Nós desgraçados da arte que escrevemos, descrevemos, relatamos tudo e todos os defeitos e virtudes como se não fôssemos nós mesmos compostos pelas mais graves sequelas. Relatamos da forma como queremos como se fôssemos perfeitos, nós mesmos os mais preenchidos de chagas, caolhos, vesgos, corcundas, deprimidos, ansiosos, deficitários, endividados, desprovidos da matemática, incapazes da baliza, míopes, línguas presas, cafonas, cornos, roedores de unhas, alcoólatras, tabaqueiros, controlados por remédios. Sedentos.
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Há dias em que naturalmente estou abatido. E há dias que naturalmente me abatem.
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Eu tentei ficar impassível, mas não consegui. Não consegui ficar impassível às fotos das crianças desaparecidas que voltam a estampar caixas...
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Consigo sentir Quintana Que não me engana Me aconselha Ou ao menos ergue a sobrancelha Consigo sentir Quintana em cada passo Que eu galgo ...
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A linha tênue entre enjoar e esquecer.
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Já não me cobro mais velocidade ou desempenho, mas os demais e a sociedade me cobram. Posso mandá-los às favas? Posso?
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A máquina se torna humano Humano se torna máquina A máquina é programada O ser humano é descartado
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Não se apaixonou mais, nem precisou conviver mais com desequilíbrios emocionais descabidos. Sorriu a isso. Mas meio amarelo. Meio, pela meta...
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Cansei. E deixarei de legado muito menos do que se não tivessem me cansado.
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Onde joga meu time estarão eu e meu futuro.
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Por vezes não sinto saudade de como era o mundo, mas de como eu era inocente ao contemplá-lo.
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