20/10/2017

novos velhinhos

a gente sonha tanta coisa e de repente deveria ser como os velhinhos que sorriem ter um bingo pra jogar no domingo
ter um xadrez pra jogar na praça duas pernas duas sandálias pra driblar as calçadas falhadas e gastas
umas sacolas de feira uma cadeira de balanço e um cachimbo de madeira

19/10/2017

A day in a life

A day in a life, canção dos Beatles, música que atravessa, transcende décadas com as características imutáveis (de não mudarem e não permitirem o volume no mudo) do que se considera um clássico, seria trilha sonora emprestada ao nosso programa de rádio desta quinta-feira. Eu observei no roteiro que aparecia visualmente a todos que estavam escalados para disponibilizar informações e opiniões aos apenas ouvintes. Não houve tempo, porque o debate foi estendido pelo Campeonato Brasileiro da Série A, após o empate entre o líder Corinthians e o vice-líder Grêmio. Apenas Billie Jean, do Michael Jackson, ecoou pelas ondas do FM na primeira pausa do programa. A segunda pausa, portanto, foi definitiva para o encerramento da tarde de programação esportiva.

Caminhei algumas quadras no maior movimento transeunte de pedestres pelo centro na agradável companhia do comentarista Gustavo, mesmo nome de meu grande amigo dos últimos tempos. Ele seguiu rua abaixo em direção à sua parada de ônibus para o Fragata enquanto eu tinha longa caminhada de volta ao bairro Areal.

Vario um pouco meus trajetos, mas tenho minhas preferências em ruas. Shape of you, do cantor Ed Sheeran, parece a música mais tocada no oferecimento da indústria cultural em meus fones. Sintonizado pelas rádios que tocam as populares de cada época, essa canção tem sido uma constante. Absorvo algumas frases no que meu entendimento permite. Acredito que tenha bastantes traços de amor, assunto imortal, embora mutável (de mudar e de permitir o som mudo ao que não queremos ouvir).

Tenho 22 anos e praticamente no hablo inglés. Passo por um bar autodenominado como um bolicho, onde há sempre trabalhadores em seus fins de expediente, gente que deve estar a folhar classificados à procura de empregos nesses difíceis tempos. 36, se não me engano, é o número de novas demissões para o porto da cidade, um dos projetos que movimentava a economia local e novamente traz decepção aos antes empregados e estáveis trabalhadores. Não é um baque tão imenso quanto o ocorrido na cidade vizinha, Rio Grande, há alguns anos, mas mesmo assim desemprega pais de família, pessoas com poucas habilitações a novos cargos e batalhadoras desses cotidianos severos e insensíveis.

Passo pelo bolicho. Cervejas conhecidíssimas pelo populismo e preço barato. Ou populares exatamente pelo preço barato. Uma criança sai correndo de dentro do estabelecimento. Filha de um deles, provavelmente. Sigo pela mesma rua, quadra adiante. Estacionamento disputado, vagas acirradas e limitadas para uma padaria bem quista. Segurança de esquina em olhar atento. Tentar parecer gentil com esses profissionais não é promessa de reciprocidade. Trabalham para não sorrirem. É o contrário de animadores de plateia, humoristas, atores de comédia. Nenhum sorriso. Ao menos que o sujeito vá e volte àquela padaria umas 82 vezes. Em número menor aos mais simpáticos. Em número maior para mim e alguns outros.

Adiante, há um restaurante que parece bastante acolhedor. Há sempre pessoas jovens e bonitas. Se há alguém entre o espaço da calçada e após a parede de vidro, é gente jovem e bonita. Nunca estive lá. Me imagino não indo. Me imagino não levando colegiais. Imagino as colegiais falando de garotos. Com seus trabalhos escolares pouco interessantes, dentro das mochilas escolares e aguardando para serem feitos. A idade média dos frequentadores do restaurante que nunca parei para ler o nome não deve ultrapassar os 20 anos. Como varia os horários que eu ali passo, existe a variação de gente almoçando tarde, tomando café vespertino ou degustando aperitivos antes da hora dedicada à janta. Em comum, independente do horário, o sentimento de que não me imagino ali.

