Foi em outubro de 1935. A Itália, assombrada e assombrando pelo crescimento do fascismo, havia vencido a Copa do Mundo do ano anterior, a segunda realizada na história. Naquele ano de 35, nascia o cantor Elvis Presley em East Tupelo, Estados Unidos. Em Portugal, ocorreu o parto de Antonio Ramalho Eanes, futuro militarista e primeiro presidente democraticamente eleito após a ditadura no país. A Alemanha já começava as corridas com o malévolo Adolf Hitler, já naturalizado alemão. No Brasil, era período da Era Vargas, no regime chamado de Governo Constitucionalista. E, no estado de Vargas, as equipes preparavam-se para a disputa do 15º Campeonato Gaúcho.
O Grêmio Atlético 9º Regimento, campeão invicto da região denominada litoral, foi a Porto Alegre para disputar o estadual da temporada em que comemorava-se o centenário da Revolução Farroupilha. Pela frente, adversários respeitáveis e poderosos. Logo de cara, o campeão do noroeste, o Novo Hamburgo.
O 9º Regimento só havia participado de um Gauchão, o de 1934. Após vencer o Riograndense de Cruz Alta, foi descaradamente prejudicado pela arbitragem em Porto Alegre, na final contra o Internacional e acabou vice. Os pelotenses prometeram voltar no ano seguinte e sair com a taça.
A corrida pelo título na capital começou no dia 17 de outubro de 1935. 9º Regimento e Novo Hamburgo, pela fase semifinal, pelearam em duelo de início às 16h10, no estádio dos Eucaliptos, sede da primeira Copa do Mundo no Brasil, em 1950. O árbitro foi Valter Leal.
9º Regimento: Brandão; Jorge e Chico Fuleiro; Ruy, Itararé e Celistro; Coruja, Birilão, Cerrito, Cardeal e Bichinho.
Novo Hamburgo: Olívio; Fogareiro e Magalhães; Vanzeto, Mena e Amantino; Nonô (Armando), Luiz, Oscar, Miguel (Mario) e Banana.
O Nóia começou melhor a partida. Só aos 25 minutos, o 9º Regimento chegou com muito perigo e Cerrito acertou a trave. Em seguida, aos 27, Bichinho, finalizador exímio, fez 1 a 0 aos militares pelotenses em cobrança de falta. Um minuto depois, o empate: Miguel igualou as coisas para o Novo Hamburgo, placar do primeiro tempo.
Na segunda metade nos Eucaliptos, o Fantasma começou melhor. Aos 8 de jogo, Magalhães derrubou Bichinho na grande área e o pênalti, na época escrito com Y, foi assinalado. O próprio Bichinho cobrou e botou o 9º em vantagem: 2 a 1.
Porém, o Novo Hamburgo, em sua quinta participação em Gauchões, foi valente. Empatou novamente com gol de cabeça de Banana, aos 17 minutos da etapa final.
Porém, a promessa feita após a injustiça da temporada anterior não poderia ser quebrada e Celistro, em um tiro de longe, recolocou o Fantasma na dianteira da partida: 3 a 2 aos pelotenses.
Em peleia violenta, alguns jogadores foram substituídos por saírem lesionados, única forma de permitir trocas nas escalações da época. Nos ataques finais do Novo Hamburgo, o goleiro Brandão, com braços de elástico, segurava de todas as maneiras.
Com a noite se aproximando, o cronometrista encerrou o jogo válido pela semifinal. Os torcedores do 9º Regimento invadiram o campo a comemorar a vaga na final. 3 a 2, com dois gols de Bichinho e um de Celistro.
A primeira cruzada da final estava marcada ao próximo dia 20, ali mesmo, em Porto Alegre. O adversário era nada mais e nada menos que o Grêmio Porto Alegrense, que já ostentava cinco taças na época, como maior campeão gaúcho na oportunidade. Na semi, o tricolor da capital havia feito 6 a 0 no Grêmio Santanense.
Apesar do nome do lado rival soar forte, nada que o exército do goleiro Brandão e do craque Cardeal pudesse temer. Contaremos como foram os jogos da disputa em melhor de três nos próximos capítulos.
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