27/10/2016

Clubes & Bandas

Clubes e bandas. Todos já viram posts assim, mas nos esforçando, temos a seguinte lista que não agradará a todos.

São Paulo ► Queen
Tecnicamente muito forte. Uma legião de fãs exigentes e múltiplas conquistas.

Grêmio ► AC/DC
Pegada forte nos anos 1980 e se mantém em um estilo que lhe garante G-4 muitas vezes.

Internacional ► Iron Maiden
Surge bem nos anos 1970, mas reconhecimentos e ganhos até hoje.

Palmeiras ► Pink Floyd
Para muitos, a melhor. Faz sentido nas conquistas nacionais do Verdão, com base forte nos primórdios e nos anos 1970. Com conteúdo e progressivo.

Corinthians ► Guns and Roses
Timão surge forte com seu primeiro Campeonato Brasileiro em 1990. Época de Guns and Roses, que perdura até hoje. Alvinegro mais inteiro, tal qual Slash.

Santos ► The Beatles
Pelé, né gente? Pelennon. NeyCartney e Ganso Harrison.

Botafogo ► Rolling Stones
Não ultrapassaram os Beatles na época. Keith Garrinchards e Nilton Jagger.
Stones é muito grande para o Botafogo? Sugiro o Bob Dylan também, que tal?


Atlético Mineiro ► Black Sabbath

Cruzeiro ► The Who

Flamengo ► Aerosmith

Vasco da Gama ► The Doors

Guarani ► Ramones

Ponte Preta ► The Clash

Fluminense ► Dire Straits

Atlético Paranaense ► Red Hot Chili Peppers

Coritiba ► U2

Sport Recife ► Oasis

Náutico ► Blur

Bahia ► Nirvana

Ceará ► Pearl Jam

Vitória ► Foo Fighters

Avaí ► Green Day

Figueirense ► Blink 182

Criciúma ► The Offspring

Chapecoense ► Arctic Monkeys

21/10/2016

Pela Greve Deflagrada

Foto: Henrique König / Agência Em Pauta

Por quase unanimidade, os estudantes da Universidade Federal de Pelotas votaram a favor da greve discente na instituição, em assembleia ocorrida na quinta-feira (20), em frente ao prédio do Direito. Os alunos juntam-se aos Técnicos Administrativos e à possível adesão dos professores, que já encaminharam indicativo de greve. A sequência da assembleia definirá novos rumos das atividades.

Mais de 300 alunos participaram da assembleia. As principais pautas da noite de quinta-feira foram a PEC 241, o estado financeiro de falência da Universidade Federal de Pelotas e o repasse das assembleias dos cursos. Estudantes e professores tiveram voz para trazer propostas, encaminhamentos e reivindicações.

Na noite, foi decidida a greve unificada dos estudantes, a proposta de ocupação da reitoria no campus Anglo e o pedido que o COCEP (Conselho Coordenador do Ensino e da Pesquisa) congele o calendário da instituição. Aulas públicas e futuros protestos foram discutidos para o envolvimento de demais setores da sociedade.

A professora Celeste falou em nome da Associação dos Docentes da UFPel, mostrando disponibilidade para discussões sobre a PEC a ser votada no Senado. Ela afirmou que "é na rua que vamos garantir as nossas conquistas", comentou, bastante aclamada pelos presentes na praça.

Já a Associação dos Servidores da UFPel chamou a atenção para a piora do Ensino Médio sendo proposta pelo governo e as alterações na Proposta de Emenda Constitucional que vai prejudicar ainda mais o ensino público no país. "Quem está dando aula, tem que parar. É pelo Brasil"

Também foi pauta a integração das comunidades de Pelotas e região com a causa contrária à PEC 241 e à reforma do Ensino Médio. Aulas públicas, atos junto com as comunidades, como a do bairro Balsa, ao lado do Campus Anglo, são interesses dos estudantes a favor da greve. Outra preocupação explicitada foi a da falência da UFPel, sobre a situação dos dependentes do Restaurante Universitário, do auxílio moradia e outros direitos ameaçados. "Nenhum direito a menos" foram as palavras de ordem.

