
Uma palavra perneta
Mosca tonta
Palavra saci
Para saciar
Brincalhona
Para guardar
Sob uma lona
Novos significados
Diferentes desses
A que já estamos
Nosotros
Nos outros
Viciados
Que me contas?
Da solidã
Nem se dá conta
Que faltou uma letra
Uma palavra perneta
Mosca tonta
Palavra saci
Para saciar
Brincalhona
Para guardar
Sob uma lona
Novos significados
Diferentes desses
A que já estamos
Nosotros
Nos outros
Viciados
28 de Setembro
Madrugada
28 de setembro
Um poema para data
Das anteriores, nada lembro
Agora um novo marco
Uma nova marca
Um novo membro
Este poema aos próximos
28 de setembro
28 de setembro
Um poema para data
Das anteriores, nada lembro
Agora um novo marco
Uma nova marca
Um novo membro
Este poema aos próximos
28 de setembro
Íntimo
Solícito
Mapa celeste
Explícito
Campos do agreste
Íntimo
Interior das vestes
Íntimo
O íntimo se repete
Mapa celeste
Explícito
Campos do agreste
Íntimo
Interior das vestes
Íntimo
O íntimo se repete
Dor Me Ir
Não aproveito as horas a mais
Em que poderia dormir
Dor me ir
Fico em pesquisas estranhas
Como a última
Para descobrir o formato
Da flor de lis
Qual a ordem das cores
Do arco-íris
Qual a fórmula para ser feliz
Quando não sei pra onde ires
Em que poderia dormir
Dor me ir
Fico em pesquisas estranhas
Como a última
Para descobrir o formato
Da flor de lis
Qual a ordem das cores
Do arco-íris
Qual a fórmula para ser feliz
Quando não sei pra onde ires
25/09/2017
Palavras-Chave
Hora de escolher
As palavras-chave
Que abrem
Portas
Naves
Clãs
Claves
Asas
Aves
Fãs
Fases
Amanhãs
Pazes
Avelãs
Nozes
Poses
Quases
Palavras Mães
Palavras Pais
Pais agem
Paisagem
As palavras-chave
Que abrem
Portas
Naves
Clãs
Claves
Asas
Aves
Fãs
Fases
Amanhãs
Pazes
Avelãs
Nozes
Poses
Quases
Palavras Mães
Palavras Pais
Pais agem
Paisagem
Versar-Lhes
Tratar de Versar-lhes
A vida
Mostrar-lhes
As feridas
Enfermeiras
Medicinas
Ares
Veraneios
Seios
Pares
Pare-
Cidos
Bares
Meios
Meio
Cheios
Meio
Vazios
Versos
Frios
Quentes
Pra quem
Os vestiu
A vida
Mostrar-lhes
As feridas
Enfermeiras
Medicinas
Ares
Veraneios
Seios
Pares
Pare-
Cidos
Bares
Meios
Meio
Cheios
Meio
Vazios
Versos
Frios
Quentes
Pra quem
Os vestiu
15/09/2017
Nece-Cidades
A cidade e as transformações que provoca na gente. A cidade e as transformações provocadas nela mesma. Como não estranhar uma cidade em que você não visita há duas décadas? Como não estranhar voltar à cidade natal após morar em outras? Como não estranhar o bar que já não está mais ali, o desvio no sentido de uma das ruas principais, o prédio demolido para virar estacionamento?
Sem dúvidas, entre mudanças mais sutis estão casas noturnas que trocam de dono e, portanto, de decoração ou de estilo, mais radicalmente. Estão as sutis trocas de comércios nos aluguéis de determinado espaço. Voltando para casa, esses dias, me deparei com uma academia que certa vez fui com um amigo para perguntarmos preços e tirarmos dúvidas para comparar com outras, em um projeto que jamais coloquei em prática e não me arrependo. Porém, a academia não estava mais lá. À minha direita, pela calçada, o espaço abrigava agora uma loja de esmaltes. Bastante distinção ao que era antes, mas no mesmo lugar.
Mais sutis ainda são as mudanças de proprietários desses imóveis. Quem não pode mais arcar com o aluguel, ou se mudou de cidade ao concluir a faculdade. Ou se mudou de cidade ao conseguir um emprego melhor em outra. As casas trocam de dono. Pela Almirante Barroso, Helena não está mais lá, nem Katiuce. O mais alto andar do pequeno prédio verde (enquanto essa for a cor) de esquina possui outros donos. O interior não deve estar mais laranja ou talvez tenha sido mantido, minha visão não alcança olhando ali debaixo, tentando espiar por entre as grades e persianas. Havia decoração com discos de vinil na parede. Artistas diferentes do gosto dos habitantes, mas que davam um ar jovial e realmente decorativo ao apartamento. Harry e Molly, os gatos, não saltitam mais entre os móveis ou se esgueiram pelo chão de forma silenciosa.
Mais sutil do que Harry e Molly talvez a mudança de quem paga o quarto no hotel. Ou no motel. A circulação de pessoas é intensa. Visitantes, turistas, pessoas que encontram parentes, pessoas que encontram amantes, pessoas a congresso, pessoas pelo futebol, pessoas pelo artista que não vai até elas e elas vêm e veem. A cidade se desenha. Quanto melhor a vista, maior noção da cidade. Dos prédios vizinhos, dos carros no asfalto, do circular dos pedestres. Dos apressados, dos frágeis idosos, dos cães de rua.
