29/09/2017

Quem Sabe?

Acordei nesse dia sem vontade de fazer coisas. Mas as ideias vieram e os textos suplicaram e imploraram ao máximo para serem escritos. Atendi-os, no fim das contas. Várias pautas me trouxeram até aqui.

Começo com uma história abreviada nas linhas que seguem. Uma casa ao lado da nossa sempre nos trouxe problemas. Nunca houve bons vizinhos. Desde as crianças mal-educadas que chegaram ao status através da mãe mal-educada, passando pelos ouvintes dos piores sertanejos possíveis após o horário de almoço até o que colocava uma máquina barulhenta que processava sabe-se lá o que nos fundos do terreno deles, fazendo com que a bugiganga funcionasse em plena madrugada. Enfim, os melhores anos de vizinhança eram com a ausência dela. O último dos ocupantes é o tema desse breve relato.

Soube-se que o senhor alto e dentro do possível esbelto era policial. Parece bom, não é mesmo? Mas pelo contrário. Ter um policial de vizinho impede que você chame a polícia em caso de erros dele. Ter um policial corrupto como vizinho decorre outras situações ainda mais desconfiantes e conflituosas.

O sujeito de meia idade está com a segunda esposa. Um filho adolescente o visitava de quando em vez. Um menor foi fruto deste segundo e vigente casamento em andamento. O garoto é uma criança, pelo incrível que pareça, mais educada pelo pai do que pela mãe. A mais nova senhora, mãe de primeira viagem e bastante mais jovem que seu cônjuge, talvez pense que seu atual matrimônio a torne dona da quadra ou autoridade elevada, a julgar pelo tom de voz e pela forma como trata as pessoas. Não pelo acaso, as formas de tratamento recaem sobre o comportamento do pequeno. Na escola infantil, sabe-se que é mau com as demais crianças e apronta das mais diversas formas por seu prevalecimento por ser um dos maiores.

Talvez pela experiência do filho anterior, o policial até é mais atencioso em relação ao caso do menino. Se pode receber a gratificação como bom pai, não é por isso que se exime de problemas do lado profissional e das carreiras alternativas. Através de contrabandos foi interceptado certa vez e a cana com os federais o deixou preso alguns meses. Apesar da volta para casa, não necessariamente serviu para afastar-se de atividades suspeitas. Pelas madrugadas no bairro, ouve-se vir e partir um carro em horário o tanto quanto curioso. Quando a avenida de acesso às casas não recebe mais do que moradores de rua - sejam cães ou humanos - o veículo encosta e não demora muito em sua ação sorrateira. A cena, audível a nós, se escuta em várias madrugadas durante a semana.

Questionamentos que ficam de como lidar com essa gente. Ao que parece, somente com o mais perfeito silêncio, quebrado em raras fofocas familiares e nesse breve texto. Assim permanecemos. Um exemplo claro de como instituições que deveriam primar pela segurança atuam de forma diferente por baixo dos panos, por trás das cortinas.

Um exemplo claro de que a corrupção atua nos mais diversos setores. Para onde vão as drogas apreendidas pela polícia? E as que são liberadas a vistas grossas pela polícia? E as que os policiais estão dentro dos esquemas? E as polícias, além de tudo, podem ajudar a escoar, a vender a mercadoria? Por que somente laranjas costumam ser presos? A polícia não tem acesso aos grandes detentores das mercadorias? Ou a polícia não quer acabar com os graúdos? Por que no Rio de Janeiro a polícia prefere subir os morros ao invés de combater a origem dos produtos? Nas fazendas e na entrada do país pelas fronteiras. Por que muitos brasileiros pensam que a corrupção se restringe aos políticos? E acreditam em intervenções de forças paramilitares? Por que estou me estendendo? Creio que nos entendemos por hoje. Não estou trabalhando com um caso raro ou exceção à regra.


Nem tudo é o que parece (Foto Retirada do Site Startupi)

28/09/2017

4 da Manhã

4 horas da manhã
Que me contas?
Da solidã
Nem se dá conta
Que faltou uma letra
Uma palavra perneta
Mosca tonta
Palavra saci
Para saciar
Brincalhona
Para guardar
Sob uma lona
Novos significados
Diferentes desses
A que já estamos
Nosotros
Nos outros
Viciados

28 de Setembro

Madrugada
28 de setembro
Um poema para data
Das anteriores, nada lembro
Agora um novo marco
Uma nova marca
Um novo membro
Este poema aos próximos
28 de setembro

Íntimo

Solícito
Mapa celeste
Explícito
Campos do agreste
Íntimo
Interior das vestes
Íntimo
O íntimo se repete

Dor Me Ir

Não aproveito as horas a mais
Em que poderia dormir
Dor me ir
Fico em pesquisas estranhas
Como a última
Para descobrir o formato
Da flor de lis
Qual a ordem das cores
Do arco-íris
Qual a fórmula para ser feliz
Quando não sei pra onde ires

