4 horas da manhã
Que me contas?
Da solidã
Nem se dá conta
Que faltou uma letra
Uma palavra perneta
Mosca tonta
Palavra saci
Para saciar
Brincalhona
Para guardar
Sob uma lona
Novos significados
Diferentes desses
A que já estamos
Nosotros
Nos outros
Viciados
28/09/2017
28 de Setembro
Madrugada
28 de setembro
Um poema para data
Das anteriores, nada lembro
Agora um novo marco
Uma nova marca
Um novo membro
Este poema aos próximos
28 de setembro
28 de setembro
Um poema para data
Das anteriores, nada lembro
Agora um novo marco
Uma nova marca
Um novo membro
Este poema aos próximos
28 de setembro
Íntimo
Solícito
Mapa celeste
Explícito
Campos do agreste
Íntimo
Interior das vestes
Íntimo
O íntimo se repete
Mapa celeste
Explícito
Campos do agreste
Íntimo
Interior das vestes
Íntimo
O íntimo se repete
Dor Me Ir
Não aproveito as horas a mais
Em que poderia dormir
Dor me ir
Fico em pesquisas estranhas
Como a última
Para descobrir o formato
Da flor de lis
Qual a ordem das cores
Do arco-íris
Qual a fórmula para ser feliz
Quando não sei pra onde ires
Em que poderia dormir
Dor me ir
Fico em pesquisas estranhas
Como a última
Para descobrir o formato
Da flor de lis
Qual a ordem das cores
Do arco-íris
Qual a fórmula para ser feliz
Quando não sei pra onde ires
25/09/2017
Palavras-Chave
Hora de escolher
As palavras-chave
Que abrem
Portas
Naves
Clãs
Claves
Asas
Aves
Fãs
Fases
Amanhãs
Pazes
Avelãs
Nozes
Poses
Quases
Palavras Mães
Palavras Pais
Pais agem
Paisagem
As palavras-chave
Que abrem
Portas
Naves
Clãs
Claves
Asas
Aves
Fãs
Fases
Amanhãs
Pazes
Avelãs
Nozes
Poses
Quases
Palavras Mães
Palavras Pais
Pais agem
Paisagem
Versar-Lhes
Tratar de Versar-lhes
A vida
Mostrar-lhes
As feridas
Enfermeiras
Medicinas
Ares
Veraneios
Seios
Pares
Pare-
Cidos
Bares
Meios
Meio
Cheios
Meio
Vazios
Versos
Frios
Quentes
Pra quem
Os vestiu
A vida
Mostrar-lhes
As feridas
Enfermeiras
Medicinas
Ares
Veraneios
Seios
Pares
Pare-
Cidos
Bares
Meios
Meio
Cheios
Meio
Vazios
Versos
Frios
Quentes
Pra quem
Os vestiu
15/09/2017
Nece-Cidades
A cidade e as transformações que provoca na gente. A cidade e as transformações provocadas nela mesma. Como não estranhar uma cidade em que você não visita há duas décadas? Como não estranhar voltar à cidade natal após morar em outras? Como não estranhar o bar que já não está mais ali, o desvio no sentido de uma das ruas principais, o prédio demolido para virar estacionamento?
Sem dúvidas, entre mudanças mais sutis estão casas noturnas que trocam de dono e, portanto, de decoração ou de estilo, mais radicalmente. Estão as sutis trocas de comércios nos aluguéis de determinado espaço. Voltando para casa, esses dias, me deparei com uma academia que certa vez fui com um amigo para perguntarmos preços e tirarmos dúvidas para comparar com outras, em um projeto que jamais coloquei em prática e não me arrependo. Porém, a academia não estava mais lá. À minha direita, pela calçada, o espaço abrigava agora uma loja de esmaltes. Bastante distinção ao que era antes, mas no mesmo lugar.
Mais sutis ainda são as mudanças de proprietários desses imóveis. Quem não pode mais arcar com o aluguel, ou se mudou de cidade ao concluir a faculdade. Ou se mudou de cidade ao conseguir um emprego melhor em outra. As casas trocam de dono. Pela Almirante Barroso, Helena não está mais lá, nem Katiuce. O mais alto andar do pequeno prédio verde (enquanto essa for a cor) de esquina possui outros donos. O interior não deve estar mais laranja ou talvez tenha sido mantido, minha visão não alcança olhando ali debaixo, tentando espiar por entre as grades e persianas. Havia decoração com discos de vinil na parede. Artistas diferentes do gosto dos habitantes, mas que davam um ar jovial e realmente decorativo ao apartamento. Harry e Molly, os gatos, não saltitam mais entre os móveis ou se esgueiram pelo chão de forma silenciosa.
Mais sutil do que Harry e Molly talvez a mudança de quem paga o quarto no hotel. Ou no motel. A circulação de pessoas é intensa. Visitantes, turistas, pessoas que encontram parentes, pessoas que encontram amantes, pessoas a congresso, pessoas pelo futebol, pessoas pelo artista que não vai até elas e elas vêm e veem. A cidade se desenha. Quanto melhor a vista, maior noção da cidade. Dos prédios vizinhos, dos carros no asfalto, do circular dos pedestres. Dos apressados, dos frágeis idosos, dos cães de rua.
A cidade e suas sutilezas. A cidade que engole e é engolida. A cidade que devora e é devorada. A cidade que transforma e é transformada.
Sem dúvidas, entre mudanças mais sutis estão casas noturnas que trocam de dono e, portanto, de decoração ou de estilo, mais radicalmente. Estão as sutis trocas de comércios nos aluguéis de determinado espaço. Voltando para casa, esses dias, me deparei com uma academia que certa vez fui com um amigo para perguntarmos preços e tirarmos dúvidas para comparar com outras, em um projeto que jamais coloquei em prática e não me arrependo. Porém, a academia não estava mais lá. À minha direita, pela calçada, o espaço abrigava agora uma loja de esmaltes. Bastante distinção ao que era antes, mas no mesmo lugar.
Mais sutis ainda são as mudanças de proprietários desses imóveis. Quem não pode mais arcar com o aluguel, ou se mudou de cidade ao concluir a faculdade. Ou se mudou de cidade ao conseguir um emprego melhor em outra. As casas trocam de dono. Pela Almirante Barroso, Helena não está mais lá, nem Katiuce. O mais alto andar do pequeno prédio verde (enquanto essa for a cor) de esquina possui outros donos. O interior não deve estar mais laranja ou talvez tenha sido mantido, minha visão não alcança olhando ali debaixo, tentando espiar por entre as grades e persianas. Havia decoração com discos de vinil na parede. Artistas diferentes do gosto dos habitantes, mas que davam um ar jovial e realmente decorativo ao apartamento. Harry e Molly, os gatos, não saltitam mais entre os móveis ou se esgueiram pelo chão de forma silenciosa.
Mais sutil do que Harry e Molly talvez a mudança de quem paga o quarto no hotel. Ou no motel. A circulação de pessoas é intensa. Visitantes, turistas, pessoas que encontram parentes, pessoas que encontram amantes, pessoas a congresso, pessoas pelo futebol, pessoas pelo artista que não vai até elas e elas vêm e veem. A cidade se desenha. Quanto melhor a vista, maior noção da cidade. Dos prédios vizinhos, dos carros no asfalto, do circular dos pedestres. Dos apressados, dos frágeis idosos, dos cães de rua.
A cidade e suas sutilezas. A cidade que engole e é engolida. A cidade que devora e é devorada. A cidade que transforma e é transformada.
11/09/2017
Riding The Bus With Myself
Preguiça de começar o texto. Quem nunca? Quem sempre? Quem de vez em quando? Sim, sim, de vez em quando. Vida dividida em blocos. Hora da reunião atual com os tutores, como ocorreu para Beth no livro No Ônibus com Minha Irmã (Riding The Bus With My Sister, da escritora Rachel Simon). Prognóstico, crescimentos, evoluções, involuções? Metas, estimativas, onde estou, como estou e pegando o ônibus para onde?
