Singelo meio fio
No frio é belo
Zelo por ti
Entre outros mil
És tu quem quero
Singelo meio fio
És tu meu elo
Alguém me ouviu
Sob a noite, meu soar
É mais sincero
Calçada, estrada e estadia
A companhia é quem também vai
Querê-lo
Meio fio dividido é meio fio
Modelo
27/11/2015
19/11/2015
#Sonhos
Pontos do sonho mais louco de 2015.
Eu, na França, tinha um emprego de coletar garrafinhas de achocolatado e levá-las a um chefe. Quem coletasse mais, ganhava alguma espécie de aumento salarial, bônus e tal. A concorrência era grande e fuçávamos em meio ao lixo.
Em certas partes do sonho, ainda na França, eu apresentava algumas necessidades especiais e via pessoas em cadeiras de rodas. Algumas pegavam esses transportes motorizados e corriam. Vi umas caírem de escadas, por exemplo. Algo bastante forte e radicalmente. Remeteu à aula de segunda-feira, em que um dos exemplos de cobertura de jornalismo esportivo foi uma transmissão de rugby em cadeira de rodas. Única ligação viável que fiz com a vida real, já que o esporte também apresenta aspectos até bastantes brutais.
Além das deficiências, eu frequentava um asilo, que, na verdade, parecia-me o destino da leva de garrafas, para onde estava o suposto chefe das supostas promoções caso arrecadássemos bastante material. No asilo, havia velhinhas e um banheiro sem portas, no qual eu precisava tomar banho, e de vez em quando, necessitando auxílios.
Em outro trecho, encontrava-me com minha mãe e minha vó em local bastante afastado, com ruas de terra, como uma praia. Primeiramente, havia um carro para nos transportarmos e eu tinha dúvida se o pegava, porque nunca andei mais do que alguma(s) quadra(s). Mãe, que nunca vi dirigir, mas que era motorista quando era jovem, foi ao volante. Numa manobra de Meu Deus do Céu, ela começou a passar por dentro de um camelódromo. Eu logo pensei: "Tem um fiscal no corredor. Vai multá-la. Certo que vai!". Mas o cara, incrivelmente, sonegou as vistas e deixou passar. Na saída, alguém ao longe, parecia minha prima, arremessou algo no guarda. Pareceu-me sem o objetivo de machucá-lo, como que uma moeda. Porém, ao aproximar o lançamento de chocar-se em direção ao guarda, a coisa aumentou, como uma tampa de lixeira, e o guarda precisou proteger-se com as mãos, espalmando o OVNI ao chão.
Na saída, pegamos então bicicletas. Não estou acostumado a andar. Ando tão pouco como carro e, com um espírito heroísta não sei de onde sacado, ainda ofereci-me a carregar minha avó na garupa. Subimos, ela e eu e tomei as dianteiras, com dificuldade de passar a perna esquerda para o lado esquerdo. Feito isso, arranquei em velocidade surpreendente, não conseguindo parar.
Desesperado, percebi que havíamos passado várias e várias quadras, umas 20 e perdido totalmente o rumo inicial, seja lá qual era. Nisso, como foi uma descida por uma rua ou avenida só, pensei em darmos volta pelo mesmo caminho. Ainda incrédulo da arrancada como se numa descida, estava crendo agora que seria mais tranquilo, pois trataria-se de uma subida. Certo? Errado. Na arrancada, novamente pegamos grande impulso e não conseguia, descalço frear entre o asfalto, com medo de transformar toda a planta do pé em carne viva. Só consegui parar após algumas manobras, inclusive mortais (?) em um morro, em um trevo semelhante ao da Rodoviária de Pelotas.
A sequencialidade do sonho não está bem formatada, mas houve algumas outras passagens, tais como: reencontrar um amigo de escola, o qual não vejo há mais ou menos um ano. Inclusive com sua mãe oferecendo algo como lanche da tarde e uma imagem de jogarmos vídeo game, como fazíamos, ou algo assim. Em seguida, final de um campeonato nacional de futsal entre Criciúma e alguma equipe, provavelmente paulista.
Eu, habitual goleiro, estive jogando em posição de linha pelo tigre catarinense e a partida foi para o intervalo num placar de, se não me engano, 1 a 1. O segundo tempo não foi disputado. Não comigo. Durante minha estadia em quadra, eu era marcado por um cara gigante, que não descolava da marcação. Em um lance, nosso goleiro caiu, um cara passou sobre ele para marcar o gol e dividi com ele sobre a linha, com a bola saindo em escanteio. Ao se levantar, o ombro da camisa do goleiro estava em farrapos, completamente rasgada, sabe-se lá como.
Sustentado o empate, voltamos à programação de serviço, na França (?). Comecei uma corrida por uma rua íngreme com bastante lixeiras e fui recolhendo garrafas. Na verdade, tratava-se de uma ÚNICA MARCA de garrafas de achocolatado e qualquer outra de nada valia à promoção. Errei algumas, devolvendo-as ao chão e consegui recolher umas duas, ciente da derrota. Outro cara escalava às pressas e conseguiu umas cinco.
De volta ao asilo onde descarregaríamos o conseguido ao chefe, só queria mesmo era um banho, mas as velhinhas estavam jantando e, como disse, o banheiro não tinha porta e eu não queria incomodar. Para terminar a performance, sentei-me a assistir televisão e passava um comparativo entre dois jogos, um do Flamengo, talvez, e um do Grêmio. O comparativo era o de alguns lances em comum, inclusive o dos gols das partidas, ambos solitários e marcados de pênalti. Segundo o estudo comparativo presenciado, o tento marcado por estrangeiros. Porém, Tcheco, ex-Grêmio e cobrador do pênalti na ocasião, apesar do apelido, não era estrangeiro, o que me indignou.
Eu, na França, tinha um emprego de coletar garrafinhas de achocolatado e levá-las a um chefe. Quem coletasse mais, ganhava alguma espécie de aumento salarial, bônus e tal. A concorrência era grande e fuçávamos em meio ao lixo.
Em certas partes do sonho, ainda na França, eu apresentava algumas necessidades especiais e via pessoas em cadeiras de rodas. Algumas pegavam esses transportes motorizados e corriam. Vi umas caírem de escadas, por exemplo. Algo bastante forte e radicalmente. Remeteu à aula de segunda-feira, em que um dos exemplos de cobertura de jornalismo esportivo foi uma transmissão de rugby em cadeira de rodas. Única ligação viável que fiz com a vida real, já que o esporte também apresenta aspectos até bastantes brutais.
Além das deficiências, eu frequentava um asilo, que, na verdade, parecia-me o destino da leva de garrafas, para onde estava o suposto chefe das supostas promoções caso arrecadássemos bastante material. No asilo, havia velhinhas e um banheiro sem portas, no qual eu precisava tomar banho, e de vez em quando, necessitando auxílios.
Em outro trecho, encontrava-me com minha mãe e minha vó em local bastante afastado, com ruas de terra, como uma praia. Primeiramente, havia um carro para nos transportarmos e eu tinha dúvida se o pegava, porque nunca andei mais do que alguma(s) quadra(s). Mãe, que nunca vi dirigir, mas que era motorista quando era jovem, foi ao volante. Numa manobra de Meu Deus do Céu, ela começou a passar por dentro de um camelódromo. Eu logo pensei: "Tem um fiscal no corredor. Vai multá-la. Certo que vai!". Mas o cara, incrivelmente, sonegou as vistas e deixou passar. Na saída, alguém ao longe, parecia minha prima, arremessou algo no guarda. Pareceu-me sem o objetivo de machucá-lo, como que uma moeda. Porém, ao aproximar o lançamento de chocar-se em direção ao guarda, a coisa aumentou, como uma tampa de lixeira, e o guarda precisou proteger-se com as mãos, espalmando o OVNI ao chão.
Na saída, pegamos então bicicletas. Não estou acostumado a andar. Ando tão pouco como carro e, com um espírito heroísta não sei de onde sacado, ainda ofereci-me a carregar minha avó na garupa. Subimos, ela e eu e tomei as dianteiras, com dificuldade de passar a perna esquerda para o lado esquerdo. Feito isso, arranquei em velocidade surpreendente, não conseguindo parar.
Desesperado, percebi que havíamos passado várias e várias quadras, umas 20 e perdido totalmente o rumo inicial, seja lá qual era. Nisso, como foi uma descida por uma rua ou avenida só, pensei em darmos volta pelo mesmo caminho. Ainda incrédulo da arrancada como se numa descida, estava crendo agora que seria mais tranquilo, pois trataria-se de uma subida. Certo? Errado. Na arrancada, novamente pegamos grande impulso e não conseguia, descalço frear entre o asfalto, com medo de transformar toda a planta do pé em carne viva. Só consegui parar após algumas manobras, inclusive mortais (?) em um morro, em um trevo semelhante ao da Rodoviária de Pelotas.
