resiliência é a questão
que evita eu me jogar da ponte
tenho que estar atento
para que eu não apronte
falo um monte de besteira
mas também escrevo um monte
conte logo seus problemas
meu ouvido é um horizonte
aquilo que vou ouvindo
as linhas já vão fluindo
liga tipo vinho tinto
as telas que eu já pinto
são elas o meu trabalho
eu não sei o quanto eu valho
nesse jogo de quantificar
quantos ficam por aqui
quantos do lado de lá?
oportunidade a definir
o que vai nos separar
penso nos que ficam aqui
e penso nos que ficam lá
vezesimporta atravessar
fazer a ponte e unir
na transparência de quem não esconde
de quem usa o tempo e mostra onde
o lobby não é meu hobby
vez em quando ouço um reggae
vez em quando ouço um bob
às vezes robert plant
também tá com a gente
nesse zeppelin cruzando o céu
sobrevoa o hell
enquanto passa rola a caça
e as ideias que vão no papel
velocidade cinco, velocidade seis
troca a marcha
não se entrega de graça
antes de fim do mês
velocidade cinco, velocidade seis
segura as ponta, parça
me diz o que tu acha
não vou bolar sozinho
preciso de vocês
velocidade cinco, velocidade seis
troca a marcha
não se entrega de graça
antes de fim do mês
velocidade cinco, velocidade seis
segura as ponta, parça
me diz o que tu acha
não vou bolar sozinho
preciso de vocês
firmezinho
estilo vinho
fluindo e abrindo o caminho
no que há de melhor no português
rimas, métricas adeptas
com as leis ou sem
adaptando as técnicas
na tática e na estética
nas ideias sabáticas
que deram um tempo
e foram passear
e o importante é sair do lugar
entender o outro lado
pra fundamentar
e o resultado está, está más alla
Galeano mandou
então vou caminhar
velocidade cinco, velocidade seis
troca a marcha
não se entrega de graça
antes de fim do mês
velocidade cinco, velocidade seis
segura as ponta, parça
me diz o que tu acha
não vou bolar sozinho
preciso de vocês
velocidade cinco, velocidade seis
troca a marcha
não se entrega de graça
antes de fim do mês
velocidade cinco, velocidade seis
segura as ponta, parça
me diz o que tu acha
não vou bolar sozinho
preciso de vocês
03/10/2019
02/10/2019
gritava
às vezes o poeta trava
a caneta acaba a tinta
não minta pois acontece
agora só escrevo a lápis
não grito mais com caps
gritava
uma vida finita envelhece
a caneta acaba a tinta
não minta pois acontece
agora só escrevo a lápis
não grito mais com caps
gritava
uma vida finita envelhece
in-edito
tudo é inédito
e assustador
essa dor eu já senti
por outro amor
como que salva
o trauma na alma
do jeito que ficou?
e assustador
essa dor eu já senti
por outro amor
como que salva
o trauma na alma
do jeito que ficou?
se for fevereiro II
será que até o inferno
e o céu são passageiros?
ou nós que somos nesse ônibus
ônus na estação final
desembarque e tchau
e o céu são passageiros?
ou nós que somos nesse ônibus
ônus na estação final
desembarque e tchau
se for fevereiro
será que até o céu
e o inferno são passageiros?
levo o chapéu se for frio
e o deixo se for fevereiro
e o inferno são passageiros?
levo o chapéu se for frio
e o deixo se for fevereiro
tudo tão efêmero
tudo é tão efêmero
tudo é tão breve
me doe esse momento [eterno]
para que não me doa o tormento
enquanto o vento da efemeridade
não me leve [ao inferno]
tudo é tão breve
me doe esse momento [eterno]
para que não me doa o tormento
enquanto o vento da efemeridade
não me leve [ao inferno]
30/09/2019
cobertor de sonhos
primeiro sonhar
depois dormir
com meus sonhos me cubro
quando acordar
será-me outubro
depois dormir
com meus sonhos me cubro
quando acordar
será-me outubro
24/09/2019
seu relevo é o que me vale
professora, bem comecei a fazer os exercícios
mas redentora tanta coisa apareceu para ouvir os meus suplícios
depositada mais uma moeda na minha caixa de vícios
devassos amordaçados escondidos bem debaixo de tantos artifícios
tanta coisa melhorrrr do que fonéticaaaa poder ver e admirar toda a sua estéticaaaa tanta coisa melhorrrr do que estudar fonologiaaaa seus relevos, curvas e toda a geografiaaaaa seus relevos planaltos são o que me valeeeee deixa eu te estudar e te acompanhar-teeeee
tanta coisa melhorrrr do que fonéticaaaa poder ver e admirar toda a sua estéticaaaa tanta coisa melhorrrr do que estudar fonologiaaaa seus relevos, curvas e toda a geografiaaaaa seus relevos planaltos são o que me valeeeee deixa eu te estudar e te acompanhar-teeeee
23/09/2019
gol de bico
fazer aqui minhas rimas pobres
como fazer o gol de bico
pode ser algo até mais nobre
que beijar o distintivo
20/09/2019
14/09/2019
larvas da salvação
por que não respondes logo?
por que tanto demoras?
serão assuntos ufólogos
ou meros caprichos de vossa senhora?
por que não respondes logo?
qual sua distância para as palavras?
como larvas a se desenvolver
para depois sorvê-las sãs e salvas
ao desenrolar da lã
descobertas das camadas alvas
que venham no máximo até amanhã
ou antes de fugir minh'alma
por que tanto demoras?
serão assuntos ufólogos
ou meros caprichos de vossa senhora?
por que não respondes logo?
qual sua distância para as palavras?
como larvas a se desenvolver
para depois sorvê-las sãs e salvas
ao desenrolar da lã
descobertas das camadas alvas
que venham no máximo até amanhã
ou antes de fugir minh'alma
orações subordinadas
pessoas
orações subordinadas
muito desejosas
pouco desejadas
pedem cada uma
em suma
ao menos uma para cada
ao fim da fila
que se forma, que se una
com destino ao nada
orações subordinadas
muito desejosas
pouco desejadas
pedem cada uma
em suma
ao menos uma para cada
ao fim da fila
que se forma, que se una
com destino ao nada
atrevimento
como se atreve
a escrever poemas como seus relacionamentos
tão breves
em que mal se passam os primeiros beijos
e hereges
caem no esquecimento
a escrever poemas como seus relacionamentos
tão breves
em que mal se passam os primeiros beijos
e hereges
caem no esquecimento
07/09/2019
también tú eres
tô fazendo umas e outras
poesias
vamos lá, me desafia
qual a palavra que queres
ver se eu acerto a ortografia
um soletrando a teu mando
eu depois comando
e a caneta copia
qual tu queres, que tal mulheres
sublimes seres
que también tú eres
várias mentes intermitentes
ou dormentes
escondidas debaixo
de lustrosas peles
poesias
vamos lá, me desafia
qual a palavra que queres
ver se eu acerto a ortografia
um soletrando a teu mando
eu depois comando
e a caneta copia
qual tu queres, que tal mulheres
sublimes seres
que también tú eres
várias mentes intermitentes
ou dormentes
escondidas debaixo
de lustrosas peles
inhos nos ninhos
desculpa meu olhar
par de olhos que possam achar
superior
aqui do mezanino
mas é que não consigo mais ler
poemas que venham a ser
só rimas no infinitivo
ou quem sabe no diminutivo
prato tão pouco nutritivo
de inhos e inhos
a nuestros niños
par de olhos que possam achar
superior
aqui do mezanino
mas é que não consigo mais ler
poemas que venham a ser
só rimas no infinitivo
ou quem sabe no diminutivo
prato tão pouco nutritivo
de inhos e inhos
a nuestros niños
ilustre dúvida
será que ilustro o poema
com uma foto
ou ponho nada?
só o tempero
raro
e o desespero
e o despreparo
das palavras
com uma foto
ou ponho nada?