Foi uma transição entre os aniversários interessante. Bom contar com essa palavra - interessante. Gosto de ter o que contar. Mesmo nas quedas das cascatas da rotina surgem casos, há análises, há sentimentos, há o que contar. Há menu. Há escolhas. Há plantações e colhas.
Estou mais presente no rádio. Tenho assumido a narração dos jogos na Federal. Minha parte técnica tão deficitária contou com alguns aprendizados. Participo quase que diariamente na Rádio Cultura com informações do literal mundo dos esportes e com opiniões transmitidas nas terças, por minha escolha. O ano dos times pelotenses não é o que se chama agradável. Pelotas e Farroupilha bastante abaixo.
O Grêmio trouxe a Copa do Brasil no final de 2016 para dias marcantes na minha vida. Sonho repetir esses grandes momentos de euforia. Por causa disso, trago lembranças inesquecíveis. Trago histórias. Escrevi dois livros. Um a ser chamado de TCC, mas que consideraria a leitura interessante [olha ela aí, a palavra] para todos que acompanham futebol. É muita gente, né? Bom pedaço do mundo.
Mundo. É, tenho me inserido menos nos velhos sonhos de grandes transformações sociais. Tenho focado mais na minha vida, embora tenha parado completamente com os tratamentos psicológicos. Continuo me monitorando. A política atual ajuda na desilusão de coisas maiores. Mas tenho procurado me virar e projetar algo profissionalmente, mesmo devagar, compreendo.
Devo nada a alguém. Meu déficit familiar pela criação a que tive oportunidade e espero dar algumas respostas, embora tantas dificuldades com a exaustão que a maioria dos encontros sociais me causam. Com os percalços em driblar minhas limitações. Vamos tentar ser melhores no próximo bloco. A seguir, virando a esquina, folhando a página, raiando o sol, atravessando o rio, devorando o asfalto, caminhando sobre folhas mortas, olhando para os lados, para não ser atropelado.
A cidade piorou mais do que eu imaginaria. Eu melhorei menos do que eu queria. A escrita vem comigo. Li mais do que em todos os outros anos. E sigo a ler. Grandes autores, para entender um pouco de seus mundos, seus contextos, suas deixas, suas pistas, suas pegadas. Interpretando atravessado pela minha posição nisso tudo. Geográfica, criação, filosófica, cotidiano de troca de experiências. Sigamos! Ciganos? Se enganos? Sigamos. (...)
Foi uma transição entre os aniversários interessante. Bom contar com essa palavra - interessante. Gosto de ter o que contar. Mesmo nas quedas das cascatas da rotina surgem casos, há análises, há sentimentos, há o que contar. Há menu. Há escolhas. Há plantações e colhas.
Estou mais presente no rádio. Tenho assumido a narração dos jogos na Federal. Minha parte técnica tão deficitária contou com alguns aprendizados. Participo quase que diariamente na Rádio Cultura com informações do literal mundo dos esportes e com opiniões transmitidas nas terças, por minha escolha. O ano dos times pelotenses não é o que se chama agradável. Pelotas e Farroupilha bastante abaixo.
O Grêmio trouxe a Copa do Brasil no final de 2016 para dias marcantes na minha vida. Sonho repetir esses grandes momentos de euforia. Por causa disso, trago lembranças inesquecíveis. Trago histórias. Escrevi dois livros. Um a ser chamado de TCC, mas que consideraria a leitura interessante [olha ela aí, a palavra] para todos que acompanham futebol. É muita gente, né? Bom pedaço do mundo.
Mundo. É, tenho me inserido menos nos velhos sonhos de grandes transformações sociais. Tenho focado mais na minha vida, embora tenha parado completamente com os tratamentos psicológicos. Continuo me monitorando. A política atual ajuda na desilusão de coisas maiores. Mas tenho procurado me virar e projetar algo profissionalmente, mesmo devagar, compreendo.
Devo nada a alguém. Meu déficit familiar pela criação a que tive oportunidade e espero dar algumas respostas, embora tantas dificuldades com a exaustão que a maioria dos encontros sociais me causam. Com os percalços em driblar minhas limitações. Vamos tentar ser melhores no próximo bloco. A seguir, virando a esquina, folhando a página, raiando o sol, atravessando o rio, devorando o asfalto, caminhando sobre folhas mortas, olhando para os lados, para não ser atropelado.
A cidade piorou mais do que eu imaginaria. Eu melhorei menos do que eu queria. A escrita vem comigo. Li mais do que em todos os outros anos. E sigo a ler. Grandes autores, para entender um pouco de seus mundos, seus contextos, suas deixas, suas pistas, suas pegadas. Interpretando atravessado pela minha posição nisso tudo. Geográfica, criação, filosófica, cotidiano de troca de experiências. Sigamos! Ciganos? Se enganos? Sigamos. (...)
07/09/2017
O agosto mais rápido da história em Imagens - Fotos: Henrique König
| Por do sol (Foto: Henrique König) |
| Avenida São Francisco de Paula (Foto: Henrique König) |
| Areal (Foto: Henrique König) |
| Areal (Foto: Henrique König) |
| Grande Hotel, Pelotas. (Foto: Henrique König) |
| Praça Coronel Pedro Osório (Foto: Henrique König) |
| Pelotas (Foto: Henrique König) |
| (Foto: Henrique König) |
| Flores (Foto: Henrique König) |
| (Foto: Henrique König) |
| (Foto: Henrique König) |
| (Foto: Henrique König) |
| (Foto: Henrique König) |
| (Foto: Henrique König) |
![]() |
| Santa Terezinha (Foto: Henrique König) |
![]() |
| Rural (Foto: Henrique König) |
| Urbano (Foto: Henrique König) |
21/08/2017
Em uma Imagem
Vasculho a cidade e observo muitas coisas. São tantas que quero colocá-las no papel, atravessadas pelo meu ponto de vista. São tantas que encontro o problema de não saber como iniciar ou como terminar, mesmo sabendo que as situações observadas servirão como o corpo do texto.
Recentemente, concluiu-se um concurso chamado de Pelotas em uma Imagem. Didático. Qual a melhor imagem para ilustrar a cidade? Não vi os participantes, até pensei em participar, mas prazos e, quando vê, já foi. Vi os postais dos três primeiros colocados. Gostei muito das três escolhas, fotos distintas, a cidade presente em ambas.
O terceiro lugar com uma imagem do trapiche da praia do Laranjal em uma coloração tão rara que jamais vi de tal forma em minhas visitas à praia. O segundo lugar de meu amigo de imprensa, Leandro Lopes, com a estátua de João Simões Lopes Neto (coincidência nos Lopes?) com o nevoeiro característico do inverno, em prédios antigos e tombados ao fundo. (Não gosto da expressão 'tombado', parece que derrubaram esses prédios que, na verdade, tornam-se, a princípio, inderrubáveis pela ordem da lei.)
O primeiro lugar foi uma foto mais humanística (é esse o termo a ser empregado? Bom, errar é...). Uma criança paralisada com a música vinda da vassoura do músico Serginho. Para quem é de fora, isso mesmo, o cara se apresenta em um banco da praça com uma vassoura personalizada em cordas para tirar acordes e passar algumas mensagens no microfone igualmente reciclado, reaproveitado, reinventado. Criatividade na aparelhagem e nas músicas compostas.
O menino branco e o Serginho negro. Uma cidade que convive com essa realidade, muitas vezes mal reparada (de conserto e de observar!). A foto acabou ficando mais fraca talvez tecnicamente, mas é um grande registro. Passo por Serginho seguidamente. Procuro captar algo de suas mensagens. Certa vez ironizava o fato do museu da Baronesa abrigar coisas tão rotineiras e supérfluas, mas tratadas com uma aura especial pela comunidade por terem pertencido à aristocracia local, a mesma que escravizava ou detinha privilégios nada encontrados pelo restante da pequena população local à época.
