cai o sinal virtual
sinto o sinal da morte
me agarra forte pelo braço
sinto deveras uma dor no pulso
qual será o meu impulso
para não sair hoje com a morte?
para uns tanto azar
para outros boa sorte
tem que estar ali disposto
diariamente a cada imposto
esperando uma saída
um cochilo do porteiro
para buscar a sobrevida
qual será ao fim de tudo
o derradeiro veredito
cortando a noite como um grito
abafado no veludo
tão esperado mas não acredito
e não sei a quem credito
essa hora de infortúnio
a muitos causa espanto
para outros esse tanto é tão finito
se pensa e esquece num só banho
velório é tão inglório
todos juntos num rebanho
vagarosos nos passos e a voz em um sussurro
desafia até Saussure
entender esse conjunto
depois traz a cartilha
que tudo se esqueça
a regra é a cabeça
deixar seguir a vida
como faz pra que me desça
se a pessoa sob a terra desaparece
e ali permaneça
era aquela a prometida?
fica sob sete palmos
e a cabeça não esquece
a lembrança se entrelaça
se lança e se repete
como um filme mudo
conteúdo me remete
me identifico com tudo
até com o que nunca acontece
absorvo a dor do mundo
até a que não merece
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