só o tempero
raro
e o desespero
e o despreparo
das palavras
depois termino
planejando nossa fuga
antes das últimas energias
que essa vida suga
antes que o tempo te desbote
e nos ponha rugas
antes que o suporte
não suporte
e o porte se derruba
logo de uma vez
e que seja a última
em jogar as malas
sem tanto tempo de arrumá-las
mas precisão súbita
se não saber onde ir
saber seres única
saber quais queres baixar
e quais aumentar a música
sincronia de nossa empatia
produzida tal qual siderúrgica
saber que não concordas total
com o filho da metalúrgica
mas saber que essa metalurgia
uma luz que irradia
o país essa balbúrdia
e seria tão melhor nele a faixa
e tão melhor escutar nossos sons
quando a música baixa
e tão melhor contigo nessa estrada
essa faixa
esse chão que se vai ao trocar as marchas
ao tocar no rádio as marchas de nosso destino
ao tocar de sua mão
os dedos finos
ao passá-los pelos pelos
progredimos
perdi a concentração
depois termino
antes das últimas energias
que essa vida suga
antes que o tempo te desbote
e nos ponha rugas
antes que o suporte
não suporte
e o porte se derruba
logo de uma vez
e que seja a última
em jogar as malas
sem tanto tempo de arrumá-las
mas precisão súbita
se não saber onde ir
saber seres única
saber quais queres baixar
e quais aumentar a música
sincronia de nossa empatia
produzida tal qual siderúrgica
saber que não concordas total
com o filho da metalúrgica
mas saber que essa metalurgia
uma luz que irradia
o país essa balbúrdia
e seria tão melhor nele a faixa
e tão melhor escutar nossos sons
quando a música baixa
e tão melhor contigo nessa estrada
essa faixa
esse chão que se vai ao trocar as marchas
ao tocar no rádio as marchas de nosso destino
ao tocar de sua mão
os dedos finos
ao passá-los pelos pelos
progredimos
perdi a concentração
depois termino
05/09/2019
aqui-ali
nossa cela é maior mas também tem limite
o pobre não chega a aeroporto
o tempo escorre aquiali, pertence a elite
o tempo ao vivo se vai sempre programa piloto
ratos saíram aquiali
ainda pertencem ao esgoto
o limite da aberração deles só palpite
não conheço limite mais torto
trânsito vai carronibus cortando a frente do sentido audição a postos eficiente transe vai metódicos aplicativos, comprimidos, titanics antitetânicos nanicos mecânicos da própria vida nervosos
vou entregar até minha última palavra no desarme da posse operação policial pra ver quem mais tosse entregar meu distintivo sobre a mesa espremer até o último suco no meu último súbito do coração à mente nenhum bendito ao fruto que digam em reza faço em troca de: nada
trânsito vai carronibus cortando a frente do sentido audição a postos eficiente transe vai metódicos aplicativos, comprimidos, titanics antitetânicos nanicos mecânicos da própria vida nervosos
vou entregar até minha última palavra no desarme da posse operação policial pra ver quem mais tosse entregar meu distintivo sobre a mesa espremer até o último suco no meu último súbito do coração à mente nenhum bendito ao fruto que digam em reza faço em troca de: nada
outra cerveja
sua enquete tá quente
igual você: 200 graus
que tal, eu e você e charlie brown
ideias da minha empresa júnior
que existe dentro da minha mente
que tal, eu e você e não repete o esquema
troco de lado a troco de nada
a gente não repete a cena
eu leblon, você ipanema
eu LeBron, você Dwyane Wade na bandeja
eu na bandeja para o seu café
atrapalhado mas com fé
nesses confetes e enfeites
para outros fetiches
me deixe
fazer parte e viajar
minha mente flutua é barco
pra lá e pra cá
mas sabe sempre o lado e pra quem
tem que flutuar
e na base o mic
a renda per capita na capa da gaita
mas que baita
sacada se você é a vista
a visita a meu coração aqui produtor
pode entrar e abrir a geladeira
também não se importar o pé em cima da cadeira
se tiver frio jogo uma lenha ou outra pra dentro da lareira
ou pra esquentar atenta
a chama encosta toda exposta
toda tocha e o revezamento é seu
passe a si mesma, passe por cima
passe por baixo, com certeza
sinta toda, vinde a toda, vibra toda natureza
por mais uma, por mais outra e com certeza
depois disso um brinde ao finde
traz mais outra cerveja
igual você: 200 graus
que tal, eu e você e charlie brown
ideias da minha empresa júnior
que existe dentro da minha mente
que tal, eu e você e não repete o esquema
troco de lado a troco de nada
a gente não repete a cena
eu leblon, você ipanema
eu LeBron, você Dwyane Wade na bandeja
eu na bandeja para o seu café
atrapalhado mas com fé
nesses confetes e enfeites
para outros fetiches
me deixe
fazer parte e viajar
minha mente flutua é barco
pra lá e pra cá
mas sabe sempre o lado e pra quem
tem que flutuar
e na base o mic
a renda per capita na capa da gaita
mas que baita
sacada se você é a vista
a visita a meu coração aqui produtor
pode entrar e abrir a geladeira
também não se importar o pé em cima da cadeira
se tiver frio jogo uma lenha ou outra pra dentro da lareira
ou pra esquentar atenta
a chama encosta toda exposta
toda tocha e o revezamento é seu
passe a si mesma, passe por cima
passe por baixo, com certeza
sinta toda, vinde a toda, vibra toda natureza
por mais uma, por mais outra e com certeza
depois disso um brinde ao finde
traz mais outra cerveja
01/09/2019
os apetrechos
os apetrechos
o rap são trechos da minha vida
os trechos do meu rap
pra eles são a ferida
cê fala um monte de viagem
pergunta se eu tô ligado
é claro que eu não tô
vou fingir que tô
é claro que eu não concordo
que obina era melhor que eto'o
conectou?
o wifi da internet do campus
que fica lá naquele canto
comunidade ao lado quer trampo
com dificuldade ainda me levanto
os elemento por fora nem tão ruim
os meus problema de verdade tão dentro de mim
eu sei que é assim
cada um espadachim da sua luta
olha pro lado e vê quantos
e quantos tu escuta
interrogação nem vou marcar
que já vem outa pergunta
o assunto engolido a seco
e nem besunta
e depois vê no que isso tudo resulta
os apetrechos
o rap são trechos da minha vida
os trechos do meu rap
pra eles são a ferida
esse é o eixo
que traça a estrada da vida
estragando o trecho
daqueles que pra nada convida
o rap são trechos da minha vida
os trechos do meu rap
pra eles são a ferida
cê fala um monte de viagem
pergunta se eu tô ligado
é claro que eu não tô
vou fingir que tô
é claro que eu não concordo
que obina era melhor que eto'o
conectou?
o wifi da internet do campus
que fica lá naquele canto
comunidade ao lado quer trampo
com dificuldade ainda me levanto
os elemento por fora nem tão ruim
os meus problema de verdade tão dentro de mim
eu sei que é assim
cada um espadachim da sua luta
olha pro lado e vê quantos
e quantos tu escuta
interrogação nem vou marcar
que já vem outa pergunta
o assunto engolido a seco
e nem besunta
e depois vê no que isso tudo resulta
os apetrechos
o rap são trechos da minha vida
os trechos do meu rap
pra eles são a ferida
esse é o eixo
que traça a estrada da vida
estragando o trecho
daqueles que pra nada convida
o juiz que apita
meu chapa
eles não te querem aqui
eu vou te resumir
## rap trecho ## apetrecho ## rap trecho ##
eles querem que tu vá sumir
vá por aí, vá assumir outra posição
ou nenhuma aptidão, tanto faz
pra eles
mas pra nós, liberta tua voz
é mais do que as causas essenciais
vá lá e faz
e depois vá lá e faz mais
um-dois, um-dois-três
não deixa tua mente morrer assim 'aqui jaz'
aqui jaz eles, aqui já era
tá feito meu trabalho tua mente na labuta
não para, não dá trégua
não perca eles de distância nem por uma régua
muito menos légua
baixar cabeça pra nenhum filho da nova era
que é mais antiga e mais conserva do que aquela
mais atrita do que comunica
mais desconvida do que participa
eles impõe e o que tu contrapõe
não adianta nem que grita
a bola tá com eles e o juiz apita
vou chegar forte, desarmar, meter uma bica
o desafio é romper a bolha até as palafita
aí eu quero ver como que esse mito mita
eles não te querem aqui
eu vou te resumir
## rap trecho ## apetrecho ## rap trecho ##
eles querem que tu vá sumir
vá por aí, vá assumir outra posição
ou nenhuma aptidão, tanto faz
pra eles
mas pra nós, liberta tua voz
é mais do que as causas essenciais
vá lá e faz
e depois vá lá e faz mais
um-dois, um-dois-três
não deixa tua mente morrer assim 'aqui jaz'
aqui jaz eles, aqui já era
tá feito meu trabalho tua mente na labuta
não para, não dá trégua
não perca eles de distância nem por uma régua
muito menos légua
baixar cabeça pra nenhum filho da nova era
que é mais antiga e mais conserva do que aquela
mais atrita do que comunica
mais desconvida do que participa
eles impõe e o que tu contrapõe
não adianta nem que grita
a bola tá com eles e o juiz apita
vou chegar forte, desarmar, meter uma bica
o desafio é romper a bolha até as palafita
aí eu quero ver como que esse mito mita
casa vazia
sonhei uma casa vazia
com tempo pra brincar com os gato
felinos meus inquilinos
que eu cobro barato
sonhei uma casa vazia
sem sequer seu porta-retrato
companhia o canal de esporte
passando compacto
sonhei uma casa vazia
ninguém vê quantos fósforo eu gasto
sonhei uma casa vazia
fazer arroz do jeito que eu gosto
deixar um pouco acumular
a louça na pia
sonhei uma casa vazia
pra sentir saudade dela cheia
enquanto isso vou ali limpar
a caixa de areia
talvez eu moraria
com vovó e com minha tia
só que talvez ela não aguentaria
a minha embriaguez
e ainda por cima gostaria
que eu acordasse antes das dez
tia, deixa eu virar pro lado
e fica relax
mas eu sonhei foi uma casa vazia
pra escrever minhas bobagem, poesia
coisas que eu não publicaria
sem pensar muito bem
sonhei uma casa vazia
pra planejar minhas viagens
mas se eu viajar
a casa fica vazia
com tempo pra brincar com os gato
felinos meus inquilinos
que eu cobro barato
sonhei uma casa vazia
sem sequer seu porta-retrato
companhia o canal de esporte
passando compacto
sonhei uma casa vazia
ninguém vê quantos fósforo eu gasto
sonhei uma casa vazia
fazer arroz do jeito que eu gosto
deixar um pouco acumular
a louça na pia
sonhei uma casa vazia
pra sentir saudade dela cheia
enquanto isso vou ali limpar
a caixa de areia
talvez eu moraria
com vovó e com minha tia
só que talvez ela não aguentaria
a minha embriaguez
e ainda por cima gostaria
que eu acordasse antes das dez
tia, deixa eu virar pro lado
e fica relax
mas eu sonhei foi uma casa vazia
pra escrever minhas bobagem, poesia
coisas que eu não publicaria
sem pensar muito bem
sonhei uma casa vazia
pra planejar minhas viagens
mas se eu viajar
a casa fica vazia
26/08/2019
parasita não hesita
fiz uma enquete
sobre o que ninguém conhece
(ou não quer conhecer)
tudo bem, faz parte
(que nada, vai te fuder)
sigo palavras procurando a minha arte
bandeira na mão nem que seja a meio mastro
eles querem castração, vocabulário eu não castro
nessa junção, fomentação correspondo
compondo o meu balastro
da ferrovia da minha vida ali a cada dia
segue o lastro
os pastores e os rebanhos dando conta do pasto
dessa eu vez eu passo
te prometo que da próxima vez
se eu der sorte nunca mais vejo vocês
outros alguéns estou louco pra ver
quando será que eu posso?
tenho que escalar muito desse poço
pra sair do fundo
é íngreme... a rima para íngreme
mas o que vem de baixo não me atinge
até porque mais pra baixo eles não distingue
esfinge, finge, miragem para existir
pra seguir o ir e vir, impulsionar o que há de ser
será... será? será!
entre a interrogação procurando a razão
e a exclamação do mundo espetacular
sobre o palco holofotes nas marionetes
atrás das cortinas é que a mágica acontece
na ocultação das luzes ninguém quer que tu veja
por isso toma aqui mais uma porção de certezas
virada de mesa
a mesa ainda é deles
ligado nas teles
para que tu vejas
virada de mesa
olha bem, tu tem certeza?