Em outra crônica, contei sobre a academia que fechou e virou uma esmaltaria. Transformações do espaço urbano. Livrarias fechadas. Estacionamentos que tomam conta do que eram prédios tombados. Quanto menor o movimento nas ruas que direcionam ao meu bairro e a meu ponto final (em chegar em casa e desta crônica), todo mundo, de longe, é um potencial bandido. Quase me desculpo com alguns que eu possa ter encarado e mantido a dúvida por mais tempo. Será que desconfiam que eu desconfio? Há muita desconfiança. Transformações do espaço hormonal. Já passou, este não é um meliante. Mas e aquele próximo?

18/10/2017

Just Do It

você precisa brincar com as outras crianças
você precisa respeitar essas regras

você precisa cumprimentar essas pessoas
você precisa estudar esse estudo
você precisa se importar com essa importância
você precisa trabalhar seu trabalho
você precisa transar com outras pessoas
você precisa arranjar uma pessoa
você precisa voltar nessa fila
no mesmo dia do próximo mês
você precisa gozar
a vida
você precisa fazê-la gozar
a vida
você precisa juntar
o que conseguir
você precisa guardar
ali
você precisa morrer
antes da sua antena
desconectar
de vez

Sanduíche de nada

com fome na madrugada
isso é um problema
preciso:
de uma torrada
mas faço:
um poema

16/10/2017

Outubro

Outubro me reserva
Meus momentos titulares
Minhas lembranças ímpares
Com meus pares
Números primos
Com novos familiares

Lead

Quem morre?
Quando morre?
Morre onde?
Quem ouve
Essas perguntas
Será que socorre?
Será que responde?

Boca de Valores

Minha vida valorizou
Na bolsa de valores
Sabores que eles não entendem
Sentimentos e amores que vendem
Em sonhos capitalistas
E eu, partidarista
De ser parte ao teu lado
Esquenta meu mercado
Contra esta guerra fria
Fomenta meus indicadores sociais
E sobretudo a inestimável poesia

Poemas Órfãos

Poemas órfãos
Que eu, Pai Criador
Não os quis
Não os anotei
E os esqueci

† ✪

Onde morre um poema
Há uma nascente
De um novo esquema
De água corrente

Trincheira

Rasteja
Mas esteja
Onde hás de estar
Hasteia
Nossa bandeira
À altura
Que o mastro chegar
Trincheira
Trincheira
Trincheira
Às vezes
É o único lugar

O Canto do Castelo

Torre no canto do castelo
Ocorre um canto
Tua voz a trazê-lo
Raio de luz da garganta
Quando canta teus versos
Mais sinceros
Revelando universos
Antes imersos

12/10/2017

A vitrine

A vitrine
Comprime o mercado
Em recortes marcados
No espaço sublime
Propagandas
Donas do mundo
Segundo elas
Em 30 segundos
Outdoors
Confiantes
Cupidos no coração
Dos viajantes
Manequins
Vivos
Se forem precisos
Para esse fim

Milongas

Uma milonga
Que encurta distâncias
Entre a estância
E uma noite longa
__________________

Entre a sonda e a estação
Entre a bomba e o coração

11/10/2017

Fruto de vosso ventre outubro

Outubro
Bendito é o fruto
De vosso ventre
Entre todas as mulheres
A que eu quero
E tu me queres
Mais lindos nossos
Amanheceres

Outubro
Aceito estar preso
No teu muro
No teu tubo
Se me deres
Vosso fruto
Bendito entre todos os seres
Prazer em te conhecer
Prazer em me conheceres
Pra ser o melhor
Dos seres que eu posso ser

O enrosco na catraca

A revista é completa
Da capa à contracapa
Contra-ataca
Contra nós
A revista que me faço
No epílogo de um dia
E do próximo o prefácio
Nada fácil
Nada fácil
Passar pela catraca
De mais um amanhecer
Amanhã ser diferente
Para estar sempre a viver
O enrosco na catraca
Contra-ataca
Contra nós
Mal arrumo um descanso
A voz em tom nada manso
Indica a etapa
Que é meu ponto de descer

Poema da Insônia

Devia estar a dormir
Ao invés de revistar
O que consegui
Nesse dia em seu findar
Não consegui sair
Dessa revista particular
Dessa fase protocular
A me aturdir
Tumultuar
O ser que mora aqui
Que ainda está
A se virar e sacudir
Ao invés de dormir

SPa de aves

Mercado
Meca do Doria
Serra, o trabalhador
Serra a vírgula da frase anterior
Alckimin
Ao que mintas
E tu acreditas