Houve preocupação com a Agência Lagoa Mirim, vinculada à Universidade e que presta um trabalho essencial para comunidades pelotenses. O estudante Gabriel, das Artes Visuais, comentou que a assembleia não era "pela educação do meu curso, mas pelos filhos e pelos netos", em manobra pela consciência coletiva. Heitor, em nome do Centro Acadêmico do Jornalismo, mostrou o posicionamento favorável à greve e as tratativas do curso, que conta com o apoio dos professores na causa.

Guilherme, do Direito, curso com poucos professores em aceitação da greve, lamentou a ausência de um DCE em favor dos estudantes e o pouco apoio de quem ministra aulas no prédio. Antes das votações, Vanessa, do turismo, foi das mais aplaudidas, ao reestabelecer ordem e terminar a fala com a seguinte passagem: "um sonho só é só um sonho. Mas um sonho em conjunto é realidade".

Outros encaminhamentos para votação na sexta-feira (21) foram uma nota de apoio pela ocupação do IFSul Campus Pelotas. Distribuição de informação sobre a PEC 241 nas comunidades, a possível ocupação de Campus da Universidade, tal qual o Campus Anglo, apoio à nota lançada pelo coletivo de negros e negras da UFPel, denunciando as fraudes no sistema de cotas e vencer assunto da prestação de contas da gestão Novo Tempo no DCE (Diretório Central dos Estudantes).
Foto: Heitor Araújo / Agência Em Pauta

15/10/2016

Dizem que

Louco por ter feito
Louco por defeito
Louco com a idade
Louco qualidade

Cores Clandestinas

Há pessoas presas
No cinza das grades da cela
Há uma luz acesa
Que brilha e é delas
Há ditaduras que borram aquarelas
Mas há os pintores, os donos das cores
De cor clandestina
Que ilumina e modifica a tela
Há flores em meio ao matagal
E primavera à beira do final
Foto: Henrique König

14/10/2016

Universidades Exclusivas

Sonho sociedades mais horizontais. Universidade ainda é uma coisa distante disso, exclusiva. Exclusiva de fornecer exclusividade para uns, em processo seletivo que virou a nova indústria dos cursinhos, que aprovam 101% dos alunos no "quem paga, passa", além de ter virado a paranoia das escolas particulares, que precisam, porque precisam, porque MEU DEUS precisam aprovar mais do que a escolinha vizinha.

Universidade é exclusiva de excluir pessoas. Excluir quem não tenha como pagar (olha a tabela de preço das particulares e se tu não sentir nada sobre os preços, pode parar de ler aqui). Excluir quem queira uma formação consecutiva para poder finalmente ministrar aulas e tem preços abusivos, absurdos em uma pós, em um mestrado e o caramba.

E nisso tudo, a pessoa-pai-mãe-filho-estudante-robô-industrial precisa administrar as outras vidas nesses folhetos repetidos de 24 horas. Na função da pessoa colocar dinheiro pra dentro de casa, de ser chamada pelo chefe fora de horário, de tentar estudar no meio disso tudo e ainda investigar quem são os fdp que vão entregar o pré-sal e congelar investimentos.

Nem é minha vida isso, mas nunca precisou ser para que eu me importasse.

06/10/2016

Sobreviventes do Setembro Amarelo







Fotos: Henrique König

Caixa de Fósforos


Me sinto cercado pelas opções políticas que se escasseiam. Cercado pela violência crescente e pelo tempo curto. Com os elementos juntos, não podemos nem dialogar com o bandido e contaremos com a boa vontade que nos deixe o chip do celular. Cada vez mais o sentimento de estar preso como em uma caixa de fósforos. Pronta para ser riscada com o gás do fogão aberto há minutos. Esperando por uma cabeça de fósforo brilhante, que contagie às demais, para juntos queimarmos quem nos quer queimar. Aguardamos. Como presos em uma caixa de fósforos.


05/10/2016

Mantos e Mantimentos

Feliz ou infelizmente, guardo a camisa do clube de futebol ao lado do cabide onde penduro a alma no guarda-roupas. A mesma alma que preciso vestir todos os dias ao deixar o breve universo do quarto. Não raramente, a camisa do clube de futebol e a alma vão juntas para máquina de lavar, em intermináveis voltas de detergente, filosofia e enxágue. Não recordo se elas, a camisa do clube de futebol e a alma, já vieram comigo com as mesmas cores. Mas, passado tanto tempo juntas nessas voltas, elas se tornaram cada vez mais semelhantes.
Foto: Henrique König