não te causa estranheza
servirem isso de bandeja
e a escassez do que deveria ser a abundância
e a importância fora do top dez
mira aqui esse novo viés
olha rápido, não dá bobeira
sair do hábito deles é coisa de gente ligeira
que vence a lebre, a tartaruga e causa rusga
com a ordem dominante, as fabriquetas
seguindo as ordens e os ensinamentos do capeta
produzindo em escala gente que se cala
cada um com a sua etiqueta
conservando falas conservadoras
levando nas malas políticas opressoras
são todos moros pelos poros desse país
gente marionete nem dá pra chamar de atriz
e perdemos por muito, nem foi por um triz
vamos lá de baixo recomeçar pela raiz
virada de mesa
a mesa ainda é deles
ligado nas teles
para que tu vejas
virada de mesa
olha bem, tu tem certeza?
não te causa estranheza
servirem isso de bandeja
e a sobremesa que ainda há por vir
respira fundo tamo longe de sair daqui
caminho longo, longa é essa milonga
longa, esticada, retorcida feito anaconda
ação pra todo tipo feito filme do henry ou do peter fonda
surfa essa onda que é a rima
pega ela do alto pela crina, pela crista
só não tira alguém pra cristo, fica o registro
tem tanta coisa errada e tanta gente omissa
sem compromisso
enquanto isso os parasitas não hesitam
em meter as patas nas fatias fartas
são feito baratas, onde viu um o clã fez o seu covil
amanhã esse cio nocivo novamente ataca
incisivo na hora de pegar na chibata contra nosso povo
e bata e bata e bata
e nós sem inseticida mas com os mc
mc do amor, da paz e da vida
na batida do lado da guerrilha e da bastilha na tomada
ligada e amplificada, acreditando no poder da palavra
virada de mesa
a mesa ainda é deles
ligado nas teles
para que tu vejas
virada de mesa
olha bem, tu tem certeza?
não te causa estranheza
servirem isso de bandeja
sobre o que ninguém conhece
(ou não quer conhecer)
tudo bem, faz parte
(que nada, vai te fuder)
sigo palavras procurando a minha arte
bandeira na mão nem que seja a meio mastro
eles querem castração, vocabulário eu não castro
nessa junção, fomentação correspondo
compondo o meu balastro
da ferrovia da minha vida ali a cada dia
segue o lastro
os pastores e os rebanhos dando conta do pasto
dessa eu vez eu passo
te prometo que da próxima vez
se eu der sorte nunca mais vejo vocês
outros alguéns estou louco pra ver
quando será que eu posso?
tenho que escalar muito desse poço
pra sair do fundo
é íngreme... a rima para íngreme
mas o que vem de baixo não me atinge
até porque mais pra baixo eles não distingue
esfinge, finge, miragem para existir
pra seguir o ir e vir, impulsionar o que há de ser
será... será? será!
entre a interrogação procurando a razão
e a exclamação do mundo espetacular
sobre o palco holofotes nas marionetes
atrás das cortinas é que a mágica acontece
na ocultação das luzes ninguém quer que tu veja
por isso toma aqui mais uma porção de certezas
virada de mesa
a mesa ainda é deles
ligado nas teles
para que tu vejas
virada de mesa
olha bem, tu tem certeza?
não te causa estranheza
servirem isso de bandeja
e a escassez do que deveria ser a abundância
e a importância fora do top dez
mira aqui esse novo viés
olha rápido, não dá bobeira
sair do hábito deles é coisa de gente ligeira
que vence a lebre, a tartaruga e causa rusga
com a ordem dominante, as fabriquetas
seguindo as ordens e os ensinamentos do capeta
produzindo em escala gente que se cala
cada um com a sua etiqueta
conservando falas conservadoras
levando nas malas políticas opressoras
são todos moros pelos poros desse país
gente marionete nem dá pra chamar de atriz
e perdemos por muito, nem foi por um triz
vamos lá de baixo recomeçar pela raiz
virada de mesa
a mesa ainda é deles
ligado nas teles
para que tu vejas
virada de mesa
olha bem, tu tem certeza?
não te causa estranheza
servirem isso de bandeja
e a sobremesa que ainda há por vir
respira fundo tamo longe de sair daqui
caminho longo, longa é essa milonga
longa, esticada, retorcida feito anaconda
ação pra todo tipo feito filme do henry ou do peter fonda
surfa essa onda que é a rima
pega ela do alto pela crina, pela crista
só não tira alguém pra cristo, fica o registro
tem tanta coisa errada e tanta gente omissa
sem compromisso
enquanto isso os parasitas não hesitam
em meter as patas nas fatias fartas
são feito baratas, onde viu um o clã fez o seu covil
amanhã esse cio nocivo novamente ataca
incisivo na hora de pegar na chibata contra nosso povo
e bata e bata e bata
e nós sem inseticida mas com os mc
mc do amor, da paz e da vida
na batida do lado da guerrilha e da bastilha na tomada
ligada e amplificada, acreditando no poder da palavra
virada de mesa
a mesa ainda é deles
ligado nas teles
para que tu vejas
virada de mesa
olha bem, tu tem certeza?
não te causa estranheza
servirem isso de bandeja
25/08/2019
xique-xique
vou ter que reescrever os scripts
parece que anteciparam o apocalipse
vou ter que reescrever o que eu fiz
parece que anteciparam o xique-xique
o xeque mate que eles querem dar
tava na mão, eu sabia, resolveram antecipar
o gosto amargo e engendrado desse mate
querendo tirar tantos e tantos do combate
não adianta o pranto se não me levanto
o abacate vai continuar nos acometendo
tantas e tantas, tantos e tantos, tantos tansos
poucos descansando e tantos com nenhum descanso
o trocadilho muda a letra de reforma pra deforma
não ignora; se tá ruim assim e depois piora
dessa forma, não segue a norma
aldous huxley aqui não nos deu gramas de soma
no máximo alguém ali vendendo bala de goma
dois por um real, três por um real
abaixo até do preço que era o ideal
no fim do dia moedas no bolso é todo o capital
cena que se repete em quantas capitais
o que dizem sobre isso as vozes oficiais
esperando no cais desembarcar inimigos irreais
no meio do caos, se disser que andamos mal é elogio
onde já se viu, país Brasil
tantas vidas por um fio
remédios, atendimentos, universidades
cortes, queimadas, árvores, oportunidades
nuvens poluentes transportadas para as cidades
parasitas prepotentes perfilados pá virados nos seus preconceitos
e o que eu mais lamento
diferentes de outros, tantos outros pesos mortos
esses foram eleitos...
parece que anteciparam o apocalipse
vou ter que reescrever o que eu fiz
parece que anteciparam o xique-xique
o xeque mate que eles querem dar
tava na mão, eu sabia, resolveram antecipar
o gosto amargo e engendrado desse mate
querendo tirar tantos e tantos do combate
não adianta o pranto se não me levanto
o abacate vai continuar nos acometendo
tantas e tantas, tantos e tantos, tantos tansos
poucos descansando e tantos com nenhum descanso
o trocadilho muda a letra de reforma pra deforma
não ignora; se tá ruim assim e depois piora
dessa forma, não segue a norma
aldous huxley aqui não nos deu gramas de soma
no máximo alguém ali vendendo bala de goma
dois por um real, três por um real
abaixo até do preço que era o ideal
no fim do dia moedas no bolso é todo o capital
cena que se repete em quantas capitais
o que dizem sobre isso as vozes oficiais
esperando no cais desembarcar inimigos irreais
no meio do caos, se disser que andamos mal é elogio
onde já se viu, país Brasil
tantas vidas por um fio
remédios, atendimentos, universidades
cortes, queimadas, árvores, oportunidades
nuvens poluentes transportadas para as cidades
parasitas prepotentes perfilados pá virados nos seus preconceitos
e o que eu mais lamento
diferentes de outros, tantos outros pesos mortos
esses foram eleitos...
24/08/2019
palpites
ando em caminhadas longas demais para não pensar em morte. mas não é este o tema, não desista ainda do texto. passo seguidamente pela escola para deficientes visuais. uma colega de canguçu me diz que o termo deficiente, contrário de eficiente, não é bem o correto para usar. mas nessa escala de portadores de necessidades especiais, o termo deficiente para designar as pessoas com problema, a não eficiência, o não funcionamento visual, me parece adequado até. convenções a serem seguidas ou não.
o próprio time de futebol de cegos se denomina assim na categoria que disputam. futebol de cegos. um abraço ao incansável presidente e atleta diego lemos, que muito me procura para enviar as informações e estar na busca por apoio ao time da asdefipel. novamente a palavra ali se intromete: associação dos deficientes físicos de pelotas. disputaram recentemente torneio em são paulo capital. diego me envia longos áudios explicativos e os transcrevo com as infos das melhores maneiras possíveis, procurando ser atencioso com o paradesporte local ao nosso jornal. certa vez, por descuido, quase digitei grandes mensagens, que poderiam ser lidas a ele por quem o auxilia, mas preferi segurar o botão e enviar também em áudios o prosseguimento de nosso diálogo.
toda essa volta, até fraternal ao trabalho de diego e do time, para recordar o que me inspirou neste presente caso. passar pelo endereço da escola verde e branca que homenageia em nome louis braille. fico pensando a agressividade das ruas em não respeitá-los ou dificultarem-lhes o acolhimento. novamente a menina de canguçu impondo barreiras para a palavra incluir, por exemplo, em que teria algum sentido do que já prevê haver exclusão. enfim, enfim, é perceptível como as ruas e as pessoas são agressivas, muitas vezes sem perceber, com pessoas que apresentam deficiências visuais, no exemplo trazido aqui.
outras deficiências, como as de mobilidade são cruéis nas calçadas. em pelotas, as calçadas são muito estreitas em determinados pontos, em ruas do centro histórico, antigo e pouco inclusivo, em situações jamais previstas século retrasado. a situação das calçadas é precária em aspectos higiênicos também, na quantidade de lixo e dejetos que dificultam atos de simples caminhadas. muitas vezes sinto-me impedido do melhor desempenho e fico a pensar sobre as pessoas de idade ou o perigo até higiênico representado na inocência das crianças e finalmente nos seres que me proponho a abordar aqui, os deficientes físicos ou visuais.
aposto que as pessoas que não recolhem dejetos de cachorro não pensam neles. aposto que quem deixa lixo pela calçada, em quantidades tropeçáveis e nada higiênicas não pensa neles. aposto que muitas vezes falta a sensibilidade de pedestres e inclusive de quem projeta o que está sendo feito ou as manutenções do espaço já existente e urbanizado. aposto que os motoqueiros exibidos com o barulho das motos não pensam o impacto nos ouvidos sensibilizados e essenciais para eles conviverem nas ruas. ou quem usa som alto demais nos carros. ou qualquer outro tipo de poluição física ou sonora nos grandes centros urbanos brasileiros.
