Me faz lembrar do porquê eu queria morrer. Hoje eu ainda gosto dos meus pais, dos times com os quais me identifico, de alguns amigos, de ver minha infinidade de filmes e tentar passar alguma coisa para esses jovens esquisitos.
29/07/2026
24/07/2026
Vibra que é teu, Leão do Sul 🇦🇹🦁
28/06/2026
02/06/2026
Seria julgado
Seria julgado se não dirigisse
Seria julgado se não tivesse um carro
Seria julgado por ser motorista dos outros
Seria julgado por dirigir embriagado
Seria julgado por não prestar o teste do bafômetro
Seria julgado por ter um carro velho
Seria julgado por ter um carro novo e correr
Seria julgado por ter um carro velho e correr
Seria julgado por ter um carro novo e não correr
Seria julgado por ter um carro velho e não correr
Seria julgado por um farol queimado
Seria julgado pelos trajetos que faz
Seria julgado pela garagem
Seria julgado pelo atraso tendo carro
Seria julgado por quem deu carona
Seria julgado por quem não deu carona
Seria julgado se dirigisse
31/05/2026
20/05/2026
Creio que o ser humano esteja cada vez mais insatisfeito porque tem cada vez menos o que conquistar. Matam-se as dúvidas, as novidades. Tudo está pronto na pesquisa, nos arquivos de dados, nas imagens que se multiplicam. Não tem porque eu fazê-lo porque tão logo está feito ou já foi feito. Perde-se o encanto pela novidade, perde-se o aspecto cada vez mais gasto da novidade. Não há mais novidade. A repetição é obsoleta. O que já foi feito deve ser replicado somente pela máquina. A manufatura é perda de tempo. Se sobrar o tempo não sabemos onde aplicá-lo. Vou dormir.
19/05/2026
17/05/2026
19/04/2026
Nervos
Tenho problema nos nervos
Nos trevos sem quatro folhas
Nas escolhas que reaqueço
No preço dessas escolhas
Tenho problemas que não devo
Me preocupar e me preocupo
Um suco de más escolhas
E folhas e folhas de luto
Tenho problemas que esqueço
Tantos outros que nem meço
Emblemas do que mereço
A maioria não peço
Problemas que atravesso
Sem como sair pelo inverso
Sem como deixar de ser néscio
Enferma a mente que conheço
Tenho problema nos nervos
Enfermas peças pequenas
Interligadas ao esquema
Ferroadas em frevo
22/02/2026
14/02/2026
Cuidados na praia
Cuidado na praia é avisar o amigo que o tempo no sol já foi demais. Hora de se recolher ou retocar o protetor solar.
Cuidado na praia é seguir a orientação das bandeiras dos guarda-vidas que estão ali para isso e teoricamente conhecem melhor a praia, o trecho em questão.
Cuidado na praia é reconhecer que o mar é abusivo e te puxa sem que tu queiras.
Cuidado na praia é devolver a bolinha, a bola que sobrou de um passe errado no esporte. Cuidado na praia é respeitar uma distância para os demais para que isso não seja uma constante.
Cuidado na praia é respeitar o limite de decibéis na música e respeitar o gosto musical do vizinho, que é diferente do seu.
Cuidado na praia é desviar das crianças que, tu sabes, não desviarão de ti.
Cuidado na praia é cumprimentar os cachorros que eles também tanto gostam de água. Não acredito na restrição deles da praia, mas cuidado na praia é também entender que se cada família levar o seu ou os seus, não vai dar certo. Tenha cuidado na praia.
Cuidado na praia é ser cordial no vai e vem de turistas e de quem chega e quem sai dos às vezes improvisados estacionamentos.
Cuidado na praia é cuidar para não olhar muito tempo para mulher do próximo. Nem para o homem. Cada um com seus cuidados.
Cuidado na praia é admirar os idosos que fazem dessa caminhada ou tempo de observação ao mar uma terapia.
Cuidado na praia é ser respeitoso com os vendedores ambulantes que precisam desse tempo para sobreviver os próximos meses.