25/09/2017

Seca

Seca
Seca a horta
Seca aorta
Nem sangue
Nem vinho
Nem verde
Nem volta
Sem vida
Só morta

Lei Seca

Cerveja o que Deus quiser
Silêncio aí, menino
Cálice
Cálice
Nem um Pilsen

Palavras-Chave

Hora de escolher
As palavras-chave
Que abrem
Portas
Naves
Clãs
Claves
Asas
Aves
Fãs
Fases
Amanhãs
Pazes
Avelãs
Nozes
Poses
Quases
Palavras Mães
Palavras Pais
Pais agem
Paisagem

Versar-Lhes

Tratar de Versar-lhes
A vida
Mostrar-lhes
As feridas
Enfermeiras
Medicinas
Ares
Veraneios
Seios
Pares
Pare-
Cidos
Bares
Meios
Meio
Cheios
Meio
Vazios
Versos
Frios
Quentes
Pra quem
Os vestiu

Com Versar

Não sou pedido
E nem peço
Nou sou medido
E nem meço
Não sou ouvido
Então verso

15/09/2017

Nece-Cidades

A cidade e as transformações que provoca na gente. A cidade e as transformações provocadas nela mesma. Como não estranhar uma cidade em que você não visita há duas décadas? Como não estranhar voltar à cidade natal após morar em outras? Como não estranhar o bar que já não está mais ali, o desvio no sentido de uma das ruas principais, o prédio demolido para virar estacionamento?

Sem dúvidas, entre mudanças mais sutis estão casas noturnas que trocam de dono e, portanto, de decoração ou de estilo, mais radicalmente. Estão as sutis trocas de comércios nos aluguéis de determinado espaço. Voltando para casa, esses dias, me deparei com uma academia que certa vez fui com um amigo para perguntarmos preços e tirarmos dúvidas para comparar com outras, em um projeto que jamais coloquei em prática e não me arrependo. Porém, a academia não estava mais lá. À minha direita, pela calçada, o espaço abrigava agora uma loja de esmaltes. Bastante distinção ao que era antes, mas no mesmo lugar.

Mais sutis ainda são as mudanças de proprietários desses imóveis. Quem não pode mais arcar com o aluguel, ou se mudou de cidade ao concluir a faculdade. Ou se mudou de cidade ao conseguir um emprego melhor em outra. As casas trocam de dono. Pela Almirante Barroso, Helena não está mais lá, nem Katiuce. O mais alto andar do pequeno prédio verde (enquanto essa for a cor) de esquina possui outros donos. O interior não deve estar mais laranja ou talvez tenha sido mantido, minha visão não alcança olhando ali debaixo, tentando espiar por entre as grades e persianas. Havia decoração com discos de vinil na parede. Artistas diferentes do gosto dos habitantes, mas que davam um ar jovial e realmente decorativo ao apartamento. Harry e Molly, os gatos, não saltitam mais entre os móveis ou se esgueiram pelo chão de forma silenciosa.

Mais sutil do que Harry e Molly talvez a mudança de quem paga o quarto no hotel. Ou no motel. A circulação de pessoas é intensa. Visitantes, turistas, pessoas que encontram parentes, pessoas que encontram amantes, pessoas a congresso, pessoas pelo futebol, pessoas pelo artista que não vai até elas e elas vêm e veem. A cidade se desenha. Quanto melhor a vista, maior noção da cidade. Dos prédios vizinhos, dos carros no asfalto, do circular dos pedestres. Dos apressados, dos frágeis idosos, dos cães de rua.

A cidade e suas sutilezas. A cidade que engole e é engolida. A cidade que devora e é devorada. A cidade que transforma e é transformada.

11/09/2017


Riding The Bus With Myself

Preguiça de começar o texto. Quem nunca? Quem sempre? Quem de vez em quando? Sim, sim, de vez em quando. Vida dividida em blocos. Hora da reunião atual com os tutores, como ocorreu para Beth no livro No Ônibus com Minha Irmã (Riding The Bus With My Sister, da escritora Rachel Simon). Prognóstico, crescimentos, evoluções, involuções? Metas, estimativas, onde estou, como estou e pegando o ônibus para onde?

Foi uma transição entre os aniversários interessante. Bom contar com essa palavra - interessante. Gosto de ter o que contar. Mesmo nas quedas das cascatas da rotina surgem casos, há análises, há sentimentos, há o que contar. Há menu. Há escolhas. Há plantações e colhas.

Estou mais presente no rádio. Tenho assumido a narração dos jogos na Federal. Minha parte técnica tão deficitária contou com alguns aprendizados. Participo quase que diariamente na Rádio Cultura com informações do literal mundo dos esportes e com opiniões transmitidas nas terças, por minha escolha. O ano dos times pelotenses não é o que se chama agradável. Pelotas e Farroupilha bastante abaixo.