A sequencialidade do sonho não está bem formatada, mas houve algumas outras passagens, tais como: reencontrar um amigo de escola, o qual não vejo há mais ou menos um ano. Inclusive com sua mãe oferecendo algo como lanche da tarde e uma imagem de jogarmos vídeo game, como fazíamos, ou algo assim. Em seguida, final de um campeonato nacional de futsal entre Criciúma e alguma equipe, provavelmente paulista.
Eu, habitual goleiro, estive jogando em posição de linha pelo tigre catarinense e a partida foi para o intervalo num placar de, se não me engano, 1 a 1. O segundo tempo não foi disputado. Não comigo. Durante minha estadia em quadra, eu era marcado por um cara gigante, que não descolava da marcação. Em um lance, nosso goleiro caiu, um cara passou sobre ele para marcar o gol e dividi com ele sobre a linha, com a bola saindo em escanteio. Ao se levantar, o ombro da camisa do goleiro estava em farrapos, completamente rasgada, sabe-se lá como.
Sustentado o empate, voltamos à programação de serviço, na França (?). Comecei uma corrida por uma rua íngreme com bastante lixeiras e fui recolhendo garrafas. Na verdade, tratava-se de uma ÚNICA MARCA de garrafas de achocolatado e qualquer outra de nada valia à promoção. Errei algumas, devolvendo-as ao chão e consegui recolher umas duas, ciente da derrota. Outro cara escalava às pressas e conseguiu umas cinco.
De volta ao asilo onde descarregaríamos o conseguido ao chefe, só queria mesmo era um banho, mas as velhinhas estavam jantando e, como disse, o banheiro não tinha porta e eu não queria incomodar. Para terminar a performance, sentei-me a assistir televisão e passava um comparativo entre dois jogos, um do Flamengo, talvez, e um do Grêmio. O comparativo era o de alguns lances em comum, inclusive o dos gols das partidas, ambos solitários e marcados de pênalti. Segundo o estudo comparativo presenciado, o tento marcado por estrangeiros. Porém, Tcheco, ex-Grêmio e cobrador do pênalti na ocasião, apesar do apelido, não era estrangeiro, o que me indignou.
12/11/2015
05/11/2015
Sentimento - Não trate de entendê-lo
O apito final já havia soado havia minutos e um solitário torcedor do Pelotas seguiu sobre a grade. O último sopro dos árbitros ao findar dos 90 - e poucos - minutos pode ter vários significados. Às vezes, demora um tempo para cair a ficha e remoer todos os sentimentos envolvidos.
Eu sou dos que encara os estádios como templos. Gosto de chegar cedo e vê-lo se encher, preenchendo-se dos mais calmos até a total euforia. Gosto de ver a procissão se esvair também. Cada um para seu lado. É um ciclo, mas entre a repetição da chegada e do partir, há uma partida, sempre incógnita, de 90 - e poucos - minutos.
Eu sou dos que encara os estádios como templos. Gosto de chegar cedo e vê-lo se encher, preenchendo-se dos mais calmos até a total euforia. Gosto de ver a procissão se esvair também. Cada um para seu lado. É um ciclo, mas entre a repetição da chegada e do partir, há uma partida, sempre incógnita, de 90 - e poucos - minutos.
Imprensa - Em Pressa
Em prensa
Em pressa
Assim não pensa
O que interessa
Imprensa
Impressa
Dispensa
Diz bosta
As impressões
Do jornal
Não adianta
Ser bom
O papel
De imprimir
Se não for bom
O papel
De informar
Em pressa
Assim não pensa
O que interessa
Imprensa
Impressa
Dispensa
Diz bosta
As impressões
Do jornal
Não adianta
Ser bom
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De imprimir
Se não for bom
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De informar
02/11/2015
28/10/2015
O Eterno Outubro nas Lembranças Farroupilhas
Por: Henrique König
1935 foi um ano especial. No carnaval, a regulamentação dos desfiles no Rio de Janeiro e o primeiro título ficando com a Portela, com a Estação Primeira de Mangueira como vice. Nos Estados Unidos, nasciam o músico Elvis Presley e o cineasta Woody Allen.
O alemão Hans Spemann venceu o prêmio Nobel por suas pesquisas sobre a influência das células em tecidos e órgãos. Outro alemão, contra o nazismo, Carl von Ossietzky recebeu o Nobel da Paz.
Apesar da luta do jornalista pelo pacifismo, a Alemanha, então de regime nazista, caçava à cidadania alemã de judeus e proibia o casamento entre os perseguidos e os alemães. A Itália, fascista, invadia cruelmente o país africano Etiópia.
No campo da literatura, tínhamos as primeiras aparições da série Luluzinha. Monteiro Lobato lançava três obras e o poeta português Fernando Pessoa veio a falecer em novembro.
Antes de novembro, porém, o marco na história do futebol gaúcho, no ano de centenário da Revolução Farroupilha. O Campeonato do Rio Grande do Sul foi disputado em outubro. O combinado, inclusive pelo então governador Flores da Cunha, seria de que o vencedor seria declarado como campeão por 100 anos.
No ano de 1934, o Farroupilha, então 9º Regimento de Infantaria foi muito prejudicado pela arbitragem na final contra o Internacional, perdeu por 1 a 0 e prometeu retornar ao estadual para sair de vez com a taça inédita. Feita a promessa, o ano de 1935 prometia fortes emoções aos torcedores do clube.
Nas preliminares, o Grêmio Atlético 9º Regimento passou pela zona litoral, quando derrotou o São Paulo de Rio Grande em duas oportunidades. 2 a 0 em Pelotas, com gols de Coruja e Cardeal. Novo placar de 2 a 0 em Rio Grande, com gols de Cerrito e novamente Coruja.
Após, em 6 de outubro, passou pelo Rio Branco de Santa Vitória por 6 a 3, com gols de Bichinho (3), Cerrito, Coruja e Itararé para os pelotenses. Assim, o 9º Regimento de Infantaria venceu os adversários da zona litoral e conseguiu índice para disputar o Gauchão em Porto Alegre.
Depois de fazer um elástico 8 a 3 sobre o Guarani de Bagé, o Novo Hamburgo caiu no caminho de nossos campeões na fase semifinal da competição. A partida foi realizada em 17 de outubro de 1935 no estádio dos Eucaliptos e terminou em 3 a 2 para o 9º Regimento, com gols de Bichinho (2) e Celistro.
Na outra semifinal, o Grêmio Porto Alegrense aplicou 6 a 0 no Grêmio Santanense para ir à grande decisão. Com os mandos todos em Porto Alegre, o tricolor era o favorito e queria sacramentar a temporada especial, após já ter vencido grenais.
A primeira partida encaminhou o favoritismo, com uma vitória dos gremistas por 3 a 1, em 20 de outubro. A revanche veio na segunda partida, com um marcador de 3 a 0 para os pelotenses, em gols de Gasolina, Bichinho e Cerrito, ainda na etapa inicial da tarde de 24 de outubro.
No regulamento, constava a decisão como uma série melhor de três. Após uma vitória para cada lado, o jogo-extra foi marcado para 27 de outubro de 1935.
O 9º Regimento foi a campo com goleiro Brandão, os defensores Jorge e Chico Fuleiro, os meias Ruy (Folhinha), Itararé e Celistro e os atacantes Birilão, Bichinho (Coruja), Cerrito, Cardeal e Gasolina.
O quadro pelotense venceu o duelo derradeiro por 2 a 1, com o lendário Cardeal marcando o primeiro e o gol do título sendo anotado por Cerrito, o mito. Um público de cerca de 15 mil torcedores assistiu ao feito no estádio Timbaúva, hoje local de uma rede de supermercados na capital gaúcha, no bairro Santa Cecília.
Com uma enorme festa dentro de campo e os louros colhidos em presença de autoridades do Rio Grande do Sul, o Grêmio Atlético 9º Regimento sagrou-se campeão Farroupilha, título que rebatizou o clube após proibição da primeira nomenclatura durante o governo de Getúlio Vargas, em 1941.
A imagem é de um quadro, exposto até hoje na sede do Grêmio Atlético Farroupilha. A eufórica torcedora Vilma Machado de Brito prestou sua homenagem ao narrar o que viu na chegada do 9º Regimento, após a conquista válida por 100 anos, ao Porto de Pelotas. A pintura, conforme suas descrições, foi feita pelo artista Saulo Moraes.