27/09/2016

Menos grades, mais agrados

Minha terra não tem morro
Morro de saudade
Pensa em mim
Faz um foro
Faz do sim tua felicidade

Minha saga como um cachorro
Por um soro na cidade
Pensa em mim
Peço socorro
Costura na minha vida o sim
Como um alfaiate

Minha terra não tem morro
Morro de saudade
Faz assim:
Não responde
Fico na curiosidade

Velhas fardas que já foram
Voltam costuradas
Faz assim:
Faz mais nada
Se o beijo não te agrade

Faz assim:
Sem mais grades
Se o beijo não te agrade

Faz assim
Menos fardos
Mais afagos
Menos grades
Mais agrados

18/09/2016

Inabitável

Inabitável mundo
Da informação tão ágil
Da informação tão frágil
De um rio tão raso
Onde quem o atravessa
Pode sair com mais ódio
Sem interpretar o episódio
Sem a jangada do contexto
Sem o galho que o salva
Do naufrágio
Da opinião equivocada

13/09/2016

De livre turista a prisioneiro da gelatina de limão

[CONTINUAÇÃO do texto anterior]

Na sequência deste quase apocalíptico sonho, descubro nossos dormitórios e me chama atenção que, na porta cinza dos quartos, há nomes para identificação. O nosso curiosamente chama-se Inês.

Pois bem, lembro de conversar com crianças e, em seguida, sumir, apagar. Algumas imagens como se gravadas de câmeras escondidas mostram situações internas, como um maluco gritando VAI CORINTHIANS, outros brigando e problemas como um exército nada organizado, em que terminar a noite vivo parece um grande feito e ter uma noite de sono para estudar no dia seguinte parece impossível. Realidades de um Brasil.

Na falta de uma noção de tempo, penso que a próxima passagem é no dia seguinte, quando consigo deixar o alojamento todo, o internato e passear pelas ruas do Rio de Janeiro, bem distintas de minhas lembranças, mas com elementos que me identificam a pensar que se trata de lá.

Consigo ir até a praia, em uma avenida que mais lembra praias catarinenses ou a que conheci somente por imagens da Barra da Tijuca, na qual nos estendemos por um corredor de asfalto, com carros estacionados ao lado, muita areia clara e, do outro, já a confusão do urbano. Chegamos a planejar melhores visitas a pontos turísticos do Rio, porque, ao mesmo tempo, sou morador do internato, mas um turista em liberdade (condicional?) pela cidade.

Neste trajeto pela avenida, lembro da única passagem de meu pai, único familiar meu pelo sonho. Ele dirige o carro e, sem esboçar reação para desviar, atropela uma criança ciclista. Incrédulo com o acontecimento acidental causado por ele sobre a vermelha ciclofaixa, em seguida, deixo o carro e não o vejo mais. Adiante, há um quiosque no que parecia mesmo o fim dessa avenida beira-mar.

É um quiosque organizado, com ares rudimentares, mas que esboça luxo. É um dos momentos que enxergo garotas/mulheres no sonho, oportunidade oposta ao inferno do alojamento antes descrito. Ao meu lado, surge um rapaz que pareço considerar amigo e da mesma convivência. Creio que seguimos juntos por uma avenida larga que nos levará de volta ao internato para o cair da noite. Assim aqui recordo o fato de o internato ser afastado dos centros do Rio de Janeiro e talvez pertencente a uma cidade próxima, dentro do estado, cercada por áreas mais rurais, como realmente uma penitenciária.

Ao perceber, com a chegada da noite, o passar de mais um dia, necessito me alimentar e a janta está controlada pelo grupo ditatorial da porra toda. Incrível que os guardas que cercam o local parecem estar completamente subornados, não ligam para a situação dos demais, sujeitos a passar fome ou ser mortos, massacrados pela milícia com o poder.

Consigo me alimentar de uma pequena porção de algo salgado e, na sequência, um amigo meu, uma criança gordinha chama a atenção de que há sobremesa livre. Como um irônico restaurante. Mas a sobremesa é apenas gelatina, presente sobre um bazar, onde uma senhora serve os que se aproximam. São minúsculas porções junto a ela, mas, adiante, há mais gelatina de várias cores espalhada e consigo acessar uma das travessas e me servir de uma tigela maior do que minha mão. Já que quase não jantei, encho a tigela de gelatina de limão na esperança de naquela noite não passar fome.

