Os deuses caem no chão do destino
Caem como de cima de um mezanino
De onde observam a humanidade
Não é fácil ser são na insanidade
E observar destinos tão mesquinhos
O aprisionamento de passarinhos
Os apartamentos corroídos sem síndico
A vida correndo sem sentido
Os deuses caem no chão do destino
Pouca coisa envelhece como vinho
Alguns vieram apenas pra ver vertigem
Quando a esfinge esfacela todos vão
Vão embora e nenhuma consideração
Vão embora e nenhuma ponderação
Qual passarinho não voaria dessa prisão?
Os deuses caem no chão do destino
Às vezes há ninguém que se preze
Às vezes há ninguém que percebe
Às vezes há ninguém
Para ecoar em voz audível um amém
Para dizer algo além da própria voz
Às vezes há ninguém além de nós
A esfinge esfacela, estamos a sós
E quem finge nunca fica para o pós
Os deuses caem no chão do destino
E as pessoas sonham alcançar o céu
Alguns pensam nisso desde meninos
Alguém antes de perceber já morreu
Os deuses caem no chão do destino
A terra não amortece, não amolece
A terra seca
Envaidece quem vê uma planta que cresce
Se o vizinho nunca sai da fase beta
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