Ficam os agradecimentos às fontes de pesquisa para este texto: edições do jornal Diário Popular de outubro de 1935 e o Blog do Fantasma, atualizado pelo jornalista e ex-assessor do Farroupilha, Leandro Lopes.
É com enorme orgulho que a página do Grêmio Atlético Farroupilha rememora a maior conquista da história do clube, que completa 80 anos e, dessa forma, mantém aceso o peso da história e o sentimento de nossos torcedores.
19/10/2015
Entre o Conciso e o Consigo
Eu tenho dormido mais cedo
E tido sonhos estranhos
Eu tenho me recolhido
E ficado no meu canto
Eu tenho entristecido
Desaparecido um tanto
Há os que me fazem sentir conciso
E ainda levanto
Eu sinto
Cem porcento
O sentimento
Que eu não consigo
Deixar de alimentar
E tido sonhos estranhos
Eu tenho me recolhido
E ficado no meu canto
Eu tenho entristecido
Desaparecido um tanto
Há os que me fazem sentir conciso
E ainda levanto
Eu sinto
Cem porcento
O sentimento
Que eu não consigo
Deixar de alimentar
18/10/2015
A primeira batalha pelo Título Gaúcho
Foi em outubro de 1935. A Itália, assombrada e assombrando pelo crescimento do fascismo, havia vencido a Copa do Mundo do ano anterior, a segunda realizada na história. Naquele ano de 35, nascia o cantor Elvis Presley em East Tupelo, Estados Unidos. Em Portugal, ocorreu o parto de Antonio Ramalho Eanes, futuro militarista e primeiro presidente democraticamente eleito após a ditadura no país. A Alemanha já começava as corridas com o malévolo Adolf Hitler, já naturalizado alemão. No Brasil, era período da Era Vargas, no regime chamado de Governo Constitucionalista. E, no estado de Vargas, as equipes preparavam-se para a disputa do 15º Campeonato Gaúcho.
O Grêmio Atlético 9º Regimento, campeão invicto da região denominada litoral, foi a Porto Alegre para disputar o estadual da temporada em que comemorava-se o centenário da Revolução Farroupilha. Pela frente, adversários respeitáveis e poderosos. Logo de cara, o campeão do noroeste, o Novo Hamburgo.
O 9º Regimento só havia participado de um Gauchão, o de 1934. Após vencer o Riograndense de Cruz Alta, foi descaradamente prejudicado pela arbitragem em Porto Alegre, na final contra o Internacional e acabou vice. Os pelotenses prometeram voltar no ano seguinte e sair com a taça.
A corrida pelo título na capital começou no dia 17 de outubro de 1935. 9º Regimento e Novo Hamburgo, pela fase semifinal, pelearam em duelo de início às 16h10, no estádio dos Eucaliptos, sede da primeira Copa do Mundo no Brasil, em 1950. O árbitro foi Valter Leal.
9º Regimento: Brandão; Jorge e Chico Fuleiro; Ruy, Itararé e Celistro; Coruja, Birilão, Cerrito, Cardeal e Bichinho.
Novo Hamburgo: Olívio; Fogareiro e Magalhães; Vanzeto, Mena e Amantino; Nonô (Armando), Luiz, Oscar, Miguel (Mario) e Banana.
O Nóia começou melhor a partida. Só aos 25 minutos, o 9º Regimento chegou com muito perigo e Cerrito acertou a trave. Em seguida, aos 27, Bichinho, finalizador exímio, fez 1 a 0 aos militares pelotenses em cobrança de falta. Um minuto depois, o empate: Miguel igualou as coisas para o Novo Hamburgo, placar do primeiro tempo.
Na segunda metade nos Eucaliptos, o Fantasma começou melhor. Aos 8 de jogo, Magalhães derrubou Bichinho na grande área e o pênalti, na época escrito com Y, foi assinalado. O próprio Bichinho cobrou e botou o 9º em vantagem: 2 a 1.
Porém, o Novo Hamburgo, em sua quinta participação em Gauchões, foi valente. Empatou novamente com gol de cabeça de Banana, aos 17 minutos da etapa final.
Porém, a promessa feita após a injustiça da temporada anterior não poderia ser quebrada e Celistro, em um tiro de longe, recolocou o Fantasma na dianteira da partida: 3 a 2 aos pelotenses.
Em peleia violenta, alguns jogadores foram substituídos por saírem lesionados, única forma de permitir trocas nas escalações da época. Nos ataques finais do Novo Hamburgo, o goleiro Brandão, com braços de elástico, segurava de todas as maneiras.
Com a noite se aproximando, o cronometrista encerrou o jogo válido pela semifinal. Os torcedores do 9º Regimento invadiram o campo a comemorar a vaga na final. 3 a 2, com dois gols de Bichinho e um de Celistro.
A primeira cruzada da final estava marcada ao próximo dia 20, ali mesmo, em Porto Alegre. O adversário era nada mais e nada menos que o Grêmio Porto Alegrense, que já ostentava cinco taças na época, como maior campeão gaúcho na oportunidade. Na semi, o tricolor da capital havia feito 6 a 0 no Grêmio Santanense.
Apesar do nome do lado rival soar forte, nada que o exército do goleiro Brandão e do craque Cardeal pudesse temer. Contaremos como foram os jogos da disputa em melhor de três nos próximos capítulos.
O Grêmio Atlético 9º Regimento, campeão invicto da região denominada litoral, foi a Porto Alegre para disputar o estadual da temporada em que comemorava-se o centenário da Revolução Farroupilha. Pela frente, adversários respeitáveis e poderosos. Logo de cara, o campeão do noroeste, o Novo Hamburgo.
O 9º Regimento só havia participado de um Gauchão, o de 1934. Após vencer o Riograndense de Cruz Alta, foi descaradamente prejudicado pela arbitragem em Porto Alegre, na final contra o Internacional e acabou vice. Os pelotenses prometeram voltar no ano seguinte e sair com a taça.
A corrida pelo título na capital começou no dia 17 de outubro de 1935. 9º Regimento e Novo Hamburgo, pela fase semifinal, pelearam em duelo de início às 16h10, no estádio dos Eucaliptos, sede da primeira Copa do Mundo no Brasil, em 1950. O árbitro foi Valter Leal.
9º Regimento: Brandão; Jorge e Chico Fuleiro; Ruy, Itararé e Celistro; Coruja, Birilão, Cerrito, Cardeal e Bichinho.
Novo Hamburgo: Olívio; Fogareiro e Magalhães; Vanzeto, Mena e Amantino; Nonô (Armando), Luiz, Oscar, Miguel (Mario) e Banana.
O Nóia começou melhor a partida. Só aos 25 minutos, o 9º Regimento chegou com muito perigo e Cerrito acertou a trave. Em seguida, aos 27, Bichinho, finalizador exímio, fez 1 a 0 aos militares pelotenses em cobrança de falta. Um minuto depois, o empate: Miguel igualou as coisas para o Novo Hamburgo, placar do primeiro tempo.
Na segunda metade nos Eucaliptos, o Fantasma começou melhor. Aos 8 de jogo, Magalhães derrubou Bichinho na grande área e o pênalti, na época escrito com Y, foi assinalado. O próprio Bichinho cobrou e botou o 9º em vantagem: 2 a 1.
Porém, o Novo Hamburgo, em sua quinta participação em Gauchões, foi valente. Empatou novamente com gol de cabeça de Banana, aos 17 minutos da etapa final.
Porém, a promessa feita após a injustiça da temporada anterior não poderia ser quebrada e Celistro, em um tiro de longe, recolocou o Fantasma na dianteira da partida: 3 a 2 aos pelotenses.
Em peleia violenta, alguns jogadores foram substituídos por saírem lesionados, única forma de permitir trocas nas escalações da época. Nos ataques finais do Novo Hamburgo, o goleiro Brandão, com braços de elástico, segurava de todas as maneiras.
Com a noite se aproximando, o cronometrista encerrou o jogo válido pela semifinal. Os torcedores do 9º Regimento invadiram o campo a comemorar a vaga na final. 3 a 2, com dois gols de Bichinho e um de Celistro.
A primeira cruzada da final estava marcada ao próximo dia 20, ali mesmo, em Porto Alegre. O adversário era nada mais e nada menos que o Grêmio Porto Alegrense, que já ostentava cinco taças na época, como maior campeão gaúcho na oportunidade. Na semi, o tricolor da capital havia feito 6 a 0 no Grêmio Santanense.
Apesar do nome do lado rival soar forte, nada que o exército do goleiro Brandão e do craque Cardeal pudesse temer. Contaremos como foram os jogos da disputa em melhor de três nos próximos capítulos.