as ruas assaz agressivas contra tantos. se sentiu identificado contra alguma dessas acusações, bora mudar suas experiências. para os mais ousados ou menos tímidos, bora encarar mais de quem faça esses atentados contra os próximos. com essas palavras enquanto não encontro outras melhores, me despeço com o perdão a duda ou a quem mais contestar essas palavras-chave de buscar INCLUSÃO para com as pessoas com deficiência.
o próprio time de futebol de cegos se denomina assim na categoria que disputam. futebol de cegos. um abraço ao incansável presidente e atleta diego lemos, que muito me procura para enviar as informações e estar na busca por apoio ao time da asdefipel. novamente a palavra ali se intromete: associação dos deficientes físicos de pelotas. disputaram recentemente torneio em são paulo capital. diego me envia longos áudios explicativos e os transcrevo com as infos das melhores maneiras possíveis, procurando ser atencioso com o paradesporte local ao nosso jornal. certa vez, por descuido, quase digitei grandes mensagens, que poderiam ser lidas a ele por quem o auxilia, mas preferi segurar o botão e enviar também em áudios o prosseguimento de nosso diálogo.
toda essa volta, até fraternal ao trabalho de diego e do time, para recordar o que me inspirou neste presente caso. passar pelo endereço da escola verde e branca que homenageia em nome louis braille. fico pensando a agressividade das ruas em não respeitá-los ou dificultarem-lhes o acolhimento. novamente a menina de canguçu impondo barreiras para a palavra incluir, por exemplo, em que teria algum sentido do que já prevê haver exclusão. enfim, enfim, é perceptível como as ruas e as pessoas são agressivas, muitas vezes sem perceber, com pessoas que apresentam deficiências visuais, no exemplo trazido aqui.
outras deficiências, como as de mobilidade são cruéis nas calçadas. em pelotas, as calçadas são muito estreitas em determinados pontos, em ruas do centro histórico, antigo e pouco inclusivo, em situações jamais previstas século retrasado. a situação das calçadas é precária em aspectos higiênicos também, na quantidade de lixo e dejetos que dificultam atos de simples caminhadas. muitas vezes sinto-me impedido do melhor desempenho e fico a pensar sobre as pessoas de idade ou o perigo até higiênico representado na inocência das crianças e finalmente nos seres que me proponho a abordar aqui, os deficientes físicos ou visuais.
aposto que as pessoas que não recolhem dejetos de cachorro não pensam neles. aposto que quem deixa lixo pela calçada, em quantidades tropeçáveis e nada higiênicas não pensa neles. aposto que muitas vezes falta a sensibilidade de pedestres e inclusive de quem projeta o que está sendo feito ou as manutenções do espaço já existente e urbanizado. aposto que os motoqueiros exibidos com o barulho das motos não pensam o impacto nos ouvidos sensibilizados e essenciais para eles conviverem nas ruas. ou quem usa som alto demais nos carros. ou qualquer outro tipo de poluição física ou sonora nos grandes centros urbanos brasileiros.
as ruas assaz agressivas contra tantos. se sentiu identificado contra alguma dessas acusações, bora mudar suas experiências. para os mais ousados ou menos tímidos, bora encarar mais de quem faça esses atentados contra os próximos. com essas palavras enquanto não encontro outras melhores, me despeço com o perdão a duda ou a quem mais contestar essas palavras-chave de buscar INCLUSÃO para com as pessoas com deficiência.
11/08/2019
"Mas dias melhores virão"
"Mas dias melhores virão, se Deus quiser", completa minha mãe ao telefone com minha dinda, para alguns estados brasileiros 'madrinha'. Soube por intermédio da ligação que a segunda levou um tombo e está lidando com as sequelas. É uma senhora com idade que avança, ela nunca nos diz exatamente a quantas anda a cada aniversário, e além do mais já passou por processos quimioterápicos. Sim, é possível que dias melhores venham, seja qual for a perspectiva, por exemplo o tempo melhorar na direção do verão. Hoje é 11 de agosto.
Minha irmã está completando mais um aniversário, mudando a dezena de sua idade dos vinte aos trinta, enquanto meu pai comemora de alguma forma o dia dos pais. Tanto minha irmã quanto eu não somos tão apegados a essas datas, o que me faz perguntar se um dia sentirei que poderia tê-las aproveitado melhor. É uma questão de estilo e luto sempre para meu eu posterior reconhecer as deficiências e limitações do eu anterior. Minha paciência para socializar caminha com bateria fraca, quase no alerta ou na reserva do tanque de combustível, por assim dizer.
O domingo passou até de forma agradável, seja pelo tempo com sol ou pelo humor dos presentes, ou o tempo do sol minando positivamente o humor dos presentes. Ainda durante a refeição de almoço, para qual dou boas vindas aos que anteriormente chegam, houve uma brincadeira de humor mórbido sobre minha vó, que comemorou aniversário dia 9 e é a única viva entre a geração de seus irmãos. Todos faleceram entre 83 e 88 anos. Ela completou 86 e propuseram o desafio se chega a ultrapassar a idade da falecida irmã. Como elas se teimavam muito, riram que não há escolha: ou minha vó vai tomar um tapa por tê-la ultrapassado ou a falecida irmã carregará a glória de ter durado mais.
É o tipo de besteira que até penso, mas não esperava a conivência dos demais, porém aconteceu e nem fui eu quem projetou tal assunto e pensamentos. Agosto se torna um mês para avaliar e reavaliar os membros familiares pelos aniversários de minhas irmã e avó, além da passagem do dia dos pais, também comemorado neste domingo.
Meu pai jogou água abaixo no seu discurso de cautela com bebidas alcoólicas ao passar à exibição após sua segunda lata. Ponto para mim contra ele nas próximas, brinco. Entre diversos temas que poderiam ser explorados, é estranho cumprimentar e se despedir de minhas avó e tia após terem se mudado da vizinhança de nossa casa e agora estão na ponta oposta da cidade. Se despedir ganha novas proporções, pois não estarão "de chinelo", como se diz, tão logo no próximo dia. É preciso crer, dentre outras coisas, que dias melhores virão.
Minha irmã está completando mais um aniversário, mudando a dezena de sua idade dos vinte aos trinta, enquanto meu pai comemora de alguma forma o dia dos pais. Tanto minha irmã quanto eu não somos tão apegados a essas datas, o que me faz perguntar se um dia sentirei que poderia tê-las aproveitado melhor. É uma questão de estilo e luto sempre para meu eu posterior reconhecer as deficiências e limitações do eu anterior. Minha paciência para socializar caminha com bateria fraca, quase no alerta ou na reserva do tanque de combustível, por assim dizer.
O domingo passou até de forma agradável, seja pelo tempo com sol ou pelo humor dos presentes, ou o tempo do sol minando positivamente o humor dos presentes. Ainda durante a refeição de almoço, para qual dou boas vindas aos que anteriormente chegam, houve uma brincadeira de humor mórbido sobre minha vó, que comemorou aniversário dia 9 e é a única viva entre a geração de seus irmãos. Todos faleceram entre 83 e 88 anos. Ela completou 86 e propuseram o desafio se chega a ultrapassar a idade da falecida irmã. Como elas se teimavam muito, riram que não há escolha: ou minha vó vai tomar um tapa por tê-la ultrapassado ou a falecida irmã carregará a glória de ter durado mais.
É o tipo de besteira que até penso, mas não esperava a conivência dos demais, porém aconteceu e nem fui eu quem projetou tal assunto e pensamentos. Agosto se torna um mês para avaliar e reavaliar os membros familiares pelos aniversários de minhas irmã e avó, além da passagem do dia dos pais, também comemorado neste domingo.
Meu pai jogou água abaixo no seu discurso de cautela com bebidas alcoólicas ao passar à exibição após sua segunda lata. Ponto para mim contra ele nas próximas, brinco. Entre diversos temas que poderiam ser explorados, é estranho cumprimentar e se despedir de minhas avó e tia após terem se mudado da vizinhança de nossa casa e agora estão na ponta oposta da cidade. Se despedir ganha novas proporções, pois não estarão "de chinelo", como se diz, tão logo no próximo dia. É preciso crer, dentre outras coisas, que dias melhores virão.
10/08/2019
UFPel - 50 anos
Universidade de tantas mocidades
Federal de Pelotas, minha UFPel
Dos laboratórios, das práticas
E do que vai nesse papel
50 anos contados e contando
Por profissões e títulos doutos
Mas sobretudo nos sorrisos formandos
Por esses bairros que não são poucos
Oportunidades, tão simples rimá-las
Com o final da palavra universidades
Portanto o findar das universidades
É acabar com as oportunidades
Em que oportuna idade, seja qual for
Jovens de conservada jovialidade
Aprendem seus ofícios com louvor
Professores e professoras
Fazem parte desses favores
Prestados nessa trajetória
Naqueles que não desistiram
Ao saírem dos bancos das escolas
Do início agrônomo engenheiro
Ao destino de outras engenharias
Com o ingresso do feminino
Nessas profissões do dia a dia
Das saúdes e ciências humanas
Das pesquisas a quem programa
E soluciona nossas mazelas
Em artigos, dicas e reportagens
Dessa semana ou daquela
Projetos e pesquisas
Orientandos à deriva
Mas futuramente encontrados
Conhecimento que se arquiva
Mas não fica só arquivado
Colocados em prática na rotina
Aplicando seus resultados
UFPel que recebe paulistas,
Cariocas, catarinenses, interioranos
Maranhão, Paraíba, Recife
Mineiros, Manaus, goianos
Pelas mãos desses imigrantes
Mudando o que era antes
Pelo presente desses anos
UFPel de diferentes sotaques
E dos ataques do atual governo
Eles com a moral abaixo da baixa
Tiram a renda, a verba do nosso caixa
E provocam nas ruas os cartazes
Perdem suas pazes com as faixas
Se são capazes dos cortes
Do contra-golpe somos capazes
Tentando evitar teu fim
Nesse Brasil kamikaze
Eles tentam ser os algozes
Gozes tu da juventude
Desse povo que luta
Pelo direito que se estude
Se não lutar, nada muda
De nada serve a boca muda
Enquanto cavam nossa tumba
Com o sumiço das verbas
Sejamos duros na queda
Contra essa era absurda
Protejamos nossos campus
Em memória ao passado
Em combate no presente
Pelo futuro de outros tantos
Henrique König - Jornalista. Letras UFPel.