Perdi tempo pensando em título

O Tempo
Sempre atento
A cada segundo
Gerúndio
Correndo
Às vezes
Disfarçado
Se esgueirando
Feito um gato
Silencioso
Pragmático
Ceifador
Assassinato

Dia adia

Tic tac
Tic tac
Dia adia
Dia adia
Dia adia
Um dia
Acabou a espera
Conseguiu?
Um lugar
Embaixo da terra

O pop é pop

Desconstruo frases que não gosto
Que agora são ghost
Horóscopo
Oração do copo
O papa é copo
O pop é oco
Ocupado no topo

Reggae Linhas

Todas as linhas estão
Escrevendo saudades em vão
Tô cansado de esperar
Que você recarregue
Cansado de esperar
Você
Meu car
Reggae

Pílula

Entreguei minha poesia
Pílula de cada dia
Na língua do povo
Reclamam do verso traçado
Muito grande ou complicado
Refaço a pílula da poesia
Sem a firula que eu faria
Sem contraindicação
Todo mundo se sacia
Tão pequena na tua mão
Mas cuidado que vicia

03/10/2017

Põe & Siga

Nem toda poesia é enigma
Não é inimiga
Quando falta entendimento
Usa teu conhecimento
Experimentos de vida
Complemento à poesia
Encontre uma saída
Esprema o néctar
Pra que ela te diga
As palavras certas
Que te façam companhia

02/10/2017

Setembro em Imagens

Foto: Henrique König
Foto: Henrique König

Foto: Henrique König

Foto: Henrique König

Foto: Henrique König

Foto: Henrique König

Foto: Henrique König

Foto: Henrique König

Foto: Henrique König

Foto: Henrique König

Foto: Henrique König

Foto: Henrique König
Foto: Henrique König

A Razão da Ração

Em maio, recebemos a ilustre visita em nossas vidas da gata mais tarde chamada de Mel. Melissa, Melanye, Mercury. Mel. Ela com seus tons tigrados, cinzentos, manchados, por vezes, conforme suas mudanças, arruivado ou alaranjado. Mel - que é o seu som emitido de forma espaçada em diferentes intervalos de tempo e significados que nem sempre nos cabem entendimento. Geralmente por comida ou companhia. Extremamente dócil. Deixa o chamado adjetivo arisco - adjetivo exclusivo aos felinos - para outros. Nem por descuido pode ser utilizado com ela.

Bastante sociável ao que se acostumou a todos os membros da família, sobretudo após sua cirurgia de castração. O momento mais difícil e delicado destes meses todos, pois, além do que consideram um procedimento simples de pequeno corte, Mel estava grávida de filhotes, que tiveram o processo abortivo.

A ideia inicial não era tecer linhas especificamente sobre Mel e seus comportamentos e principais características. Ao que o navegar do ritmo que tomou o texto me obriga a citar suas peculiaridades e surpreendentes artimanhas, quando, em menos de um minuto de descuido, adentrou ao quarto de minha mãe e passou a afiar as unhas no sofá. Em outro momento, aproveitou o estreito espaço de uma fresta na janela de acesso à lavanderia e saltou para dentro do local onde estão guardadas suas rações. Para completar a sequência, toda ocorrida após sua castração, Mel conseguiu subir em uma de nossas árvores com o objetivo de caçar pombas. Pensava eu que só teria chance quando as pequenas aves estivessem no chão, mas nos surpreendeu com tamanha destreza e agilidade, como os gatos costumam superar qualquer subestimação de suas capacidades.

Enfim, a ração. É verdade, a ração. Foi minha ideia inicial destrinchar um pouco do debate acerca da comida que está entre suas favoritas e, nos últimos tempos, como a mais constante presença nas refeições. Como o produto industrial agradou Mel desde seu primeiro contato com ele, minha mãe acreditou que Melissa tinha donos anteriores, os quais a alimentavam com ração. Porém, entretanto, todavia, um pouco possessivo de minha parte em pensar que adotamos essa menina de rua e agora a confortamos com lares estendidos e comida de qualidade. Defendo que o produto industrial da ração imite tão bem os aromas, gostos e densidades das comidas naturais que o animal sente-se sem alternativas, a não ser a escolhida por Mel: comer de bom grado, contente que um único alimento una tantas características que ela considera cruciais para definir seu apreço.

Mel come a ração na quantidade que lhe for apresentada e possível. Limpa a travessa de isopor com mais agilidade do que quando se trata de outros alimentos, os naturais. Não gosta muito de linguiça, aceita galinha e mantém a fama dos gatos de adonarem-se de frutos do mar quando servidos.