15/10/2015
Futebol, a fusão dos mundos
"Futebol ao sol e à sombra", traz a alaranjada capa do livro de bolso do escritor uruguaio Eduardo Galeano. Símbolo de uma América Latina que foi podada durante séculos e teve o crescimento de seu povo desvinculado por valores e preços e pressões de invasores impiedosos e imperialistas. Conhecido por obras carregadas de política, ideologia e seu estilo próprio e singular de narrativa, Galeano aborda o futebol a olhares que somente um apaixonado, ao ver o aprisionamento de sua paixão, pode descrever.
Os contos são sutis e precisos, com toques de letra e lançamentos milimétricos, para, mesmo sem imagens, enxergamos o futebol em sua essência pelo globo. O uruguaio relembra tempos épicos de seu país, chamado inclusive por Pelé de "pai do futebol". As origens e folclores por Argentina, Brasil, Espanha, Alemanha e Itália ganham destaque.
Uma linha do tempo, resumida em melhores e piores momentos de uma modalidade esportiva que se tornou cada vez mais mercadológica. Um espelho das sociedades que também se apaixonaram pelo rolar da esfera de couro nos retangulares gramados de seus solos. O amor do hincha por um clube, a criação e mistificação de ídolos, as influências externas, a globalização, os atletas como mercadoria e como produtos.
Dos malabarismos de ousados praticantes à padronização na forma de jogar. O profissionalismo que sucumbiu os estilos próprios dos jogadores, reduzindo o livre-arbítrio das manobras com a bola em companhia. A exigência do espetáculo que transformou o corpo dos praticantes e aumentou gradativamente os registros de lesões ao longo dos anos.
Os grandes manobristas das cifras milionárias, das presidências de organizações que não prestam contas e não prestam mesmo, aos empresários e demais interessados no mercado da publicidade. As camisas, antes com o destaque do símbolo do clube ao lado esquerdo do peito, agora dividindo espaço com as mais diferentes marcas: locais ou internacionais.
Um panorama das forças políticas e diplomáticas que cercavam o mundo do planeta bola a cada Copa do Mundo disputada. Tudo isso narrado pelas célebres palavras de um escritor que jamais aceitou a padronização. Um escritor que, sem dúvida alguma, jogou junto com o Uruguai a cada mundial e com o Nacional de Montevidéu a cada Libertadores da América.
Um escritor que libertou na escrita, gritos entalados na garganta, com admirações ao que muitos já não mais admiram e com críticas ao que muitos jamais enxergaram.
Reforço o que eu disse em outra oportunidade: Futebol ao sol e à sombra não merece somente uma resenha. Merece um outro livro elogiando ao primeiro.
Os contos são sutis e precisos, com toques de letra e lançamentos milimétricos, para, mesmo sem imagens, enxergamos o futebol em sua essência pelo globo. O uruguaio relembra tempos épicos de seu país, chamado inclusive por Pelé de "pai do futebol". As origens e folclores por Argentina, Brasil, Espanha, Alemanha e Itália ganham destaque.
Uma linha do tempo, resumida em melhores e piores momentos de uma modalidade esportiva que se tornou cada vez mais mercadológica. Um espelho das sociedades que também se apaixonaram pelo rolar da esfera de couro nos retangulares gramados de seus solos. O amor do hincha por um clube, a criação e mistificação de ídolos, as influências externas, a globalização, os atletas como mercadoria e como produtos.
Dos malabarismos de ousados praticantes à padronização na forma de jogar. O profissionalismo que sucumbiu os estilos próprios dos jogadores, reduzindo o livre-arbítrio das manobras com a bola em companhia. A exigência do espetáculo que transformou o corpo dos praticantes e aumentou gradativamente os registros de lesões ao longo dos anos.
Os grandes manobristas das cifras milionárias, das presidências de organizações que não prestam contas e não prestam mesmo, aos empresários e demais interessados no mercado da publicidade. As camisas, antes com o destaque do símbolo do clube ao lado esquerdo do peito, agora dividindo espaço com as mais diferentes marcas: locais ou internacionais.
Um panorama das forças políticas e diplomáticas que cercavam o mundo do planeta bola a cada Copa do Mundo disputada. Tudo isso narrado pelas célebres palavras de um escritor que jamais aceitou a padronização. Um escritor que, sem dúvida alguma, jogou junto com o Uruguai a cada mundial e com o Nacional de Montevidéu a cada Libertadores da América.
Um escritor que libertou na escrita, gritos entalados na garganta, com admirações ao que muitos já não mais admiram e com críticas ao que muitos jamais enxergaram.
Reforço o que eu disse em outra oportunidade: Futebol ao sol e à sombra não merece somente uma resenha. Merece um outro livro elogiando ao primeiro.
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| Foto: Henrique König |
10/10/2015
O bem soar do violino
Na praça, o dia cinza reservou-me um banco no lugar certo. Nem muita gente por perto e nem em uma alameda completamente vazia da Coronel Pedro Osório.
Pude folhear o livro por várias páginas e vários anos nas palavras lúcidas e literais do uruguaio Eduardo Galeano, este exemplo de sul-americano que havia deixado nosso mundo há pouco tempo. Pelos caminhos em que ele descrevia a história do futebol, mergulhei-me à modalidade esportiva da leitura em local público, uma de minhas preferidas.
Conforme deixei com que os minutos seguissem seus habituais caminhos, vi-me diante da troca incessante de pessoas ao redor. Tanto atravessavam rumo a seus mais diversos objetivos, quanto sentavam-se e logo iam-se embora. Uma ex-colega minha acomodou-se próxima a meu banco com sua amiga. Não viu-me ou viu e fez questão de parecer que não, em comum acordo com minha decisão.
A amiga da conhecida dissertava sobre antigos autores brasileiros e sobre os métodos impostos das universidades em analisá-los e como trabalham as respectivas obras. Sobrou críticas a José de Alencar e a outros, os quais não fisguei os nomes.
Adiante, precisei fechar o livro de alaranjada capa e rumar também de volta, em direção à Avenida Bento Gonçalves. Pelo centro do coração da praça, duas modelos posavam em tentativa de dar holofotes ao acinzentado ambiente. Observei de relance às câmeras fotográficas e notei que uma das moças, ao chafariz, tinha em mãos um algodão doce. Como são estranhas as poses de modelo enquanto as outras centenas de pessoas em movimento posam sem querer em composições de maior realidade!
Passei, enfim, por uma das alamedas das quais menos gosto, mas que costumeiramente é agraciada pelas dedilhadas em cordas improvisadas pelo músico de rua, Serginho da Vassoura. No tempo fechado, ele não deu às caras naquela tarde.
Após a abertura da sinaleira aos pedestres, caminhei para o prosseguir dos calçamentos em paralelepípedo de um trecho de rua destinado somente aos transeuntes a pé. Calçando meus fones de ouvido, precisei parar para contemplar a cena à minha direita.
Concentrada em sua atividade, uma senhorita praticava em ordenhar música do violino em suas mãos. Envergonhado por permanecer com os fones de ouvido, fiz questão de sacá-los pelos instantes em que cruzei sua reta. A canção antes em meu aparelho, dezenas de vezes já reproduzida em rádios locais e no meu próprio celular, agora não fazia diferença.
O diferente era acompanhar as oscilações do violino de maneira inédita, conforme já poderia ter ocorrido de forma semelhante, mas jamais idêntica e em mesmo local. A reprodutibilidade das artes é tema do autor Walter Benjamin. A desvalorização do processo pelas repetições e repetições e a raridade não mais encontrada nesses encontros.
Porém, naquele dia de início de outubro, a invasão do jamais antes presenciado em meio à travessia, fez com que meus olhos e ouvidos parassem por detalhados segundos. Surdo ao entreter de antes e atento ao número desempenhado pela moça, fitei-a a aplaudir com o olhar.
Nada fiz, confesso, a mais do que isso. Desejo-lhe, se assim investe, a ter mais moedas na capa que envolve o violino quando ela não o toca. Desejo aos demais, momentos únicos, mesmo simples, como esse que vos narro. Para ela, saúde, física e espiritual, para representar mais performances afinadas durante o executar dos caos urbanos.
Pude folhear o livro por várias páginas e vários anos nas palavras lúcidas e literais do uruguaio Eduardo Galeano, este exemplo de sul-americano que havia deixado nosso mundo há pouco tempo. Pelos caminhos em que ele descrevia a história do futebol, mergulhei-me à modalidade esportiva da leitura em local público, uma de minhas preferidas.
Conforme deixei com que os minutos seguissem seus habituais caminhos, vi-me diante da troca incessante de pessoas ao redor. Tanto atravessavam rumo a seus mais diversos objetivos, quanto sentavam-se e logo iam-se embora. Uma ex-colega minha acomodou-se próxima a meu banco com sua amiga. Não viu-me ou viu e fez questão de parecer que não, em comum acordo com minha decisão.