Pelotas em uma imagem. Tchê, Pelotas em uma imagem, diz aí o que se passa?
► É o fim de tarde na confusão da Marechal Floriano, entre lojas e pessoas procurando os ônibus que seguirão ao Fragata. Sol que desce e cortinas de ferro que se baixam.
► É a confusão na General Osório de madrugada. Asfalto e iluminações novas e as velhas boates, cada vez mais perigosas, onde nunca sabemos se é brincadeira ou briga séria.
► É a multiplicação dos catadores de lixo. Alguns levam até a reciclagem. Outros querem é tentar uma refeição ou terminar a dos outros.
► É o emaranhado de luzes, a frenética má combinação de bebidas e drogas em frente à universidade particular, onde seguidamente ocorre abordagens policiais para coibir a perturbação do silêncio feita pelos carros de som ou apreender irregularidades por consumo ou documentos vencidos nos veículos.
► É o paralelepípedo no chão e as cores do grafite nas paredes do Porto.
► É rave em charqueada.
► É a saída em frente à escola estadual Assis Brasil, com seus estudantes de distintas origens em uma área nobre da cidade.
► É cocô de cachorro na General Argolo.
Não conheço todos os bairros. Tampouco a zona rural.
Recentemente, concluiu-se um concurso chamado de Pelotas em uma Imagem. Didático. Qual a melhor imagem para ilustrar a cidade? Não vi os participantes, até pensei em participar, mas prazos e, quando vê, já foi. Vi os postais dos três primeiros colocados. Gostei muito das três escolhas, fotos distintas, a cidade presente em ambas.
O terceiro lugar com uma imagem do trapiche da praia do Laranjal em uma coloração tão rara que jamais vi de tal forma em minhas visitas à praia. O segundo lugar de meu amigo de imprensa, Leandro Lopes, com a estátua de João Simões Lopes Neto (coincidência nos Lopes?) com o nevoeiro característico do inverno, em prédios antigos e tombados ao fundo. (Não gosto da expressão 'tombado', parece que derrubaram esses prédios que, na verdade, tornam-se, a princípio, inderrubáveis pela ordem da lei.)
O primeiro lugar foi uma foto mais humanística (é esse o termo a ser empregado? Bom, errar é...). Uma criança paralisada com a música vinda da vassoura do músico Serginho. Para quem é de fora, isso mesmo, o cara se apresenta em um banco da praça com uma vassoura personalizada em cordas para tirar acordes e passar algumas mensagens no microfone igualmente reciclado, reaproveitado, reinventado. Criatividade na aparelhagem e nas músicas compostas.
O menino branco e o Serginho negro. Uma cidade que convive com essa realidade, muitas vezes mal reparada (de conserto e de observar!). A foto acabou ficando mais fraca talvez tecnicamente, mas é um grande registro. Passo por Serginho seguidamente. Procuro captar algo de suas mensagens. Certa vez ironizava o fato do museu da Baronesa abrigar coisas tão rotineiras e supérfluas, mas tratadas com uma aura especial pela comunidade por terem pertencido à aristocracia local, a mesma que escravizava ou detinha privilégios nada encontrados pelo restante da pequena população local à época.
Pelotas em uma imagem. Tchê, Pelotas em uma imagem, diz aí o que se passa?
► É o fim de tarde na confusão da Marechal Floriano, entre lojas e pessoas procurando os ônibus que seguirão ao Fragata. Sol que desce e cortinas de ferro que se baixam.
► É a confusão na General Osório de madrugada. Asfalto e iluminações novas e as velhas boates, cada vez mais perigosas, onde nunca sabemos se é brincadeira ou briga séria.
► É a multiplicação dos catadores de lixo. Alguns levam até a reciclagem. Outros querem é tentar uma refeição ou terminar a dos outros.
► É o emaranhado de luzes, a frenética má combinação de bebidas e drogas em frente à universidade particular, onde seguidamente ocorre abordagens policiais para coibir a perturbação do silêncio feita pelos carros de som ou apreender irregularidades por consumo ou documentos vencidos nos veículos.
► É o paralelepípedo no chão e as cores do grafite nas paredes do Porto.
► É rave em charqueada.
► É a saída em frente à escola estadual Assis Brasil, com seus estudantes de distintas origens em uma área nobre da cidade.
► É cocô de cachorro na General Argolo.
Não conheço todos os bairros. Tampouco a zona rural.
15/08/2017
Praça contra Pressa
Gosto de variar os caminhos por onde ando pela cidade. Claro, dependo da disponibilidade de tempo e se estou caminhando a esmo ou com objetivos mais concretos, mas sempre que consigo, faço minhas rotas. Passar por pontos turísticos interessantes, por paredes com inscrições que me chamaram atenção, por locais onde vi alguma coisa legal em outra data, ou simplesmente descobrir novas possibilidades.
Por temporadas, por estações defino algumas rotas mais padrões, onde eu me sinta mais à vontade. Por exemplo, do meu bairro até a Avenida Bento Gonçalves, tenho escolhido a arborizada e movimentada com comércio, Gonçalves Chaves. Passei a gostar mais da rua e a maior movimentação de pequenos estabelecimentos dificulta os roubos a pedestres, então passa uma ligeira sensação de mais segurança em relação à paralela Padre Anchieta. Da Avenida Bento mais em direção ao Centro, ao coração da cidade, opto pela 15 de Novembro, passando pela minha antiga escola, o apartamento de um amigo, o local de trabalho da minha tia e alguns estabelecimentos que me conferem um ar comum, como barbearia, estúdio de dança, papelaria, estacionamentos, etc. Até desembocar na principal praça da cidade, com suas árvores centenárias, prédios antigos e pessoas das mais variadas, no encontro entre a periferia e o empresariado.
Contorno a praça e ouço um rapaz com o microfone recém ligado à frente de uma loja. Anuncia que se trata não de uma loja qualquer. Se trata da maior loja de créditos de Pelotas (exclamações)! Se trata de uma das maiores lojas de créditos do Rio Grande do Sul (mais exclamações)! Aposto que nem ele acredita nisso e provavelmente nem os donos, a não ser que tenham um ego desmedido e sem noção. Porém, creio que a extensão da importância da loja também seja uma estratégia para ele ganhar tempo e organizar a papelada das ofertas e chamativos que pretende anunciar a seguir. Mas como segui caminhando, não o ouvi anunciar mais.
Quem pode ter ainda ouvido ou não era um morador de rua, na soleira do fechado Teatro Sete de Abril, cerrado há vários sete de abris que se passaram nos calendários. Sem atrações internas, sua fachada fica decorada pela crueldade das ruas daqueles sem oportunidades ou definitivamente desmotivados a tentar qualquer emprego que seja, como ser locutor da suposta maior loja de créditos da cidade. Ele estava completamente coberto por um cobertor dos mais sujos que já presenciei. Imóvel, se estivesse morto, não descobririam nos próximos minutos, nem horas e provavelmente demoraria uns dias.
Na praça, contornei a funerária que apresenta cães vivos nos seus degraus de entrada. Definitivamente vivos. Se morrem, será um escândalo dali a instantes com o desespero dos antigos donos. Porém, se morrem, já estão em uma funerária e aposto que não teriam que pagar pelo funeral, pois fazem parte da herança do comércio dependente do findar de vidas. Não seria problema aos caninos. Não, definitivamente não seria.
Passo por um senhor apoiado a uma máquina dos parquímetros, provavelmente esperando o aparecer de um sinal celestial divino para fazer alguma, tomar um rumo ou ao menos cambiar de posição. Passei por ele, segui meus passos e o homem seguia apoiado ao parquímetro como quem se apoia nas laterais de uma cabine telefônica enquanto efetua uma ligação.