A cidade e suas sutilezas. A cidade que engole e é engolida. A cidade que devora e é devorada. A cidade que transforma e é transformada.
Sem dúvidas, entre mudanças mais sutis estão casas noturnas que trocam de dono e, portanto, de decoração ou de estilo, mais radicalmente. Estão as sutis trocas de comércios nos aluguéis de determinado espaço. Voltando para casa, esses dias, me deparei com uma academia que certa vez fui com um amigo para perguntarmos preços e tirarmos dúvidas para comparar com outras, em um projeto que jamais coloquei em prática e não me arrependo. Porém, a academia não estava mais lá. À minha direita, pela calçada, o espaço abrigava agora uma loja de esmaltes. Bastante distinção ao que era antes, mas no mesmo lugar.
Mais sutis ainda são as mudanças de proprietários desses imóveis. Quem não pode mais arcar com o aluguel, ou se mudou de cidade ao concluir a faculdade. Ou se mudou de cidade ao conseguir um emprego melhor em outra. As casas trocam de dono. Pela Almirante Barroso, Helena não está mais lá, nem Katiuce. O mais alto andar do pequeno prédio verde (enquanto essa for a cor) de esquina possui outros donos. O interior não deve estar mais laranja ou talvez tenha sido mantido, minha visão não alcança olhando ali debaixo, tentando espiar por entre as grades e persianas. Havia decoração com discos de vinil na parede. Artistas diferentes do gosto dos habitantes, mas que davam um ar jovial e realmente decorativo ao apartamento. Harry e Molly, os gatos, não saltitam mais entre os móveis ou se esgueiram pelo chão de forma silenciosa.
Mais sutil do que Harry e Molly talvez a mudança de quem paga o quarto no hotel. Ou no motel. A circulação de pessoas é intensa. Visitantes, turistas, pessoas que encontram parentes, pessoas que encontram amantes, pessoas a congresso, pessoas pelo futebol, pessoas pelo artista que não vai até elas e elas vêm e veem. A cidade se desenha. Quanto melhor a vista, maior noção da cidade. Dos prédios vizinhos, dos carros no asfalto, do circular dos pedestres. Dos apressados, dos frágeis idosos, dos cães de rua.
A cidade e suas sutilezas. A cidade que engole e é engolida. A cidade que devora e é devorada. A cidade que transforma e é transformada.
11/09/2017
Riding The Bus With Myself
Preguiça de começar o texto. Quem nunca? Quem sempre? Quem de vez em quando? Sim, sim, de vez em quando. Vida dividida em blocos. Hora da reunião atual com os tutores, como ocorreu para Beth no livro No Ônibus com Minha Irmã (Riding The Bus With My Sister, da escritora Rachel Simon). Prognóstico, crescimentos, evoluções, involuções? Metas, estimativas, onde estou, como estou e pegando o ônibus para onde?
Foi uma transição entre os aniversários interessante. Bom contar com essa palavra - interessante. Gosto de ter o que contar. Mesmo nas quedas das cascatas da rotina surgem casos, há análises, há sentimentos, há o que contar. Há menu. Há escolhas. Há plantações e colhas.
Estou mais presente no rádio. Tenho assumido a narração dos jogos na Federal. Minha parte técnica tão deficitária contou com alguns aprendizados. Participo quase que diariamente na Rádio Cultura com informações do literal mundo dos esportes e com opiniões transmitidas nas terças, por minha escolha. O ano dos times pelotenses não é o que se chama agradável. Pelotas e Farroupilha bastante abaixo.
O Grêmio trouxe a Copa do Brasil no final de 2016 para dias marcantes na minha vida. Sonho repetir esses grandes momentos de euforia. Por causa disso, trago lembranças inesquecíveis. Trago histórias. Escrevi dois livros. Um a ser chamado de TCC, mas que consideraria a leitura interessante [olha ela aí, a palavra] para todos que acompanham futebol. É muita gente, né? Bom pedaço do mundo.
Mundo. É, tenho me inserido menos nos velhos sonhos de grandes transformações sociais. Tenho focado mais na minha vida, embora tenha parado completamente com os tratamentos psicológicos. Continuo me monitorando. A política atual ajuda na desilusão de coisas maiores. Mas tenho procurado me virar e projetar algo profissionalmente, mesmo devagar, compreendo.
Devo nada a alguém. Meu déficit familiar pela criação a que tive oportunidade e espero dar algumas respostas, embora tantas dificuldades com a exaustão que a maioria dos encontros sociais me causam. Com os percalços em driblar minhas limitações. Vamos tentar ser melhores no próximo bloco. A seguir, virando a esquina, folhando a página, raiando o sol, atravessando o rio, devorando o asfalto, caminhando sobre folhas mortas, olhando para os lados, para não ser atropelado.
A cidade piorou mais do que eu imaginaria. Eu melhorei menos do que eu queria. A escrita vem comigo. Li mais do que em todos os outros anos. E sigo a ler. Grandes autores, para entender um pouco de seus mundos, seus contextos, suas deixas, suas pistas, suas pegadas. Interpretando atravessado pela minha posição nisso tudo. Geográfica, criação, filosófica, cotidiano de troca de experiências. Sigamos! Ciganos? Se enganos? Sigamos. (...)