A amiga da conhecida dissertava sobre antigos autores brasileiros e sobre os métodos impostos das universidades em analisá-los e como trabalham as respectivas obras. Sobrou críticas a José de Alencar e a outros, os quais não fisguei os nomes.
Adiante, precisei fechar o livro de alaranjada capa e rumar também de volta, em direção à Avenida Bento Gonçalves. Pelo centro do coração da praça, duas modelos posavam em tentativa de dar holofotes ao acinzentado ambiente. Observei de relance às câmeras fotográficas e notei que uma das moças, ao chafariz, tinha em mãos um algodão doce. Como são estranhas as poses de modelo enquanto as outras centenas de pessoas em movimento posam sem querer em composições de maior realidade!
Passei, enfim, por uma das alamedas das quais menos gosto, mas que costumeiramente é agraciada pelas dedilhadas em cordas improvisadas pelo músico de rua, Serginho da Vassoura. No tempo fechado, ele não deu às caras naquela tarde.
Após a abertura da sinaleira aos pedestres, caminhei para o prosseguir dos calçamentos em paralelepípedo de um trecho de rua destinado somente aos transeuntes a pé. Calçando meus fones de ouvido, precisei parar para contemplar a cena à minha direita.
Concentrada em sua atividade, uma senhorita praticava em ordenhar música do violino em suas mãos. Envergonhado por permanecer com os fones de ouvido, fiz questão de sacá-los pelos instantes em que cruzei sua reta. A canção antes em meu aparelho, dezenas de vezes já reproduzida em rádios locais e no meu próprio celular, agora não fazia diferença.
O diferente era acompanhar as oscilações do violino de maneira inédita, conforme já poderia ter ocorrido de forma semelhante, mas jamais idêntica e em mesmo local. A reprodutibilidade das artes é tema do autor Walter Benjamin. A desvalorização do processo pelas repetições e repetições e a raridade não mais encontrada nesses encontros.
Porém, naquele dia de início de outubro, a invasão do jamais antes presenciado em meio à travessia, fez com que meus olhos e ouvidos parassem por detalhados segundos. Surdo ao entreter de antes e atento ao número desempenhado pela moça, fitei-a a aplaudir com o olhar.
Nada fiz, confesso, a mais do que isso. Desejo-lhe, se assim investe, a ter mais moedas na capa que envolve o violino quando ela não o toca. Desejo aos demais, momentos únicos, mesmo simples, como esse que vos narro. Para ela, saúde, física e espiritual, para representar mais performances afinadas durante o executar dos caos urbanos.
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| Alameda na Praça Coronel Pedro Osório (Foto: Henrique König) |
05/10/2015
Rio
Rio de Janeiro
Do seu véu que desprende
Do janeiro que se estende
Ao ano inteiro
Rio de Janeiro
Do céu que é mais perto
Do sol que se esconde
Dos passeios que fiz
Na praia e no bonde
Rio de Janeiro
Do Cristo, tão visto
E tão comentado
No jogo misto
Do concreto e do sagrado
Rio de Janeiro
Das escadarias
Do dia e da noite
Da Lapa e do mapa
Imprevistos talhados
Rio de Janeiro
Dos táxis amarelos
Das lixeiras laranjas
Franja sobre as areias
Do berço afamado
De Copacabana
Rio de Janeiro
Das luzes do morro
Do povo guerreiro
Que pede socorro
Não perde a alegria
Do sorriso que é soro
Rio de Janeiro
Do Maracanã
Do ontem, do hoje
Do Garrincha e do Zico
E do mito de como
Ficará o amanhã
Rio de Janeiro
Do Flamengo,
Fluminense,
Botafogo e Vasco
Do jogo que nasce
Da perna que chuta
Do braço que luta
Com a bandeira no mastro
Rio de Janeiro
Da Baía de Guanabara
Que vou-me embora
Sem ter a honra
De ver-te aurora
E nos amanheceres cinzentos
De um sol preguiçoso e lento
De pingos de chuva adventos
Do tempo, este ligeiro
Que estive contigo
Como filho rebento
Deste único e estranho abrigo
Rio de Janeiro
Rio, que me recepcionou
Com meu velho conhecido frio
Das terras advindas do sul
Que me negaste, Rio, um céu azul
E mesmo assim me seduziste
Com teu ar juvenil
Rio, já não te dou
O sobrenome de Janeiro
Pois és belo o ano inteiro
Nestas curvas encantadas
Por quem te batizou
Rio, sigas lindo
Em constante desafio
E com alguma humildade
Em outra hora e outra idade
Te encontro, no cio da tua mocidade
Com meu olhar infantil
Do seu véu que desprende
Do janeiro que se estende
Ao ano inteiro
Rio de Janeiro
Do céu que é mais perto
Do sol que se esconde
Dos passeios que fiz
Na praia e no bonde
Rio de Janeiro
Do Cristo, tão visto
E tão comentado
No jogo misto
Do concreto e do sagrado
Rio de Janeiro
Das escadarias
Do dia e da noite
Da Lapa e do mapa
Imprevistos talhados
Rio de Janeiro
Dos táxis amarelos
Das lixeiras laranjas
Franja sobre as areias
Do berço afamado
De Copacabana
Rio de Janeiro
Das luzes do morro
Do povo guerreiro
Que pede socorro
Não perde a alegria
Do sorriso que é soro
Rio de Janeiro
Do Maracanã
Do ontem, do hoje
Do Garrincha e do Zico
E do mito de como
Ficará o amanhã
Rio de Janeiro
Do Flamengo,
Fluminense,
Botafogo e Vasco
Do jogo que nasce
Da perna que chuta
Do braço que luta
Com a bandeira no mastro
Rio de Janeiro
Da Baía de Guanabara
Que vou-me embora
Sem ter a honra
De ver-te aurora
E nos amanheceres cinzentos
De um sol preguiçoso e lento
De pingos de chuva adventos
Do tempo, este ligeiro
Que estive contigo
Como filho rebento
Deste único e estranho abrigo
Rio de Janeiro
Rio, que me recepcionou
Com meu velho conhecido frio
Das terras advindas do sul
Que me negaste, Rio, um céu azul
E mesmo assim me seduziste
Com teu ar juvenil
Rio, já não te dou
O sobrenome de Janeiro
Pois és belo o ano inteiro
Nestas curvas encantadas
Por quem te batizou
Rio, sigas lindo
Em constante desafio
E com alguma humildade
Em outra hora e outra idade
Te encontro, no cio da tua mocidade
Com meu olhar infantil
| Foto: Henrique König |
01/10/2015
Mundos Paralelos
Gosto dos meus mundos paralelos
Do anonimato dos meus óculos escuros
Do poder de escolha dos meus fones de ouvido
Do anonimato dos meus óculos escuros
Do poder de escolha dos meus fones de ouvido
De Feitos
Herdei e multipliquei defeitos.
Menos capacidade de saber escolher do que meu pai.
Menos paciência do que minha mãe.
Menos capacidade de saber escolher do que meu pai.
Menos paciência do que minha mãe.
21/09/2015
O fim e os fins da Gonçalves Chaves
| Calçamento ruim da última quadra da Gonçalves Chaves, em Pelotas. Diferente do asfalto novo recebido no centro (Foto: Henrique König) |
A Gonçalves que poucos conhecem é a da última quadra, no trajeto que fica entre a rua Bandeirantes e a avenida São Francisco de Paula. O trecho que fica de frente para minha janela e que, por muitas vezes, na ausência de uma vista boa da sacada de um prédio, é minha referência quando precisamos olhar para lugar nenhum.
Recentemente, ao conhecer o Rio de Janeiro, imaginei-me com uma vista privilegiada de uma das orlas da Urca. Qualquer apartamento de poucos metros quadrados me satisfariam em troca daquele verdadeiro colírio. Porém, de volta à realidade, o que tenho para diante de minha janela é esse final da rua Gonçalves Chaves. O final que pouca gente tem o conhecimento de que exista.
O asfaltamento da rua se deu apenas da Avenida Bento Gonçalves em diante no centro. O esquecimento torna-se maior da Dom Joaquim para o sentido do bairro Areal. Apesar de ser trajeto de ônibus, as crateras se fazem presentes ao meio do caminho. Além do transporte coletivo, há poucos carros, por vezes, charretes, idosos, cães perdidos e crianças em suas primeiras rodagens de bicicleta formam o grupo de transeuntes.
Na calmaria da quadra, os pontos de ônibus é que concentram senhoras com sacolas, senhores com olhares distantes e mais jovens em prontidão para mais uma jornada de ensino ou trabalho no centro de Pelotas.