Enfim, Mel é das grandes alegrias que 2017 me trouxe. E, no fim das contas, mais agradável falar de seus hábitos e sua importância em nos entretermos, eu a ela, ela comigo, do que comentar do poder da indústria, não é mesmo?


Maior Presente

não precisa do que eu tenho
mas eu quero lhe agradar
como eu fazia um desenho
na infância para algum familiar
datas comerciais, presentes
ausências compensadas
entulhos, embrulhos
doar o que se pode
o tempo, sempre o tempo
ainda é o maior
gift to the god

01/10/2017

tudo minúsculo

às vezes é bonito escrever tudo minúsculo
sem letras querendo ser maior do que as outras nem o r do rei nem o s da seleção nem o p do país
nem o r da religião

29/09/2017

People Are Strange


Quem Sabe?

Acordei nesse dia sem vontade de fazer coisas. Mas as ideias vieram e os textos suplicaram e imploraram ao máximo para serem escritos. Atendi-os, no fim das contas. Várias pautas me trouxeram até aqui.

Começo com uma história abreviada nas linhas que seguem. Uma casa ao lado da nossa sempre nos trouxe problemas. Nunca houve bons vizinhos. Desde as crianças mal-educadas que chegaram ao status através da mãe mal-educada, passando pelos ouvintes dos piores sertanejos possíveis após o horário de almoço até o que colocava uma máquina barulhenta que processava sabe-se lá o que nos fundos do terreno deles, fazendo com que a bugiganga funcionasse em plena madrugada. Enfim, os melhores anos de vizinhança eram com a ausência dela. O último dos ocupantes é o tema desse breve relato.

Soube-se que o senhor alto e dentro do possível esbelto era policial. Parece bom, não é mesmo? Mas pelo contrário. Ter um policial de vizinho impede que você chame a polícia em caso de erros dele. Ter um policial corrupto como vizinho decorre outras situações ainda mais desconfiantes e conflituosas.

O sujeito de meia idade está com a segunda esposa. Um filho adolescente o visitava de quando em vez. Um menor foi fruto deste segundo e vigente casamento em andamento. O garoto é uma criança, pelo incrível que pareça, mais educada pelo pai do que pela mãe. A mais nova senhora, mãe de primeira viagem e bastante mais jovem que seu cônjuge, talvez pense que seu atual matrimônio a torne dona da quadra ou autoridade elevada, a julgar pelo tom de voz e pela forma como trata as pessoas. Não pelo acaso, as formas de tratamento recaem sobre o comportamento do pequeno. Na escola infantil, sabe-se que é mau com as demais crianças e apronta das mais diversas formas por seu prevalecimento por ser um dos maiores.

Talvez pela experiência do filho anterior, o policial até é mais atencioso em relação ao caso do menino. Se pode receber a gratificação como bom pai, não é por isso que se exime de problemas do lado profissional e das carreiras alternativas. Através de contrabandos foi interceptado certa vez e a cana com os federais o deixou preso alguns meses. Apesar da volta para casa, não necessariamente serviu para afastar-se de atividades suspeitas. Pelas madrugadas no bairro, ouve-se vir e partir um carro em horário o tanto quanto curioso. Quando a avenida de acesso às casas não recebe mais do que moradores de rua - sejam cães ou humanos - o veículo encosta e não demora muito em sua ação sorrateira. A cena, audível a nós, se escuta em várias madrugadas durante a semana.

Questionamentos que ficam de como lidar com essa gente. Ao que parece, somente com o mais perfeito silêncio, quebrado em raras fofocas familiares e nesse breve texto. Assim permanecemos. Um exemplo claro de como instituições que deveriam primar pela segurança atuam de forma diferente por baixo dos panos, por trás das cortinas.

Um exemplo claro de que a corrupção atua nos mais diversos setores. Para onde vão as drogas apreendidas pela polícia? E as que são liberadas a vistas grossas pela polícia? E as que os policiais estão dentro dos esquemas? E as polícias, além de tudo, podem ajudar a escoar, a vender a mercadoria? Por que somente laranjas costumam ser presos? A polícia não tem acesso aos grandes detentores das mercadorias? Ou a polícia não quer acabar com os graúdos? Por que no Rio de Janeiro a polícia prefere subir os morros ao invés de combater a origem dos produtos? Nas fazendas e na entrada do país pelas fronteiras. Por que muitos brasileiros pensam que a corrupção se restringe aos políticos? E acreditam em intervenções de forças paramilitares? Por que estou me estendendo? Creio que nos entendemos por hoje. Não estou trabalhando com um caso raro ou exceção à regra.