Federal de Pelotas, minha UFPel
Dos laboratórios, das práticas
E do que vai nesse papel
50 anos contados e contando
Por profissões e títulos doutos
Mas sobretudo nos sorrisos formandos
Por esses bairros que não são poucos
Oportunidades, tão simples rimá-las
Com o final da palavra universidades
Portanto o findar das universidades
É acabar com as oportunidades
Em que oportuna idade, seja qual for
Jovens de conservada jovialidade
Aprendem seus ofícios com louvor
Professores e professoras
Fazem parte desses favores
Prestados nessa trajetória
Naqueles que não desistiram
Ao saírem dos bancos das escolas
Do início agrônomo engenheiro
Ao destino de outras engenharias
Com o ingresso do feminino
Nessas profissões do dia a dia
Das saúdes e ciências humanas
Das pesquisas a quem programa
E soluciona nossas mazelas
Em artigos, dicas e reportagens
Dessa semana ou daquela
Projetos e pesquisas
Orientandos à deriva
Mas futuramente encontrados
Conhecimento que se arquiva
Mas não fica só arquivado
Colocados em prática na rotina
Aplicando seus resultados
UFPel que recebe paulistas,
Cariocas, catarinenses, interioranos
Maranhão, Paraíba, Recife
Mineiros, Manaus, goianos
Pelas mãos desses imigrantes
Mudando o que era antes
Pelo presente desses anos
UFPel de diferentes sotaques
E dos ataques do atual governo
Eles com a moral abaixo da baixa
Tiram a renda, a verba do nosso caixa
E provocam nas ruas os cartazes
Perdem suas pazes com as faixas
Se são capazes dos cortes
Do contra-golpe somos capazes
Tentando evitar teu fim
Nesse Brasil kamikaze
Eles tentam ser os algozes
Gozes tu da juventude
Desse povo que luta
Pelo direito que se estude
Se não lutar, nada muda
De nada serve a boca muda
Enquanto cavam nossa tumba
Com o sumiço das verbas
Sejamos duros na queda
Contra essa era absurda
Protejamos nossos campus
Em memória ao passado
Em combate no presente
Pelo futuro de outros tantos
Henrique König - Jornalista. Letras UFPel.
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| Campus Anglo. Foto: Henrique König |
19/07/2019
livro das ruas
Volta e meia ainda recordo as palavras do diretor Nogueira no IF-Sul pelotense, então durante sua campanha para, de professor, chegar ao cargo da direção. Dizia ele que "as pessoas não são máquinas em que você briga com elas e elas funcionam". Pessoas têm sentimentos, particularidades, lado humano. O tapa para funcionar é no controle remoto da tv, no celular ou no computador travados. Ele repetia isso ao entrar nas salas de aula para defender sua chapa em candidatura. Nos discursos, idem. Palavras que marcaram por significado e repetição. E nota-se que até um pensamento bastante simplório para um professor de eletrônica no alto da experiência, referir-se assim de forma categórica e objetiva sobre as máquinas, para que não haja a mínima sombra de dúvida, uma fala ao meio-dia, quando não se gera o sombreado.
Tenho lido bastante o livro das ruas. Escrito por cada um a cada dia. Em minhas caminhadas pelas mesmas ou diferentes ruas, notando os problemas de calçadas, o que os cães ou humanos tratados como cães deixaram para trás. Mais desviando de pessoas do que as vendo desviar de mim pelo caminho para não trombarmos. Questão de demasiada cortesia.
As pessoas se diferem entre elas aos mínimos detalhes, ao observamos as chamadas entrelinhas. Os carros se assemelham muito mais, apesar dos mais aficionados pelo assunto veicular estarem bufando como dragões ao lerem esse último rascunho dado por minha pessoa. Os pratas, pretos, brancos e vermelhos se arrancam ao abrir da sinaleira em cor verde. Esses dias cruzei por um motoqueiro com o visor completamente escuro, nada se podia observar da pessoa sobre a moto, nem de tamanho do cabelo ou se não havia capilares e nem qualquer condição de seu rosto, se era narigudo, tinha algum sinal de nascença e se tinha dois olhos por dentro do capacete. Muito menos a cor das íris.
A pegada destas linhas repete-se a outras em que eu os informava do aumento dos catadores de papel, materiais plásticos e recicláveis em geral. Uns cantando, outros brabos, revoltados com a pouca condição que a vida lhes forneceu e segue fornecendo em pão velho e mastigado a cada dia. Por outro lado, conforme noticiei certa vez na companhia do narrador e não o cantor Eduardo Costa, o dia de hoje estava florido. As mais belas figuras partiram em direção às linhas do livro das trajetórias das ruas. Uma média excelente de quase uma por quadra ou a cada duas quadras, um rico de um dia. Parte-me o coração cruzar-me com uma e, tão logo ao fim da quadra na Andrade Neves, mesma rua em que confidenciei esse raciocínio florido a Eduardo, está uma senhora maltratando seus joelhos em posição de revirar e recolher conteúdos de sacolas antes utilizadas. Ela não tem a dentição completa e sua boca fica solta em uma expressão que a torna rude à primeira olhada. Ela interrompe minha sequência de suspiros internos e retoma o questionamento sobre as páginas manchadas do livro das ruas.
Assim vamos convivendo entre os espaços e ambientes mais floridos, entre banhos bem tomados e perfumes em excesso e entre quem sobrevive das sobras, do fuçar plásticos ora mais e ora menos limpos. Entre barracos em frente aos condomínios, entre pessoas que dormem em calçadas frias enquanto há tantos e tantos quartos e garagens vagas em espaços internos. Entre pessoas que por ora amolecem o coração ao final desse tricô e outras que, se isto estivesse num campo impresso de papel, já teria amassado e jogado fora. Ou mais: chamado-me aos berros em tons insultantes de: - comunista!
Entre cartazes de shows passados, fotos desbotadas neles nas ações de sol e/ou chuva, remamos nosso barquinho de papel, com as bases molhadas mas tentando nos acomodar do melhor modo possível, antes que a destruição de um naufrágio inevitável nos carregue.
Tenho lido bastante o livro das ruas. Escrito por cada um a cada dia. Em minhas caminhadas pelas mesmas ou diferentes ruas, notando os problemas de calçadas, o que os cães ou humanos tratados como cães deixaram para trás. Mais desviando de pessoas do que as vendo desviar de mim pelo caminho para não trombarmos. Questão de demasiada cortesia.
As pessoas se diferem entre elas aos mínimos detalhes, ao observamos as chamadas entrelinhas. Os carros se assemelham muito mais, apesar dos mais aficionados pelo assunto veicular estarem bufando como dragões ao lerem esse último rascunho dado por minha pessoa. Os pratas, pretos, brancos e vermelhos se arrancam ao abrir da sinaleira em cor verde. Esses dias cruzei por um motoqueiro com o visor completamente escuro, nada se podia observar da pessoa sobre a moto, nem de tamanho do cabelo ou se não havia capilares e nem qualquer condição de seu rosto, se era narigudo, tinha algum sinal de nascença e se tinha dois olhos por dentro do capacete. Muito menos a cor das íris.
A pegada destas linhas repete-se a outras em que eu os informava do aumento dos catadores de papel, materiais plásticos e recicláveis em geral. Uns cantando, outros brabos, revoltados com a pouca condição que a vida lhes forneceu e segue fornecendo em pão velho e mastigado a cada dia. Por outro lado, conforme noticiei certa vez na companhia do narrador e não o cantor Eduardo Costa, o dia de hoje estava florido. As mais belas figuras partiram em direção às linhas do livro das trajetórias das ruas. Uma média excelente de quase uma por quadra ou a cada duas quadras, um rico de um dia. Parte-me o coração cruzar-me com uma e, tão logo ao fim da quadra na Andrade Neves, mesma rua em que confidenciei esse raciocínio florido a Eduardo, está uma senhora maltratando seus joelhos em posição de revirar e recolher conteúdos de sacolas antes utilizadas. Ela não tem a dentição completa e sua boca fica solta em uma expressão que a torna rude à primeira olhada. Ela interrompe minha sequência de suspiros internos e retoma o questionamento sobre as páginas manchadas do livro das ruas.
Assim vamos convivendo entre os espaços e ambientes mais floridos, entre banhos bem tomados e perfumes em excesso e entre quem sobrevive das sobras, do fuçar plásticos ora mais e ora menos limpos. Entre barracos em frente aos condomínios, entre pessoas que dormem em calçadas frias enquanto há tantos e tantos quartos e garagens vagas em espaços internos. Entre pessoas que por ora amolecem o coração ao final desse tricô e outras que, se isto estivesse num campo impresso de papel, já teria amassado e jogado fora. Ou mais: chamado-me aos berros em tons insultantes de: - comunista!
Entre cartazes de shows passados, fotos desbotadas neles nas ações de sol e/ou chuva, remamos nosso barquinho de papel, com as bases molhadas mas tentando nos acomodar do melhor modo possível, antes que a destruição de um naufrágio inevitável nos carregue.