Foi uma transição entre os aniversários interessante. Bom contar com essa palavra - interessante. Gosto de ter o que contar. Mesmo nas quedas das cascatas da rotina surgem casos, há análises, há sentimentos, há o que contar. Há menu. Há escolhas. Há plantações e colhas.
Estou mais presente no rádio. Tenho assumido a narração dos jogos na Federal. Minha parte técnica tão deficitária contou com alguns aprendizados. Participo quase que diariamente na Rádio Cultura com informações do literal mundo dos esportes e com opiniões transmitidas nas terças, por minha escolha. O ano dos times pelotenses não é o que se chama agradável. Pelotas e Farroupilha bastante abaixo.
O Grêmio trouxe a Copa do Brasil no final de 2016 para dias marcantes na minha vida. Sonho repetir esses grandes momentos de euforia. Por causa disso, trago lembranças inesquecíveis. Trago histórias. Escrevi dois livros. Um a ser chamado de TCC, mas que consideraria a leitura interessante [olha ela aí, a palavra] para todos que acompanham futebol. É muita gente, né? Bom pedaço do mundo.
Mundo. É, tenho me inserido menos nos velhos sonhos de grandes transformações sociais. Tenho focado mais na minha vida, embora tenha parado completamente com os tratamentos psicológicos. Continuo me monitorando. A política atual ajuda na desilusão de coisas maiores. Mas tenho procurado me virar e projetar algo profissionalmente, mesmo devagar, compreendo.
Devo nada a alguém. Meu déficit familiar pela criação a que tive oportunidade e espero dar algumas respostas, embora tantas dificuldades com a exaustão que a maioria dos encontros sociais me causam. Com os percalços em driblar minhas limitações. Vamos tentar ser melhores no próximo bloco. A seguir, virando a esquina, folhando a página, raiando o sol, atravessando o rio, devorando o asfalto, caminhando sobre folhas mortas, olhando para os lados, para não ser atropelado.
A cidade piorou mais do que eu imaginaria. Eu melhorei menos do que eu queria. A escrita vem comigo. Li mais do que em todos os outros anos. E sigo a ler. Grandes autores, para entender um pouco de seus mundos, seus contextos, suas deixas, suas pistas, suas pegadas. Interpretando atravessado pela minha posição nisso tudo. Geográfica, criação, filosófica, cotidiano de troca de experiências. Sigamos! Ciganos? Se enganos? Sigamos. (...)
07/09/2017
O agosto mais rápido da história em Imagens - Fotos: Henrique König
| Por do sol (Foto: Henrique König) |
| Avenida São Francisco de Paula (Foto: Henrique König) |
| Areal (Foto: Henrique König) |
| Areal (Foto: Henrique König) |
| Grande Hotel, Pelotas. (Foto: Henrique König) |
| Praça Coronel Pedro Osório (Foto: Henrique König) |
| Pelotas (Foto: Henrique König) |
| (Foto: Henrique König) |
| Flores (Foto: Henrique König) |
| (Foto: Henrique König) |
| (Foto: Henrique König) |
| (Foto: Henrique König) |
| (Foto: Henrique König) |
| (Foto: Henrique König) |
![]() |
| Santa Terezinha (Foto: Henrique König) |
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| Rural (Foto: Henrique König) |
| Urbano (Foto: Henrique König) |
21/08/2017
Em uma Imagem
Vasculho a cidade e observo muitas coisas. São tantas que quero colocá-las no papel, atravessadas pelo meu ponto de vista. São tantas que encontro o problema de não saber como iniciar ou como terminar, mesmo sabendo que as situações observadas servirão como o corpo do texto.
Recentemente, concluiu-se um concurso chamado de Pelotas em uma Imagem. Didático. Qual a melhor imagem para ilustrar a cidade? Não vi os participantes, até pensei em participar, mas prazos e, quando vê, já foi. Vi os postais dos três primeiros colocados. Gostei muito das três escolhas, fotos distintas, a cidade presente em ambas.
O terceiro lugar com uma imagem do trapiche da praia do Laranjal em uma coloração tão rara que jamais vi de tal forma em minhas visitas à praia. O segundo lugar de meu amigo de imprensa, Leandro Lopes, com a estátua de João Simões Lopes Neto (coincidência nos Lopes?) com o nevoeiro característico do inverno, em prédios antigos e tombados ao fundo. (Não gosto da expressão 'tombado', parece que derrubaram esses prédios que, na verdade, tornam-se, a princípio, inderrubáveis pela ordem da lei.)
O primeiro lugar foi uma foto mais humanística (é esse o termo a ser empregado? Bom, errar é...). Uma criança paralisada com a música vinda da vassoura do músico Serginho. Para quem é de fora, isso mesmo, o cara se apresenta em um banco da praça com uma vassoura personalizada em cordas para tirar acordes e passar algumas mensagens no microfone igualmente reciclado, reaproveitado, reinventado. Criatividade na aparelhagem e nas músicas compostas.
O menino branco e o Serginho negro. Uma cidade que convive com essa realidade, muitas vezes mal reparada (de conserto e de observar!). A foto acabou ficando mais fraca talvez tecnicamente, mas é um grande registro. Passo por Serginho seguidamente. Procuro captar algo de suas mensagens. Certa vez ironizava o fato do museu da Baronesa abrigar coisas tão rotineiras e supérfluas, mas tratadas com uma aura especial pela comunidade por terem pertencido à aristocracia local, a mesma que escravizava ou detinha privilégios nada encontrados pelo restante da pequena população local à época.