Encontrei um bom local na praça para ler. É um corredor que gosto bastante, onde poucas vezes fui interrompido. Uma ou outra vez, um velho senhor de rua sentou-se de frente ao banco que costumo escolher, demonstrando uma espécie de hábito ou demarcação de território. Respeitei-o, obviamente. Outras vezes como nesta que estou narrando, a proximidade com os brinquedos da praça aproximam as mais variadas crianças, que se divertem e fazem algazarra enquanto os pais sentam-se nos bancos próximos, que formam uma espécie de meia lua em formato.
Enquanto as crianças sobem e descem nos escorregadores e nos outros brinquedos que não sei precisar, mas saberia se eu fosse uns 13 anos mais jovem, os pais, geralmente mães, apenas observam e raramente chamam atenção. Seria bom que chamassem mais vezes, pois um nesta tarde me convocou a notar sua presença, pois emitia gritos guturais elevados. Fazia-me crer que tem potencial para ser um novo Chester Bennington se bem treinado. E aqui falamos em treinamento, pois tudo que conseguia por vezes era me irritar e quase fazer-me desistir da leitura. Fui fiel às linhas tecidas por Humberto Gessinger na finaleira do livro Mapas do Acaso. Nem pretendia fazer paralelo entre o título da obra e os acontecimentos banais e sequencias da cidade em que narro. Mas aparentemente se conectam, não? Mapas do Acaso e as experiências vistas por mim, por acaso ou por eu mesmo querer.
Li até ele começar a terminar o livro, com as letras das músicas que em suma maioria eu conheço. Uma ou outra exceção fez com que eu lesse com mais atenção para atentar a detalhes ou como se fosse a primeira vez. Fechei o livro nas páginas finais e segui viagem. Calcei novamente os fones de ouvido. Se por vezes penso que meus textos possam ser repetitivos, tenho a breve certeza de que as músicas tocadas nas rádios mais ouvidas são mais repetitivas.
Mas logo as músicas vão entrar em desuso e precisaremos baixar ou procurar por aplicativos como Spotify para termos acesso a elas. De certa maneira, as rotas que traço entre a Gonçalves Chaves e a Quinze de Novembro hoje podem me parecer repetitivas. Fica-me a pulga atrás na orelha, essa necessária pulga que, não obstante, intromete-se ao chamado pé do ouvido. Ela me questiona: "Até quando?"
Por temporadas, por estações defino algumas rotas mais padrões, onde eu me sinta mais à vontade. Por exemplo, do meu bairro até a Avenida Bento Gonçalves, tenho escolhido a arborizada e movimentada com comércio, Gonçalves Chaves. Passei a gostar mais da rua e a maior movimentação de pequenos estabelecimentos dificulta os roubos a pedestres, então passa uma ligeira sensação de mais segurança em relação à paralela Padre Anchieta. Da Avenida Bento mais em direção ao Centro, ao coração da cidade, opto pela 15 de Novembro, passando pela minha antiga escola, o apartamento de um amigo, o local de trabalho da minha tia e alguns estabelecimentos que me conferem um ar comum, como barbearia, estúdio de dança, papelaria, estacionamentos, etc. Até desembocar na principal praça da cidade, com suas árvores centenárias, prédios antigos e pessoas das mais variadas, no encontro entre a periferia e o empresariado.
Contorno a praça e ouço um rapaz com o microfone recém ligado à frente de uma loja. Anuncia que se trata não de uma loja qualquer. Se trata da maior loja de créditos de Pelotas (exclamações)! Se trata de uma das maiores lojas de créditos do Rio Grande do Sul (mais exclamações)! Aposto que nem ele acredita nisso e provavelmente nem os donos, a não ser que tenham um ego desmedido e sem noção. Porém, creio que a extensão da importância da loja também seja uma estratégia para ele ganhar tempo e organizar a papelada das ofertas e chamativos que pretende anunciar a seguir. Mas como segui caminhando, não o ouvi anunciar mais.
Quem pode ter ainda ouvido ou não era um morador de rua, na soleira do fechado Teatro Sete de Abril, cerrado há vários sete de abris que se passaram nos calendários. Sem atrações internas, sua fachada fica decorada pela crueldade das ruas daqueles sem oportunidades ou definitivamente desmotivados a tentar qualquer emprego que seja, como ser locutor da suposta maior loja de créditos da cidade. Ele estava completamente coberto por um cobertor dos mais sujos que já presenciei. Imóvel, se estivesse morto, não descobririam nos próximos minutos, nem horas e provavelmente demoraria uns dias.
Na praça, contornei a funerária que apresenta cães vivos nos seus degraus de entrada. Definitivamente vivos. Se morrem, será um escândalo dali a instantes com o desespero dos antigos donos. Porém, se morrem, já estão em uma funerária e aposto que não teriam que pagar pelo funeral, pois fazem parte da herança do comércio dependente do findar de vidas. Não seria problema aos caninos. Não, definitivamente não seria.
Passo por um senhor apoiado a uma máquina dos parquímetros, provavelmente esperando o aparecer de um sinal celestial divino para fazer alguma, tomar um rumo ou ao menos cambiar de posição. Passei por ele, segui meus passos e o homem seguia apoiado ao parquímetro como quem se apoia nas laterais de uma cabine telefônica enquanto efetua uma ligação.
Encontrei um bom local na praça para ler. É um corredor que gosto bastante, onde poucas vezes fui interrompido. Uma ou outra vez, um velho senhor de rua sentou-se de frente ao banco que costumo escolher, demonstrando uma espécie de hábito ou demarcação de território. Respeitei-o, obviamente. Outras vezes como nesta que estou narrando, a proximidade com os brinquedos da praça aproximam as mais variadas crianças, que se divertem e fazem algazarra enquanto os pais sentam-se nos bancos próximos, que formam uma espécie de meia lua em formato.
Enquanto as crianças sobem e descem nos escorregadores e nos outros brinquedos que não sei precisar, mas saberia se eu fosse uns 13 anos mais jovem, os pais, geralmente mães, apenas observam e raramente chamam atenção. Seria bom que chamassem mais vezes, pois um nesta tarde me convocou a notar sua presença, pois emitia gritos guturais elevados. Fazia-me crer que tem potencial para ser um novo Chester Bennington se bem treinado. E aqui falamos em treinamento, pois tudo que conseguia por vezes era me irritar e quase fazer-me desistir da leitura. Fui fiel às linhas tecidas por Humberto Gessinger na finaleira do livro Mapas do Acaso. Nem pretendia fazer paralelo entre o título da obra e os acontecimentos banais e sequencias da cidade em que narro. Mas aparentemente se conectam, não? Mapas do Acaso e as experiências vistas por mim, por acaso ou por eu mesmo querer.
Li até ele começar a terminar o livro, com as letras das músicas que em suma maioria eu conheço. Uma ou outra exceção fez com que eu lesse com mais atenção para atentar a detalhes ou como se fosse a primeira vez. Fechei o livro nas páginas finais e segui viagem. Calcei novamente os fones de ouvido. Se por vezes penso que meus textos possam ser repetitivos, tenho a breve certeza de que as músicas tocadas nas rádios mais ouvidas são mais repetitivas.
Mas logo as músicas vão entrar em desuso e precisaremos baixar ou procurar por aplicativos como Spotify para termos acesso a elas. De certa maneira, as rotas que traço entre a Gonçalves Chaves e a Quinze de Novembro hoje podem me parecer repetitivas. Fica-me a pulga atrás na orelha, essa necessária pulga que, não obstante, intromete-se ao chamado pé do ouvido. Ela me questiona: "Até quando?"
09/08/2017
08/08/2017
Dois Passos
Creio que a maioria das situações da vida devem ser melhor avaliadas quando saímos da situação. Há planejamentos que fazemos (no mínimo) dois passos antes. Há avaliações sobre passado que fazemos (no mínimo) dois passos depois. É como avaliar as condições de uma estrada. Sempre ele com as metáforas de estradas. Ora, são das melhores! Avalie as condições da estrada antes de encarar os possíveis buracos no asfalto (dois passos antes). Avalie o estrago no veículo após a passagem (dois passos depois).