16/07/2019
visão seletiva
barracos na frente dos condomínios
domínios privados e fechados
considerados fracos
não tem vez
morador de rua
na calçada fria e crua
hoje era eclipse da lua
não ficou sabendo por aplicativo
viu ao vivo
e ninguém ali viu
que vivia um ser vivo
mas é difícil que seja visto
tipo foto da lua com teu celular antigo
enquanto eu passo por aquele cidadão
colecionante de moedas para um pouco de pão
enquanto isso duas senhoras
pelas grades do condomínio
acionam a tela do celular
dispositivo
da oi, da claro ou até da vivo
estão em outro lugar
que não aqui
e nunca que vão ver
aquilo que eu vi
nunca que vão saber
aquilo que exige
um pouco mais de compaixão
um olhar pro outro
ali deitado no chão
com menos dignidade que um cão
vestido contra o frio
e cagando calçada, cagando outra morada
antes de voltar pro aconchego da sua casa
olhando pra rico com indiferença
título nenhum vai te trazer onipresença
nem imortalidade
tua boca cheia de formiga
quando bater alguma idade
aquilo que tu fazia com alguma amiga
tá distante esse dia
te sobrou só a saudade
no amarelo do costado da fotografia
e um álbum inteiro de incapacidade
de se repetir
tua grana evita dramas
mas não esse aí
domínios privados e fechados
considerados fracos
não tem vez
morador de rua
na calçada fria e crua
hoje era eclipse da lua
não ficou sabendo por aplicativo
viu ao vivo
e ninguém ali viu
que vivia um ser vivo
mas é difícil que seja visto
tipo foto da lua com teu celular antigo
enquanto eu passo por aquele cidadão
colecionante de moedas para um pouco de pão
enquanto isso duas senhoras
pelas grades do condomínio
acionam a tela do celular
dispositivo
da oi, da claro ou até da vivo
estão em outro lugar
que não aqui
e nunca que vão ver
aquilo que eu vi
nunca que vão saber
aquilo que exige
um pouco mais de compaixão
um olhar pro outro
ali deitado no chão
com menos dignidade que um cão
vestido contra o frio
e cagando calçada, cagando outra morada
antes de voltar pro aconchego da sua casa
olhando pra rico com indiferença
título nenhum vai te trazer onipresença
nem imortalidade
tua boca cheia de formiga
quando bater alguma idade
aquilo que tu fazia com alguma amiga
tá distante esse dia
te sobrou só a saudade
no amarelo do costado da fotografia
e um álbum inteiro de incapacidade
de se repetir
tua grana evita dramas
mas não esse aí
15/07/2019
que seja
coração abatido na outra rede
na sede do que a tecnologia fornece em menu
e acerta a mão que se dirigia à bandeja
então alivia as dores na cerveja
que seja
olha ali
nunca que vou chegar naquela mesa
um metro e noventa ou quase isso
que aquela moça tem de altura
uma escultura francesa
ou de outro povo europeu, sei lá
com certeza
e eu delgado na minha estrutura
fora de combate, surta ou atura
e a bateria do meu celular
acabando, veja só, foi-se a cura
loucura insistir nessa advertência
600 ml por mais de 10 conto
sacou a inflação da referência?
se eu prejudicar o bolso até melhoro
se eu melhoro eu prejudico o bolso
política é outra aventura, não mistura
tua taça com a garrafa do vinho de vovó
ela trouxe de casa pra se aquecer
deixa fazer o que quiser, quase 86, pensando o quê
e eu com pouco mais de quarto da sua idade
com menos do que um quarto pra sobreviver
o que é meu é muito pouco por mérito
de todos aqueles anos de estudo, érico
e querendo hoje mudar o sistema público de ensino
e quieto no meu canto ao mesmo tempo como um pino
esperando a bola de boliche
se eu tiver um quarto é uma cama de beliche
do pagamento de um hostel
que vai me atarefar no que pra mim é alto
preço de aluguel
e eu pensando um bom nome de motel
pra te levar
e querendo parecer mais natural
do que vai soar
a campainha de outro dia
da ressaca de ontem à noite
um açoite é o frio do inverno
no cobertor que me protege do matadouro
entre meus dramas e meus pijamas
antes de me enfiar na jaqueta de couro
bora pra mais um
sem arco íris e nem pote de ouro
na sede do que a tecnologia fornece em menu
e acerta a mão que se dirigia à bandeja
então alivia as dores na cerveja
que seja
olha ali
nunca que vou chegar naquela mesa
um metro e noventa ou quase isso
que aquela moça tem de altura
uma escultura francesa
ou de outro povo europeu, sei lá
com certeza
e eu delgado na minha estrutura
fora de combate, surta ou atura
e a bateria do meu celular
acabando, veja só, foi-se a cura
loucura insistir nessa advertência
600 ml por mais de 10 conto
sacou a inflação da referência?
se eu prejudicar o bolso até melhoro
se eu melhoro eu prejudico o bolso
política é outra aventura, não mistura
tua taça com a garrafa do vinho de vovó
ela trouxe de casa pra se aquecer
deixa fazer o que quiser, quase 86, pensando o quê
e eu com pouco mais de quarto da sua idade
com menos do que um quarto pra sobreviver
o que é meu é muito pouco por mérito
de todos aqueles anos de estudo, érico
e querendo hoje mudar o sistema público de ensino
e quieto no meu canto ao mesmo tempo como um pino
esperando a bola de boliche
se eu tiver um quarto é uma cama de beliche
do pagamento de um hostel
que vai me atarefar no que pra mim é alto
preço de aluguel
e eu pensando um bom nome de motel
pra te levar
e querendo parecer mais natural
do que vai soar
a campainha de outro dia
da ressaca de ontem à noite
um açoite é o frio do inverno
no cobertor que me protege do matadouro
entre meus dramas e meus pijamas
antes de me enfiar na jaqueta de couro
bora pra mais um
sem arco íris e nem pote de ouro
30/06/2019
Do desjejum ao almoço
Toma o seu café em local próximo da vitrine do estabelecimento. É uma mesa de canto, o assento em boas condições, aqueles estofados, infinitamente mais confortáveis do que os bancos altos atrelados ao balcão. Os bancos altos, que fazem os homens e mulheres se assemelharem a pássaros num poleiro, são para os clientes com pressa, pequenas almas desgraçadas por intervalos ínfimos, obrigados a consumirem o café ainda em temperatura pelante, amaldiçoando sobretudo os de camadas finas nos lábios ou sensíveis na língua e nas gengivas.
Mas ele não era desses. Se não tinha todo o tempo do mundo, ao menos possuía o suficiente para procurar aquela mesa do canto, quase sempre desocupada, porque a tolerância em relação ao seu tempo fazia com que ele chegasse cedo e logo se acomodasse. E dali ficava a espiar o movimento, o chamado vai-e-vem de pessoas. Os pobres pássaros nos poleiros, desconfortáveis em calças apertadas e pés que não tocavam o chão, folheando jornais que passavam de dedo em dedo. Isso lhe parecia muito anti-higiênico. Por isso também gostava de conservar o mesmo lugar e trazia o seu próprio jornal. Os três reais não eram problema para ele. Aliás, nem pegar táxi, mesmo com a alta dos preços, se tornava ruim para ele. Preferia pegar táxi, porque os veículos do aplicativo uber deixam registros e pistas demais. Tudo bem pagar um pouco mais caro, não é mesmo? Se bem que geralmente usava seu próprio carro, um Corsa pouco chamativo.
Ele abria o jornal e o esparramava sobre a mesa. Obviamente que a esta hora já havia sinalizado ao jovem rapaz ou à moça do cabelo preso sobre o seu café, que sorria ao pedir. Metódico, ele contabilizava quantas vezes chamava a cada um por mês. Era fim do mês e o placar contabilizava um largo score de 17 a 8 em favor da moça do cabelo preso. Ele ficava imaginando como ela era de cabelo solto, mas quando ela deveria soltá-lo ao fim do expediente, ele já estaria longe. Estaria em seu bairro e na sua casa, nem zona sul e nem zona norte.
O jornal. O jornal por vezes ficava como um mapa do tesouro debruçado de ponta a ponta da superfície quadrada da mesa. Outras vezes servia para praticamente ocultar-lhe o resto para os demais. Era muito vaidoso e às vezes estava com vergonha de sua aparência, ou simplesmente acordara mais estranho do que cordialmente e preferia esconder-se mais do que naquela mesa de canto.
A obsessão. A obsessão por suas escolhas também poderia ser um satisfatório motivo para começar as ocultações logo cedo. Literalmente cedo, nem nove horas da manhã. Podia ler e, com sua boa memória, decorar trechos e trechos do periódico até o intervalo do trabalho da candidata do dia.
Se o placar servil do mês era favorável à moça do cabelo preso, o placar de moças versus rapazes nas escolhas que ele fazia com os olhos sobre o jornal ou enquanto palitava os dentes dava vantagem muito maior às fêmeas. Mas de vez em quando encontrava algum potencial amigo e largava o papo sobre futebol ou política, seus assuntos preferidos, atraindo a atenção de algum homem solitário. De futebol ele sempre gostou e trabalhava com isso havia anos, inovando agora com gravações diretas do seu celular. Era um rosto até bem conhecido com suas bochechas que tornavam a face extremamente saliente. Sua paixão era o telejornalismo, mas, a exemplo da mesa do canto e jornal que usava como trincheira e passatempo, não queria se expor demais, então ficou com a voz do rádio e a cara restrita para os meios virtuais. Acreditava ter espectadores jovens demais para serem suas escolhas tramadas na cafeteria: potenciais encontros íntimos ou amizades por acaso.
Claro, quando em vez aparecia algum jovem e o chamava pelo nome, algum assobio, sempre que chamavam atenção demais arrancavam algum grunhido seu de desaprovação, mas ele gostava da fama simpática e então atendia a pessoa e trocava até uma ideia. Se a pessoa insistisse com o assédio ao profissional ele inventava alguma desculpa, olhava o relógio e dizia que tinha que ir, engolia o resto do café, se houvesse, e partia, lamentando um dia de plano perdido.
Mas vamos passar aos planos efetivos. Passada a página 11 do periódico, já deveria ter traçado a escolha do dia. Seus botes eram precisos, invejáveis a muitos funcionários do ramo ilustrados em livros ficcionais de Agatha Christie, Patricia Highsmith ou Ross Macdonald. Comunicador nato, era bom de papear e convencer. Não fosse a posição confortável que adquirira com o passar dos anos, poderia estar bem encargado de vendedor em alguma empresa de alarmes a planos funerários.
Essa para ele era boa: planos funerários. A verdade é que se aprochegando da pessoa para puxar seus ora descontraídos, ora incisivos assuntos, checava se ele era ou não conhecido da escolha. Obviamente preferia não ser reconhecido, pois vai que abram a boca por aí dizendo que ele chegou puxando assunto e já estaria muito íntimo. "Nem acredita, Fulana, ele quem tomou a iniciativa e já estamos nos seguindo nas redes sociais."
Redes sociais. Preferia evitá-las na puxada de conversa. É lá que o seu rosto circula? É, de fato. E como seguir a pessoa nas redes, ser um dos últimos a fazer isso e ela logo não estar mais lá? Mancada demais, piso escorregadio, dobra no tapete para tropeçar.
Então preferia o bom e velho telefone. E não entregava seu número, fazia questão de afirmar que ele ligaria. Era legal colecionar os bilhetinhos com as caligrafias. Sim, ele lamentava cinematograficamente que não havia trazido o celular, deixou em casa conectado ao carregador num trágico esquecimento. Mas deixe aqui o seu número, eu ligarei.
Não ligava, estava mais era pelo acúmulo de bilhetinhos. Um plano eficiente era perguntar onde a pessoa frequentava e começar a migrar a esse outro lugar. Pra ver se resolvia na segunda, quando não era de primeira ali.