Pelotas em uma imagem. Tchê, Pelotas em uma imagem, diz aí o que se passa?
► É o fim de tarde na confusão da Marechal Floriano, entre lojas e pessoas procurando os ônibus que seguirão ao Fragata. Sol que desce e cortinas de ferro que se baixam.
► É a confusão na General Osório de madrugada. Asfalto e iluminações novas e as velhas boates, cada vez mais perigosas, onde nunca sabemos se é brincadeira ou briga séria.
► É a multiplicação dos catadores de lixo. Alguns levam até a reciclagem. Outros querem é tentar uma refeição ou terminar a dos outros.
► É o emaranhado de luzes, a frenética má combinação de bebidas e drogas em frente à universidade particular, onde seguidamente ocorre abordagens policiais para coibir a perturbação do silêncio feita pelos carros de som ou apreender irregularidades por consumo ou documentos vencidos nos veículos.
► É o paralelepípedo no chão e as cores do grafite nas paredes do Porto.
► É rave em charqueada.
► É a saída em frente à escola estadual Assis Brasil, com seus estudantes de distintas origens em uma área nobre da cidade.
► É cocô de cachorro na General Argolo.
Não conheço todos os bairros. Tampouco a zona rural.
Recentemente, concluiu-se um concurso chamado de Pelotas em uma Imagem. Didático. Qual a melhor imagem para ilustrar a cidade? Não vi os participantes, até pensei em participar, mas prazos e, quando vê, já foi. Vi os postais dos três primeiros colocados. Gostei muito das três escolhas, fotos distintas, a cidade presente em ambas.
O terceiro lugar com uma imagem do trapiche da praia do Laranjal em uma coloração tão rara que jamais vi de tal forma em minhas visitas à praia. O segundo lugar de meu amigo de imprensa, Leandro Lopes, com a estátua de João Simões Lopes Neto (coincidência nos Lopes?) com o nevoeiro característico do inverno, em prédios antigos e tombados ao fundo. (Não gosto da expressão 'tombado', parece que derrubaram esses prédios que, na verdade, tornam-se, a princípio, inderrubáveis pela ordem da lei.)
O primeiro lugar foi uma foto mais humanística (é esse o termo a ser empregado? Bom, errar é...). Uma criança paralisada com a música vinda da vassoura do músico Serginho. Para quem é de fora, isso mesmo, o cara se apresenta em um banco da praça com uma vassoura personalizada em cordas para tirar acordes e passar algumas mensagens no microfone igualmente reciclado, reaproveitado, reinventado. Criatividade na aparelhagem e nas músicas compostas.
O menino branco e o Serginho negro. Uma cidade que convive com essa realidade, muitas vezes mal reparada (de conserto e de observar!). A foto acabou ficando mais fraca talvez tecnicamente, mas é um grande registro. Passo por Serginho seguidamente. Procuro captar algo de suas mensagens. Certa vez ironizava o fato do museu da Baronesa abrigar coisas tão rotineiras e supérfluas, mas tratadas com uma aura especial pela comunidade por terem pertencido à aristocracia local, a mesma que escravizava ou detinha privilégios nada encontrados pelo restante da pequena população local à época.
Pelotas em uma imagem. Tchê, Pelotas em uma imagem, diz aí o que se passa?
► É o fim de tarde na confusão da Marechal Floriano, entre lojas e pessoas procurando os ônibus que seguirão ao Fragata. Sol que desce e cortinas de ferro que se baixam.
► É a confusão na General Osório de madrugada. Asfalto e iluminações novas e as velhas boates, cada vez mais perigosas, onde nunca sabemos se é brincadeira ou briga séria.
► É a multiplicação dos catadores de lixo. Alguns levam até a reciclagem. Outros querem é tentar uma refeição ou terminar a dos outros.
► É o emaranhado de luzes, a frenética má combinação de bebidas e drogas em frente à universidade particular, onde seguidamente ocorre abordagens policiais para coibir a perturbação do silêncio feita pelos carros de som ou apreender irregularidades por consumo ou documentos vencidos nos veículos.
► É o paralelepípedo no chão e as cores do grafite nas paredes do Porto.
► É rave em charqueada.
► É a saída em frente à escola estadual Assis Brasil, com seus estudantes de distintas origens em uma área nobre da cidade.
► É cocô de cachorro na General Argolo.
Não conheço todos os bairros. Tampouco a zona rural.
15/08/2017
Praça contra Pressa
Gosto de variar os caminhos por onde ando pela cidade. Claro, dependo da disponibilidade de tempo e se estou caminhando a esmo ou com objetivos mais concretos, mas sempre que consigo, faço minhas rotas. Passar por pontos turísticos interessantes, por paredes com inscrições que me chamaram atenção, por locais onde vi alguma coisa legal em outra data, ou simplesmente descobrir novas possibilidades.
Por temporadas, por estações defino algumas rotas mais padrões, onde eu me sinta mais à vontade. Por exemplo, do meu bairro até a Avenida Bento Gonçalves, tenho escolhido a arborizada e movimentada com comércio, Gonçalves Chaves. Passei a gostar mais da rua e a maior movimentação de pequenos estabelecimentos dificulta os roubos a pedestres, então passa uma ligeira sensação de mais segurança em relação à paralela Padre Anchieta. Da Avenida Bento mais em direção ao Centro, ao coração da cidade, opto pela 15 de Novembro, passando pela minha antiga escola, o apartamento de um amigo, o local de trabalho da minha tia e alguns estabelecimentos que me conferem um ar comum, como barbearia, estúdio de dança, papelaria, estacionamentos, etc. Até desembocar na principal praça da cidade, com suas árvores centenárias, prédios antigos e pessoas das mais variadas, no encontro entre a periferia e o empresariado.