Na composição desta última quadra, um terreno baldio de cada lado. Em um dos lados, o campo serviu para a construção de uma alta antena. Na época da construção, moradores teimavam em afirmar que estava torta. Até hoje, uma década depois, não caiu. Pelas noites, brilha uma luz vermelha em sua extremidade, que avisa aviões que cruzam indo ou voltando do aeroporto próximo ao Prado.
No outro terreno baldio, encontra-se ao lado uma casa abandonada. Até mesmo os grafites estão gastos, exaltando o tempo de abandono da construção. Em uma das casas próximas, mora um aposentado professor de matemática, sempre elegante em suas vestimentas e chapéu. Ele segue lecionando e costuma sair de casa em seu carro igualmente clássico.
O pai de um modelo de passarelas que já desfilou internacionalmente sofreu uma isquemia e se comunica muito pouco. Geralmente são grunhidos, sílabas desconexas, conectadas apenas em "bom dia" ou "boa tarde". A rua é bastante escura no anoitecer e, portanto, não há boa noite.
Em outra casa próxima há gêmeos de 20 e poucos, indo aos 30. Gostam muito de carros e não sei se ambos permanecem morando ali. Acredito, pelas exibições de modelos de automóveis personalizados na calçada, que ao menos um deles continua na casa. Minha vó ainda caminha muito por aí, mas, quando não está na rua, está na casa dela, onde mora com minha tia e sua amiga e, atualmente, apenas duas cadelas. Já foram bem mais os hóspedes de quatro patas.
Há um pequeno terreno adiante onde pessoas abandonavam cães que acabavam nos cuidados de minha tia de, agora, 52 anos. Sem a mesma disposição dos anos que passaram, na atualidade ela se dedica aos cuidados de apenas duas fêmeas caninas, também de idade avançada.
Uma outra senhorinha, de longe, lembra minha vó. Mesmo tom de pele, o grisalho dos cabelos e o embalado que supera as dificuldades de cada passo da terceira idade. Coincidência física de ambas que residem na mesma quadra, a última da Gonçalves Chaves.
Uma outra vizinha foi mãe na adolescência. As crianças, pequenas criaturas loiras que lembram a ascendência, já caminham pela frente do terreno.
Outro ocupante da quadra é colorado fanático e exibe posteres do Internacional em sua garagem, fato que descobri por uma ou outra vez em que ela estava aberta. Cumprimento-o seguidamente, pois costuma estar lá, com seu ar de aposentado em sua cadeira de praia na calçada.
Outro da vizinhança, gremista, arrumou emprego na Irlanda e volta para rever a mãe, que se encontra na mesma casa verde. Uma irmã dele casou e fez com que a mãe deles se tornasse vó. De vez em quando a bonita moça aparece com o pequeno garotinho em seus braços.
Recentemente, o dono de um pequeno armazém faleceu. Seu filho é alcoólatra e caminha extremamente devagar, solitariamente. Sua esposa, bastante velhinha, ficou viúva e cuida do endereço, mas sem ativar o comércio. O armazém era ponto de encontro para outros idosos, onde comentavam notícias dos jornais impressos, jogavam conversa fora e, às vezes, jogos de tabuleiro. Daqueles tempos significantes a eles, resta apenas a faixada do mercadinho desbotando.
Um dos diretores de um dos clubes de futebol da cidade mora por ali com sua esposa. Completam-se como casal e ergueram um bonito sobrado, american way of life.
Uma casa da qual não conheço os ocupantes, ostenta pastores alemães que ficam em frente à moradia. Não gostam quando trajo camisas do Grêmio e, seguidamente, latem quando cruzo a calçada ao passar pela vista deles.
Um lar de idosos foi criado há pouco tempo. Passo por ali e observo com melancolia aos olhares que me são retribuídos. Não há muito para decifrar do que eles esperam aos dias que estão por vir. Ali, quase ao lado, um senhor com terreno próprio estendia sua plantação para praticamente obstruir a calçada. Creio que algum dia reclamaram com ele e o mesmo reduziu sua horta em alguns metros, priorizando agora à passagem dos pedestres.
Em resumo, a última quadra da Gonçalves Chaves esconde histórias que só quem passa seguidamente por lá pode averiguar. Talvez quem pegue o ônibus nas paradas ali próximas também tenha notado algumas delas. Para mim, sempre será o caminho que me coloca no rumo do centro. Cumprimento uns e outros e observo o envelhecimento do bairro.
Já não é a mesma movimentação dos meus anos de infância. O tempo, implacável, pouco impõe de modernidade naquele solo. Os buracos na rua para o saltitante ônibus da linha Bom Jesus, os cães de rua que aproveitam o local de pouco trânsito como rota, os grafites da velha casa abandonada ao lado do terreno baldio. O terreno baldio que é limpo e, logo, estará sujo e com mato crescido novamente.
A última quadra da Gonçalves Chaves... A mesma Gonçalves Chaves do São José, da UCPel, dos barzinhos, do Guarany, da Boca do Lobo... A Gonçalves deste imenso jogo da velha que é o centro de Pelotas.
| A casa abandonada ao lado do terreno baldio (Foto: Henrique König) |
| Casa abandonada por dentro, com prédios ao fundo como contraste do crescimento em outra área da cidade (Foto: Henrique König) |
12/09/2015
Domingo de Fla-Flu no Maracanã
"Domingo eu vou ao Maracanã. Vou torcer pro time que sou fã", dizem os versos de Neguinho da Beija-Flor, adaptados pelas torcidas locais do Rio de Janeiro. Clássico entre Flamengo e Fluminense, o popular Fla-Flu é especial por sua tão rica e mais do que centenária história. Trata-se de um enfrentamento surgido no futebol em 7 de julho de 1912, em ocasião que terminou com a vitória do Fluminense por 3 a 2.
O Fla-Flu chegou à edição de número 401 no exato domingo de 6 de setembro. Em campo, equipes com grande proximidade na tabela. O Fluminense com 33 pontos, vindo de três derrotas. Do outro lado, o Flamengo, logo atrás, com 32, vindo de três vitórias e buscando ultrapassar o rival na briga por posições no campeonato brasileiro.
O deslocamento das torcidas vem das mais distantes áreas do Rio de Janeiro. Passando o meio-dia, as camisas começam a brotar pelas ruas, como a chegada primaveril de quem desperta o sentimento de viver o domingo pelo seu clube. Descem as escadarias do metrô os com número 7, 9 e 10 às costas e que, juntos formarão o 12º jogador de cada equipe na disputa de mais um clássico.
A chegada à estação do Maracanã, passando o campus da UERJ, anuncia que a hora está próxima. Os torcedores já unidos uns com outros, antes completos desconhecidos, agora obtém alguma simpatia para com quem traja as mesmas cores.
Apesar da rivalidade, Flamengo e Fluminense dividem as linhas do trem subterrâneo. O verde e grená, do Flu, contrastante com o rubro-negro, do Fla, com ambas as cores em predominância nos vagões e nas saídas dos mesmos.
"Neeeeeense" e "Meeeeeeengo" são os gritos iniciais nos ritos de deslocamento. Nos entornos do gigante estádio em homenagem ao jornalista Mário Filho, o Maracanã recebe as caravanas dos mais distantes aficionados. Noto, ao cruzar por mim, uma camisa do Brasil de Pelotas junto aos flamenguistas.
O Fluminense, por sua vez, conta com apoio de hinchas do Velez Sarsfield, da Argentina, clube com o qual possui determinada amizade pela origem comum das cores. Um torcedor do Sampaio Corrêa do Maranhão também marca presença.
Após a revista dos seguranças, dentro das imediações, o clima é de foco no que vai acontecer logo abaixo das preenchidas tribunas. O tapete verde aguarda os 22 jogadores, representantes das massas de mais de 50 mil vozes na tarde dominical.
O primeiro tempo é de amplo domínio do Flamengo. A zaga do Fluminense bate cabeça e Emerson Sheik e Kayke aproveitam para balançar as redes ainda no primeiro quarto dos 90 minutos. Levam ao delírio os rubro-negros e dificultam a vida dos esforçados torcedores da barra Bravo 52, do Fluzão. Placar de 2 a 0 para o urubu.
No intervalo, talvez o momento mais relevante e importante socialmente dentro do espetáculo: o Fluminense, mandante da partida, anuncia o apoio aos refugiados da guerra na Síria, país do Oriente Médio. Alguns dos vindos ao Brasil aparecem no gramado como símbolos de resistência. Aos aplausos pela ação solidária e ato de humanidade, os torcedores buscam forças para o segundo tempo.
Elas realmente ressurgem. Nosso recém conhecido e já amigo David sonha alto com um roteiro épico de virada para 3 a 2. Em pênalti marcado no início da etapa final, Jean desconta para o Flu.