Não há limitações exatamente para efeitos negativos. Se avaliam melhor os efeitos positivos também dessa forma. Tanto antes quanto depois. Penso que o importante é manter em mente que havia vida antes de chegar a tal ponto da estrada e há vida após passar tal ponto da estrada. Nada que se classifique assim de forma tão essencial. Ok, sei que há pessoas que estão conosco na estrada desde que a nossa estrada é estrada. Talvez os pais, irmãos, ou talvez amigos tão de infância que não tenhamos recordações antes deles. Antes dos quatro, cinco ou oito anos. Todo o resto de experiências veio depois. Para contribuir a mais, deixar sua marca de certa forma, mas nunca definitiva, pois acredito que fiz entender que há mais estrada adiante.
Se somos modificados pelos acontecimentos, percalços, experiências pelo caminho? Por suposto que sim. Esse é o objetivo. Em relação ao que plantamos ou colhemos nos caminhos.
Um dos grandes lances é o aprendizado. Aprendermos o que fizemos de errado e corrigir para o prosseguimento da Highway. Para não repetir os mesmos erros. Linguagem de simples acesso e prática mais exaustiva. Mas há superação. Super ação.
Não se atinge o tudo e o algo que se atinge jamais será o todo. Ok, essa foi mais difícil. Mas é isso. Nada de avaliações precipitadas. Notas zero nem dez. Nada de velocímetro parado ou no 320.
Luan de saída do Grêmio? Criticamos muito seu começo, mas progrediu. Desde 2014 foi evoluindo e jogando muita bola. Merece ganhar a Europa pelo que evoluiu.
Não há limitações exatamente para efeitos negativos. Se avaliam melhor os efeitos positivos também dessa forma. Tanto antes quanto depois. Penso que o importante é manter em mente que havia vida antes de chegar a tal ponto da estrada e há vida após passar tal ponto da estrada. Nada que se classifique assim de forma tão essencial. Ok, sei que há pessoas que estão conosco na estrada desde que a nossa estrada é estrada. Talvez os pais, irmãos, ou talvez amigos tão de infância que não tenhamos recordações antes deles. Antes dos quatro, cinco ou oito anos. Todo o resto de experiências veio depois. Para contribuir a mais, deixar sua marca de certa forma, mas nunca definitiva, pois acredito que fiz entender que há mais estrada adiante.
Se somos modificados pelos acontecimentos, percalços, experiências pelo caminho? Por suposto que sim. Esse é o objetivo. Em relação ao que plantamos ou colhemos nos caminhos.
Um dos grandes lances é o aprendizado. Aprendermos o que fizemos de errado e corrigir para o prosseguimento da Highway. Para não repetir os mesmos erros. Linguagem de simples acesso e prática mais exaustiva. Mas há superação. Super ação.
Não se atinge o tudo e o algo que se atinge jamais será o todo. Ok, essa foi mais difícil. Mas é isso. Nada de avaliações precipitadas. Notas zero nem dez. Nada de velocímetro parado ou no 320.
Luan de saída do Grêmio? Criticamos muito seu começo, mas progrediu. Desde 2014 foi evoluindo e jogando muita bola. Merece ganhar a Europa pelo que evoluiu.
04/08/2017
Hi, Way
São mais de três horas da madrugada, escrevo como que por um estalo. Escrever é uma das atividades que mais se parecem com o fluir do fogo. Estalo, fagulha, atrito e a queima que se segue. Que segue estalando e se desenvolvendo, que molda labaredas, calor e alívio para quem foge do frio. Ou do vazio.
Acabo de ler um texto alicerçado por Ronaldo Nazário, justo ele que costumou escrever suas melhores histórias enquanto conduzia e tratava com carinho da bola, ao driblar defensores, dificuldades, obstáculos e marcar gols. Não faço ideia quem colocou devidamente o texto no papel ou, no caso, na internet, mas foi uma bela construção. A vida dele e o resumo, no qual ele menciona sua arte de construir e buscar a realização de sonhos. Um sonhador que fez sua parte desde a infância: a de sonhar e acreditar.
Em meios tempos, creio que eu tenha feito a minha parte de sonhar a acreditar, desde a infância. Foram ótimos tempos em atividades semelhantes, como a de jogar bola. A de sonhar escrever as minhas histórias e outras histórias. O jornalismo. Fiz minha trajetória pelas portas que entrei e gostei de ter entrado.
Concluí o curso de Jornalismo como um dos mais jovens de minha classe. Sempre em um sentimento de que preciso aprender mais do que a maioria das pessoas em volta. No sentimento de que meu tempo não é o mesmo das pessoas que me cercam. Ciente de minhas necessidades e de algumas barreiras que enfrento. Mas fui superando.
A bem da verdade, preciso fazer muito mais. Creio que preciso fazer mais por mim mesmo. E mais um pouco para agradar às pessoas em volta, sobretudo o suporte de minha família.
O aprendizado em viver e sobreviver. Quanto aos sonhos, gostei da perseguição de alguns, gostei das etapas concluídas de outros. A linha de chegada é só uma linha que alguém botou lá, então sinto a estrada como um eterno meio. Sempre deixamos algo para trás, mas o meio está em nosso pleno movimento. É o agora. Gosto de pensar assim.
Busquei momentos que demoraram a acontecer, mas aconteceram. Eeeeentre eles, o título do Grêmio, sim. Encontrei mais do que eu podia esperar em qualquer altura da vida a cidades ao norte. Me pergunto sobre sonhos, buscas e vivência. Quando a gente sabe que encontra? Ou por que encontra? Ou, quem sabe, por que a gente queria encontrar?
Gosto das atividades de vaguear, vivências, experiências, coletas, tempo só, antropologia, perfis, esconderijo, convívio, tempo só, registros, escritas, tempo só, natureza, instinto, debate, tempo só, filosofia, tantas perguntas, tanta gente sofrida que as quero ajudar. Me sinto muito mais como um comunicador de poucas pessoas sintonizadas do que um médico que atende caso a caso.
Por mais que volitem, esvoacem e adejam essas experiências, tampouco penso que eu exercite o verbo saber. Jogamos para ampliar nosso leque de perguntas. Saber o que perguntar muitas vezes é mais importante do que as respostas.
Das poucas situações que eu saiba, sei que posso dar uma boa parada sobre determinadas buscas. Inclusive creio que isso me ampliaria muito as atividades em determinados aspectos, a pensar em um futuro até mesmo breve. Há bastante o que se discutir na concepção de sonhos. Quem dera apetecer-me de forma tão certeira quanto Ronaldo, o Fenômeno. Abrem-se estradas. Escolhas. Renúncias. Esperas. Gols de Pedro Rocha. High. Highway.
Acabo de ler um texto alicerçado por Ronaldo Nazário, justo ele que costumou escrever suas melhores histórias enquanto conduzia e tratava com carinho da bola, ao driblar defensores, dificuldades, obstáculos e marcar gols. Não faço ideia quem colocou devidamente o texto no papel ou, no caso, na internet, mas foi uma bela construção. A vida dele e o resumo, no qual ele menciona sua arte de construir e buscar a realização de sonhos. Um sonhador que fez sua parte desde a infância: a de sonhar e acreditar.
Em meios tempos, creio que eu tenha feito a minha parte de sonhar a acreditar, desde a infância. Foram ótimos tempos em atividades semelhantes, como a de jogar bola. A de sonhar escrever as minhas histórias e outras histórias. O jornalismo. Fiz minha trajetória pelas portas que entrei e gostei de ter entrado.
Concluí o curso de Jornalismo como um dos mais jovens de minha classe. Sempre em um sentimento de que preciso aprender mais do que a maioria das pessoas em volta. No sentimento de que meu tempo não é o mesmo das pessoas que me cercam. Ciente de minhas necessidades e de algumas barreiras que enfrento. Mas fui superando.
A bem da verdade, preciso fazer muito mais. Creio que preciso fazer mais por mim mesmo. E mais um pouco para agradar às pessoas em volta, sobretudo o suporte de minha família.