Contorno a praça e ouço um rapaz com o microfone recém ligado à frente de uma loja. Anuncia que se trata não de uma loja qualquer. Se trata da maior loja de créditos de Pelotas (exclamações)! Se trata de uma das maiores lojas de créditos do Rio Grande do Sul (mais exclamações)! Aposto que nem ele acredita nisso e provavelmente nem os donos, a não ser que tenham um ego desmedido e sem noção. Porém, creio que a extensão da importância da loja também seja uma estratégia para ele ganhar tempo e organizar a papelada das ofertas e chamativos que pretende anunciar a seguir. Mas como segui caminhando, não o ouvi anunciar mais.
Quem pode ter ainda ouvido ou não era um morador de rua, na soleira do fechado Teatro Sete de Abril, cerrado há vários sete de abris que se passaram nos calendários. Sem atrações internas, sua fachada fica decorada pela crueldade das ruas daqueles sem oportunidades ou definitivamente desmotivados a tentar qualquer emprego que seja, como ser locutor da suposta maior loja de créditos da cidade. Ele estava completamente coberto por um cobertor dos mais sujos que já presenciei. Imóvel, se estivesse morto, não descobririam nos próximos minutos, nem horas e provavelmente demoraria uns dias.
Na praça, contornei a funerária que apresenta cães vivos nos seus degraus de entrada. Definitivamente vivos. Se morrem, será um escândalo dali a instantes com o desespero dos antigos donos. Porém, se morrem, já estão em uma funerária e aposto que não teriam que pagar pelo funeral, pois fazem parte da herança do comércio dependente do findar de vidas. Não seria problema aos caninos. Não, definitivamente não seria.
Passo por um senhor apoiado a uma máquina dos parquímetros, provavelmente esperando o aparecer de um sinal celestial divino para fazer alguma, tomar um rumo ou ao menos cambiar de posição. Passei por ele, segui meus passos e o homem seguia apoiado ao parquímetro como quem se apoia nas laterais de uma cabine telefônica enquanto efetua uma ligação.
Encontrei um bom local na praça para ler. É um corredor que gosto bastante, onde poucas vezes fui interrompido. Uma ou outra vez, um velho senhor de rua sentou-se de frente ao banco que costumo escolher, demonstrando uma espécie de hábito ou demarcação de território. Respeitei-o, obviamente. Outras vezes como nesta que estou narrando, a proximidade com os brinquedos da praça aproximam as mais variadas crianças, que se divertem e fazem algazarra enquanto os pais sentam-se nos bancos próximos, que formam uma espécie de meia lua em formato.
Enquanto as crianças sobem e descem nos escorregadores e nos outros brinquedos que não sei precisar, mas saberia se eu fosse uns 13 anos mais jovem, os pais, geralmente mães, apenas observam e raramente chamam atenção. Seria bom que chamassem mais vezes, pois um nesta tarde me convocou a notar sua presença, pois emitia gritos guturais elevados. Fazia-me crer que tem potencial para ser um novo Chester Bennington se bem treinado. E aqui falamos em treinamento, pois tudo que conseguia por vezes era me irritar e quase fazer-me desistir da leitura. Fui fiel às linhas tecidas por Humberto Gessinger na finaleira do livro Mapas do Acaso. Nem pretendia fazer paralelo entre o título da obra e os acontecimentos banais e sequencias da cidade em que narro. Mas aparentemente se conectam, não? Mapas do Acaso e as experiências vistas por mim, por acaso ou por eu mesmo querer.
Li até ele começar a terminar o livro, com as letras das músicas que em suma maioria eu conheço. Uma ou outra exceção fez com que eu lesse com mais atenção para atentar a detalhes ou como se fosse a primeira vez. Fechei o livro nas páginas finais e segui viagem. Calcei novamente os fones de ouvido. Se por vezes penso que meus textos possam ser repetitivos, tenho a breve certeza de que as músicas tocadas nas rádios mais ouvidas são mais repetitivas.
Mas logo as músicas vão entrar em desuso e precisaremos baixar ou procurar por aplicativos como Spotify para termos acesso a elas. De certa maneira, as rotas que traço entre a Gonçalves Chaves e a Quinze de Novembro hoje podem me parecer repetitivas. Fica-me a pulga atrás na orelha, essa necessária pulga que, não obstante, intromete-se ao chamado pé do ouvido. Ela me questiona: "Até quando?"
Por temporadas, por estações defino algumas rotas mais padrões, onde eu me sinta mais à vontade. Por exemplo, do meu bairro até a Avenida Bento Gonçalves, tenho escolhido a arborizada e movimentada com comércio, Gonçalves Chaves. Passei a gostar mais da rua e a maior movimentação de pequenos estabelecimentos dificulta os roubos a pedestres, então passa uma ligeira sensação de mais segurança em relação à paralela Padre Anchieta. Da Avenida Bento mais em direção ao Centro, ao coração da cidade, opto pela 15 de Novembro, passando pela minha antiga escola, o apartamento de um amigo, o local de trabalho da minha tia e alguns estabelecimentos que me conferem um ar comum, como barbearia, estúdio de dança, papelaria, estacionamentos, etc. Até desembocar na principal praça da cidade, com suas árvores centenárias, prédios antigos e pessoas das mais variadas, no encontro entre a periferia e o empresariado.