Cuidado na praia é recolher o lixo. De preferência mesmo seria nem gerar.
Tenha cuidado na praia. Respeite os animais marinhos e os terrestres. E uns aos outros.
15/01/2026
Pároco
Eu tinha de tudo mais
Menos o que mais preciso
Eu nunca quis um amor só
Só um amor
Eu nunca quis um amor só
Só um amor
Gondoleiro vai
Pelas águas fluviais
Petra Costa vai
Pelos olhos de ressaca
Capitu vai
Pelos olhos das capitais
Machado de Assis
Não corta o mal pela raiz
Machado é com CH
Não chega ao X da questão
Não chega à conclusão
Boa sorte ao leitor
Responder as memórias póstumas do autor
Eu tinha de tudo mais
Menos o que mais preciso
Eu nunca quis um amor só
Só um amor
Eu nunca quis um amor só
Só um amor
Eu era um pároco
De filosofia e um oco ainda
A cada dia
Eu era um pároco
Pelo que eu não toco
Mas até queria
Fios de poste
Quantos fios de poste
Conectaram sua vida, seus laçarotes?
Quantos fios de poste
Conectaram do gatonet
Ao lost
Do gatonet ao post
Quantos fios de poste
Conectaram do gatonet
Ao trending topic
Do gatonet aonde fosse
Quantos fios de poste
Conectaram a fake news
Ao impostor
Do gatonet ao sonegador de imposto
Quantos fios de poste
Conectaram sua vida a outros homens
Os mitos, os lobisomens
O que aparece ao que se some
O que se soma e o que ainda não tem nome
O sentimento que mata
Ou que produz a fome
Quantos fios de poste
Produziram
Do gatonet ao ghosting
Os estilingues de agosto
O estilo sobreposto
Os filhos, AI e os rostos
Fios de poste emendados
Fios de poste depostos
Fios de poste cacheados
E programas de Luz para Todos
Ainda falo o que me coço
Por cima dos ombros dos moços
Pelos fios dos postes
Marionetes, mascotes
Por cima das mensagens
Por cima de nossos destroços
Fica com o troco
31/12/2025
O Fim da Viagem / O Começo de Tudo
Filme de 2019, direção de Kiyoshi Kurosawa, O Fim da Viagem, Começo de Tudo é um filme propício para assistir na virada do ano, nas férias, no recesso. Um drama leve sobre a vida de uma jovem jornalista japonesa, que, introspectiva e sonhadora, viaja com sua equipe de reportagem para gravar um programa no Uzbequistão. Lá, sua mentalidade se expande e se transforma, quando impressões iniciais podem ou não serem confirmadas. Suas verdades são confrontadas e suas ideias para voltar à baía de Tóquio podem mudar.
Yoko (Atsuko Maeda) demonstra alguma inacessibilidade, um certo desentrosamento com a equipe de gravação. Logo no começo do filme ela chega atrasada à estação onde iria com os demais ao coração do Uzbequistão. A equipe não a esperou. Tirando as horas do extenuante serviço, Yoko gosta de passar o tempo sozinha, a passear para espairecer ou a falar ou tentar falar com o namorado, um bombeiro na baía de Tóquio.
O Uzbequistão prepara muitas surpresas. Um guia de pesca sem paciência. Machista com a presença feminina que afugentaria os peixes. As tentativas de gravação no lago são frustrantes. Uma cozinheira de comida típica atrapalhada com o cozimento do arroz, reclamando que não foi previamente avisada do que deveria preparar, sobre a gravação, mas que depois se desculpa e, mesmo com a suposta falta de lenha na cozinha, enche a equipe de mimos e preciosidades. Yoko fica confusa com o comportamento das pessoas e as diferenças culturais. Ela é destemida, um tanto impulsiva, independente e investigadora.
O filme desenvolve diferentes personagens. O tradutor do grupo se afeiçoa a Yoko. Um dos rapazes das câmeras também não é lá de muita paciência. Outro dos gravadores é experiente e já desenvolveu vários trabalhos artísticos. Yoko é jovem e cheia de dúvidas. Ela revela que seu sonho é cantar em apresentações, deseja voltar ao Japão e ser a estrela de um musical. As gravações do programa de variedades são questão de tempo; um passatempo. Um serviço temporário.