O Grêmio trouxe a Copa do Brasil no final de 2016 para dias marcantes na minha vida. Sonho repetir esses grandes momentos de euforia. Por causa disso, trago lembranças inesquecíveis. Trago histórias. Escrevi dois livros. Um a ser chamado de TCC, mas que consideraria a leitura interessante [olha ela aí, a palavra] para todos que acompanham futebol. É muita gente, né? Bom pedaço do mundo.

Mundo. É, tenho me inserido menos nos velhos sonhos de grandes transformações sociais. Tenho focado mais na minha vida, embora tenha parado completamente com os tratamentos psicológicos. Continuo me monitorando. A política atual ajuda na desilusão de coisas maiores. Mas tenho procurado me virar e projetar algo profissionalmente, mesmo devagar, compreendo.

Devo nada a alguém. Meu déficit familiar pela criação a que tive oportunidade e espero dar algumas respostas, embora tantas dificuldades com a exaustão que a maioria dos encontros sociais me causam. Com os percalços em driblar minhas limitações. Vamos tentar ser melhores no próximo bloco. A seguir, virando a esquina, folhando a página, raiando o sol, atravessando o rio, devorando o asfalto, caminhando sobre folhas mortas, olhando para os lados, para não ser atropelado.

A cidade piorou mais do que eu imaginaria. Eu melhorei menos do que eu queria. A escrita vem comigo. Li mais do que em todos os outros anos. E sigo a ler. Grandes autores, para entender um pouco de seus mundos, seus contextos, suas deixas, suas pistas, suas pegadas. Interpretando atravessado pela minha posição nisso tudo. Geográfica, criação, filosófica, cotidiano de troca de experiências. Sigamos! Ciganos? Se enganos? Sigamos. (...)

07/09/2017

O agosto mais rápido da história em Imagens - Fotos: Henrique König

Por do sol (Foto: Henrique König)

Avenida São Francisco de Paula (Foto: Henrique König)

Areal (Foto: Henrique König)

Areal (Foto: Henrique König)

Grande Hotel, Pelotas. (Foto: Henrique König)

Praça Coronel Pedro Osório (Foto: Henrique König)

Pelotas (Foto: Henrique König)

(Foto: Henrique König)

Flores (Foto: Henrique König)

(Foto: Henrique König)

(Foto: Henrique König)

(Foto: Henrique König)

(Foto: Henrique König)

(Foto: Henrique König)

Santa Terezinha (Foto: Henrique König)

Rural (Foto: Henrique König)

Urbano (Foto: Henrique König)

27/08/2017

21/08/2017

Em uma Imagem

Vasculho a cidade e observo muitas coisas. São tantas que quero colocá-las no papel, atravessadas pelo meu ponto de vista. São tantas que encontro o problema de não saber como iniciar ou como terminar, mesmo sabendo que as situações observadas servirão como o corpo do texto.

Recentemente, concluiu-se um concurso chamado de Pelotas em uma Imagem. Didático. Qual a melhor imagem para ilustrar a cidade? Não vi os participantes, até pensei em participar, mas prazos e, quando vê, já foi. Vi os postais dos três primeiros colocados. Gostei muito das três escolhas, fotos distintas, a cidade presente em ambas.

O terceiro lugar com uma imagem do trapiche da praia do Laranjal em uma coloração tão rara que jamais vi de tal forma em minhas visitas à praia. O segundo lugar de meu amigo de imprensa, Leandro Lopes, com a estátua de João Simões Lopes Neto (coincidência nos Lopes?) com o nevoeiro característico do inverno, em prédios antigos e tombados ao fundo. (Não gosto da expressão 'tombado', parece que derrubaram esses prédios que, na verdade, tornam-se, a princípio, inderrubáveis pela ordem da lei.)

O primeiro lugar foi uma foto mais humanística (é esse o termo a ser empregado? Bom, errar é...). Uma criança paralisada com a música vinda da vassoura do músico Serginho. Para quem é de fora, isso mesmo, o cara se apresenta em um banco da praça com uma vassoura personalizada em cordas para tirar acordes e passar algumas mensagens no microfone igualmente reciclado, reaproveitado, reinventado. Criatividade na aparelhagem e nas músicas compostas.

O menino branco e o Serginho negro. Uma cidade que convive com essa realidade, muitas vezes mal reparada (de conserto e de observar!). A foto acabou ficando mais fraca talvez tecnicamente, mas é um grande registro. Passo por Serginho seguidamente. Procuro captar algo de suas mensagens. Certa vez ironizava o fato do museu da Baronesa abrigar coisas tão rotineiras e supérfluas, mas tratadas com uma aura especial pela comunidade por terem pertencido à aristocracia local, a mesma que escravizava ou detinha privilégios nada encontrados pelo restante da pequena população local à época.