Contorno a praça e ouço um rapaz com o microfone recém ligado à frente de uma loja. Anuncia que se trata não de uma loja qualquer. Se trata da maior loja de créditos de Pelotas (exclamações)! Se trata de uma das maiores lojas de créditos do Rio Grande do Sul (mais exclamações)! Aposto que nem ele acredita nisso e provavelmente nem os donos, a não ser que tenham um ego desmedido e sem noção. Porém, creio que a extensão da importância da loja também seja uma estratégia para ele ganhar tempo e organizar a papelada das ofertas e chamativos que pretende anunciar a seguir. Mas como segui caminhando, não o ouvi anunciar mais.
Quem pode ter ainda ouvido ou não era um morador de rua, na soleira do fechado Teatro Sete de Abril, cerrado há vários sete de abris que se passaram nos calendários. Sem atrações internas, sua fachada fica decorada pela crueldade das ruas daqueles sem oportunidades ou definitivamente desmotivados a tentar qualquer emprego que seja, como ser locutor da suposta maior loja de créditos da cidade. Ele estava completamente coberto por um cobertor dos mais sujos que já presenciei. Imóvel, se estivesse morto, não descobririam nos próximos minutos, nem horas e provavelmente demoraria uns dias.
Na praça, contornei a funerária que apresenta cães vivos nos seus degraus de entrada. Definitivamente vivos. Se morrem, será um escândalo dali a instantes com o desespero dos antigos donos. Porém, se morrem, já estão em uma funerária e aposto que não teriam que pagar pelo funeral, pois fazem parte da herança do comércio dependente do findar de vidas. Não seria problema aos caninos. Não, definitivamente não seria.
Passo por um senhor apoiado a uma máquina dos parquímetros, provavelmente esperando o aparecer de um sinal celestial divino para fazer alguma, tomar um rumo ou ao menos cambiar de posição. Passei por ele, segui meus passos e o homem seguia apoiado ao parquímetro como quem se apoia nas laterais de uma cabine telefônica enquanto efetua uma ligação.
Encontrei um bom local na praça para ler. É um corredor que gosto bastante, onde poucas vezes fui interrompido. Uma ou outra vez, um velho senhor de rua sentou-se de frente ao banco que costumo escolher, demonstrando uma espécie de hábito ou demarcação de território. Respeitei-o, obviamente. Outras vezes como nesta que estou narrando, a proximidade com os brinquedos da praça aproximam as mais variadas crianças, que se divertem e fazem algazarra enquanto os pais sentam-se nos bancos próximos, que formam uma espécie de meia lua em formato.
Enquanto as crianças sobem e descem nos escorregadores e nos outros brinquedos que não sei precisar, mas saberia se eu fosse uns 13 anos mais jovem, os pais, geralmente mães, apenas observam e raramente chamam atenção. Seria bom que chamassem mais vezes, pois um nesta tarde me convocou a notar sua presença, pois emitia gritos guturais elevados. Fazia-me crer que tem potencial para ser um novo Chester Bennington se bem treinado. E aqui falamos em treinamento, pois tudo que conseguia por vezes era me irritar e quase fazer-me desistir da leitura. Fui fiel às linhas tecidas por Humberto Gessinger na finaleira do livro Mapas do Acaso. Nem pretendia fazer paralelo entre o título da obra e os acontecimentos banais e sequencias da cidade em que narro. Mas aparentemente se conectam, não? Mapas do Acaso e as experiências vistas por mim, por acaso ou por eu mesmo querer.
Li até ele começar a terminar o livro, com as letras das músicas que em suma maioria eu conheço. Uma ou outra exceção fez com que eu lesse com mais atenção para atentar a detalhes ou como se fosse a primeira vez. Fechei o livro nas páginas finais e segui viagem. Calcei novamente os fones de ouvido. Se por vezes penso que meus textos possam ser repetitivos, tenho a breve certeza de que as músicas tocadas nas rádios mais ouvidas são mais repetitivas.
Mas logo as músicas vão entrar em desuso e precisaremos baixar ou procurar por aplicativos como Spotify para termos acesso a elas. De certa maneira, as rotas que traço entre a Gonçalves Chaves e a Quinze de Novembro hoje podem me parecer repetitivas. Fica-me a pulga atrás na orelha, essa necessária pulga que, não obstante, intromete-se ao chamado pé do ouvido. Ela me questiona: "Até quando?"
09/08/2017
08/08/2017
Dois Passos
Creio que a maioria das situações da vida devem ser melhor avaliadas quando saímos da situação. Há planejamentos que fazemos (no mínimo) dois passos antes. Há avaliações sobre passado que fazemos (no mínimo) dois passos depois. É como avaliar as condições de uma estrada. Sempre ele com as metáforas de estradas. Ora, são das melhores! Avalie as condições da estrada antes de encarar os possíveis buracos no asfalto (dois passos antes). Avalie o estrago no veículo após a passagem (dois passos depois).
