a porta que range abrange
a fronteira, a divisória
do que ficará por dentro
ou fora da história
a porta com seu rangido
gritante, alto-falante
incessante no vai e vem
transitória
a porta que range e incomoda
estridente e insinuante
como uma mola, uma agulha
que arranha e arranha
o mesmo trecho em uma vitrola
a porta com seu rangido
estampido ensurdecedor
insurgente, emergente
clemente em pedidos de socorro
a porta da dobradiça amaldiçoada
fazendo uníssono do chão ao forro
socorro! socorro!
pede a porta e ninguém cancela
meu maior desejo: um óleo nela
ou então sou eu quem morro
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