Vale ressaltar que a higiene do local é duvidável, o caráter dos e das funcionários(as) é duvidável e não confio muito na qualidade da comida. Talvez, também por isso, chega uma hora que repudio a gelatina, que, também ressalto, me servi em imensa quantidade jamais conferida (em gelatina de limão). Ofereço aos jovens amigos próximos.

Logo depois, é como um chamado terrível, uma conferência. O desenho de Pokémon da noite anterior volta a ser pauta. Há sirenes, há tumulto e correria e preciso voltar ao meu dormitório, no quarto sinalizado com o nome de Inês. Recordo da maldita caneta preta em meu bolso, igual a que me livrei naquele dia, que eles até encontraram, mas pela minha sinceridade e diálogo com o líder maluco, não desconfiaram diretamente de mim. Ou desconfiaram e apenas me prorrogaram as chances e este desmiolado sonho.

Contorno pelos fundos do dormitório, busco um local onde ninguém me veja, mas parece que há sempre algum mal intencionado passando, correndo, fugindo, me seguindo ou algum guarda à espreita. Parece que já não querem ajudar a gente, mas, se virem algo para avisar a milícia com o poder, não hesitarão em nos denunciar. Com isso, um guarda me pergunta o que faço ali sozinho e se não estou ouvindo o chamado urgente. Não tenho reação que não seja aceitar suas ordens e voltar em frente à casinha onde uma das portas cinzas dos quartos tem a inscrição Inês.

Sinto que, com a nova conferência, com a nova revista, estarei encrencado de vez, serei fuzilado e, pensando agora, parece um dos reais efeitos de uma ditadura, onde tenho ninguém a recorrer. Somente assimilando se tratar de um sonho e aproveitando a peculiaridade da vivência toda nele, me esforço para ali não ser morto, controlar a situação e sobreviver mais um dia. Eles não me descobriram. E Gustavo, onde será que está? Não apareceu mais.



A prisão e as evidências

Estive eu preso a um internato no Rio de Janeiro. Me senti com minha própria idade, que é de DESCUBRA. Mas a maioria dos demais garotos era mais jovem, alguns como criança mesmo. Me senti como Daniel Radcliffe em Um Verão Para Toda Vida. Mentira, só pensei nisto agora na escrita.

A grande diferença do internato, apesar do policiamento em volta em alguns momentos, é que um grupo radical e ditatorial tomou conta da situação. Ameaçavam e queriam, de toda forma, organizar os viventes. Pois bem, logo em uma das primeiras cenas do sonho, mandaram-nos formar uma fila. Haviam recém tomado as rédeas da situação no que parecia uma prisão de segurança mediana.

Como era um dos mais velhos, me desloquei para entre os últimos da fila, mesmo notando umas pessoas de 2 metros e tanto. Estes sim, ocupantes das últimas posições das fileiras iniciadas por crianças.

No que percebo, à minha frente, está Gustavo L., conhecido dos últimos anos, exímio jogador de camisas vermelhas, de finalização impecável e armação de jogo esperto. Não muito rápido nos movimentos, mas todavia inteligente. Ele saca um pedaço de papel preenchido com outras coisas e começa a desenhar e logo me mostra um logo de Pokémon, uma Pokebola, algo assim. Acho interessante sua habilidade de desenhar tão rápido e com tamanha precisão.

Mas os de arma em punho não querem saber e desaprovam desenhos, sabe-se lá o porquê. Me livro dele, mas a menos de dois metros de mim. À esta altura, Gustavo já deu no pé e nunca mais foi visto (no sonho). Nosso artista contra o movimento ditatorial.

A caneta com a qual ele fez o desenho é preta, descubro que me pertence e ele devolveu-a. Mas é um risco tê-la no bolso quando pode ser identificada como a de autoria do desenho. Jogo a caneta para trás e ela para junto a uma parede, também a menos de dois metros de mim. Na situação, estava eu parado, o desenho um metro à frente, a caneta jogada, solitária, um metro atrás, junto à parede do fundo, onde estavam os últimos da fila.

Então, já havia alguns jovens dispersos, mas eu não consigo me dispersar por um certo pânico que me paralisa. Eles catam o desenho, estão furiosos e procuram o responsável. Ninguém assume, ninguém viu Gustavo, ninguém me viu? Ninguém dedura. O chefe, um magro, de cabelos mal cuidados, com raiva e que associo ao tráfico, até troca palavras comigo. Respondo com cautela, mas não me amedronto em responder.