O aprendizado em viver e sobreviver. Quanto aos sonhos, gostei da perseguição de alguns, gostei das etapas concluídas de outros. A linha de chegada é só uma linha que alguém botou lá, então sinto a estrada como um eterno meio. Sempre deixamos algo para trás, mas o meio está em nosso pleno movimento. É o agora. Gosto de pensar assim.
Busquei momentos que demoraram a acontecer, mas aconteceram. Eeeeentre eles, o título do Grêmio, sim. Encontrei mais do que eu podia esperar em qualquer altura da vida a cidades ao norte. Me pergunto sobre sonhos, buscas e vivência. Quando a gente sabe que encontra? Ou por que encontra? Ou, quem sabe, por que a gente queria encontrar?
Gosto das atividades de vaguear, vivências, experiências, coletas, tempo só, antropologia, perfis, esconderijo, convívio, tempo só, registros, escritas, tempo só, natureza, instinto, debate, tempo só, filosofia, tantas perguntas, tanta gente sofrida que as quero ajudar. Me sinto muito mais como um comunicador de poucas pessoas sintonizadas do que um médico que atende caso a caso.
Por mais que volitem, esvoacem e adejam essas experiências, tampouco penso que eu exercite o verbo saber. Jogamos para ampliar nosso leque de perguntas. Saber o que perguntar muitas vezes é mais importante do que as respostas.
Das poucas situações que eu saiba, sei que posso dar uma boa parada sobre determinadas buscas. Inclusive creio que isso me ampliaria muito as atividades em determinados aspectos, a pensar em um futuro até mesmo breve. Há bastante o que se discutir na concepção de sonhos. Quem dera apetecer-me de forma tão certeira quanto Ronaldo, o Fenômeno. Abrem-se estradas. Escolhas. Renúncias. Esperas. Gols de Pedro Rocha. High. Highway.
20/07/2017
A Seita
Tudo começa em um ambiente de bar onde me encontrava alcoolizado. Outras pessoas estão por lá e me retiro rapidamente para ir ao banheiro, enquanto ninguém se importa, pois estão todos bêbados. Não encontro exatamente um banheiro como desfecho, mas somente uma calha no chão que vem bem a calhar, no pátio. Urino por ali mesmo, me perguntando se era o melhor lugar possível e, se caso viesse outra pessoa para o mesmo local, se eu seria xingado por tal ato. A situação passa, mas no dia seguinte estou sendo perseguido.
Estou em um pátio interno de um grande, imenso prédio. Um prédio antigo que me cerca, com o comprimento de uma quadra inteira de largura. Sou perseguido pelo que se assemelha a uma gangue e preciso correr, apenas sei disso. Estarei frito. Começo a correr e logo a pular para subir até o alto de umas telhas. O cenário se parece com o histórico e centenário colégio Gonzaga. Olho para trás e ainda estou seguido. São muitos. Não zumbis, mas uma gangue inteira, um deles bastante alto e bem próximo. Dos telhados, escalo uma grade branca de um portão. Chego a pensar se sou capaz, mas consigo, sabendo que obviamente meu perseguidor há de conseguir. Ele segue no meu encalço pelos telhados e salto de uma grande altura rumo ao concreto, mas aterrisso bem, até me dando ao luxo de virar-me de costas e ver a que distância ele está de mim.
Como ele é maior, suas passadas são mais largas e sei que não vou fugir para sempre. Chego a planejar um enfrentamento corpo a corpo, mas não tenho chances por seu tamanho, apesar do instinto vívido. Além disso, quando ficamos frente a frente como lutadores a esperar o golpe, surgem outros da gangue e meu destino é selado. Corria comigo meu amigo Gustavo, que também é capturado. Quando me dominam de vez, colocam-se um saco, algo de pano que cobre minha vista.
Só retomo o poder de averiguar quando estou em uma condução completamente escura e cercada pela gangue nos assentos em volta. É menor que um ônibus, mas me parece maior que uma kombi ou van. Os caras nos dirigem olhares como "o que vamos fazer com vocês?", mas o chefe maior ali não parece incomodado e logo nos revela o plano de nos anexar ao trabalho da gangue. A condução completamente escura segue por um asfalto que seria da avenida Bento Gonçalves. Noto momentos como se estivéssemos na contramão e outros em que parecem outros veículos como os irregulares no sentido. Tudo isso baseado na maioria dos veículos que seguem. Parece uma avenida de três pistas, duas para ir e uma para vir.
Para agradar minha surpresa, há mulheres na condução, provavelmente as que desejam estar com o poder da gangue, drogas fáceis ou mesmo admirem os caras. A mais bela está a meu lado quando revela que "não posso ficar com você, não nessa condição de recém capturado". "E é só por isso?", eu lhe devolvo em sorrisos. Ela apoia sua mão sobre a minha e repito o gesto, algo bastante sutil e discreto, para não despertar suspeitas dos demais. Me pergunto, nisso tudo, quem está conduzindo a van grande ou micronibus.
Chegamos finalmente pela sequência no asfalto no que ainda parece uma rua bastante central, com um centro comercial enorme e também do tamanho de uma quadra. Todos descem na parada e tomam seus postos. A rua é fechada em uma quadra com cavaletes, o terreno é todo da gangue, da boca, eles mandam no espaço. Vigiam, se divertem, demonstram seu poder em frente ao colossal empreendimento. As garotas acompanham, não vejo mais a que estava ao meu lado. Ela tinha as maçãs do rosto bastante saltadas, uma franja, cabelos castanhos, olhos grandes. Uma Mia Sara nessa delicada situação em que eu era prisioneiro e começava a ter a confiança do chefe do esquema.
Em frente ao estabelecimento, uma mesa inteira repleta por uma grande torta, um grande bolo branco com merengue e confetes em cima. Dá vontade de servir-me, assim como meu amigo Gustavo, que agora era Igor, teve a ideia de ir até ali e, mesmo na condição de recém capturado, saciar sua fome com alguns dos demais. Fico mais pela calçada da frente, a escuridão nas ruas e meu estado ainda estupefato por vivenciar tudo aquilo. Não avisei em nada meus pais, não sabem onde estou, nem eu direito sei. Devo trabalhar para eles, servir essa quase seita, essa movimentação que lida com ilícitos, possui muitos menores de idade, mas que não é combatida, mesmo estando esparramada pelas calçadas e o meio da rua.
De momento, está parada ao meu lado Pâmela. A reconheço pelo cabelo e a pinta no rosto. Estranho vê-la ali. Estaria eu em Pelotas ou Porto Alegre? Mas ela confirma rapidamente que está de passada por ali. Não recordo meu diálogo com ela, mas poucas frases depois desaparece e, após eu olhar para frente, para voltar o olhar ao lado no meio fio, ela e um amiga já não se encontravam mais ali. Comento com um garotinho que fui deixado falando sozinho, já agora me direcionando a ele. Impressionante como não deixei de lado a postura de demonstrar fraquezas sociais, quando deveria manter uma postura de seriedade e devoção a tudo aquilo. Eu poderia ser expulso por não satisfazê-los a qualquer momento. A gangue, composta em sua maioria por mais pobres e por mal encarados, me olhava estranho. Talvez também por suspeitar da ação com uma das meninas, sendo eu um mero recruta de início.
Em outro momento, me sinto sozinho e deslocado, mas falo com uma mulher mais velha. A um soar rápido como o de uma sirene, antes que eu possa entender, vários se deslocam da calçada e vão ao meio da rua para dançar em pares. Aproveito a desconhecida presença dela e formamos um par, no que parecia obrigação a todos os presentes ali na frente. Tão rápido como ela surgiu, em alguns giros da coreografia improvisada, vira-se para mim um garoto mais novo, um gordinho que me surpreende por estar, do nada, dançando comigo. Explico a situação que poderia constranger-nos, mas ele leva como se fosse algo comum a acontecer na seita.