Não há limitações exatamente para efeitos negativos. Se avaliam melhor os efeitos positivos também dessa forma. Tanto antes quanto depois. Penso que o importante é manter em mente que havia vida antes de chegar a tal ponto da estrada e há vida após passar tal ponto da estrada. Nada que se classifique assim de forma tão essencial. Ok, sei que há pessoas que estão conosco na estrada desde que a nossa estrada é estrada. Talvez os pais, irmãos, ou talvez amigos tão de infância que não tenhamos recordações antes deles. Antes dos quatro, cinco ou oito anos. Todo o resto de experiências veio depois. Para contribuir a mais, deixar sua marca de certa forma, mas nunca definitiva, pois acredito que fiz entender que há mais estrada adiante.
Se somos modificados pelos acontecimentos, percalços, experiências pelo caminho? Por suposto que sim. Esse é o objetivo. Em relação ao que plantamos ou colhemos nos caminhos.
Um dos grandes lances é o aprendizado. Aprendermos o que fizemos de errado e corrigir para o prosseguimento da Highway. Para não repetir os mesmos erros. Linguagem de simples acesso e prática mais exaustiva. Mas há superação. Super ação.
Não se atinge o tudo e o algo que se atinge jamais será o todo. Ok, essa foi mais difícil. Mas é isso. Nada de avaliações precipitadas. Notas zero nem dez. Nada de velocímetro parado ou no 320.
Luan de saída do Grêmio? Criticamos muito seu começo, mas progrediu. Desde 2014 foi evoluindo e jogando muita bola. Merece ganhar a Europa pelo que evoluiu.
Não há limitações exatamente para efeitos negativos. Se avaliam melhor os efeitos positivos também dessa forma. Tanto antes quanto depois. Penso que o importante é manter em mente que havia vida antes de chegar a tal ponto da estrada e há vida após passar tal ponto da estrada. Nada que se classifique assim de forma tão essencial. Ok, sei que há pessoas que estão conosco na estrada desde que a nossa estrada é estrada. Talvez os pais, irmãos, ou talvez amigos tão de infância que não tenhamos recordações antes deles. Antes dos quatro, cinco ou oito anos. Todo o resto de experiências veio depois. Para contribuir a mais, deixar sua marca de certa forma, mas nunca definitiva, pois acredito que fiz entender que há mais estrada adiante.
Se somos modificados pelos acontecimentos, percalços, experiências pelo caminho? Por suposto que sim. Esse é o objetivo. Em relação ao que plantamos ou colhemos nos caminhos.
Um dos grandes lances é o aprendizado. Aprendermos o que fizemos de errado e corrigir para o prosseguimento da Highway. Para não repetir os mesmos erros. Linguagem de simples acesso e prática mais exaustiva. Mas há superação. Super ação.
Não se atinge o tudo e o algo que se atinge jamais será o todo. Ok, essa foi mais difícil. Mas é isso. Nada de avaliações precipitadas. Notas zero nem dez. Nada de velocímetro parado ou no 320.
Luan de saída do Grêmio? Criticamos muito seu começo, mas progrediu. Desde 2014 foi evoluindo e jogando muita bola. Merece ganhar a Europa pelo que evoluiu.
04/08/2017
Hi, Way
São mais de três horas da madrugada, escrevo como que por um estalo. Escrever é uma das atividades que mais se parecem com o fluir do fogo. Estalo, fagulha, atrito e a queima que se segue. Que segue estalando e se desenvolvendo, que molda labaredas, calor e alívio para quem foge do frio. Ou do vazio.
Acabo de ler um texto alicerçado por Ronaldo Nazário, justo ele que costumou escrever suas melhores histórias enquanto conduzia e tratava com carinho da bola, ao driblar defensores, dificuldades, obstáculos e marcar gols. Não faço ideia quem colocou devidamente o texto no papel ou, no caso, na internet, mas foi uma bela construção. A vida dele e o resumo, no qual ele menciona sua arte de construir e buscar a realização de sonhos. Um sonhador que fez sua parte desde a infância: a de sonhar e acreditar.
Em meios tempos, creio que eu tenha feito a minha parte de sonhar a acreditar, desde a infância. Foram ótimos tempos em atividades semelhantes, como a de jogar bola. A de sonhar escrever as minhas histórias e outras histórias. O jornalismo. Fiz minha trajetória pelas portas que entrei e gostei de ter entrado.
Concluí o curso de Jornalismo como um dos mais jovens de minha classe. Sempre em um sentimento de que preciso aprender mais do que a maioria das pessoas em volta. No sentimento de que meu tempo não é o mesmo das pessoas que me cercam. Ciente de minhas necessidades e de algumas barreiras que enfrento. Mas fui superando.
A bem da verdade, preciso fazer muito mais. Creio que preciso fazer mais por mim mesmo. E mais um pouco para agradar às pessoas em volta, sobretudo o suporte de minha família.
O aprendizado em viver e sobreviver. Quanto aos sonhos, gostei da perseguição de alguns, gostei das etapas concluídas de outros. A linha de chegada é só uma linha que alguém botou lá, então sinto a estrada como um eterno meio. Sempre deixamos algo para trás, mas o meio está em nosso pleno movimento. É o agora. Gosto de pensar assim.
Busquei momentos que demoraram a acontecer, mas aconteceram. Eeeeentre eles, o título do Grêmio, sim. Encontrei mais do que eu podia esperar em qualquer altura da vida a cidades ao norte. Me pergunto sobre sonhos, buscas e vivência. Quando a gente sabe que encontra? Ou por que encontra? Ou, quem sabe, por que a gente queria encontrar?