Pelotas em uma imagem. Tchê, Pelotas em uma imagem, diz aí o que se passa?
► É o fim de tarde na confusão da Marechal Floriano, entre lojas e pessoas procurando os ônibus que seguirão ao Fragata. Sol que desce e cortinas de ferro que se baixam.
► É a confusão na General Osório de madrugada. Asfalto e iluminações novas e as velhas boates, cada vez mais perigosas, onde nunca sabemos se é brincadeira ou briga séria.
► É a multiplicação dos catadores de lixo. Alguns levam até a reciclagem. Outros querem é tentar uma refeição ou terminar a dos outros.
► É o emaranhado de luzes, a frenética má combinação de bebidas e drogas em frente à universidade particular, onde seguidamente ocorre abordagens policiais para coibir a perturbação do silêncio feita pelos carros de som ou apreender irregularidades por consumo ou documentos vencidos nos veículos.
► É o paralelepípedo no chão e as cores do grafite nas paredes do Porto.
► É rave em charqueada.
► É a saída em frente à escola estadual Assis Brasil, com seus estudantes de distintas origens em uma área nobre da cidade.
► É cocô de cachorro na General Argolo.
Não conheço todos os bairros. Tampouco a zona rural.

15/08/2017

Praça contra Pressa

Gosto de variar os caminhos por onde ando pela cidade. Claro, dependo da disponibilidade de tempo e se estou caminhando a esmo ou com objetivos mais concretos, mas sempre que consigo, faço minhas rotas. Passar por pontos turísticos interessantes, por paredes com inscrições que me chamaram atenção, por locais onde vi alguma coisa legal em outra data, ou simplesmente descobrir novas possibilidades.

Por temporadas, por estações defino algumas rotas mais padrões, onde eu me sinta mais à vontade. Por exemplo, do meu bairro até a Avenida Bento Gonçalves, tenho escolhido a arborizada e movimentada com comércio, Gonçalves Chaves. Passei a gostar mais da rua e a maior movimentação de pequenos estabelecimentos dificulta os roubos a pedestres, então passa uma ligeira sensação de mais segurança em relação à paralela Padre Anchieta. Da Avenida Bento mais em direção ao Centro, ao coração da cidade, opto pela 15 de Novembro, passando pela minha antiga escola, o apartamento de um amigo, o local de trabalho da minha tia e alguns estabelecimentos que me conferem um ar comum, como barbearia, estúdio de dança, papelaria, estacionamentos, etc. Até desembocar na principal praça da cidade, com suas árvores centenárias, prédios antigos e pessoas das mais variadas, no encontro entre a periferia e o empresariado.

Contorno a praça e ouço um rapaz com o microfone recém ligado à frente de uma loja. Anuncia que se trata não de uma loja qualquer. Se trata da maior loja de créditos de Pelotas (exclamações)! Se trata de uma das maiores lojas de créditos do Rio Grande do Sul (mais exclamações)! Aposto que nem ele acredita nisso e provavelmente nem os donos, a não ser que tenham um ego desmedido e sem noção. Porém, creio que a extensão da importância da loja também seja uma estratégia para ele ganhar tempo e organizar a papelada das ofertas e chamativos que pretende anunciar a seguir. Mas como segui caminhando, não o ouvi anunciar mais.

Quem pode ter ainda ouvido ou não era um morador de rua, na soleira do fechado Teatro Sete de Abril, cerrado há vários sete de abris que se passaram nos calendários. Sem atrações internas, sua fachada fica decorada pela crueldade das ruas daqueles sem oportunidades ou definitivamente desmotivados a tentar qualquer emprego que seja, como ser locutor da suposta maior loja de créditos da cidade. Ele estava completamente coberto por um cobertor dos mais sujos que já presenciei. Imóvel, se estivesse morto, não descobririam nos próximos minutos, nem horas e provavelmente demoraria uns dias.

Na praça, contornei a funerária que apresenta cães vivos nos seus degraus de entrada. Definitivamente vivos. Se morrem, será um escândalo dali a instantes com o desespero dos antigos donos. Porém, se morrem, já estão em uma funerária e aposto que não teriam que pagar pelo funeral, pois fazem parte da herança do comércio dependente do findar de vidas. Não seria problema aos caninos. Não, definitivamente não seria.

Passo por um senhor apoiado a uma máquina dos parquímetros, provavelmente esperando o aparecer de um sinal celestial divino para fazer alguma, tomar um rumo ou ao menos cambiar de posição. Passei por ele, segui meus passos e o homem seguia apoiado ao parquímetro como quem se apoia nas laterais de uma cabine telefônica enquanto efetua uma ligação.