O fim da missão é em outro toque, quando todos voltam em fila para dentro e conheço os aposentos, em uma estreita fila que segue junto à parede de entrada pela direita da porta. Um a um as pessoas adentram para o salão central, um saguão enorme, com catracas para confirmar as entradas e duas mesas, uma em forma de retângulo, que contorna todo o perímetro do salão e uma comprida mesa central. Estou escalado, pelo ingresso que me deram e pela catraca que passo, a comer na mesa central. Sento próximo à cabeceira, com medo de alimentar ódio dos demais membros há mais tempo, por estar, provavelmente, muito próximo de onde o chefe vai sentar. Antes de esperar a refeição, acabo acordando da estranha história.
Estou em um pátio interno de um grande, imenso prédio. Um prédio antigo que me cerca, com o comprimento de uma quadra inteira de largura. Sou perseguido pelo que se assemelha a uma gangue e preciso correr, apenas sei disso. Estarei frito. Começo a correr e logo a pular para subir até o alto de umas telhas. O cenário se parece com o histórico e centenário colégio Gonzaga. Olho para trás e ainda estou seguido. São muitos. Não zumbis, mas uma gangue inteira, um deles bastante alto e bem próximo. Dos telhados, escalo uma grade branca de um portão. Chego a pensar se sou capaz, mas consigo, sabendo que obviamente meu perseguidor há de conseguir. Ele segue no meu encalço pelos telhados e salto de uma grande altura rumo ao concreto, mas aterrisso bem, até me dando ao luxo de virar-me de costas e ver a que distância ele está de mim.
Como ele é maior, suas passadas são mais largas e sei que não vou fugir para sempre. Chego a planejar um enfrentamento corpo a corpo, mas não tenho chances por seu tamanho, apesar do instinto vívido. Além disso, quando ficamos frente a frente como lutadores a esperar o golpe, surgem outros da gangue e meu destino é selado. Corria comigo meu amigo Gustavo, que também é capturado. Quando me dominam de vez, colocam-se um saco, algo de pano que cobre minha vista.
Só retomo o poder de averiguar quando estou em uma condução completamente escura e cercada pela gangue nos assentos em volta. É menor que um ônibus, mas me parece maior que uma kombi ou van. Os caras nos dirigem olhares como "o que vamos fazer com vocês?", mas o chefe maior ali não parece incomodado e logo nos revela o plano de nos anexar ao trabalho da gangue. A condução completamente escura segue por um asfalto que seria da avenida Bento Gonçalves. Noto momentos como se estivéssemos na contramão e outros em que parecem outros veículos como os irregulares no sentido. Tudo isso baseado na maioria dos veículos que seguem. Parece uma avenida de três pistas, duas para ir e uma para vir.
Para agradar minha surpresa, há mulheres na condução, provavelmente as que desejam estar com o poder da gangue, drogas fáceis ou mesmo admirem os caras. A mais bela está a meu lado quando revela que "não posso ficar com você, não nessa condição de recém capturado". "E é só por isso?", eu lhe devolvo em sorrisos. Ela apoia sua mão sobre a minha e repito o gesto, algo bastante sutil e discreto, para não despertar suspeitas dos demais. Me pergunto, nisso tudo, quem está conduzindo a van grande ou micronibus.
Chegamos finalmente pela sequência no asfalto no que ainda parece uma rua bastante central, com um centro comercial enorme e também do tamanho de uma quadra. Todos descem na parada e tomam seus postos. A rua é fechada em uma quadra com cavaletes, o terreno é todo da gangue, da boca, eles mandam no espaço. Vigiam, se divertem, demonstram seu poder em frente ao colossal empreendimento. As garotas acompanham, não vejo mais a que estava ao meu lado. Ela tinha as maçãs do rosto bastante saltadas, uma franja, cabelos castanhos, olhos grandes. Uma Mia Sara nessa delicada situação em que eu era prisioneiro e começava a ter a confiança do chefe do esquema.
Em frente ao estabelecimento, uma mesa inteira repleta por uma grande torta, um grande bolo branco com merengue e confetes em cima. Dá vontade de servir-me, assim como meu amigo Gustavo, que agora era Igor, teve a ideia de ir até ali e, mesmo na condição de recém capturado, saciar sua fome com alguns dos demais. Fico mais pela calçada da frente, a escuridão nas ruas e meu estado ainda estupefato por vivenciar tudo aquilo. Não avisei em nada meus pais, não sabem onde estou, nem eu direito sei. Devo trabalhar para eles, servir essa quase seita, essa movimentação que lida com ilícitos, possui muitos menores de idade, mas que não é combatida, mesmo estando esparramada pelas calçadas e o meio da rua.
De momento, está parada ao meu lado Pâmela. A reconheço pelo cabelo e a pinta no rosto. Estranho vê-la ali. Estaria eu em Pelotas ou Porto Alegre? Mas ela confirma rapidamente que está de passada por ali. Não recordo meu diálogo com ela, mas poucas frases depois desaparece e, após eu olhar para frente, para voltar o olhar ao lado no meio fio, ela e um amiga já não se encontravam mais ali. Comento com um garotinho que fui deixado falando sozinho, já agora me direcionando a ele. Impressionante como não deixei de lado a postura de demonstrar fraquezas sociais, quando deveria manter uma postura de seriedade e devoção a tudo aquilo. Eu poderia ser expulso por não satisfazê-los a qualquer momento. A gangue, composta em sua maioria por mais pobres e por mal encarados, me olhava estranho. Talvez também por suspeitar da ação com uma das meninas, sendo eu um mero recruta de início.
Em outro momento, me sinto sozinho e deslocado, mas falo com uma mulher mais velha. A um soar rápido como o de uma sirene, antes que eu possa entender, vários se deslocam da calçada e vão ao meio da rua para dançar em pares. Aproveito a desconhecida presença dela e formamos um par, no que parecia obrigação a todos os presentes ali na frente. Tão rápido como ela surgiu, em alguns giros da coreografia improvisada, vira-se para mim um garoto mais novo, um gordinho que me surpreende por estar, do nada, dançando comigo. Explico a situação que poderia constranger-nos, mas ele leva como se fosse algo comum a acontecer na seita.
O fim da missão é em outro toque, quando todos voltam em fila para dentro e conheço os aposentos, em uma estreita fila que segue junto à parede de entrada pela direita da porta. Um a um as pessoas adentram para o salão central, um saguão enorme, com catracas para confirmar as entradas e duas mesas, uma em forma de retângulo, que contorna todo o perímetro do salão e uma comprida mesa central. Estou escalado, pelo ingresso que me deram e pela catraca que passo, a comer na mesa central. Sento próximo à cabeceira, com medo de alimentar ódio dos demais membros há mais tempo, por estar, provavelmente, muito próximo de onde o chefe vai sentar. Antes de esperar a refeição, acabo acordando da estranha história.
15/07/2017
Marcado pelo Mercado
No fim das contas
No fim das compras
Tu sabes que não precisa
O mercado, aquecido
Te batiza
No fim das contas
No fim das compras
O gado é sempre marcado
Marcado pelo mercado
Volte sempre
Obrigado
No fim das compras
Tu sabes que não precisa
O mercado, aquecido
Te batiza
No fim das contas
No fim das compras
O gado é sempre marcado
Marcado pelo mercado
Volte sempre
Obrigado
Quero-Quero
Quero morrer
Duas vezes por mês
Mas só se morre
Uma vez
Não adianta querer
E depois
Querer viver
Duas vezes por mês
Mas só se morre
Uma vez
Não adianta querer
E depois
Querer viver
13/07/2017
Geo-Grafia
Sou um poço de ironia
O horizonte é um monte
Um monte de geografia
O horizonte que aponte
Um monte de biologia
Apesar daquela tática
Tática de ter
Matemática todo dia
Sem escolha na escola
Hoje não escolheria
A teimosia matemática
Temática que eu esquecia
Ao ver no horizonte
Toda aquela geografia
| Litoral norte gaúcho (Foto: Henrique König) |
Adega Adequada
Escrevo apenas
Escrevo atenas
Cenas que ninguém vê
Tão distantes do horizonte
Dos números da TV
Escrevo como quem procura
O trevo de quatro folhas
Escrevo como quem pudesse
Ter na vida mais escolhas
Escrevo como quem procura
A cura dessas chagas
Como quem procura
A chave dessa adega
A poção mágica de um só gole
Em que se escolhe dizer: Chega!
