é mais comum para mim o anoitecer
teia que captura minha sanidade
todos com pressa para chegar em casa
eu com ânsia de sair do ser
táxis nervosos: sabem que vão correr
ônibus monótonos: itinerário a cumprir
corredores, placas e pausas:
uns subir e outros descer
motoboys e seus faróis
rasgam o trânsito entravado
deitam nas curvas, capas de chuva
asfalto quente no ar gelado
vendedores ambulantes se recolhem
itens que eles próprios não escolhem
há sempre o que vender amanhã
um bilhete, um sonho, um divã, um chaveiro
um devaneio: é inteiro, moço, ou é meio?
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