Mas o domingo de Fla-Flu era da primeira sílaba e o atacante Paulinho, aproveitando mais uma chance, faz 3 a 1 para os rubros, gerando, enfim, comemorações definitivas no setor norte do Maracanã.
Não é o mesmo Maracanã de Zico, mas a torcida busca manter a festa com as luzes dos celulares, recurso possível com a proibição dos sinalizadores há alguns anos. Embalados pela endiabrada atuação em campo, os torcedores do Flamengo é que encerram o domingo aos sorrisos.
Apesar da derrota doída, o Fluminense não baixa a cabeça. As rampas de saída são mais cansativas ao lado que perde, mas nenhum princípio de confusão marca a volta para casa nos arredores. Em comparação do mesmo fim de semana de clássico, por exemplo, houve agressões de corintianos contra palmeirenses que estavam dentro de uma van, em São Paulo. Barras de ferro foram utilizadas pelos que acham que assim apoiam ao Corinthians. Lamentável sinal de selvageria que persiste em rondar noticiários.
No Rio de Janeiro, ao menos, ficam as lembranças de um jogo resolvido no campo, de 55.999 torcedores presentes, de torcidas dividindo metrôs e saídas e da mensagem maior de apoio e de proteção aos refugiados da Síria.
O futebol não deve ser guerra. Mas o futebol pode ajudar a combater uma.
| Fotos: Henrique König |
10/09/2015
Não gosto de shoppings
A ideia claramente evidenciada no título mostra como serão tecidas as linhas a seguir. Após viajar para terras mais distantes, no caso, o Rio de Janeiro, o mundo fantasioso dos shoppings passa a ser objeto de desconstrução proposto por minha pessoa.
A segregação existente não passa por barreiras para entrar, até porque há as convidativas portas que abrem automaticamente. Apesar disso, só ultrapassam as barreiras das mesmas aqueles com poder aquisitivo: os clientes do shopping center - o centro das compras.
O capitalismo é descarado lá dentro. A briga dos anúncios luminosos com os chamativos tons em cores fluorescentes e chamativas são o mantra pelas paredes e vitrines.
Atraem olhares antes vislumbrados como quem encara o trajeto pela primeira vez. Mas, após algumas idas e vindas, a tela do smartphone ou do iphone para andar cabisbaixo parece mais interessante a alguns.
De tudo que há no interior dos prédios unificados com as marcas globais mais badaladas, as praças de alimentação me causam o maior alvoroço, a maior inquietação. Nos espaços tomados pelos anunciantes de redes famosas de fast food, pessoas se aglomeram para dividir as selvagens refeições com várias vozes de diferentes direções.
O capitalismo é descarado lá dentro. A briga dos anúncios luminosos com os chamativos tons em cores fluorescentes e chamativas são o mantra pelas paredes e vitrines.
Atraem olhares antes vislumbrados como quem encara o trajeto pela primeira vez. Mas, após algumas idas e vindas, a tela do smartphone ou do iphone para andar cabisbaixo parece mais interessante a alguns.
De tudo que há no interior dos prédios unificados com as marcas globais mais badaladas, as praças de alimentação me causam o maior alvoroço, a maior inquietação. Nos espaços tomados pelos anunciantes de redes famosas de fast food, pessoas se aglomeram para dividir as selvagens refeições com várias vozes de diferentes direções.
Nos horários de almoço e de maior movimento na noite, lutam bravamente por espaços nas mesas. Jogam mochilas, bolsas e arrastam cadeiras o quanto antes para marcar território, mesmo que a superfície do móvel ainda esteja preenchida com os restos da refeição do desconhecido ocupante anterior.
Outra questão é o emprego de senhoras que estão paradas ali, apenas esperando o cliente terminar sua degustação e alcançar-lhes a bandeja. Nessa função, mais uma inventada, pela rede de shoppings, a humilde funcionária depara-se com os restos de refeição das pessoas, o lixo orgânico delas. É algo tão ou até pior do que as limpezas de banheiro.
Quanto a isso, a solidariedade de pensar como é estar no lugar dessas pessoas. No lugar dos atarefados e sobrecarregados funcionários atendentes. Lutam para servir os minimizados lanches que pouco ou nada lembram as ilustrações das propagandas. Eles, exaustos, correm contra o tempo para satisfazer os insatisfeitos clientes. Ou, para simplesmente manterem-se empregados na selva da competição.
Os desumanos shoppings vão assim mantendo hábitos cada vez mais naturais nas pessoas. Louco é quem discorda desse processo que vem acontecendo e tomando conta de cidades com uma lógica unitária, neoliberal, capitalista. Pelotas, Porto Alegre, Rio de Janeiro e tantas cidades por Brasil e mundo com os mesmos males.
Dessa maneira, manifesta-se a busca da satisfação por meio das compras, do bem material, do bem de consumo. Dessa maneira, segrega-se a população entre quem tem e quem não tem condições. Quem merece e quem não merece tais privilégios, muitas vezes supérfluos. Quem é cliente e quem é o passageiro atendente, que o atendido quer nem saber o nome.
Assim caminha a humanidade ► Fabricando sorrisos às custas de mão de obra barata em países em desenvolvimento. Mas nada disso é mostrado. O que é mostrado, é a vitrine iluminada com a grife estampada em letras garrafais.
Como diz Black Alien, "a justiça dos homens perdeu um ônibus". Segue essa disfarçada babilônia (entre tantas babilônias) do século XXI.
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| Na pesquisa Google para a palavra "shopping", só há pessoas brancas nas imagens, conforme a escolhida. (Foto: Reprodução / Internet) |
01/09/2015
Vida não tem replay - Em frente
Deita
água nas últimas horas do mês de agosto de 2015. O calor de veraneio, tão comum
de se intrometer no mês que antecede meu aniversário, veio dar as caras somente
nos últimos dias.
Leio mais umas páginas de Douglas Kellner, autor que questiona e critica a cultura midiática, principalmente o que é oferecido e distribuído pelos Estados Unidos da América. Os estadunidenses, além de toda dominação e opressão cultural ofertada, ainda adonaram-se do termo americano.
Eu sou americano. Os índios xavantes são americanos. Os salvadorenhos e os jamaicanos também são americanos. Não só eles.
Na sala, meu pai distribuiu assobios há alguns minutos. Já migrou para a cozinha, onde acabou de arredar a cadeira sabe-se lá com que objetivo de transitar. A internet foi cortada em proteção aos raios próximos. Salvarei o texto primeiramente no word.
Lá fora, o world segue seu curso natural. A chuva chovendo para baixo. Mais tarde, evaporada para cima e assim flui a coisa, me entendem?
Leio mais umas páginas de Douglas Kellner, autor que questiona e critica a cultura midiática, principalmente o que é oferecido e distribuído pelos Estados Unidos da América. Os estadunidenses, além de toda dominação e opressão cultural ofertada, ainda adonaram-se do termo americano.
Eu sou americano. Os índios xavantes são americanos. Os salvadorenhos e os jamaicanos também são americanos. Não só eles.
Na sala, meu pai distribuiu assobios há alguns minutos. Já migrou para a cozinha, onde acabou de arredar a cadeira sabe-se lá com que objetivo de transitar. A internet foi cortada em proteção aos raios próximos. Salvarei o texto primeiramente no word.
Lá fora, o world segue seu curso natural. A chuva chovendo para baixo. Mais tarde, evaporada para cima e assim flui a coisa, me entendem?
Aprendi,
neste mês que se finda, de que a vida não tem replay. Parece meio óbvio afirmar
isso, mas é preciso provas para comprovar. E, quando fui à celebração pela
mesma causa do semestre anterior, no mesmo lugar, percebi que as pessoas,
inclusive eu, não são as mesmas.
Procurei-a
novamente. Só satisfez meus objetivos circunstanciais por uma noite no passado
e ainda incompleta. Mais incompleta ainda tornou-se esta noite da percepção de
que a vida não tem replay.
A
alegria dela parece se repetir com o que encontrou e fico feliz. Eu? Mudo
minhas percepções e caminho por algumas ruas em que não estou acostumado.
Seguir adiante.
Ao
início deste setembro, viajo ao Rio de Janeiro. Atesto que toda viagem gera
texto.
21/08/2015
Pranto
03/08/2015
Mar de Revisões
![]() |
| Praia do Hermenegildo - Santa Vitória do Palmar - 2014 (Foto; Henrique König) |
Em meio ao inverno já não tão rigoroso do início de agosto, me apossa o sentimento de saudade ao velho mar. Da areia, nunca gostei, mas para encontrar tal companhia marítima nos veraneios, podia atravessar essa barreira sem ter do que reclamar.
