Estava a caminho de uma casa em uma estrada cercada por campos, por matos. Ou seria uma casa de praia? Enfim, nada muito central ou urbano. A caminho dessa casa, fui recepcionado por batalhões de pessoas que brindavam meus feitos, os quais eu não sabia direito. Mas entendi que fui intimidado por ter cometido crimes. Quais? Primeiro um atropelamento. Atropelei para matar algum pedestre e, quando fui abordado por um policial sobre o caso, também fiz questão de matá-lo. A primeira morte não havia intenção, mas a segunda foi meio que para me livrar de provas. Logo, eu não responderia por um, mas por dois assassinatos.
Mesmo assim, minha comunidade ali presente, que adentrou a casa comigo, não parecia se importar pelo cometimento criminalístico. Pelo contrário, vibravam como se fosse um aniversário, uma formatura ou qualquer outra grande conquista pessoal. Me sentia como um personagem principal, o qual assimilei na hora como Mac, do desenho animado Mansão Foster. Entretanto, apesar da satisfação, euforia e sorrisos demais, sabia que eu passaria por maus bocados quando descoberto por demais autoridades. Eis que carros de polícia estacionam em frente à casinha. Aproveito a multidão para me intrometer entre ela e correr rumo aos fundos. Sei que a ação das policiais é rápida e preciso de muito preparo físico para vencê-las. Os fundos da casa reservam abertos campos, lembrando a chácara do compadre Adão em Herval, município vizinho a Pedro Osório. A corrida aos fundos reserva uma ou outra pulada de cerca e um tremendo descampado, onde eu seria alvo fácil.
As demais pessoas comentam que eu deveria ter dobrado à direita e ir pelos bosques, em maior esperança de não ser visto. É o que faço quando me dou conta, torcendo para não ser tarde demais. Como minha preparação física e desconhecimento do terreno não contribuem, logo sou alcançado, bem próximo a tudo, na verdade. As policiais apenas me cumprimentam e um breve filme, um curtametragem passa pela minha mente. Pouco se importam com o colega de profissão morto. Talvez fosse persona non grata. A questão é que minha dívida está perdoada até o momento e sigo em liberdade. Podendo responder processos futuros. Um pouco pode ter relação com minha leitura anterior, com capítulo de Um Gato de Rua Chamado Bob, em que o dono se mete em encrencas, responde em liberdade, mas poderia novamente ser acusado, chamado a júri e poderia cumprir pena mais severa.
De volta à "segurança" da casa, na verdade o endereço rural trata-se de uma casa de madeira em Cruz Alta, pois identifico uma antiga amiga que há muito não vejo. Ela está acompanhada de outras amigas, de outras pessoas. Me reconhece, se importa como estou. Fazem algumas brincadeiras que se tornam praticamente agressões. Difícil me defender. Demonstro marcas vermelhas pela barriga, e noto que meus testículos saíram do lugar. Estão completamente descentralizados em relação ao restante do corpo. Me preocupo intensamente se isso seria reversível.
Ainda pela casa, descubro que possuem bons lugares para diversão. Sofás confortáveis, quartos em que posso dormir. Descubro a presença de muito mais gente. Praticamente uma gangue, um quartel general, uma organização meio secreta, no qual eu me infiltrava em outra cidade e na condição de assassino em liberdade. Possuem algo como sala de jogos e um caminho elevado como uma ponte pênsil em que a obra está recém terminada e me desafiam a subir e testá-la. Uma moça já estava localizada no final do trajeto, em um sofá, sobre um piso de madeira que também continuava a se mexer com os movimentos, com os passos. Não perderia para ela e estava em grande confiança com todo aquele universo em que eu era bem recebido pela antiga amiga e as demais pessoas.
Lá em cima, em aparente segurança, descolo um lugar no sofá colocado e outras pessoas se arriscam a subir. Saberia que eu não seria a causa de uma desordem na estrutura fragilizada de madeira, pois sou muito magro. Passado esse estágio, a dentro havia algo como uma cobertura, uma espécie de casa na árvore, mantendo o estrutural em madeira. Havia como que uma pequena loja de itens diversos. Alguns relacionados a futebol. Gostei muito de um chapéu estilo de bobo da corte em que as cores do Grêmio se faziam presentes. Era minha ideia de compra para voltar à minha terra natal após isso tudo.
Se tudo não estava maluco o suficiente, passo ainda uma empreitada por trilhas íngremes, trechos de selva, na promessa de que no fim haverá uma bela e singular vista, de tirar o fôlego, como prometem. Essa parte do sonho está mais masculina, no sentido de quem acompanha o trajeto. Um cara mais velho tem pinta de professor de educação física e os demais são todos bastantes jovens, a lembrar colegiais. São pedras escaladas, trechos em mata fechada, novas travessias de ponte pênsil, alturas, desfiladeiros com água lá embaixo. Tudo para superar até a última vista. A vista nesse dia de sol marcante é para águas cristalinas, como se diz. Uma praia até movimentada logo abaixo, fato que me faz questionar se não havia um trecho muito mais simples de acesso, para ter tantos turistas com carros e crianças na praia morro abaixo. Enfim, a vista é mesmo marcante e faz a gente esquecer um pouco os confusos episódios passados.
Os seguidores após eu ter cometido dois assassinatos: um no trânsito e outro a sangue frio contra um agente policial. A casa no meio do mato, as policiais que me perdoaram sabe-se lá o porquê, a volta para essa casa em estilo chalé e logo em Cruz Alta, cidade distante, com a distanciada amiga e os demais elementos da gangue. Tudo isso era passado diante da magistral vista.
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