Ele então pede para todos os permanecentes nas filas para pegarem seus lápis e canetas e, para minha surpresa, todos tiram os objetos de escrita dos bolsos, como se estivessem prontos para um vestibular. Eu descubro outra caneta em meu bolso e me sinto mais seguro. Porém, há também outra caneta preta assim como a que tentei me livrar. A primeira pode ser associada a esta e fico preocupado.

O chefe do grupo pensa que o desenho havia sido feito na hora, mas eu discordo dele e o induzo a pensar que um desenho tão bem elaborado deve ter sido feito anteriormente. Não daria tempo de caprichar tanto naquele momento. Ele considera minha opinião e, por hora, me livro dessa situação complicada.
Caneta Bic preta utilizada no crime do internato

29/08/2016

Nunca colocam o close na educação

Na mesma semana, David Coimbra colocou com sua assinatura que "O Estado pode sonegar até educação; segurança, não".

Já o comunicador Alexandre Fetter leu carta aberta em seu programa e disse que "Para mim, que gente assim (jornalistas de opinião contrária a ele) sejam as próximas vítimas, que sejam eles a sangrar e deixar suas famílias enterradas”."

Gente, eles pregam uma forma de resolver DE UMA HORA PARA OUTRA um problema de décadas nas periferias, que só se tornou esse desespero todo AGORA porque bateu na porta da classe média e das mais altas: morte nas comunidades mais pobres sempre existiu por violência, por tráfico, mas não tem apelo, não é noticiada, não gera comoção ou a mesma indignação. Quase nunca houve preocupação do Estado em combater isso.

Nesta segunda-feira, o Jornal Hoje, da Globo, destaca uma família morta em um condomínio de luxo no Rio de Janeiro. Foi chamada na abertura do jornal. Jamais abririam esse espaço de inquietação, investigação para morte de pessoas pobres na favela. E repito: as pessoas de favelas, periferias sempre conviveram com a violência, sem aportes ou subsídios do ~~Estado que pode sonegar até educação, segurança, não~~.

A educação, neste processo todo, que começou e perdura por décadas e décadas, sempre foi a saída ou redução das desigualdades e de tantos problemas sociais comuns de norte a sul do Brasil. A educação de base: das creches, do começo e fim do fundamental, do ingresso no ensino médio e finalmente no superior.

O posicionamento desses comunicadores está muito errado. Eles são do mesmo grupo de comunicação.

25/07/2016

Esvai

Há muito tempo não escrevia sobre meus sonhos enquanto durmo, somente os sonhos enquanto acordado. Desta vez, recorro ao da noite passada por necessidade e para buscar evitar as inevitáveis traições da memória. Foi mais ou menos assim...

Estávamos encerrando uma transmissão de futebol que logo percebi ser um jogo paulista entre Portuguesa de Desportos e São Caetano, no estádio do Canindé, em São Paulo. Quando me deparei, estava com a equipe da rádio em uma mesa. De forma surpreendente, não tratava-se de uma cabine, mas de uma mesa de restaurante, como uma pizzaria. Com minha consciente preocupação de não falar bobagens ao microfone enquanto estamos no ar, perguntei, atônito, algumas vezes se já havíamos encerrado a programação, repassado ao plantão, coisa e tal.

Tão surpresa quanto a sequência de fatos, um de nossos componentes da equipe era meu ex-colega de escola, Pedro Ruas, que nada tem a ver com futebol ou suas transmissões. Já tomado a observar o então ambiente do restaurante, havia em volta uma estrutura extremamente chique, coisas de primeira classe, decoração, plantas, luzes amarelas que davam um ar quente ao ambiente. Tão quente quanto as impressões que a iluminação proporcionava, eram as mulheres da mesa em frente. Em um seleto grupo, estavam conscientemente vestidas para ocasião, diferente de mim que sei lá o que vestia.

Troquei olhares e me sentia incomodado/motivado com tamanha beleza. Me lembro de cutucar o amigo de escola como se recordasse de outras ocasiões a alguma ou algumas delas. Após ter me levantado, ao tentar retornar para mesa fui antecipado por uma delas, a qual me segurou pelo braço e me conduziu. Executamos uma coreografia ridícula e mal ensaiada enquanto atraíamos a atenção de todos em volta. Daí então não reparei mais nos companheiros de equipe. O último gesto destinado a eles foi um ~~será que dá~~?