Encontrei um bom local na praça para ler. É um corredor que gosto bastante, onde poucas vezes fui interrompido. Uma ou outra vez, um velho senhor de rua sentou-se de frente ao banco que costumo escolher, demonstrando uma espécie de hábito ou demarcação de território. Respeitei-o, obviamente. Outras vezes como nesta que estou narrando, a proximidade com os brinquedos da praça aproximam as mais variadas crianças, que se divertem e fazem algazarra enquanto os pais sentam-se nos bancos próximos, que formam uma espécie de meia lua em formato.

Enquanto as crianças sobem e descem nos escorregadores e nos outros brinquedos que não sei precisar, mas saberia se eu fosse uns 13 anos mais jovem, os pais, geralmente mães, apenas observam e raramente chamam atenção. Seria bom que chamassem mais vezes, pois um nesta tarde me convocou a notar sua presença, pois emitia gritos guturais elevados. Fazia-me crer que tem potencial para ser um novo Chester Bennington se bem treinado. E aqui falamos em treinamento, pois tudo que conseguia por vezes era me irritar e quase fazer-me desistir da leitura. Fui fiel às linhas tecidas por Humberto Gessinger na finaleira do livro Mapas do Acaso. Nem pretendia fazer paralelo entre o título da obra e os acontecimentos banais e sequencias da cidade em que narro. Mas aparentemente se conectam, não? Mapas do Acaso e as experiências vistas por mim, por acaso ou por eu mesmo querer.

Li até ele começar a terminar o livro, com as letras das músicas que em suma maioria eu conheço. Uma ou outra exceção fez com que eu lesse com mais atenção para atentar a detalhes ou como se fosse a primeira vez. Fechei o livro nas páginas finais e segui viagem. Calcei novamente os fones de ouvido. Se por vezes penso que meus textos possam ser repetitivos, tenho a breve certeza de que as músicas tocadas nas rádios mais ouvidas são mais repetitivas.

Mas logo as músicas vão entrar em desuso e precisaremos baixar ou procurar por aplicativos como Spotify para termos acesso a elas. De certa maneira, as rotas que traço entre a Gonçalves Chaves e a Quinze de Novembro hoje podem me parecer repetitivas. Fica-me a pulga atrás na orelha, essa necessária pulga que, não obstante, intromete-se ao chamado pé do ouvido. Ela me questiona: "Até quando?"

09/08/2017

Não esquece de buscar a verdade
Na tua versão
Não esquece de catar a mentira
Na tua aversão

08/08/2017

Julho em Imagens


Henrique König

Foto: Henrique König



Foto: Henrique König

Foto: Henrique König

Dois Passos

Creio que a maioria das situações da vida devem ser melhor avaliadas quando saímos da situação. Há planejamentos que fazemos (no mínimo) dois passos antes. Há avaliações sobre passado que fazemos (no mínimo) dois passos depois. É como avaliar as condições de uma estrada. Sempre ele com as metáforas de estradas. Ora, são das melhores! Avalie as condições da estrada antes de encarar os possíveis buracos no asfalto (dois passos antes). Avalie o estrago no veículo após a passagem (dois passos depois).

Não há limitações exatamente para efeitos negativos. Se avaliam melhor os efeitos positivos também dessa forma. Tanto antes quanto depois. Penso que o importante é manter em mente que havia vida antes de chegar a tal ponto da estrada e há vida após passar tal ponto da estrada. Nada que se classifique assim de forma tão essencial. Ok, sei que há pessoas que estão conosco na estrada desde que a nossa estrada é estrada. Talvez os pais, irmãos, ou talvez amigos tão de infância que não tenhamos recordações antes deles. Antes dos quatro, cinco ou oito anos. Todo o resto de experiências veio depois. Para contribuir a mais, deixar sua marca de certa forma, mas nunca definitiva, pois acredito que fiz entender que há mais estrada adiante.

Se somos modificados pelos acontecimentos, percalços, experiências pelo caminho? Por suposto que sim. Esse é o objetivo. Em relação ao que plantamos ou colhemos nos caminhos.

Um dos grandes lances é o aprendizado. Aprendermos o que fizemos de errado e corrigir para o prosseguimento da Highway. Para não repetir os mesmos erros. Linguagem de simples acesso e prática mais exaustiva. Mas há superação. Super ação.

Não se atinge o tudo e o algo que se atinge jamais será o todo. Ok, essa foi mais difícil. Mas é isso. Nada de avaliações precipitadas. Notas zero nem dez. Nada de velocímetro parado ou no 320.

Luan de saída do Grêmio? Criticamos muito seu começo, mas progrediu. Desde 2014 foi evoluindo e jogando muita bola. Merece ganhar a Europa pelo que evoluiu.

04/08/2017

Hi, Way

São mais de três horas da madrugada, escrevo como que por um estalo. Escrever é uma das atividades que mais se parecem com o fluir do fogo. Estalo, fagulha, atrito e a queima que se segue. Que segue estalando e se desenvolvendo, que molda labaredas, calor e alívio para quem foge do frio. Ou do vazio.