Estacionava em um lugar meio distante, onde sabia que não havia mais câmeras públicas. Já perdeu vários encontros pela distância a pé de onde deixava o carro. Não deixava sempre no mesmo estacionamento. Havia uns ali próximos aos ferro-velhos. Não andava tão chique apesar de seu bom cargo na rádio, que os primeiros fios grisalhos anunciavam no seu tempo de carreira. Os fios se multiplicavam como se multiplicavam os casos.
Não andar tão chique computava que usasse um agasalho por cima, por isso sua época favorita era o outono-inverno, até porque no verão a cidade esvaziava nas fugas para o litoral. O gosto do café não era o mesmo. Na estação quente ele mais lia o jornal do que o usava como plano de fundo e de fuga, até prestava atenção nas linhas tecidas. O agasalho era fundamental para seu disfarce, caso alguma câmera ainda captasse parte da caminhada ao lado da escolhida.
Como morava em um bairro que não levantava suspeita - ingênua sociedade classe média - conseguia arrastar muitas de suas escolhas através da boa oratória e conhecimento. Convites para almoçar para quem dispunha de tempo como ele ou pra quem iniciava seus turnos só mais tarde. Funcionava. Nada como a experiência e a repetição nos atos. Em menos de sete de semáforos (ou sinaleiras, como ele dizia), chegavam ao destino.
Apesar da idade, conservava uma boa força. Era antes do almoço que resolvia a parada. Aprendera há muito que o melhor lugar para golpear era entre o queixo e ouvido. Geralmente a pessoa perdia os sentidos na primeira, evitando qualquer escândalo. De repente quando fosse servir o almoço preparado, deixava respingar algo na roupa da pessoa. Se oferecia para limpar e aplicava o golpe. Terminava o serviço logo na sequência, a tempo de desfrutar da refeição.
A pessoa, que não visualizava a cozinha, nem tinha tempo de perceber que ele só cozinhava o suficiente para um adulto. Não gostava de desperdícios. E procurava arrumar todo o serviço antes do arroz esfriar. Tinha pavor ao arroz frio.
Tinha um grande jardim e vizinhos ausentes. Como os vizinhos eram os atarefados pássaros em poleiros em bancos de cafés, sabia que podia convidá-los seguidamente para olharem os jardins. Eles dificilmente aceitavam, mas ele era caprichoso para quando aceitassem. Metódico. Nada de sangue nas pás ou ferramentas. Nada de buracos ou terras reviradas e dispersas de explicação para estarem ali.
Uma vítima por bimestre estava de bom tamanho. A pesquisa e a margem de erro permitiam isso em boa condição. Ele encerrava o serviço, lavava o rosto com água gelada, mirava suas próprias olheiras de quem acordou cedo, penteava o cabelo para trás, cada vez mais grisalho, ajeitava a gola de seu casaco ou sobretudo. Queria usar a mesma roupa do crime recém cometido, mas preferia trocar para não relacionar a vestimenta da rua.
Celular na mão - estava com ele o tempo inteiro no bolso - hora da gravação do dia. Olá, amigos, aqui é o jornalista *****. A vítima de hoje tem 1,66, cabelos castanhos e olhos mais escuros. O batom vermelho foi elogiável, porque foi duradouro em conservar a cor durante toda a ação. De qualquer forma, o vestido preto dela denotava um ar fúnebre desde que escolheu vesti-lo essa manhã. Creio que a agência dela perdeu uma bela funcionária. Espero que não me incomodem nos próximos dias. É isso, um grande abraço."
Em seguida começava o vídeo sobre esporte no dia. Logo em seguida publicava. Sabia que, caso um dia confundisse o envio, estaria velho demais para seguir os serviços. Até a próxima, um grande abraço.
Mas ele não era desses. Se não tinha todo o tempo do mundo, ao menos possuía o suficiente para procurar aquela mesa do canto, quase sempre desocupada, porque a tolerância em relação ao seu tempo fazia com que ele chegasse cedo e logo se acomodasse. E dali ficava a espiar o movimento, o chamado vai-e-vem de pessoas. Os pobres pássaros nos poleiros, desconfortáveis em calças apertadas e pés que não tocavam o chão, folheando jornais que passavam de dedo em dedo. Isso lhe parecia muito anti-higiênico. Por isso também gostava de conservar o mesmo lugar e trazia o seu próprio jornal. Os três reais não eram problema para ele. Aliás, nem pegar táxi, mesmo com a alta dos preços, se tornava ruim para ele. Preferia pegar táxi, porque os veículos do aplicativo uber deixam registros e pistas demais. Tudo bem pagar um pouco mais caro, não é mesmo? Se bem que geralmente usava seu próprio carro, um Corsa pouco chamativo.
Ele abria o jornal e o esparramava sobre a mesa. Obviamente que a esta hora já havia sinalizado ao jovem rapaz ou à moça do cabelo preso sobre o seu café, que sorria ao pedir. Metódico, ele contabilizava quantas vezes chamava a cada um por mês. Era fim do mês e o placar contabilizava um largo score de 17 a 8 em favor da moça do cabelo preso. Ele ficava imaginando como ela era de cabelo solto, mas quando ela deveria soltá-lo ao fim do expediente, ele já estaria longe. Estaria em seu bairro e na sua casa, nem zona sul e nem zona norte.
O jornal. O jornal por vezes ficava como um mapa do tesouro debruçado de ponta a ponta da superfície quadrada da mesa. Outras vezes servia para praticamente ocultar-lhe o resto para os demais. Era muito vaidoso e às vezes estava com vergonha de sua aparência, ou simplesmente acordara mais estranho do que cordialmente e preferia esconder-se mais do que naquela mesa de canto.
A obsessão. A obsessão por suas escolhas também poderia ser um satisfatório motivo para começar as ocultações logo cedo. Literalmente cedo, nem nove horas da manhã. Podia ler e, com sua boa memória, decorar trechos e trechos do periódico até o intervalo do trabalho da candidata do dia.
Se o placar servil do mês era favorável à moça do cabelo preso, o placar de moças versus rapazes nas escolhas que ele fazia com os olhos sobre o jornal ou enquanto palitava os dentes dava vantagem muito maior às fêmeas. Mas de vez em quando encontrava algum potencial amigo e largava o papo sobre futebol ou política, seus assuntos preferidos, atraindo a atenção de algum homem solitário. De futebol ele sempre gostou e trabalhava com isso havia anos, inovando agora com gravações diretas do seu celular. Era um rosto até bem conhecido com suas bochechas que tornavam a face extremamente saliente. Sua paixão era o telejornalismo, mas, a exemplo da mesa do canto e jornal que usava como trincheira e passatempo, não queria se expor demais, então ficou com a voz do rádio e a cara restrita para os meios virtuais. Acreditava ter espectadores jovens demais para serem suas escolhas tramadas na cafeteria: potenciais encontros íntimos ou amizades por acaso.
Claro, quando em vez aparecia algum jovem e o chamava pelo nome, algum assobio, sempre que chamavam atenção demais arrancavam algum grunhido seu de desaprovação, mas ele gostava da fama simpática e então atendia a pessoa e trocava até uma ideia. Se a pessoa insistisse com o assédio ao profissional ele inventava alguma desculpa, olhava o relógio e dizia que tinha que ir, engolia o resto do café, se houvesse, e partia, lamentando um dia de plano perdido.
Mas vamos passar aos planos efetivos. Passada a página 11 do periódico, já deveria ter traçado a escolha do dia. Seus botes eram precisos, invejáveis a muitos funcionários do ramo ilustrados em livros ficcionais de Agatha Christie, Patricia Highsmith ou Ross Macdonald. Comunicador nato, era bom de papear e convencer. Não fosse a posição confortável que adquirira com o passar dos anos, poderia estar bem encargado de vendedor em alguma empresa de alarmes a planos funerários.
Essa para ele era boa: planos funerários. A verdade é que se aprochegando da pessoa para puxar seus ora descontraídos, ora incisivos assuntos, checava se ele era ou não conhecido da escolha. Obviamente preferia não ser reconhecido, pois vai que abram a boca por aí dizendo que ele chegou puxando assunto e já estaria muito íntimo. "Nem acredita, Fulana, ele quem tomou a iniciativa e já estamos nos seguindo nas redes sociais."
Redes sociais. Preferia evitá-las na puxada de conversa. É lá que o seu rosto circula? É, de fato. E como seguir a pessoa nas redes, ser um dos últimos a fazer isso e ela logo não estar mais lá? Mancada demais, piso escorregadio, dobra no tapete para tropeçar.
Então preferia o bom e velho telefone. E não entregava seu número, fazia questão de afirmar que ele ligaria. Era legal colecionar os bilhetinhos com as caligrafias. Sim, ele lamentava cinematograficamente que não havia trazido o celular, deixou em casa conectado ao carregador num trágico esquecimento. Mas deixe aqui o seu número, eu ligarei.
Não ligava, estava mais era pelo acúmulo de bilhetinhos. Um plano eficiente era perguntar onde a pessoa frequentava e começar a migrar a esse outro lugar. Pra ver se resolvia na segunda, quando não era de primeira ali.
Estacionava em um lugar meio distante, onde sabia que não havia mais câmeras públicas. Já perdeu vários encontros pela distância a pé de onde deixava o carro. Não deixava sempre no mesmo estacionamento. Havia uns ali próximos aos ferro-velhos. Não andava tão chique apesar de seu bom cargo na rádio, que os primeiros fios grisalhos anunciavam no seu tempo de carreira. Os fios se multiplicavam como se multiplicavam os casos.
Não andar tão chique computava que usasse um agasalho por cima, por isso sua época favorita era o outono-inverno, até porque no verão a cidade esvaziava nas fugas para o litoral. O gosto do café não era o mesmo. Na estação quente ele mais lia o jornal do que o usava como plano de fundo e de fuga, até prestava atenção nas linhas tecidas. O agasalho era fundamental para seu disfarce, caso alguma câmera ainda captasse parte da caminhada ao lado da escolhida.
Como morava em um bairro que não levantava suspeita - ingênua sociedade classe média - conseguia arrastar muitas de suas escolhas através da boa oratória e conhecimento. Convites para almoçar para quem dispunha de tempo como ele ou pra quem iniciava seus turnos só mais tarde. Funcionava. Nada como a experiência e a repetição nos atos. Em menos de sete de semáforos (ou sinaleiras, como ele dizia), chegavam ao destino.