Pois a líder do grupo não me conquistava ou trazia beleza que fascinasse minha razoavelmente crítica e própria opinião. Apesar disso, ela seguiu o ritual, a me conduzir para o lado de fora da noite, em uma espécie de pequeno pátio ou jardim.

Havia um gramado e a iluminação já em nada lembrava o interior chique do restaurante. Entretanto, cada vez me dava mais conta que me acercava de um verdadeiro objetivo. Apesar de inicialmente, ao relacionar o estádio do Canindé, da Portuguesa, se tratar de São Paulo, pensava que elas e eu éramos estrangeiros. Consciente de minha condição de intruso, entretanto, não as relacionava a um lugar específico, embora pensasse que poderiam ser de uma cidade mais perto de minha natal do que da distante São Paulo. Amadurecia-me a impressão da cidade da proveniência delas ser Porto Alegre.

A então capitã da procissão toda organizou me dar a oportunidade de conhecê-las e, em via disso, poder escolher (só em sonho). Enfim, a primeira que se aproxima de mim é cada vez mais evidente ser uma pessoa a quem espero e esperaria muito tempo. Nosso primeiro contato é com os lábios, um beijo extremamente quente, mais quente do que qualquer outra sensação, como quando uma comida chega ao nosso paladar com o calor tão intenso que mal deciframos o gosto.

Outra das moças está próxima e, a associando a uma amiga da primeira na vida real, que AQUI CHAMAREMOS DE A____. Peço privacidade e se ela pode se afastar. Após esse beso de meu apreço, sinto a necessidade de sanar a dúvida da origem da autora com a qual quero privacidade.

Pergunto, meio ou, melhor dizendo, completamente enrolado: "de que cidade vocês são?". Ela não entende direito, mostra a desaprovação e que não sacou a questão. Tento repetir, consigo olhar profundamente em seus olhos. Com certeza é ela! Aqui a chamaremos de P____. Tento me comunicar com ela. Trocar mais frases, dialogar, extrair mais informações, mas em vão. Tento então beijá-la novamente, mas não consigo, a odisseia chega ao fim.

Tento regressar ao momento, a língua dormente e ainda quente, a lembrança tão perfeita, clara e cristalina que quase se volta o momento, mas tudo se esvai. E a ex, vai?

16/07/2016

Curitiba em Imagens - Fotos: Henrique König












Fotos: Henrique König

Análise do texto "Que 'negro' é esse na cultura popular negra?", de Stuart Hall

Mediante as mudanças em políticas de inclusão na Europa e nos Estados Unidos durante os anos 1990, o autor jamaicano Stuart Hall propõe questionamentos presentes acerca de Que "negro" é esse na cultura popular negra?, de 1996. O estudioso da comunicação traz as indagações sobre a cultura popular e a forma como o negro é visto na sociedade.

Stuart Hall aponta para a cartada de alguns autores em evidenciar um sistema imutável, de um modo que a crítica ao modo contemporâneo exista, mas não evolua. A preocupação do autor é que a tomada de consciência e as críticas feitas consigam avançar em soluções aos grupos não hegemônicos. Ele aborda que "o que substitui a invisibilidade é um tipo de visibilidade segregada, que é cuidadosamente regulada" (HALL, 2003).

Hall também demonstra atenção aos contrários às mudanças sociais, centrados, reunidos em políticas conservadoras. Nessa geração de conflito, há o ataque direto de quem deseja a manutenção da hegemonia, do nacionalismo como pilar, por exemplo.

Em relação à segregação de uma cultura de elite e uma popular, Hall cita Peter Stallybrass e Allon White sobre o mapeamento do alto e o baixo em formas psíquicas, no corpo humano, no espaço e na ordem social. O autor jamaicano problematiza a questão da cultura negra popular como "um espaço contraditório". Isto porque defende que ela não pode ser reduzida a uma oposição do baixo versus o alto, do informal versus o formal, de ser a oposição versus a homogeneização. As definições binárias não bastariam, pois existe uma grande complexidade sobre seu leque de manifestações. Hall crê essencial a contextualização histórica e cultural.