Acabo de ler um texto alicerçado por Ronaldo Nazário, justo ele que costumou escrever suas melhores histórias enquanto conduzia e tratava com carinho da bola, ao driblar defensores, dificuldades, obstáculos e marcar gols. Não faço ideia quem colocou devidamente o texto no papel ou, no caso, na internet, mas foi uma bela construção. A vida dele e o resumo, no qual ele menciona sua arte de construir e buscar a realização de sonhos. Um sonhador que fez sua parte desde a infância: a de sonhar e acreditar.

Em meios tempos, creio que eu tenha feito a minha parte de sonhar a acreditar, desde a infância. Foram ótimos tempos em atividades semelhantes, como a de jogar bola. A de sonhar escrever as minhas histórias e outras histórias. O jornalismo. Fiz minha trajetória pelas portas que entrei e gostei de ter entrado.

Concluí o curso de Jornalismo como um dos mais jovens de minha classe. Sempre em um sentimento de que preciso aprender mais do que a maioria das pessoas em volta. No sentimento de que meu tempo não é o mesmo das pessoas que me cercam. Ciente de minhas necessidades e de algumas barreiras que enfrento. Mas fui superando.

A bem da verdade, preciso fazer muito mais. Creio que preciso fazer mais por mim mesmo. E mais um pouco para agradar às pessoas em volta, sobretudo o suporte de minha família.

O aprendizado em viver e sobreviver. Quanto aos sonhos, gostei da perseguição de alguns, gostei das etapas concluídas de outros. A linha de chegada é só uma linha que alguém botou lá, então sinto a estrada como um eterno meio. Sempre deixamos algo para trás, mas o meio está em nosso pleno movimento. É o agora. Gosto de pensar assim.

Busquei momentos que demoraram a acontecer, mas aconteceram. Eeeeentre eles, o título do Grêmio, sim. Encontrei mais do que eu podia esperar em qualquer altura da vida a cidades ao norte. Me pergunto sobre sonhos, buscas e vivência. Quando a gente sabe que encontra? Ou por que encontra? Ou, quem sabe, por que a gente queria encontrar?

Gosto das atividades de vaguear, vivências, experiências, coletas, tempo só, antropologia, perfis, esconderijo, convívio, tempo só, registros, escritas, tempo só, natureza, instinto, debate, tempo só, filosofia, tantas perguntas, tanta gente sofrida que as quero ajudar. Me sinto muito mais como um comunicador de poucas pessoas sintonizadas do que um médico que atende caso a caso.

Por mais que volitem, esvoacem e adejam essas experiências, tampouco penso que eu exercite o verbo saber. Jogamos para ampliar nosso leque de perguntas. Saber o que perguntar muitas vezes é mais importante do que as respostas.

Das poucas situações que eu saiba, sei que posso dar uma boa parada sobre determinadas buscas. Inclusive creio que isso me ampliaria muito as atividades em determinados aspectos, a pensar em um futuro até mesmo breve. Há bastante o que se discutir na concepção de sonhos. Quem dera apetecer-me de forma tão certeira quanto Ronaldo, o Fenômeno. Abrem-se estradas. Escolhas. Renúncias. Esperas. Gols de Pedro Rocha. High. Highway.

20/07/2017

A Seita

Tudo começa em um ambiente de bar onde me encontrava alcoolizado. Outras pessoas estão por lá e me retiro rapidamente para ir ao banheiro, enquanto ninguém se importa, pois estão todos bêbados. Não encontro exatamente um banheiro como desfecho, mas somente uma calha no chão que vem bem a calhar, no pátio. Urino por ali mesmo, me perguntando se era o melhor lugar possível e, se caso viesse outra pessoa para o mesmo local, se eu seria xingado por tal ato. A situação passa, mas no dia seguinte estou sendo perseguido.

Estou em um pátio interno de um grande, imenso prédio. Um prédio antigo que me cerca, com o comprimento de uma quadra inteira de largura. Sou perseguido pelo que se assemelha a uma gangue e preciso correr, apenas sei disso. Estarei frito. Começo a correr e logo a pular para subir até o alto de umas telhas. O cenário se parece com o histórico e centenário colégio Gonzaga. Olho para trás e ainda estou seguido. São muitos. Não zumbis, mas uma gangue inteira, um deles bastante alto e bem próximo. Dos telhados, escalo uma grade branca de um portão. Chego a pensar se sou capaz, mas consigo, sabendo que obviamente meu perseguidor há de conseguir. Ele segue no meu encalço pelos telhados e salto de uma grande altura rumo ao concreto, mas aterrisso bem, até me dando ao luxo de virar-me de costas e ver a que distância ele está de mim.

