| Foto: Henrique König |
05/10/2016
Mantos e Mantimentos
Feliz ou infelizmente, guardo a camisa do clube de futebol ao lado do cabide onde penduro a alma no guarda-roupas. A mesma alma que preciso vestir todos os dias ao deixar o breve universo do quarto. Não raramente, a camisa do clube de futebol e a alma vão juntas para máquina de lavar, em intermináveis voltas de detergente, filosofia e enxágue. Não recordo se elas, a camisa do clube de futebol e a alma, já vieram comigo com as mesmas cores. Mas, passado tanto tempo juntas nessas voltas, elas se tornaram cada vez mais semelhantes.
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Há dias em que naturalmente estou abatido. E há dias que naturalmente me abatem.
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Eu tentei ficar impassível, mas não consegui. Não consegui ficar impassível às fotos das crianças desaparecidas que voltam a estampar caixas...
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Consigo sentir Quintana Que não me engana Me aconselha Ou ao menos ergue a sobrancelha Consigo sentir Quintana em cada passo Que eu galgo ...
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A linha tênue entre enjoar e esquecer.
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Já não me cobro mais velocidade ou desempenho, mas os demais e a sociedade me cobram. Posso mandá-los às favas? Posso?
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A máquina se torna humano Humano se torna máquina A máquina é programada O ser humano é descartado
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Não se apaixonou mais, nem precisou conviver mais com desequilíbrios emocionais descabidos. Sorriu a isso. Mas meio amarelo. Meio, pela meta...
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Cansei. E deixarei de legado muito menos do que se não tivessem me cansado.
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Onde joga meu time estarão eu e meu futuro.
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Por vezes não sinto saudade de como era o mundo, mas de como eu era inocente ao contemplá-lo.
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