Nem tudo é o que parece (Foto Retirada do Site Startupi)

28/09/2017

4 da Manhã

4 horas da manhã
Que me contas?
Da solidã
Nem se dá conta
Que faltou uma letra
Uma palavra perneta
Mosca tonta
Palavra saci
Para saciar
Brincalhona
Para guardar
Sob uma lona
Novos significados
Diferentes desses
A que já estamos
Nosotros
Nos outros
Viciados

28 de Setembro

Madrugada
28 de setembro
Um poema para data
Das anteriores, nada lembro
Agora um novo marco
Uma nova marca
Um novo membro
Este poema aos próximos
28 de setembro

Íntimo

Solícito
Mapa celeste
Explícito
Campos do agreste
Íntimo
Interior das vestes
Íntimo
O íntimo se repete

Dor Me Ir

Não aproveito as horas a mais
Em que poderia dormir
Dor me ir
Fico em pesquisas estranhas
Como a última
Para descobrir o formato
Da flor de lis
Qual a ordem das cores
Do arco-íris
Qual a fórmula para ser feliz
Quando não sei pra onde ires

25/09/2017

Seca

Seca
Seca a horta
Seca aorta
Nem sangue
Nem vinho
Nem verde
Nem volta
Sem vida
Só morta

Lei Seca

Cerveja o que Deus quiser
Silêncio aí, menino
Cálice
Cálice
Nem um Pilsen

Palavras-Chave

Hora de escolher
As palavras-chave
Que abrem
Portas
Naves
Clãs
Claves
Asas
Aves
Fãs
Fases
Amanhãs
Pazes
Avelãs
Nozes
Poses
Quases
Palavras Mães
Palavras Pais
Pais agem
Paisagem

Versar-Lhes

Tratar de Versar-lhes
A vida
Mostrar-lhes
As feridas
Enfermeiras
Medicinas
Ares
Veraneios
Seios
Pares
Pare-
Cidos
Bares
Meios
Meio
Cheios
Meio
Vazios
Versos
Frios
Quentes
Pra quem
Os vestiu

Com Versar

Não sou pedido
E nem peço
Nou sou medido
E nem meço
Não sou ouvido
Então verso

15/09/2017

Nece-Cidades

A cidade e as transformações que provoca na gente. A cidade e as transformações provocadas nela mesma. Como não estranhar uma cidade em que você não visita há duas décadas? Como não estranhar voltar à cidade natal após morar em outras? Como não estranhar o bar que já não está mais ali, o desvio no sentido de uma das ruas principais, o prédio demolido para virar estacionamento?

Sem dúvidas, entre mudanças mais sutis estão casas noturnas que trocam de dono e, portanto, de decoração ou de estilo, mais radicalmente. Estão as sutis trocas de comércios nos aluguéis de determinado espaço. Voltando para casa, esses dias, me deparei com uma academia que certa vez fui com um amigo para perguntarmos preços e tirarmos dúvidas para comparar com outras, em um projeto que jamais coloquei em prática e não me arrependo. Porém, a academia não estava mais lá. À minha direita, pela calçada, o espaço abrigava agora uma loja de esmaltes. Bastante distinção ao que era antes, mas no mesmo lugar.

Mais sutis ainda são as mudanças de proprietários desses imóveis. Quem não pode mais arcar com o aluguel, ou se mudou de cidade ao concluir a faculdade. Ou se mudou de cidade ao conseguir um emprego melhor em outra. As casas trocam de dono. Pela Almirante Barroso, Helena não está mais lá, nem Katiuce. O mais alto andar do pequeno prédio verde (enquanto essa for a cor) de esquina possui outros donos. O interior não deve estar mais laranja ou talvez tenha sido mantido, minha visão não alcança olhando ali debaixo, tentando espiar por entre as grades e persianas. Havia decoração com discos de vinil na parede. Artistas diferentes do gosto dos habitantes, mas que davam um ar jovial e realmente decorativo ao apartamento. Harry e Molly, os gatos, não saltitam mais entre os móveis ou se esgueiram pelo chão de forma silenciosa.