Apesar da idade, conservava uma boa força. Era antes do almoço que resolvia a parada. Aprendera há muito que o melhor lugar para golpear era entre o queixo e ouvido. Geralmente a pessoa perdia os sentidos na primeira, evitando qualquer escândalo. De repente quando fosse servir o almoço preparado, deixava respingar algo na roupa da pessoa. Se oferecia para limpar e aplicava o golpe. Terminava o serviço logo na sequência, a tempo de desfrutar da refeição.
A pessoa, que não visualizava a cozinha, nem tinha tempo de perceber que ele só cozinhava o suficiente para um adulto. Não gostava de desperdícios. E procurava arrumar todo o serviço antes do arroz esfriar. Tinha pavor ao arroz frio.
Tinha um grande jardim e vizinhos ausentes. Como os vizinhos eram os atarefados pássaros em poleiros em bancos de cafés, sabia que podia convidá-los seguidamente para olharem os jardins. Eles dificilmente aceitavam, mas ele era caprichoso para quando aceitassem. Metódico. Nada de sangue nas pás ou ferramentas. Nada de buracos ou terras reviradas e dispersas de explicação para estarem ali.
Uma vítima por bimestre estava de bom tamanho. A pesquisa e a margem de erro permitiam isso em boa condição. Ele encerrava o serviço, lavava o rosto com água gelada, mirava suas próprias olheiras de quem acordou cedo, penteava o cabelo para trás, cada vez mais grisalho, ajeitava a gola de seu casaco ou sobretudo. Queria usar a mesma roupa do crime recém cometido, mas preferia trocar para não relacionar a vestimenta da rua.
Celular na mão - estava com ele o tempo inteiro no bolso - hora da gravação do dia. Olá, amigos, aqui é o jornalista *****. A vítima de hoje tem 1,66, cabelos castanhos e olhos mais escuros. O batom vermelho foi elogiável, porque foi duradouro em conservar a cor durante toda a ação. De qualquer forma, o vestido preto dela denotava um ar fúnebre desde que escolheu vesti-lo essa manhã. Creio que a agência dela perdeu uma bela funcionária. Espero que não me incomodem nos próximos dias. É isso, um grande abraço."
Em seguida começava o vídeo sobre esporte no dia. Logo em seguida publicava. Sabia que, caso um dia confundisse o envio, estaria velho demais para seguir os serviços. Até a próxima, um grande abraço.
23/06/2019
#rap: viagem conturbada
quando tem não valoriza
depois que perde, sente falta
percebe que precisa
é a voz na cabeça que avisa
o anjo ou o diabo no ombro que batiza
agiliza
um jeito de se ocupar
de preferência pra agora
mas se demorar
aproveita a viagem
para viajar
na ocupação ou invasão
da mente
a oficina de garagem
daquele do tridente
e passa o pente fino
lacunas deixadas desde menino
conhece o patamar do mezanino
como o pátio é conhecido
pelo farejador canino
redentor
voltar dessa é 'glória ao senhor'
naquela promessa de nova recaída
viagem só de ida
pra voltar a estrada esburacada
na contramão
luz alta na cara
aquela que cega a lógica
que era questão contornada
faz perder a direção nórdica
e a bússola joga fora
escuridão na visão de agora
antes fosse catapora de só uma vez
mas a viagem traz fatura fim de todo mês
ahhh
viagem conturbada
vê quem tá contigo nessa
vê se presta
se ajuda ou atrapalha
ahhh
parou de ler as placas
o mapa em outro colo
olha para o lado e saca
ninguém para pedir socorro
ahhh
subidas e descidas
sinais e sinais de morro
mira o retrovisor
tanta coisa que se deixa
amores, cores, dores
tanta coisa que se queixa
mira outra empreitada
se não geral se desleixa
respira fundo, veste nova paciência
o tempo lá fora exige novas exigências
não era o objetivo, mas agora é da tua agência
pelos mesmos motivos que o camaleão
aprende novas cores
e se infiltra em novos corredores
e tu aí filtra café em coadores
e pensa no que é, no que foi e no que fores
olha pro lado e quem são seus assessores
ahhh
viagem conturbada
vê quem tá contigo nessa
vê se presta
se ajuda ou atrapalha
ahhh
parou de ler as placas
o mapa em outro colo
olha para o lado e saca
ninguém para pedir socorro
ahhh
subidas e descidas
sinais e sinais de morro
depois que perde, sente falta
percebe que precisa
é a voz na cabeça que avisa
o anjo ou o diabo no ombro que batiza
agiliza
um jeito de se ocupar
de preferência pra agora
mas se demorar
aproveita a viagem
para viajar
na ocupação ou invasão
da mente
a oficina de garagem
daquele do tridente
e passa o pente fino
lacunas deixadas desde menino
conhece o patamar do mezanino
como o pátio é conhecido
pelo farejador canino
redentor
voltar dessa é 'glória ao senhor'
naquela promessa de nova recaída
viagem só de ida
pra voltar a estrada esburacada
na contramão
luz alta na cara
aquela que cega a lógica
que era questão contornada
faz perder a direção nórdica
e a bússola joga fora
escuridão na visão de agora
antes fosse catapora de só uma vez
mas a viagem traz fatura fim de todo mês
ahhh
viagem conturbada
vê quem tá contigo nessa
vê se presta
se ajuda ou atrapalha
ahhh
parou de ler as placas
o mapa em outro colo
olha para o lado e saca
ninguém para pedir socorro
ahhh
subidas e descidas
sinais e sinais de morro
mira o retrovisor
tanta coisa que se deixa
amores, cores, dores
tanta coisa que se queixa
mira outra empreitada
se não geral se desleixa
respira fundo, veste nova paciência
o tempo lá fora exige novas exigências
não era o objetivo, mas agora é da tua agência
pelos mesmos motivos que o camaleão
aprende novas cores
e se infiltra em novos corredores
e tu aí filtra café em coadores
e pensa no que é, no que foi e no que fores
olha pro lado e quem são seus assessores
ahhh
viagem conturbada
vê quem tá contigo nessa
vê se presta
se ajuda ou atrapalha
ahhh
parou de ler as placas
o mapa em outro colo
olha para o lado e saca
ninguém para pedir socorro
ahhh
subidas e descidas
sinais e sinais de morro
17/06/2019
#punk: deixa o disco
você me dá ordem
você me dá ódio
problemas me mordem
outro episódio
cabeça em desordem
encaixe dos módulos
o disco não toca
sobrou algum nódulo
agulha em contato
a fúria rugindo
loucura ao tato
euforia fluindo
deixa o disco rodar
nenhum cisco no lugar
deixa o disco rodar
nenhum risco no radar
você me dá ódio
problemas me mordem
outro episódio
cabeça em desordem
encaixe dos módulos
o disco não toca
sobrou algum nódulo
agulha em contato
a fúria rugindo
loucura ao tato
euforia fluindo
deixa o disco rodar
nenhum cisco no lugar
deixa o disco rodar
nenhum risco no radar
18/05/2019
morimundo
tens tantos contatos nessas redes sociais
mas com tato, são tão poucos
tens tantos amigos, assim trazem sobre eles o termo
e ao mesmo tempo de tantos umbigos te fazes enfermo
afinal, que tanta gente adicionas
e ao final, qual o final desses amores semanais
que te apaixonas
em mundos irreais que inventas e após
a primeira treta do que tentas
é cada vez mais fácil mudar os canais
artificiais
todos somos
nessa união errônea de como, cornos, crono
e cromossomos
e orientação não é opção
como ouvi de alguém
opcional é sair um pouco desse mundo
ficcional
antes que a alternativa vire vício
e isso tudo [e tão pouco]
torne-se teu único ofício
chinfrim por chinfrim
deixa assim
mal começa
e já tem fim
enfim
entendeu o meu recado
seria mais útil na geladeira
dependurado
ou agora ou outrora
naquela rede chamariam de scrap
e mal lido já seria delete
sem o deleite de absorver as palavras
como quem suga o canto da bala de doce de leite
e o recado todo direcionado a ti e a quem tá sentado
seria mero enfeite
menos que um azeite na salada
e a visita da fada de quem perde um dente
deixando mero trocado embaixo do travesseiro
pelo dente trocado
e o mercado inflacionado
gostaria de uma nota
agora que está aberta a porta
entre o canino e o dente da frente
não importa
vou seguir a te visitar
com mais insônia que canção de ninar
marcando como um ferro o gado
ou será o novo significado, sobre gado
mandado nesses recados
transitórios passageiros de timeline
time lapse do tempo
como um papel solto que ao vento
encontra seu rosto
que pode mudar sua vida
ou ao menos trazer o desgosto
pelos próximos segundos
de duas quadras percorridas
e não seria isso um mundo
dentre tantos mundos à deriva?
mas com tato, são tão poucos
tens tantos amigos, assim trazem sobre eles o termo
e ao mesmo tempo de tantos umbigos te fazes enfermo
afinal, que tanta gente adicionas
e ao final, qual o final desses amores semanais
que te apaixonas
em mundos irreais que inventas e após
a primeira treta do que tentas
é cada vez mais fácil mudar os canais
artificiais
todos somos
nessa união errônea de como, cornos, crono
e cromossomos
e orientação não é opção
como ouvi de alguém
opcional é sair um pouco desse mundo
ficcional
antes que a alternativa vire vício
e isso tudo [e tão pouco]
torne-se teu único ofício
chinfrim por chinfrim
deixa assim
mal começa
e já tem fim
enfim
entendeu o meu recado
seria mais útil na geladeira
dependurado
ou agora ou outrora
naquela rede chamariam de scrap
e mal lido já seria delete
sem o deleite de absorver as palavras
como quem suga o canto da bala de doce de leite
e o recado todo direcionado a ti e a quem tá sentado
seria mero enfeite
menos que um azeite na salada
e a visita da fada de quem perde um dente
deixando mero trocado embaixo do travesseiro
pelo dente trocado
e o mercado inflacionado
gostaria de uma nota
agora que está aberta a porta
entre o canino e o dente da frente
não importa
vou seguir a te visitar
com mais insônia que canção de ninar
marcando como um ferro o gado
ou será o novo significado, sobre gado
mandado nesses recados
transitórios passageiros de timeline
time lapse do tempo
como um papel solto que ao vento
encontra seu rosto
que pode mudar sua vida
ou ao menos trazer o desgosto
pelos próximos segundos
de duas quadras percorridas
e não seria isso um mundo
dentre tantos mundos à deriva?
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