"O momento essencializante é vulnerável porque naturaliza e desistoriciza a diferença, confunde o que é histórico e cultural com o que é natural, biológico e genético. No momento em que o siginificado 'negro' é arrancado de seu encaixe histórico, cultural e político, e é alojado em uma categoria racil biologicamente constituída, nós valorizamos, pela inversão, a própria base do racismo que estamos tentando desconstruir". (HALL, 2003)

Hall também considera fundamental mapear as diferenças dentro da cultura negra. Somente assim caminha-se para um nível satisfatório de análise. Não satisfaz apenas diferenciar o negro de outras formas de cultura, mas é necessário estabelecer as diferenças entre gênero, sexualidade e classe, por exemplo.

Justamente com esse ponto em debate, Hall encerra Que “negro” é esse na cultura negra? Reduzir a questão da identidade negra pe desvalorizar diversos fatores que atravessam diretamente o processo cultural, histórico e social onde estão os indivíduos.

As mulheres negras podem combater o racismo ao mesmo tempo que são diferentes suas posições na sociedade em relação aos homens negros. Entre os homens negros, difere-se o tratamento social em relação aos hetero e aos homossexuais. Há, sem dúvida alguma, a distinção de classes entre indivíduos, como na questão financeira.

Um caso interessante a ser explicitado é o do rapper Gustavo Black Alien. Na infância, o fluminense morou em Niterói, em contato com uma população de maior poder aquisitivo. Era visto como diferente, pois era um negro em um cenário de predominância de brancos, mais ainda do que a divisão étnica da atualidade.

Ao mesmo tempo, Black Alien visitava a parte mais pobre da família, na cidade de seu nascimento, São Gonçalo. Desta maneira, mesmo entre negros, o preconceito existia, pois não era da mesma classe econômica dos demais. Sempre estudou em boas escolas e aprendeu inglês antes dos 12 anos, situação distante para grande maioria dos negros e pobres do Rio de Janeiro durante os anos 1980.

Outro exemplo é o funk e sua problematização enquanto movimento cultural. A origem do funk remete aos Estados Unidos, quando o termo era utilizado por negros estadunidenses, para designar odores corporais durante as relações sexuais.

"Foi por volta de 1968 que a gíria “funky” perdeu  seu significado pejorativo e passou a remeter seu sentido a algo como orgulho negro. Assim, conforme apresenta Hermano Vianna, tudo pode ser funky: uma roupa, um bairro da cidade, o jeito de andar e uma forma de tocar música que ficou conhecida como funk" (VIANA, 1988, p. 20).

O movimento funk, quanto à sua chegada ao Brasil e, principalmente, por sua disseminação até os dias atuais, perde característica inicial de movimento exclusivamente negro, embora continue construído em sua maioria como um movimento periférico, marginal na sociedade. Mas nem a este ponto deseja-se chegar na exemplificação. Uma das questões remetentes ao funk é o debate entre o machismo que muitas vezes é presenciado nas letras.

Mais um ponto complexo dentre os já observados no texto de Hall e que pode-se trazer à tona. Neste presente trabalho, como apenas um parênteses aberto como exemplificação, fica a citação do teórico Bertold Brecht:  "Primeiro vem o estômago, depois a moral". Na interpretação de que o funk, de elementos das comunidades carentes e da sociedade em geral, onde está inserido, traz letras com o machismo presente, mas, ao mesmo tempo, onde caberia uma moral de julgar compositores que apresentam trajetórias de violência, baixa escolaridade e falta de instrução, quando buscam sustento das poucas formas que os são possíveis? Fica o questionamento.

De modo conclusivo à presente análise, observa-se a complexidade do tema inserido em Que "negro" é esse na cultura popular negra?, quando o próprio Stuart Hall questiona o tratamento às minorias feito pela sociedade, pela comunicação e autores que abordam tão polêmicos assuntos.

Passadas duas décadas desde o texto de Hall, de 1996, os cuidados nas abordagens permanecem e se ramificam conforme o avanço nos estudos de comunicação, antropologia, sociologia, psicologia e outras áreas. Uma possibilidade de cruzar teorias com as propostas de Stuart são os trabalhos voltados à temática de gênero, em conceito e descontrução, da estadunidense Judith Butler.