E no mar, banhava-me. Mergulho e esqueço o mundo do lado oposto da superfície. Regresso e tudo está igual, mas mergulho e as diferentes sensações me apoderam: o movimentar incessante e ensurdecedor das bolhas, a coloração em novos tons não antes percebidos.
O sal é forte e torna-se personagem principal nas papilas gustativas e no que sobra sobre o tato após os encontros. O cabelo endurece e se rebela, como se não quisesse mais abandonar o mar. Permanece assim até o próximo banho, desa vez sob um chuveiro.
Os dias na praia são os mais extensos e intensos do ano. Acordo mais cedo, como com mais disposição, estabeleço e rompo paixões pelas orlas, vou ao mar, volto à areia. Vou ao mar, volto à areia. Volto pra casa, mas desço novamente ao mar, quando está ou depois do anoitecer.
Ele me confessa mais alguns segredos que só quem presta muita atenção consegue captar. Confesso, por ecossistema, entendê-lo pouco, bem menos do que minha irmã, por exemplo, que é bióloga. Porém, entendo-me mais em sua presença, como se o ir e vir na costa fosse a força eletromotriz para acionar pensamentos de aparições não antes vistas em minha mente.
Às vezes, há revisões presentes, flashbacks e a organização proposta de passar ideias a limpo. Liberdade que só encerra a sessão quando, mais tarde, enxugo os ouvidos.
A despedida nos fins de janeiro machuca e as peles antes despidas voltam à cidade para cobrirem-se de mais roupas e mais problemas. Escrevo esta carta de desabafo mais ao mar do que a qualquer especificidade. O mar, que é fascinante por seu conjunto completo como ecossistema. O mar, que abriga das mais diversas espécies e sonhos. Por sua ausência só daqui a, talvez, um mês saciada, procuro e ilustro o texto com sua simplicidade através de uma foto de veraneios passados.
(Foto está lá em cima. Preguiça de descê-la para cá)
01/08/2015
M'equilibro
Entre nós, quero encontrar
O ponto de equilíbrio
Entre a segurança de te conhecer
A cada centímetro
E o prazer de me surpreender
Com o desconhecido
O ponto de equilíbrio
Entre a segurança de te conhecer
A cada centímetro
E o prazer de me surpreender
Com o desconhecido
29/07/2015
Quarta-Feira
Mais uma quarta-feira. Nem quarta fria, pois abriu calor no fim de julho, nem quarta feia, pois o sol também nos acompanhou nesta jornada. Os dias, apesar da beleza natural deste, são mais curtos no inverno.
Assim, faço meus poucos afazeres e parto contra o tempo para aproveitar o fim de tarde. Nas ruas, a cidade exerce rotinas, repete movimentos no imenso tabuleiro. Consigo notar os funcionários que olham ansiosos para frente de seus estabelecimentos, esperando a hora de largar fora.
Alguns praticam exercícios por necessidade, esforçados. Outros buscam prazer e bem estar nas práticas, com roupas esportivas para melhor desempenho. Lotam as pistas previamente estabelecidas a seus passos. Outros dividem calçadas com pedestres mais vagarosos e respiram as toxinas dos automóveis e ônibus em seus trajetos.
Cruzo por idosos carregando sacolas pesadas demais. Isso me faz pensar o quão estranho soaria solicitar ajudar aos que rumam na mesma direção do que eu. Afinal, as pessoas pouco confiam nas outras, poderiam pensar que se trata de um assalto disfarçado de solidariedade. Há muitas máscaras e coisas ocultas nas cidades.
Cruzo por crianças colocando suas pequenas mãos onde não devem. De suas próprias narinas até aos locais mais inusitados e, às vezes, perigosos. Responsáveis desatentos não percebem ou tardam a perceber seus atos não recomendados. Algumas correm para fora do alcance das mãos maiores dos adultos, por falsa sensação de liberdade ou a mais pura travessura.
Os olhares dos idosos carregam mais incógnitas. Olham distantes da realidade das ruas, que são como um grande jogo da velha, em linhas que se estendem retas por quadras e mais quadras. É difícil adivinhar o que pensam, o que puxam da memória, o que relembram ao ver certos movimentos dos mais jovens. É difícil saber se a nostalgia os traz uma sensação boa de ter feito algo, ou o arrependimento de não ter feito. Ou a sensação boa de não ter escolhido algo, ou o arrependimento de ter escolhido. Perguntas que passam como a fumaça do transporte coletivo.
De óculos escuros, ninguém adivinhará o que meus olhos transbordam a querer dizer. Como um disfarce, me esquivo de alguns cumprimentos com pessoas que pouco conheço e, quando considero válido, realizo a referência de tirá-los e os concedo uma saudação e, talvez, um curto papo.
No fim de minha jornada, com a lua coberta ainda por nuvens, como se escondesse também em cortinas ou persianas naturais, ouço a voz e a simplicidade de Wander Wildner pelos fones de ouvido. "Eles não dizem adeus. Eles não dizem adeus. Os índios dizem até o outro sol. E que os deuses te acompanhem."
Assim, faço meus poucos afazeres e parto contra o tempo para aproveitar o fim de tarde. Nas ruas, a cidade exerce rotinas, repete movimentos no imenso tabuleiro. Consigo notar os funcionários que olham ansiosos para frente de seus estabelecimentos, esperando a hora de largar fora.
Alguns praticam exercícios por necessidade, esforçados. Outros buscam prazer e bem estar nas práticas, com roupas esportivas para melhor desempenho. Lotam as pistas previamente estabelecidas a seus passos. Outros dividem calçadas com pedestres mais vagarosos e respiram as toxinas dos automóveis e ônibus em seus trajetos.
Cruzo por idosos carregando sacolas pesadas demais. Isso me faz pensar o quão estranho soaria solicitar ajudar aos que rumam na mesma direção do que eu. Afinal, as pessoas pouco confiam nas outras, poderiam pensar que se trata de um assalto disfarçado de solidariedade. Há muitas máscaras e coisas ocultas nas cidades.
Cruzo por crianças colocando suas pequenas mãos onde não devem. De suas próprias narinas até aos locais mais inusitados e, às vezes, perigosos. Responsáveis desatentos não percebem ou tardam a perceber seus atos não recomendados. Algumas correm para fora do alcance das mãos maiores dos adultos, por falsa sensação de liberdade ou a mais pura travessura.
Os olhares dos idosos carregam mais incógnitas. Olham distantes da realidade das ruas, que são como um grande jogo da velha, em linhas que se estendem retas por quadras e mais quadras. É difícil adivinhar o que pensam, o que puxam da memória, o que relembram ao ver certos movimentos dos mais jovens. É difícil saber se a nostalgia os traz uma sensação boa de ter feito algo, ou o arrependimento de não ter feito. Ou a sensação boa de não ter escolhido algo, ou o arrependimento de ter escolhido. Perguntas que passam como a fumaça do transporte coletivo.
De óculos escuros, ninguém adivinhará o que meus olhos transbordam a querer dizer. Como um disfarce, me esquivo de alguns cumprimentos com pessoas que pouco conheço e, quando considero válido, realizo a referência de tirá-los e os concedo uma saudação e, talvez, um curto papo.
No fim de minha jornada, com a lua coberta ainda por nuvens, como se escondesse também em cortinas ou persianas naturais, ouço a voz e a simplicidade de Wander Wildner pelos fones de ouvido. "Eles não dizem adeus. Eles não dizem adeus. Os índios dizem até o outro sol. E que os deuses te acompanhem."
| Foto: Henrique König |
17/07/2015
O Carma e a Cruz
O carma e a cruz
A arma engatilhada
A luz no fim do túnel
Foi apagada antes do fim
Foi assim e sobrou nada
O carma e a cruz
A alma se seduz ao nada
Ao que ninguém sabe
Mas antes isso do que ficar parada
O carma e a cruz
Babylon by bus
Sarna na alma
Vasta andança sem luz
Escrito em 15 de julho de 2015
| Foto: Henrique König |
15/07/2015
C'est la vie
A vida de constante insatisfação
Sabemos que muito é possível
Mas só é possível com abdicação
Uma escolha anula a outra
A vida de constante insatisfação
Estruturas que nunca mudam
Decisão que não nos cabe
Resposta que jamais se sabe
Roupa, razão, paixão que não coube
E não nos soube aceitar
Sabemos que muito é possível
Mas só é possível com abdicação
Uma escolha anula a outra
A vida de constante insatisfação
Estruturas que nunca mudam
Decisão que não nos cabe
Resposta que jamais se sabe
Roupa, razão, paixão que não coube
E não nos soube aceitar
| Foto: Henrique König |
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