o astro-rei brilha sempre
sol, só e solteiro
brilha o dia inteiro
se não aqui, do outro lado
de janeiro a janeiro
o astro-rei que é lei
sempre trouxe a vida
mas agora abrevia
mais perto da morte
rompendo a camada
que era suporte
um sol para cada
quem é que dá conta?
da antártida até
a outra ponta
aquecimento global
sobe o litoral
pescador, malabarismo
fauna e floral
camada de ozônio
alívio do outono
após o verão
outorga outra lei
tu que sabe na tua sala
com ar condicionado
enquanto as queimadas
cortam de fumaça
outra madrugada
cortinas de mata extintas
cortinas de fumaça
nas façanhas do governo
entranhas do medo
natural é o preconceito
científico não aceito
vai no achômetro
que a Terra é plana
porque é um planeta
que a vida é insana
com tantas bestas
à solta
antas, vidas santas e mitos
cantam a esperança
na boca do conflito
evitam maior atrito
que faz sair mais fogo
é fácil negar o preconceito
sem olhar o outro
vários e vários preceitos
em nome do sufoco
direitos trabalhistas
se vão numa lista
sabemos em nome de quem
deixam muitas pistas
aroma de morte
o capital borrifa
ajoelham às cortes
tentando vender rifa
bala de goma e malabares
na beira das pistas
praia corcunda empurrando carrinho
rinha de galo de quem vende o milho
os ricos nem nas praias
saem de jatinho
saem de fininho sem sair nos jornais
dias e dias que não aguento mais
mas um dia veremos alguns de seus
finais
finados nos confins
por outras classes sociais
enfim a paz
em nossos avais
e anais de evento
e um astro-rei no seio
de cada um guerreiro no meio
e além de uma chama por dentro
o cetro destruído
o povo unido, digno, aquecido
pelo único rei que é astro
lá de cima fiscaliza
os aqui de baixo
na baliza da vida
no facho da luz
o fascismo seduz
mas vai virar medusa
um a um contra o espelho
de meia em meia dúzia
até a última nota
da última música
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