Escrevo atenas
Cenas que ninguém vê
Tão distantes do horizonte
Dos números da TV
Escrevo como quem procura
O trevo de quatro folhas
Escrevo como quem pudesse
Ter na vida mais escolhas
Escrevo como quem procura
A cura dessas chagas
Como quem procura
A chave dessa adega
A poção mágica de um só gole
Em que se escolhe dizer: Chega!
12/07/2017
Colchetes
Fui escrever
Sem querer deixar a cama
Sem querer
Risquei o tecido que me cobria
Um ato de desatenção
Estava atento na poesia
Mas mãe
Não fiques brava
Por essa colcha riscada
A vida do poeta
É cometer riscos
Toda coberta que o envolve
É uma colcha de letras móveis
Sem querer deixar a cama
Sem querer
Risquei o tecido que me cobria
Um ato de desatenção
Estava atento na poesia
Mas mãe
Não fiques brava
Por essa colcha riscada
A vida do poeta
É cometer riscos
Toda coberta que o envolve
É uma colcha de letras móveis
No Fim das Contas
Varredura, martelada
Dobradiça, ferro, motor
Construção, meio fio, calçada
Pavimento, elevador
Trabalha
Trabalha
Trabalha
Rala
Rala
Rala
Bate ponto
Deixa pronto
O sistema não tem falha
Trabalha
Trabalha
Trabalha
Rala
Rala
Rala
Prefeitura, conta paga
Ponte levadiça, trator
Caminhão, esmeril, farda
Orçamento, aparador
Trabalha
Trabalha
Trabalha nessas tralhas
Rala
Rala
Trabalha
Procura no fim dessas tralhas
Duas coisas que querias
No fim do dia
A família
No fim da vida
Se der tempo
A aposentadoria
Dobradiça, ferro, motor
Construção, meio fio, calçada
Pavimento, elevador
Trabalha
Trabalha
Trabalha
Rala
Rala
Rala
Bate ponto
Deixa pronto
O sistema não tem falha
Trabalha
Trabalha
Trabalha
Rala
Rala
Rala
Prefeitura, conta paga
Ponte levadiça, trator
Caminhão, esmeril, farda
Orçamento, aparador
Trabalha
Trabalha
Trabalha nessas tralhas
Rala
Rala
Trabalha
Procura no fim dessas tralhas
Duas coisas que querias
No fim do dia
A família
No fim da vida
Se der tempo
A aposentadoria
11/07/2017
Juninas em Julho - Não Enjoo
Animais - Ame Mais
Porto Velho
Porto
Horto velho
De meu encontro
Comigo mesmo
Sopro vivo pelo vento
Só lamento
O tempo morto
07/07/2017
Pureza
História verídica. Uma vez, nos anos 1980, meu pai estava num supermercado de Santa Catarina. Havia um jovem rapaz, de descendência germânica, cabelos compridos, mas não tão compridos como usaria mais tarde. Ele olhava com curiosidade para uma embalagem de plástico. Tratava-se de um guaraná colocado na gondola do supermercado. Ele viu meu pai próximo a ele no corredor e resolveu perguntar.
- Com licença, cara, mas sabes me dizer o preço desse guaraná?
Realmente não havia etiqueta que indicasse o valor daquele estimado guaraná para o alemãozinho e meu pai viu que se tratava do famoso Guaraná Pureza.
- A dúvida... A dúvida é o preço da Pureza... E é inútil ter certeza.
O rapaz alçou as sobrancelhas e não hesitou em preencher o carrinho com uma dúzia de garrafas de guaraná Pureza. Agradeceu meu pai e se dirigiu ao caixa.
Quando ele voltou ao Rio Grande do Sul na semana seguinte, estava fundada a banda Engenheiros do Hawaii. A frase de meu pai foi empregada em uma das músicas de maior sucesso da banda gaúcha.
O homem curioso pelo preço do guaraná era nada mais nada menos do que Humberto Gessinger.
- Com licença, cara, mas sabes me dizer o preço desse guaraná?
Realmente não havia etiqueta que indicasse o valor daquele estimado guaraná para o alemãozinho e meu pai viu que se tratava do famoso Guaraná Pureza.
- A dúvida... A dúvida é o preço da Pureza... E é inútil ter certeza.
O rapaz alçou as sobrancelhas e não hesitou em preencher o carrinho com uma dúzia de garrafas de guaraná Pureza. Agradeceu meu pai e se dirigiu ao caixa.
Quando ele voltou ao Rio Grande do Sul na semana seguinte, estava fundada a banda Engenheiros do Hawaii. A frase de meu pai foi empregada em uma das músicas de maior sucesso da banda gaúcha.
O homem curioso pelo preço do guaraná era nada mais nada menos do que Humberto Gessinger.
12/06/2017
Falsos Ricos
Num mundo mais ideal, as pessoas, nós aqui, classe média como chamam, deveríamos entender que estamos economicamente e originalmente mais próximos de muitos que viram ladrões, criminosos nas ruas do que dos verdadeiros ricos. Tem gente que vive na ilusão de que é rico. Não são ricos. Rico de verdade só mexe zeros em maquininha de dinheiro, rico de verdade não faz a mínima conta antes de gastar dinheiro. Rico de verdade não precisa trabalhar de segunda a sexta, cumprir horário ou expediente. Nessa sociedade que te obriga a procurar caminho de trabalhar e produzir pra sobreviver, pra ter sustento, muitos, principalmente com menos instruções e escolaridade, procuram os caminhos de crime, atalhos pra dinheiro. Caem em promessas vazias, são seduzidos pelo dinheiro dessas maneiras consideradas ilícitas. É o convívio e o aprendizado nas periferias. Gente com quantidades de irmãos, gente sem ter o que comer, gente que viu a mãe se matar trabalhando, gente de família destruída, gente que convive com o mundo das drogas desde a infância, gente que vê arma de fogo e vê violência e não vê comida boa na mesa, não vê saneamento básico, não vê roupa de marca. Gente que quer mudar isso, mas parte para o mundo do crime. Deveriam entender que quem tá lendo esse texto tá mais perto dessa realidade das ruas do que da realidade distante dos 1% mais ricos. Essa violência das ruas te atinge, atinge aos teus poucos bens. Atinge a tua preocupação em proteger os bens que tu repete o discurso de ganhos com trabalho. Gente rica tem segurança contratado, servos e hierarquia para proteger. Gente rica tem contatos na Justiça e pode sonegar. Gente rica que com certeza não são vocês. Tu com teu carro parcelado, 2010, 2014 que seja, não é rico. Nem tu que tira umas semanas, um mês de férias. Tu não é rico. Os ricos de verdade riem disso. Riem de quem pensa que é rico. De quem só retroalimenta o mundo de vantagens a eles.
02/06/2017
Mesmo Primata
"Ah, porque o mundo atualmente..."
"Ah, porque hoje em dia..."
Bom era o mundo quando pregaram o cabeludo na cruz, ou o mundo nas guerras por território na Europa, ou quando negros não usavam o transporte público dos brancos nos Estados Unidos, ou quando cada lado do muro era uma Alemanha diferente, ou quando homossexualidade era doença de acordo com a OMS, ou quando as ditaduras prendiam e matavam demasiadamente na América do Sul, ou quando... ou quando ainda é.
O ser humano é o mesmo primata com outras ferramentas. Podes crer nisso.
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Por vezes não sinto saudade de como era o mundo, mas de como eu era inocente ao contemplá-lo.