Como ele é maior, suas passadas são mais largas e sei que não vou fugir para sempre. Chego a planejar um enfrentamento corpo a corpo, mas não tenho chances por seu tamanho, apesar do instinto vívido. Além disso, quando ficamos frente a frente como lutadores a esperar o golpe, surgem outros da gangue e meu destino é selado. Corria comigo meu amigo Gustavo, que também é capturado. Quando me dominam de vez, colocam-se um saco, algo de pano que cobre minha vista.

Só retomo o poder de averiguar quando estou em uma condução completamente escura e cercada pela gangue nos assentos em volta. É menor que um ônibus, mas me parece maior que uma kombi ou van. Os caras nos dirigem olhares como "o que vamos fazer com vocês?", mas o chefe maior ali não parece incomodado e logo nos revela o plano de nos anexar ao trabalho da gangue. A condução completamente escura segue por um asfalto que seria da avenida Bento Gonçalves. Noto momentos como se estivéssemos na contramão e outros em que parecem outros veículos como os irregulares no sentido. Tudo isso baseado na maioria dos veículos que seguem. Parece uma avenida de três pistas, duas para ir e uma para vir.

Para agradar minha surpresa, há mulheres na condução, provavelmente as que desejam estar com o poder da gangue, drogas fáceis ou mesmo admirem os caras. A mais bela está a meu lado quando revela que "não posso ficar com você, não nessa condição de recém capturado". "E é só por isso?", eu lhe devolvo em sorrisos. Ela apoia sua mão sobre a minha e repito o gesto, algo bastante sutil e discreto, para não despertar suspeitas dos demais. Me pergunto, nisso tudo, quem está conduzindo a van grande ou micronibus.

Chegamos finalmente pela sequência no asfalto no que ainda parece uma rua bastante central, com um centro comercial enorme e também do tamanho de uma quadra. Todos descem na parada e tomam seus postos. A rua é fechada em uma quadra com cavaletes, o terreno é todo da gangue, da boca, eles mandam no espaço. Vigiam, se divertem, demonstram seu poder em frente ao colossal empreendimento. As garotas acompanham, não vejo mais a que estava ao meu lado. Ela tinha as maçãs do rosto bastante saltadas, uma franja, cabelos castanhos, olhos grandes. Uma Mia Sara nessa delicada situação em que eu era prisioneiro e começava a ter a confiança do chefe do esquema.

Em frente ao estabelecimento, uma mesa inteira repleta por uma grande torta, um grande bolo branco com merengue e confetes em cima. Dá vontade de servir-me, assim como meu amigo Gustavo, que agora era Igor, teve a ideia de ir até ali e, mesmo na condição de recém capturado, saciar sua fome com alguns dos demais. Fico mais pela calçada da frente, a escuridão nas ruas e meu estado ainda estupefato por vivenciar tudo aquilo. Não avisei em nada meus pais, não sabem onde estou, nem eu direito sei. Devo trabalhar para eles, servir essa quase seita, essa movimentação que lida com ilícitos, possui muitos menores de idade, mas que não é combatida, mesmo estando esparramada pelas calçadas e o meio da rua.

De momento, está parada ao meu lado Pâmela. A reconheço pelo cabelo e a pinta no rosto. Estranho vê-la ali. Estaria eu em Pelotas ou Porto Alegre? Mas ela confirma rapidamente que está de passada por ali. Não recordo meu diálogo com ela, mas poucas frases depois desaparece e, após eu olhar para frente, para voltar o olhar ao lado no meio fio, ela e um amiga já não se encontravam mais ali. Comento com um garotinho que fui deixado falando sozinho, já agora me direcionando a ele. Impressionante como não deixei de lado a postura de demonstrar fraquezas sociais, quando deveria manter uma postura de seriedade e devoção a tudo aquilo. Eu poderia ser expulso por não satisfazê-los a qualquer momento. A gangue, composta em sua maioria por mais pobres e por mal encarados, me olhava estranho. Talvez também por suspeitar da ação com uma das meninas, sendo eu um mero recruta de início.

Em outro momento, me sinto sozinho e deslocado, mas falo com uma mulher mais velha. A um soar rápido como o de uma sirene, antes que eu possa entender, vários se deslocam da calçada e vão ao meio da rua para dançar em pares. Aproveito a desconhecida presença dela e formamos um par, no que parecia obrigação a todos os presentes ali na frente. Tão rápido como ela surgiu, em alguns giros da coreografia improvisada, vira-se para mim um garoto mais novo, um gordinho que me surpreende por estar, do nada, dançando comigo. Explico a situação que poderia constranger-nos, mas ele leva como se fosse algo comum a acontecer na seita.

O fim da missão é em outro toque, quando todos voltam em fila para dentro e conheço os aposentos, em uma estreita fila que segue junto à parede de entrada pela direita da porta. Um a um as pessoas adentram para o salão central, um saguão enorme, com catracas para confirmar as entradas e duas mesas, uma em forma de retângulo, que contorna todo o perímetro do salão e uma comprida mesa central. Estou escalado, pelo ingresso que me deram e pela catraca que passo, a comer na mesa central. Sento próximo à cabeceira, com medo de alimentar ódio dos demais membros há mais tempo, por estar, provavelmente, muito próximo de onde o chefe vai sentar. Antes de esperar a refeição, acabo acordando da estranha história.