Gosto das atividades de vaguear, vivências, experiências, coletas, tempo só, antropologia, perfis, esconderijo, convívio, tempo só, registros, escritas, tempo só, natureza, instinto, debate, tempo só, filosofia, tantas perguntas, tanta gente sofrida que as quero ajudar. Me sinto muito mais como um comunicador de poucas pessoas sintonizadas do que um médico que atende caso a caso.
Por mais que volitem, esvoacem e adejam essas experiências, tampouco penso que eu exercite o verbo saber. Jogamos para ampliar nosso leque de perguntas. Saber o que perguntar muitas vezes é mais importante do que as respostas.
Das poucas situações que eu saiba, sei que posso dar uma boa parada sobre determinadas buscas. Inclusive creio que isso me ampliaria muito as atividades em determinados aspectos, a pensar em um futuro até mesmo breve. Há bastante o que se discutir na concepção de sonhos. Quem dera apetecer-me de forma tão certeira quanto Ronaldo, o Fenômeno. Abrem-se estradas. Escolhas. Renúncias. Esperas. Gols de Pedro Rocha. High. Highway.
Acabo de ler um texto alicerçado por Ronaldo Nazário, justo ele que costumou escrever suas melhores histórias enquanto conduzia e tratava com carinho da bola, ao driblar defensores, dificuldades, obstáculos e marcar gols. Não faço ideia quem colocou devidamente o texto no papel ou, no caso, na internet, mas foi uma bela construção. A vida dele e o resumo, no qual ele menciona sua arte de construir e buscar a realização de sonhos. Um sonhador que fez sua parte desde a infância: a de sonhar e acreditar.
Em meios tempos, creio que eu tenha feito a minha parte de sonhar a acreditar, desde a infância. Foram ótimos tempos em atividades semelhantes, como a de jogar bola. A de sonhar escrever as minhas histórias e outras histórias. O jornalismo. Fiz minha trajetória pelas portas que entrei e gostei de ter entrado.
Concluí o curso de Jornalismo como um dos mais jovens de minha classe. Sempre em um sentimento de que preciso aprender mais do que a maioria das pessoas em volta. No sentimento de que meu tempo não é o mesmo das pessoas que me cercam. Ciente de minhas necessidades e de algumas barreiras que enfrento. Mas fui superando.
A bem da verdade, preciso fazer muito mais. Creio que preciso fazer mais por mim mesmo. E mais um pouco para agradar às pessoas em volta, sobretudo o suporte de minha família.
O aprendizado em viver e sobreviver. Quanto aos sonhos, gostei da perseguição de alguns, gostei das etapas concluídas de outros. A linha de chegada é só uma linha que alguém botou lá, então sinto a estrada como um eterno meio. Sempre deixamos algo para trás, mas o meio está em nosso pleno movimento. É o agora. Gosto de pensar assim.
Busquei momentos que demoraram a acontecer, mas aconteceram. Eeeeentre eles, o título do Grêmio, sim. Encontrei mais do que eu podia esperar em qualquer altura da vida a cidades ao norte. Me pergunto sobre sonhos, buscas e vivência. Quando a gente sabe que encontra? Ou por que encontra? Ou, quem sabe, por que a gente queria encontrar?
Gosto das atividades de vaguear, vivências, experiências, coletas, tempo só, antropologia, perfis, esconderijo, convívio, tempo só, registros, escritas, tempo só, natureza, instinto, debate, tempo só, filosofia, tantas perguntas, tanta gente sofrida que as quero ajudar. Me sinto muito mais como um comunicador de poucas pessoas sintonizadas do que um médico que atende caso a caso.
Por mais que volitem, esvoacem e adejam essas experiências, tampouco penso que eu exercite o verbo saber. Jogamos para ampliar nosso leque de perguntas. Saber o que perguntar muitas vezes é mais importante do que as respostas.
Das poucas situações que eu saiba, sei que posso dar uma boa parada sobre determinadas buscas. Inclusive creio que isso me ampliaria muito as atividades em determinados aspectos, a pensar em um futuro até mesmo breve. Há bastante o que se discutir na concepção de sonhos. Quem dera apetecer-me de forma tão certeira quanto Ronaldo, o Fenômeno. Abrem-se estradas. Escolhas. Renúncias. Esperas. Gols de Pedro Rocha. High. Highway.
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Eu tentei ficar impassível, mas não consegui. Não consegui ficar impassível às fotos das crianças desaparecidas que voltam a estampar caixas...
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Consigo sentir Quintana Que não me engana Me aconselha Ou ao menos ergue a sobrancelha Consigo sentir Quintana em cada passo Que eu galgo ...
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Já não me cobro mais velocidade ou desempenho, mas os demais e a sociedade me cobram. Posso mandá-los às favas? Posso?
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A máquina se torna humano Humano se torna máquina A máquina é programada O ser humano é descartado
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Não se apaixonou mais, nem precisou conviver mais com desequilíbrios emocionais descabidos. Sorriu a isso. Mas meio amarelo. Meio, pela meta...
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Cansei. E deixarei de legado muito menos do que se não tivessem me cansado.
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Onde joga meu time estarão eu e meu futuro.
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Por vezes não sinto saudade de como era o mundo, mas de como eu era inocente ao contemplá-lo.











