Atualmente, vivo os dilemas da prostituição comercial. Por mais que as aproximações socialistas reduzam a desigualdade social (minha verdadeira inimiga de cabo a rabo), existe a dependência das vendas, dos comércios, da publicidade e propaganda. Nos tempos que aqui me acercam, praticamente sobrevivo deles. E isso demanda um tremendo esforço.
Olhando por alguns aspectos, ao menos dois tremendos esforços. O primeiro é a correria pela busca de anunciantes. Ninguém bate à tua porta nesse interesse. Ou tu corres atrás ou ficas sem. Chupando o dedo. Vendo o trem e o navio passarem. Chupando o papel da bala. Então, o caminho é bater nas portas alheias, o que praticamente exige uma atuação teatral. Preparar a melhor cara, a roupa menos amassada e tentar controlar o suor das mãos. Mostrar confiança e entendimento da oferta sendo feita.
Não me imaginava trabalhando comercialmente, mas os destinos e sistema me colocaram nisso. É obrigação. Quase tudo, se não for tudo, por obrigação é ruim. Mas mesmo os serviços que mais pensava gostar me parecem cair nas garras da rotina e obrigatoriedades. Vou levando.
Trabalhar com vendas de produtos, de ações ou de propagandas e anúncios exige um determinado cinismo. Muitas vezes é procurar, debater, insistir e ir atrás de propostas que nem tu mesmo acredita. Ou que não investiria caso estivesse do outro lado, do lado do empresariado. Enfim, é tentar convencer algo que tu não leva fé, que não garante dar certo, mas que precisa dar o braço a torcer, por a mão no fogo e a ideia na cabeça alheia. A busca inicial é pelo benefício próprio, não vou ser hipócrita. Porém, me satisfaz poder satisfazer o cliente. Acredito que o retorno precisa ser positivo para ambas as partes. E não menciono exclusividade em negócios comerciais. Embora outros negócios também se tornem comerciais.
Algumas pessoas trabalham com áreas, com produtos que elas mesmo gostam. Produtos alimentícios, veículos, acessórios, eletroeletrônicos. Outras precisam convencer nas vendas de itens somente necessários no dia a dia e não prazerosos. Talvez seja pior se esforçar para vender coisas supérfluas, coisas que não são nem essenciais e nem prazerosas. Aí existe a necessidade de explicar para quê serve, para quê a pessoa precisa daquilo e o porquê daquilo facilitar sua vida em algum momento. Complicações, desafios e percalços dessas ingratas tarefas obrigatórias.
É obrigatório vender. É obrigatório circular dinheiro. Tirar ali, colocar acolá. Girar a engrenagem. Manter-se no sistema, no carrossel. No movimento dos hotéis, dos bancos, das lojas, dos parquímetros, dos bancos, com a documentação em dia. Caso contrário, tem direito a nada. Vira uma miragem sob algum alpendre, sobre uns degraus. Se arrasta em busca de passar o tempo, sem direito a bens de consumo enquanto os ponteiros movimentam o tic e o tac do relógio.
É preciso procurar alguma área para vender. Seja a força de trabalho, do braçal ao polêmico e subjetivo trabalho intelectual que nem sempre se torna palpável ou fácil de calcular seu preço. É preciso circular, circular e circular. O tempo não para e o tempo é dinheiro. Se o dinheiro parar, para onde vai seu tempo?
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