Visto que a temática da identidade negra passa por atravessamentos de gênero, classe e outros aspectos, o que fica notável é a impossibilidade de uma unificação dos indivíduos de etnia negra em uma concepção, em uma conceituação.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

HALL, Stuart. Que “negro” é esse na cultura negra? In: HALL, Stuart. Da Diáspora: identidades e mediações culturais. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2003.

RODRIGUES, Carla. Butler e a desconstrução do gênero (resenha). In: Revista Estudos Feministas, Florianópolis, 13(1): 179-199, janeiro-abril/2005.

ROLIM, Gabriel. Black Alien - Irradiando Luz na Escuridão há uma Década. MonkeyBuzz, 2014. Disponível em: http://monkeybuzz.com.br/artigos/12455/black-alien---irradiando-luz-na-escuridao-ha-uma-decada/. Acesso em 13 de julho de 2016, às 22h17. 

VIANA, Lucina. O Funk no Brasil: Música desintermediada na Cibercultura. Revista Sonora. Unicamp. Vol. 3, 2010.

VIANNA, Hermano (1988). O mundo Funk Carioca. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor.

07/07/2016

Separar pra pensar

Creio que a gente precisa separar as coisas. De um lado realmente há os gastos absurdos com dinheiro público, superfaturamento de obras e a cegueira para vários problemas sociais com uma Olimpíada. De outro há a visibilidade a atletas que deveríamos enxergar sempre. Histórias de educadores, gente ligada ao esporte por projetos de inclusão, gente que encontrou o esporte como opção, alternativa, superação e motivação de viver, que participam do tal revezamento da tocha olímpica. Creio mesmo que a gente não possa descontar/respingar nesses indivíduos as frustrações criadas por outros. As coisas precisam ser bem direcionadas a verdadeiros responsáveis, caso contrário acabam até mais perdendo apoio do que recebendo.
Final do revezamento da tocha olímpica na cidade de Pelotas (Divulgação / Rio 2016)

16/06/2016

Maio em Imagens







FOTO: HENRIQUE KÖNIG

Tapa da mão aberta

Um tapa de mão aberta
Na cara desse sistema
O médico obstetra
Deu luz a mais um problema

É sempre a estrada reta

Deles que eles impõem
É o lucro como meta
É isso que dita o tom

10/06/2016

Babasónicos

Tenho 1001 coisas pra resolver
Estou em outra dimensão
Me escondo, já não sei o que fazer
Fujo de outra situação
Mais sei que devo enfrentar de frente
Em busca de uma solução
Difícil saber exatamente
Uma resposta de satisfação

22/05/2016

Aguante

E se um porro me acalmava
E era tu
E sempre tu me incendiava
E quando muitos te abandonaram
E era eu
E sempre eu te incentivava


17/05/2016

Sobre vivendo

Assisti ao filme "Sobrevivente", sobre o cara que sobreviveu (dã) ao naufrágio de um barco nas gélidas águas do Atlântico Norte, na Islândia, em 1984. Daí que chamou atenção o extraordinário de Gulli ter ficado cerca de seis horas nadando e flutuando pelo mar em temperatura praticamente negativa em Celsius. Humanamente impossível, afirmavam. Naquela temperatura, muitos teriam pego uma hipotermia irreversível em questão de minutos.

Daí que, dependendo a temperatura, o ser humano não consegue passar sequer minutos nos oceanos, que cobrem cerca de 71% da superfície terrestre. Notável também a cena que ele consegue chegar à ilha e está exausto, desesperado e perdendo os movimentos pela má circulação do sangue, etc. Encontra uma banheira (?) com água congelada em um pasto. Afugenta os bois (que sempre têm o alimento em volta deles muuuuu) com sua presença. Pega uma pedra e bate no gelo até ele se partir e ele conseguir beber algo após horas cercado por água salgada.

Daí que o ser humano não consegue sobreviver, sem maiores aparatos, à maior parte de seu planeta. Seja por questões de clima, predadores e tal. E neste que é o planeta habitável.

E nisso tudo, Raul Seixas disse em Ouro de Tolo que

"É você olhar no espelho
Se sentir
Um grandessíssimo idiota
Saber que é humano
Ridículo, limitado
Que só usa dez por cento
De sua cabeça animal

E você ainda acredita
Que é um doutor
Padre ou policial
Que está contribuindo
Com sua parte
Para o nosso belo
Quadro social"

Loucura, né?