O desenvolvimento da trama também mostra aos espectadores os bastidores das gravações de filmes e programas de reportagem. Muito trabalho de convencimento, tomadas que necessitam repetição, acordos feitos por baixo dos panos, mãos molhadas, roteiros decorados e sorrisos falsos. Um dos mais pacientes é o tradutor que, além do mais, precisa fazer o elo, a ponte entre duas culturas asiáticas mas diferentes. Temur, como ele se chama, ainda reserva uma história pessoal ligada ao Japão que é digna de documentação. Quanto à gravação do programa em si, traz altos e baixos, como é a vida, com produções que rendem tempo, economizam dinheiro e outros passeios que saem caro e não saem como o planejado. Há surpresas sempre no caminho da equipe japonesa.
Yoko se afeiçoa aos animais. Se encanta por um bode, que inicialmente ela achava ser uma cabra, em um terreno hostil. Ela convence a equipe a resgatar o bode Okko, que na verdade, na complexidade da operação, não passa de um simulacro, pois a libertação urbana ao bode poderia resultar em ser devorado por outros animais selvagens. Qual o lugar de Okko? Qual o nosso lugar no mundo?
Yoko se questiona. O que a emociona é cantar, entregar-se de corpo e alma ao tema da música. Seu sorriso diante das câmeras para preparação do programa já não é o mesmo quando iniciara na profissão. Uma das cenas revoltante é quando exigem que ela, extenuada, exausta, sob riscos de complicações sérias, é exigida a repetir gravações em um brinquedo kamikaze em parque de diversões. Uma falta de tato, de senso da equipe e da própria, em momentos irresponsável consigo mesma, apesar do crescente alerta do próprio dirigente do brinquedo. Ela não deveria ser exposta a isso.
O filme também mostra que o trabalho de repórter, apesar da recompensa e da fama, pode ser enfadonho e cheio dos chamados ossos do ofício. Entregar na água até os joelhos e num barco de pesca, resgatar animais em vão, passar pratos estranhos e suspeitos, encarar os desafios da lei e de ser mulher em sociedades que possam ser opressoras. Apesar da desconfiança, Yoko termina esperançosa com o Uzbequistão e com um sentimento de agradecimento e até pertencimento diante das infindáveis planícies e montanhas. Inspiração para ela cantar e encarar o próprio Japão e sua vida de outra maneira, talvez até com a recuperação do sorriso após o jorrar das lágrimas.
Nota final para O Fim da Viagem / Começo de Tudo
⭐⭐⭐⭐
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A máquina se torna humano Humano se torna máquina A máquina é programada O ser humano é descartado
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Já não me cobro mais velocidade ou desempenho, mas os demais e a sociedade me cobram. Posso mandá-los às favas? Posso?
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Não é porque não achou modelo de vida melhor que o antigo não era obsoleto. Observações: preciso fazer uma newsletter. Sugestão, lembrança o...
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Onde joga meu time estarão eu e meu futuro.
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Me faz lembrar do porquê eu queria morrer. Hoje eu ainda gosto dos meus pais, dos times com os quais me identifico, de alguns amigos, de ve...
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Eu tentei ficar impassível, mas não consegui. Não consegui ficar impassível às fotos das crianças desaparecidas que voltam a estampar caixas...
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Há dias em que naturalmente estou abatido. E há dias que naturalmente me abatem.
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Por vezes não sinto saudade de como era o mundo, mas de como eu era inocente ao contemplá-lo.
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Não se apaixonou mais, nem precisou conviver mais com desequilíbrios emocionais descabidos. Sorriu a isso. Mas meio amarelo. Meio, pela meta...
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Consigo sentir Quintana Que não me engana Me aconselha Ou ao menos ergue a sobrancelha Consigo sentir Quintana em cada passo Que eu galgo ...





