05/09/2025

Deusinhos

Os deuses caem no chão do destino

Caem como de cima de um mezanino 

De onde observam a humanidade

Não é fácil ser são na insanidade

E observar destinos tão mesquinhos

O aprisionamento de passarinhos

Os apartamentos corroídos sem síndico

A vida correndo sem sentido


Os deuses caem no chão do destino

Pouca coisa envelhece como vinho 

Alguns vieram apenas pra ver vertigem

Quando a esfinge esfacela todos vão 

Vão embora e nenhuma consideração

Vão embora e nenhuma ponderação

Qual passarinho não voaria dessa prisão?


Os deuses caem no chão do destino

Às vezes há ninguém que se preze

Às vezes há ninguém que percebe

Às vezes há ninguém 

Para ecoar em voz audível um amém 

Para dizer algo além da própria voz

Às vezes há ninguém além de nós 

A esfinge esfacela, estamos a sós 

E quem finge nunca fica para o pós 


Os deuses caem no chão do destino 

E as pessoas sonham alcançar o céu

Alguns pensam nisso desde meninos

Alguém antes de perceber já morreu

Os deuses caem no chão do destino

A terra não amortece, não amolece 

A terra seca 

Envaidece quem vê uma planta que cresce

Se o vizinho nunca sai da fase beta


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