Muito me incomoda opiniões divididas e multiplicadas aos montes de que homens com apoio a movimentos feministas apenas participam ou buscam bocadas de segunda intenção, de outro interesse. Concordo que os homens não devem tomar o protagonismo desses movimentos, principalmente ao respeito ao lugar de fala, mas evitar que participem de forma mais à margem, é um declínio, um desperdício ideológico e de luta. É fazer o movimento, que tenderia a ganhar força, perdê-la. É, mais uma vez, excluir mais do que incluir, um dos problemas centrais das contemporaneidades.
Enquanto homem, manifesto apoio a movimentos feministas, movimentos por igualdades salariais, contra assédios em locais de trabalho, pela inclusão das mulheres em diferentes setores: esportivo, engenheiro, medicinal, político, etc. É um processo que me parte interno, de minhas inquietações e buscas de reduções das desigualdades. Nada a ver com agradar X ou Y. Nada a ver com buscar segundas intenções com participantes ou protagonistas do mesmo movimento.
Ao mesmo tempo, defendo e posicionaria minhas bandeiras sempre em favor de outras consideradas minorias sociais. Por exemplo, os movimentos negros, como sofrem os brasileiros vítimas de preconceito, nas dificuldades trabalhistas, no preconceito com pobres, nos desrespeito de seus direitos garantidos constitucionalmente. Por exemplo, idem aos movimentos LGBT. E que segundo interesse teria eu para com esses movimentos? A menos que insinuem coisas. E insinuar é um verbo de muita aplicação na atualidade. Insinua-se em leituras rasas ou em propostas solucionais pouco densas e/ou apressadas. Lamento.
Meu trabalho na consistência de apoiar e registrar cada passeata, manifestação ou protesto próximo a mim. Incentivar que mais mulheres e mais negros participem desses movimentos. Mais trabalhadores e trabalhadoras por seus direitos. Que não se curvem à opressão, ao arrocho salarial seja de onde for. Este é meu trabalho. Conscientizar através de frases, discursos, do repasse de informações e de opiniões que servem para construção de um mundo mais justo e igualitário diante dos mais diversos sofrimentos humanos.
Enfim, friso que minhas lutas e as bandeiras que ergo partem de meus princípios, da educação que recebi e das minhas constatações pelas visões de mundo, pelo lugar de fala, pela exploração de ambiente e novas condições sociais e culturais observadas. Não estou aqui, nessas e em outras linhas dessa passagem mundana, no objetivo final de agradar simplesmente por agradar. De acometer atos com segundas intenções nesses tipos de objetivos. Acredito fervorosamente que grupos considerados minorias sociais, sejam mulheres, negros ou LGBT sofreram ao longo de séculos, das proibições e reduções de direitos e tudo o que está sendo conquistado por estes grupos nos últimos tempos não pode ser colocado em perda.
Reafirmo minha tristeza cada vez que ouço e leio opiniões de que todo homem hétero apoia movimentos pelas mulheres com segundas intenções. Meus princípios internos, do que considero justo, do que considero correto às pessoas, transpassam essa lógica que pode servir a outros. A mim, acredito que não.
18/04/2018
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