Mais sutil do que Harry e Molly talvez a mudança de quem paga o quarto no hotel. Ou no motel. A circulação de pessoas é intensa. Visitantes, turistas, pessoas que encontram parentes, pessoas que encontram amantes, pessoas a congresso, pessoas pelo futebol, pessoas pelo artista que não vai até elas e elas vêm e veem. A cidade se desenha. Quanto melhor a vista, maior noção da cidade. Dos prédios vizinhos, dos carros no asfalto, do circular dos pedestres. Dos apressados, dos frágeis idosos, dos cães de rua.

A cidade e suas sutilezas. A cidade que engole e é engolida. A cidade que devora e é devorada. A cidade que transforma e é transformada.

11/09/2017


Riding The Bus With Myself

Preguiça de começar o texto. Quem nunca? Quem sempre? Quem de vez em quando? Sim, sim, de vez em quando. Vida dividida em blocos. Hora da reunião atual com os tutores, como ocorreu para Beth no livro No Ônibus com Minha Irmã (Riding The Bus With My Sister, da escritora Rachel Simon). Prognóstico, crescimentos, evoluções, involuções? Metas, estimativas, onde estou, como estou e pegando o ônibus para onde?

Foi uma transição entre os aniversários interessante. Bom contar com essa palavra - interessante. Gosto de ter o que contar. Mesmo nas quedas das cascatas da rotina surgem casos, há análises, há sentimentos, há o que contar. Há menu. Há escolhas. Há plantações e colhas.

Estou mais presente no rádio. Tenho assumido a narração dos jogos na Federal. Minha parte técnica tão deficitária contou com alguns aprendizados. Participo quase que diariamente na Rádio Cultura com informações do literal mundo dos esportes e com opiniões transmitidas nas terças, por minha escolha. O ano dos times pelotenses não é o que se chama agradável. Pelotas e Farroupilha bastante abaixo.

O Grêmio trouxe a Copa do Brasil no final de 2016 para dias marcantes na minha vida. Sonho repetir esses grandes momentos de euforia. Por causa disso, trago lembranças inesquecíveis. Trago histórias. Escrevi dois livros. Um a ser chamado de TCC, mas que consideraria a leitura interessante [olha ela aí, a palavra] para todos que acompanham futebol. É muita gente, né? Bom pedaço do mundo.

Mundo. É, tenho me inserido menos nos velhos sonhos de grandes transformações sociais. Tenho focado mais na minha vida, embora tenha parado completamente com os tratamentos psicológicos. Continuo me monitorando. A política atual ajuda na desilusão de coisas maiores. Mas tenho procurado me virar e projetar algo profissionalmente, mesmo devagar, compreendo.

Devo nada a alguém. Meu déficit familiar pela criação a que tive oportunidade e espero dar algumas respostas, embora tantas dificuldades com a exaustão que a maioria dos encontros sociais me causam. Com os percalços em driblar minhas limitações. Vamos tentar ser melhores no próximo bloco. A seguir, virando a esquina, folhando a página, raiando o sol, atravessando o rio, devorando o asfalto, caminhando sobre folhas mortas, olhando para os lados, para não ser atropelado.

A cidade piorou mais do que eu imaginaria. Eu melhorei menos do que eu queria. A escrita vem comigo. Li mais do que em todos os outros anos. E sigo a ler. Grandes autores, para entender um pouco de seus mundos, seus contextos, suas deixas, suas pistas, suas pegadas. Interpretando atravessado pela minha posição nisso tudo. Geográfica, criação, filosófica, cotidiano de troca de experiências. Sigamos! Ciganos? Se enganos? Sigamos. (...)

07/09/2017

O agosto mais rápido da história em Imagens - Fotos: Henrique König

Por do sol (Foto: Henrique König)

Avenida São Francisco de Paula (Foto: Henrique König)

Areal (Foto: Henrique König)

Areal (Foto: Henrique König)

Grande Hotel, Pelotas. (Foto: Henrique König)

Praça Coronel Pedro Osório (Foto: Henrique König)

Pelotas (Foto: Henrique König)

(Foto: Henrique König)

Flores (Foto: Henrique König)

(Foto: Henrique König)

(Foto: Henrique König)

(Foto: Henrique König)

(Foto: Henrique König)

(Foto: Henrique König)

Santa Terezinha (Foto: Henrique König)

Rural (Foto: Henrique König)

Urbano (Foto: Henrique König)