18/07/2017

Essa gente que nem sente
O gracejo da ironia
Gente tão exigente
Nem vê o nascer do dia

15/07/2017

Marcado pelo Mercado

No fim das contas
No fim das compras
Tu sabes que não precisa
O mercado, aquecido
Te batiza
No fim das contas
No fim das compras
O gado é sempre marcado
Marcado pelo mercado
Volte sempre
Obrigado

Quero-Quero

Quero morrer
Duas vezes por mês
Mas só se morre
Uma vez
Não adianta querer
E depois
Querer viver

13/07/2017

Geo-Grafia

Sou um poço de ironia
O horizonte é um monte
Um monte de geografia
O horizonte que aponte
Um monte de biologia
Apesar daquela tática
Tática de ter
Matemática todo dia
Sem escolha na escola
Hoje não escolheria
A teimosia matemática
Temática que eu esquecia
Ao ver no horizonte
Toda aquela geografia
Litoral norte gaúcho (Foto: Henrique König)

Adega Adequada

Escrevo apenas
Escrevo atenas
Cenas que ninguém vê
Tão distantes do horizonte
Dos números da TV
Escrevo como quem procura
O trevo de quatro folhas
Escrevo como quem pudesse
Ter na vida mais escolhas
Escrevo como quem procura
A cura dessas chagas
Como quem procura
A chave dessa adega
A poção mágica de um só gole
Em que se escolhe dizer: Chega!

12/07/2017

Colchetes

Fui escrever
Sem querer deixar a cama
Sem querer
Risquei o tecido que me cobria
Um ato de desatenção
Estava atento na poesia
Mas mãe
Não fiques brava
Por essa colcha riscada
A vida do poeta
É cometer riscos
Toda coberta que o envolve
É uma colcha de letras móveis

No Fim das Contas

Varredura, martelada
Dobradiça, ferro, motor
Construção, meio fio, calçada
Pavimento, elevador

Trabalha
Trabalha
Trabalha

Rala
Rala
Rala

Bate ponto
Deixa pronto
O sistema não tem falha

Trabalha
Trabalha
Trabalha

Rala
Rala
Rala

Prefeitura, conta paga
Ponte levadiça, trator
Caminhão, esmeril, farda
Orçamento, aparador

Trabalha
Trabalha
Trabalha nessas tralhas

Rala
Rala
Trabalha
Procura no fim dessas tralhas
Duas coisas que querias

No fim do dia
A família
No fim da vida
Se der tempo
A aposentadoria

11/07/2017

Juninas em Julho - Não Enjoo

Foto: Henrique König

Foto: Henrique König

Foto: Henrique König

Foto: Henrique König


Foto: Henrique König


Foto: Henrique König

Foto: Henrique König

Foto: Henrique König

Foto: Henrique König

Foto: Henrique König

Foto: Henrique König

Animais - Ame Mais

Estive com animais de estimação
Estimando a ação
De Amar
Estive com animais de estimação
Com nome nenhum
Ou com nomes comuns
Mas para mim especiais
Especialmente por serem
Tão somente animais
Mel (Foto: Henrique König)

Porto Velho

Porto
Horto velho
De meu encontro
Comigo mesmo

Sopro vivo pelo vento
Só lamento
O tempo morto
Absorto em pensamento
Foto: Henrique König

07/07/2017

Pureza

História verídica. Uma vez, nos anos 1980, meu pai estava num supermercado de Santa Catarina. Havia um jovem rapaz, de descendência germânica, cabelos compridos, mas não tão compridos como usaria mais tarde. Ele olhava com curiosidade para uma embalagem de plástico. Tratava-se de um guaraná colocado na gondola do supermercado. Ele viu meu pai próximo a ele no corredor e resolveu perguntar.
- Com licença, cara, mas sabes me dizer o preço desse guaraná?
Realmente não havia etiqueta que indicasse o valor daquele estimado guaraná para o alemãozinho e meu pai viu que se tratava do famoso Guaraná Pureza.

- A dúvida... A dúvida é o preço da Pureza... E é inútil ter certeza.
O rapaz alçou as sobrancelhas e não hesitou em preencher o carrinho com uma dúzia de garrafas de guaraná Pureza. Agradeceu meu pai e se dirigiu ao caixa.
Quando ele voltou ao Rio Grande do Sul na semana seguinte, estava fundada a banda Engenheiros do Hawaii. A frase de meu pai foi empregada em uma das músicas de maior sucesso da banda gaúcha.
O homem curioso pelo preço do guaraná era nada mais nada menos do que Humberto Gessinger.