Ao dia 1º de maio de 2018, minha irmã adentrou um estádio para um jogo de futebol oficial pela primeira vez. Justamente, por coincidência ou por aproveitamento da data, no feriado do dia do trabalhador. Justo minha irmã e eu que tanta dificuldade temos em arrumar empregos, por aptidões, qualificações ou socializações que nos faltam. Mas ela tem se virado no meio autônomo no campo artístico no desenvolvimento de desenhos, pinturas e moldes para as mais diversas personagens. Eu tenho começado a me virar radiando anunciantes na amplitude modulada, com um pouco do talento advindo comigo e com um pouco do que aprendi nos anos da faculdade de Jornalismo. São tempos difíceis, todavia, ao que se sabe. Tempos complicados mesmo para quem possua maiores aptidões, qualificações, formações e socializações, sobretudo. Tanto minha irmã quanto eu tivemos desempenho notório no aprendizado escolar, o que mais uma vez prova o despreparo do ensino para preparar. A despreparação do estudante para encarar os passos a seguir, o caminho pós-diploma, saturado de conhecimentos vagos, desconexos e a grosso modo inúteis no cotidiano. Pois bem.
Feita a crítica, vamos à parte positiva, a parte boa da receita. Minha irmã no alto de suas quase três décadas voltou definitivamente a ser criança. O anseio manifestado de um desejo passado por entrar em campo acompanhada de jogadores dessa vez foi saciado das arquibancadas. Um jogo de público de médio a baixo para as perspectivas do clube local pelotense, na Série B do Campeonato Brasileiro. Partida de bom acesso e de bom horário. Peleia disputada à tarde, percorrida até o início de noite do feriado e que se mostrou acolhedora para ela em um ambiente muitas vezes demasiadamente hostil.
Ao mesmo tempo em que muitas vezes julgamos alguma fragilidade destacadamente maior à figura dela, enquanto mulher e mulher com especificações e problemas de socialização, demonstrou curtir, ao que contou, os momentos mesmo mais exaltados de alguns torcedores ou dos jogadores em campo, partindo para desentendimentos e princípios de brigas e confusões além do jogo de bola. Ela é acostumada a jogos eletrônicos virtuais com armas, personagens e objetivos dos mais diversos tipos.
Quanto ao jogo especificamente, uma boa partida, talvez a que narrei pela rádio com mais chances de gols por ambos os lados. Uma atuação positiva dos escretes das duas equipes, a gaúcha e a catarinense. Os gols que se escassearam na injustiça desse desporto. Apenas um, de pênalti, deu a vitória aos pelotenses sobre os florianopolitianos. A bem da verdade, também se apreciam as boas defesas praticadas por ambos os arqueiros, sobretudo o da representação alvinegra, evitando por puro reflexo e boa colocação o aumento do score dos locais. Placar final de 1 a 0.
Na volta para casa, na qual dividimos o pedido de um lanche bem aproveitado, para fechar com chave de ouro, por assim dizer, ainda fico sabendo de mais relatos, quase todos entre sorrisos dela, no seu aparecer dentário de humores duvidosos, como costumam ser. O gol da partida anotado no primeiro tempo e gravado para a memória póstuma através da gravação de imagem feita pelo celular. Além desse registro importante, captou fotos da torcida antes do jogo e na entrada em campo das equipes, aquele momento que ela confessava tanto apreço anteriormente, o qual não conseguiu aproveitar em infância, mas conseguiu estendê-lo (e entendê-lo!) agora, ao menos sentimentalmente.
Nesse relato feito, comum a tantas crianças e adultos que conviveram em centros menores ou mal financeiramente, distantes dos seus times coracionados, contempla-se a importância das canchas de futebol. Poderia ser, no que confere jogo da mesma data, um debute de excursão à luxuosa e majestosa arena financiada em Porto Alegre, mas quis o destino que a estreia dela em estádios fosse com uma vitória mais humilde, como confere nosso polo em relação a(o) capital. De bom tamanho e de sorrisos escalados para durante e depois, como ora-se e pede-se antes de cada partida. Assim foi um feriado para não mais esquecer.
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